Segundo o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o aumento salarial da função pública para 2010 deverá ficar abaixo do intervalo de 1 a 1,5%, estimado para a economia em geral. As declarações feitas antes no V Fórum Parlamentar Ibero-americano, só devem ser confirmadas com a divulgação das previsões que estão a ser feitas para o Orçamento do Estado do próximo ano. A justificativa apresentada pelo governador do Banco de Portugal para o valor avançado sobre o aumento dos salários da função pública, prende-se ao facto do aumento salarial de 2,9%, registado neste ano, não ter sido atribuído com a perspectiva de uma inflação negativa. Constâncio afirmou ainda que considera que serão necessárias novas medidas para controlar o défice até 2013, tais como o aumento dos impostos. Diante do facto da expansão da economia portuguesa não ser suficiente para combater o défice, que deve chegar aos 8%, segundo a Comissão Europeia, o Governador do Banco de Portugal afirmou não acreditar num aumento espontâneo das receitas suficiente para fazer baixar o défice para 3%, o que o leva a apontar a hipótese de um aumento dos impostos a partir de 2011 até 2013. Tais medidas devem ser adoptadas a partir de 2011, quando “se verificar uma recuperação consolidada”. |
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Aumentos salariais da função pública devem ser inferiores a 1%
domingo, 22 de Novembro de 2009
José Gusmão pretende audição com Ministro das Finanças
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, por iniciativa do deputado José Gusmão, requer a presença, com carácter de urgência, do Ministro de Estado e das Finanças na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, com vista a prestar esclarecimentos sobre decisão de proceder à reprivatização do BPN. Veja aqui o Requerimento apresentado. |
Louçã critica crise da justiça e pede combate à corrupção
![]() No encerramento das jornadas do esquerda.net, o coordenador bloquista reforçou o apelo ao “combate pela transparência e contra a corrupção” através das leis que o Bloco leva a discussão parlamentar no início de Dezembro. Louçã pediu esclarecimentos a Sócrates sobre a existência de sacos azuis nas empresas públicas e de pressões para a escolha e o afastamento de dirigentes de empresas públicas, como a Refer, em nome de interesses particulares. “O país tem que ter a certeza de que não há, não houve, não terá havido e não pode haver pressões para que, em nome de interesses particulares, se escolhem ou se afastem dirigentes de empresas públicas, como o caso da Refer”, afirmou Louçã dirigindo-se ao primeiro-ministro, que no seu entender deverá prestar essa garantia porque “tudo tem que ficar claro”. E acrescentou que “o país tem que ter a certeza de que não há sacos azuis nas empresas públicas, que possam servir para contabilidades paralelas” nem pressões do governo junto de administrações bancárias para dar ou retirar o investimento publicitário deste ou daquele órgão de comunicação social. Os entraves ao combate à corrupção passam também pelo estado da Justiça, que o deputado bloquista vê mergulhada numa "crise gravíssima", porque "não tem meios para investigar, não tem recursos para combater o crime mais complexo e porque não há segredo de Justiça quando era necessário para fazer uma investigação competente”. E para cúmulo, “aparentemente, não há hierarquia e não há capacidade de decisão dos agentes judiciários que representam o Estado” e “muitas vezes, os maiores representantes do Estado na Justiça não se entendem eles próprios sobre a interpretação e a aplicação da lei”, declarou Louçã. São estas "cortinas de fumo" no combate à corrupção que o Bloco se propõe combater. Quanto às escutas das conversas entre Armando Vara e José Sócrates, o Bloco "não tem nada a dizer". “Não as conhecemos, não as queremos conhecer. Se elas forem relevantes, são relevantes para a Justiça e só podem ser relevantes se tiveram indícios criminais”. “Tudo no resto que tenha a ver com conversas de conteúdo político ou qualquer outro entre pessoas no âmbito privado é irrelevante para a Justiça, portanto não nos interessa”, afirmou o deputado do Bloco. Durante o dia de sábado, dezenas de activistas do Bloco juntaram-se no Porto para discutir o futuro da presença do Bloco na internet e preparar as mudanças no portal esquerda.net e na restante "blocosfera", que abrange os sites nacional e distritais do Bloco, o site do grupo parlamentar e as redes sociais. Uma das ideias em debate foi o nascimento de uma rede de "amigos do esquerda.net" que permita ao portal criar uma rede de correspondentes em muitos pontos do país, melhorando a sua cobertura noticiosa das lutas sociais. A maior integração do vídeo, áudio e fotografia no esquerda.net tiveram um espaço próprio de troca de opiniões em workshop. Os resultados práticos do debate destas jornadas no esquerda.net deverão ser implementados no início de 2010, com a remodelação gráfica do portal de notícias do Bloco. |
sábado, 21 de Novembro de 2009
Ana Drago: "Vimos um ensaio de Bloco Central"
A deputada Ana Drago fez uma declaração de voto denunciado o ensaio de bloco central, entre PS e PSD, que evitou a suspensão do modelo de avaliação dos professores.
