O deputado do Bloco João Semedo apontou uma contradição entre as declarações do ministro Silva Pereira e do ex-ministro Mário Lino sobre o momento em que o Governo decidiu comunicar à PT a oposição à compra da TVI. | Na reunião da comissão de inquérito desta quinta-feira à actuação do Governo na tentativa de compra da TVI, João Semedo assinalou que o ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino tinha afirmado que falou com o primeiro-ministro no dia 25 de Junho de 2009 “ao fim da manhã ou ao princípio da tarde”. O deputado do Bloco de Esquerda, relator desta comissão de inquérito, citou a transcrição da audição de Mário Lino em que o ex-ministro referiu o momento em que foi decidido comunicar a oposição do Governo ao negócio: “Eu tinha falado com o primeiro ministro no dia 25 ao fim da manhã ou ao princípio da tarde e tínhamos combinado que eu ia convocar o dr. Henrique Granadeiro para o dia 26 de manhã para lhe dizer que o Governo estava contra aquilo e assim fiz”, disse Mário Lino, na audição, no passado dia 19 de Abril. No entanto, quarta feira, o ministro da Presidência do Conselho de ministros, Pedro Silva Pereira, afirmou aos jornalistas, à saída da audição, que foi a entrevista do presidente da comissão executiva da Portugal Telecom (PT) - na RTP, dia 25 de Junho à noite - a “defender o negócio” da compra da TVI que “tornou necessário” que o Governo comunicasse formalmente a sua oposição ao negócio”. “Foi portanto essa entrevista do engenheiro Zeinal Bava que defendeu, aliás brilhantemente, esse negócio de acordo com os interesses estratégicos da PT, que tornou necessário, justificável e bastante compreensível para quem esteja de boa fé que o Governo tenha no dia seguinte a necessidade” de comunicar formalmente a oposição ao negócio”, afirmou Silva Pereira. Na reunião desta quinta-feira, que tinha como objectivo discutir a estrutura do relatório, João Semedo afirmou que o que o ministro Silva Pereira disse “não é verdade, pura e simplesmente”. “Dei este exemplo, para que todos tenhamos a consciência que há detalhes muito importantes na realização do relatório”, afirmou o deputado. A questão do momento em que o Governo decidiu comunicar à PT a sua oposição ao negócio foi levantada pelos deputados de inquérito depois do presidente da PT, Henrique Granadeiro, ter afirmado que se encontrou num jantar dia 25 de Junho à noite com o primeiro-ministro e que lhe comunicou que a PT não ia avançar com o negócio. Por outro lado, disse Granadeiro, o primeiro ministro não lhe disse que o Governo se iria opor ao negócio. A posição do Governo só foi transmitida numa reunião convocada pelo então ministro Mário Lino para o dia seguinte. |



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