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Bloco questionou Ministério do Trabalho sobre situação da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas
A Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas é uma empresa que emprega actualmente 148 trabalhadores e encontra-se em Lay-off desde 7 de Junho. Entretanto, encontram-se em atraso algumas prestações, nomeadamente ao nível do Subsídio de Férias (2008 e 2009) e do Subsídio de Natal (2009).
A empresa pediu um empréstimo à Banca para adquirir matéria-prima e a administração mostra-se confiante numa evolução positiva da carteira de encomendas, mas o futuro da empresa é incerto.
Tendo em conta a situação desta empresa o Bloco de Esquerda considera que o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social deve acompanhar a situação desta empresa e dos seus trabalhadores, e tomar as medidas necessárias para garantir a continuidade da laboração.
Assim, o Bloco endereçou hoje um requerimento ao Governo, em que questiona que medidas pretende tomar o governo no sentido de averiguar da viabilidade da empresa e contribuir para desbloquear as dificuldades que a mesma atravessa.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda
Francisco Louçã responde ao acordo PS/PSD na avaliação
O deputado Francisco Louçã intervém no fim do debate sobre a avaliação dos professores, lançando duras críticas ao Governo e ao PSD.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Gama e Lacão divergem no agendamento dos projectos do Bloco sobre corrupção
São os dois do PS, mas desafinaram. Foi ontem na conferência de líderes. Pela primeira vez, houve uma divergência entre o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, e Jaime Gama, presidente da Assembleia da República. Tudo por causa do agendamento potestativo (obrigatório), pedido pelo Bloco de Esquerda (BE), dos seus quatro projectos de combate à corrupção e da leitura, mais estrita ou mais ampla, do regimento da Assembleia.
A leitura que Lacão faz do regimento é que por cada agendamento potestativo apenas poderá ser discutida uma iniciativa. É isso que o ministro lê no número três do artigo 64.º do Regimento da Assembleia da República, que estipula que a cada reunião com agendamento potestativo "pode corresponder uma iniciativa legislativa". "Sem prejuízo de a conferência de líderes poder agendar outras" que "estejam relacionadas" com a iniciativa proposta.
Além da troca de argumentos entre Lacão e Gama, a discussão deu a volta à mesa. As bancadas da oposição, segundo afirmaram ao PÚBLICO vários participantes da conferência de líderes, discordaram desta leitura de Lacão. Jaime Gama também, e lembrou ao ministro o entendimento feito na anterior legislatura: por consenso, subiam a debate no plenário as iniciativas sobre o tema do agendamento e outras conexas.
A secretária da mesa da Assembleia confirmou ao PÚBLICO tratar-se apenas de uma dúvida regimental da parte de Lacão e afirmou que a próxima conferência de líderes, após uma clarificação, voltará ao tema quanto a este debate agendado para 3 de Dezembro, no Parlamento.
O Bloco de Esquerda apresentou domingo quatro projectos de lei de combate à corrupção, incluindo um que prevê o "crime de enriquecimento ilícito", num momento em que "a corrupção está a gangrenar a sociedade portuguesa". Outro diploma propõe o levantamento do sigilo bancário, através de um modelo semelhante à lei espanhola, em que as instituições bancárias comunicam duas vezes por ano ao fisco os movimentos dos depósitos de clientes, em comparação com as declarações de IRS. A terceira proposta é acabar com a distinção entre corrupção para acto lícito e ilícito e a quarta é a "retenção fiscal das mais-valias urbanísticas".
Além da troca de argumentos entre Lacão e Gama, a discussão deu a volta à mesa. As bancadas da oposição, segundo afirmaram ao PÚBLICO vários participantes da conferência de líderes, discordaram desta leitura de Lacão. Jaime Gama também, e lembrou ao ministro o entendimento feito na anterior legislatura: por consenso, subiam a debate no plenário as iniciativas sobre o tema do agendamento e outras conexas.
A secretária da mesa da Assembleia confirmou ao PÚBLICO tratar-se apenas de uma dúvida regimental da parte de Lacão e afirmou que a próxima conferência de líderes, após uma clarificação, voltará ao tema quanto a este debate agendado para 3 de Dezembro, no Parlamento.
O Bloco de Esquerda apresentou domingo quatro projectos de lei de combate à corrupção, incluindo um que prevê o "crime de enriquecimento ilícito", num momento em que "a corrupção está a gangrenar a sociedade portuguesa". Outro diploma propõe o levantamento do sigilo bancário, através de um modelo semelhante à lei espanhola, em que as instituições bancárias comunicam duas vezes por ano ao fisco os movimentos dos depósitos de clientes, em comparação com as declarações de IRS. A terceira proposta é acabar com a distinção entre corrupção para acto lícito e ilícito e a quarta é a "retenção fiscal das mais-valias urbanísticas".
in: Jornal Público
Marcha pelo Ensino Superior
Cerca de quatro mil estudantes do Ensino Superior manifestaram-se esta terça feira em Lisboa. Vieram de todo o país em protesto contra a política de desinvestimento sucessivo que conduziu à degradação das universidades e ao abandono de muitos estudantes devido à insuficiência do sistema de acção social.
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Taxa de Desemprego sobe para 9,8%
O número de desempregados em Portugal apurado pelo INE durante o terceiro trimestre subiu para 548 mil, o que representa 9,8% da população activa do país. O agravamento de 2,1% face aos 7,7 % observados no período homólogo de 2008, continuam acima dos 8,8% previstos pelo Governo para este ano. São mais 40 mil desempregados em Portugal em três meses, cerca de 114 mil no ano. Os números do terceiro trimestre ultrapassam o máximo de 9,2% para a taxa de desemprego registada no primeiro trimestre de 1986, na sequência da crise económica. Face aos números divulgados pelo INE, o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que "o desemprego subiu duas décimas em relação ao trimestre anterior, mas também é verdade que subiu menos do que se estava à espera" O deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, afirmou que "Estes números mostram o falhanço do Governo na resposta à crise naquilo que tem de mais grave que é o desemprego. O Governo falha na resposta económica à crise que é a criação de emprego e falha na resposta social à crise, que é o subsídio de desemprego". O deputado afirmou ainda que o Governo fez um grande foguetório quando anunciou uma medida de alteração do subsídio de desemprego que beneficia "apenas dez mil pessoas", e que só nos últimos três meses o desemprego cresceu em 46 mil pessoas, facto que "mostra bem o impacto que têm estas medidas e a necessidade de mudar de políticas económicas e sociais". |
PS tenta atrair PSD contra a suspensão da avaliação
![]() O PS acenou na terça-feira com a possibilidade de viabilizar o projecto de resolução do PSD sobre a avaliação dos professores, que troca o termo "suspensão" por "substituição" da avaliação. Para isso, porém, o PSD teria de garantir que não votava a favor dos restantes projectos da oposição. Desenha-se assim a possibilidade de se formar um bloco central contra os professores esta quinta-feira, quando avaliação vai a debate na Assembleia da República. Ao contrário do que defendeu durante a campanha eleitoral, o projecto do PSD deixa de falar em suspender a avaliação para usar um termo vago: "substituição" do processo. A diferença não é só semântica. A questão de fundo é saber se os professores que estiveram à frente da contestação ao processo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues e não entregaram os seus objectivos individuais serão ou não penalizados. Para a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (Apede), um dos movimentos de professores que despontaram na luta contra o processo de avaliação do anterior governo, "uma 'substituição' do modelo que tenha efeitos apenas para o 2.º ciclo avaliativo - o do presente ano lectivo - não impede as consequências mais perversas da aplicação deste modelo ainda em vigor para o 1.º ciclo avaliativo." As consequências, para a Apede, seriam que as classificações de Muito Bom e Excelente poderão colocar professores em vantagem nos próximos concursos, uma vantagem que a associação classifica de absurda e injusta "quando pensamos no formato aberrante que a propiciou". Por outro lado, diz a Apede, os professores que mais se destacaram na luta, ao não terem entregue os Objectivos Individuais, poderão vir a ser penalizados. É isso mesmo que o governo, aliás, pretende. O Ministério da Educação de Isabel Alçada anunciou na terça-feira aos sindicatos que entregaria durante esta semana uma proposta de calendário negocial, garantindo que o primeiro ciclo de avaliação, que termina em Dezembro, será cumprido dentro do quadro legal em vigor e que as classificações a atribuir terão efeitos na progressão na carreira. E também já esclareceu que os professores que não entregaram os elementos de avaliação, como os objectivos individuais, não serão avaliados. Entretanto, a ministra da Educação convocou os sindicatos, na véspera do debate, para lhes apresentar o calendário de negociações. Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, estranhou esta convocatória repentina, afirmando que os calendários negociais "têm de ser convocados com cinco dias de antecedência". Mas disse esperar que até ao final do ano seja possível chegar a um entendimento com o governo. A Fenprof defende que seja suspenso o 2º ciclo avaliativo do processo actual, considerando que o primeiro já terminou. "O importante é garantir que nenhum professor deixa de ser avaliado, pois, assim, se garante que não terá qualquer problema de progressão na carreira", disse Mário Nogueira ao Jornal da Fenprof. Ao mesmo tempo, defende a anulação dos efeitos das menções de "Muito Bom" e "Excelente" que, em sede de concursos, valem, respectivamente, 1 e 2 valores na graduação profissional. |
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Ilegalidades nas concessões das auto-estradas
Enquanto o Ministério das Obras Públicas promete mais portagens, a Estradas de Portugal perde 430 milhões de euros para as concessionárias no contrato de concessão das autoestradas Transmontana e Douro Litoral. O tribunal de contas fala de violações flagrantes à lei e considera que os contratos prejudicam gravemente o interesse público em favor das empresas Mota-Engil e Soares da Costa.
| O Tribunal de Contas recusou o visto do contrato da concessão de duas autoestradas atribuídas à Soares da Costa (autoestrada Transmontana) e À Mota-Engil (autoestrada Douro Litoral). Em dois acórdãos questiona os processos de concessão por não defenderem o interesse público, levanta dúvidas legais sobre os contratos e critica duramente as justificações apresentadas pelas Estradas de Portugal. Em causa estão 430 milhões de euros. A empresa pública Estradas de Portugal prescindiu de receber 430 milhões de euros em favor dos privados. O Tribunal de Contas mostra “perplexidade” por o Estado ter prescindido de receber 430 milhões de euros da Soares da Costa e da Mota-Engil, com a adjudicação a estas duas empresas da construção e exploração das novas auto-estradas Transmontana e do Douro Litoral. A revelação foi feita pelo Tribunal de Contas (TC) em dois acórdãos (n.º 160/2009 e n.º 161/2009) aprovados e publicados no início de Novembro, em que é recusado o visto prévio aos dois contratos destas subconcessões. Os conselheiros do TC consideram que “este facto não pode deixar de suscitar perplexidade”, até porque não foi justificado pela Estradas de Portugal (EP), apesar das dúvidas levantadas pelo tribunal. Estado perde milhões O problema, revela o TC, é que o facto de a Soares da Costa (no concurso da Transmontana) e a Mota-Engil (na Douro Litoral) terem incluído nas suas propostas iniciais o pagamento à EP, respectivamente, de 230 e 200 milhões de euros, fez com que estas empresas obtivessem uma classificação melhor que as suas concorrentes, acabando por ser, por isso, seleccionadas para a fase final da negociação nos respectivos concursos. Mas a EP prescindiu depois desses valores, baseando-se em argumentos que não convenceram o TC: “A argumentação produzida, sobre a matéria, pela EP, não deixa de surpreender, dado emanar de um dos mais importantes donos de obra pública do País e contrariar quase duas décadas de doutrinação da CADA (Comissão de Acesso aos Documentos da Administração), sobre este assunto.” A EP adjudicou portanto as obras, aceitando propostas finais destas empresas nas quais já não constava qualquer pagamento daquele tipo. Tal como aconteceu na Auto-estrada Transmontana, também na subconcessão do Douro Interior há diferenças entre a proposta com que os concorrentes foram pontuados para passar à fase de negociações, e a propostas final com que ganharam o concurso, e receberam a adjudicação. O investimento total necessário para a construção da Douro Interior diminuiu 15,7 milhões de euros, e o esforço financeiro a ser pedido ao concedente aumentou 60 milhões de euros. E também não há lugar a pagamentos à cabeça, como surgiam na proposta inicial. No caso da Auto-estrada Transmontana, o custo de construção passou de 577 para 508 milhões, e o valor actualizado líquido do esforço financeiro que iria ser pedido ao concedente passou de 460 para 539 milhões. No caso da Douro Interior, os custos de construção diminuíram de 762 milhões para 747, e o esforço financeiro pedido à EP passou de 696 para 757 milhões. Estas diferenças, sublinha o Tribunal de Contas, violam o próprio caderno de encargos por traduzirem uma degradação das condições inicialmente oferecidas. E são uma das "ilegalidades" detectadas que justificam o chumbo. Os pagamentos à cabeça que os concorrentes se propõem efectuar resultam de uma fórmula financeira em que, de alguma forma, se reequilibra a diferença entre aquilo que a concedente teria de pagar e aquilo que o concessionário teria de receber ao longo dos 30 anos de concessão. Na fase da negociação das propostas, o esquema financeiro foi, no entanto, todo alterado. Na Trasmontana, a EP ficou obrigada a pagar mais 80 milhões de euros do que inicialmente previsto, e na Douro Interior a diferença salda-se em 60 milhões. Fracos argumentos Nas respostas enviadas ao tribunal, a EP justifica que "entre a primeira e a segunda fase do procedimento verificou-se uma significativa degradação do clima económico e financeiro decorrente da gravíssima e por todos sobejamente conhecida crise financeira global", e relembra que, em ambos os casos, os pagamentos finais acordados ficaram abaixo do que estava definido no estudo de viabilidade encomendado pelo Governo para cada uma das concessões. O TC responde que a argumentação da EP “desenvolve-se agora com a avaliação de quatro parâmetros: a redução dos bancos disponíveis para participar no programa; o aumento dos custos financeiros, margens e comissões; a redução dos prazos de financiamento; o aumento da componente de capitais próprios”. Mas considera que “a crise” e as suas consequência “não invalida a conclusão de que houve uma degradação das condições inicialmente propostas”, e que foram “violados os princípios que orientam a contratação pública”. Almerindo Marques, presidente da Estradas de Portugal, diz que vai recorrer da decisão do Tribunal Constitucional. Segundo o jornal Sol, o Governo já terá dado indicação à EP para “lutar até ao fim” pela legalidade das concessões. Marcelo Rebelo de Sousa já veio apoiar o Governo e a EP, considerando que “as subconcessões adjudicadas pela EP não estão sujeitas a visto prévio”. Almerindo Marques diz que a Estradas de Portugal “vai recorrer da decisão do Tribunal de Contas e depois se verá”. Sobre a decisão do Tribunal de Contas, Almerindo Marques escusou-se a comentá-la, alegando limites deontológicos que não pode ultrapassar, reiterando novamente que o que "existe de facto, e que a deontologia permite dizer, é que há divergência de interpretação jurídica nas regras de decisão sobre o concurso". O presidente da Estradas de Portugal garantiu ainda que as obras nas duas concessões "vão prosseguir com normalidade". Entretanto o Ministério das Obras Públicas ameaça os utentes com mais portagens que consideram “inevitáveis”. “Nas regiões onde haja alternativas de acessibilidades, os custos de utilização dessas infra-estruturas terão de ser suportados pelo tráfego que circular”, disse fonte oficial do Ministério ao jornal Sol. O Governo quer também introduzir portagens em três SCUT em 2010 e espera “poupar” 100 milhões, mas à custa dos utilizadores, enquanto perde milhões com as concessões aos grandes grupos da construção: Mota-Engil e Soares da Costa. |
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Fernanda Asseiceira suspende projecto de ampliação do Quartel de Bombeiros de Alcanena
A actual presidente da Câmara de Alcanena quer encontrar outra solução para o Quartel de Bombeiros Municipais. Na reunião de câmara que teve lugar na segunda-feira, 9 de Novembro, Fernanda Asseiceira (PS) deixou bem claro que nunca concordou com o projecto de ampliação das actuais instalações do quartel, aprovado pelo executivo liderado pelo independente Luís Azevedo. “Não avançarei com nada do que não concorde. Na altura em que isto foi discutido, pedi para ver a apresentação do projecto e chamei outros intervenientes. Nem os responsáveis pela protecção civil nem os próprios bombeiros concordavam com o projecto apresentado”, disse a autarca, dirigindo-se em particular ao vereador Eduardo Marcelino (ICA). Fernanda Asseiceira anunciou, ainda, no decorrer da reunião, que encontra-se nesta fase a estudar os vários dossiers e que, por esta razão, todos os projectos estão em fase de análise.
in: O Mirante
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Mais difícil construir fora das áreas urbanas
O PROT entrou em Novembro em vigor e as regras que define sobrepõem-se aos PDMs.
Se até agora os PDMs (Planos Directores Municipais) já colocavam entraves à construção fora dos aglomerados, desde ontem é o PROT (Plano Regional de Ordenamento do Território) que define as linhas mestras para construção.
Por exemplo os PDMs que permitiam construir em zonas agro-florestais com menos de 4 hectares vão deixar de o poder fazer. Esses PDMs têm de ser revistos.
O PROT aplica-se a 33 municípios dos distritos de Leiria, Santarém e Lisboa, nomeadamente: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Ourém, Peniche, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras e Vila Nova da Barquinha.
O PROT aplica-se a 33 municípios dos distritos de Leiria, Santarém e Lisboa, nomeadamente: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Ourém, Peniche, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras e Vila Nova da Barquinha.
Documento no Diário da República
in: O Templário
domingo, 8 de Novembro de 2009
Os intocáveis
O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.
Artigo de Opinião de Mário Crespo
in: Jornal de Notícias
sábado, 7 de Novembro de 2009
Luís Fazenda encerra debate do programa de governo
Luís Fazenda encerrou o debate do programa de governo pela bancada bloquista e acusou o governo de querer colocar a oposição "entre a espada e a parede". A ausência de medidas de combate à corrupção mereceu as maiores críticas da bancada bloquista.
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Inspecção do Ambiente dá dois meses para retirada de depósito ilegal de resíduos em Alcanena
A Inspecção-Geral do Ambiente deu dois meses aos responsáveis do terreno de Covão do Coelho, Alcanena, e da unidade de gestão de resíduos na Chamusca, onde foram depositados ilegalmente resíduos industriais, para os removerem e reporem a situação anterior.
Em comunicado, o Ministério do Ambiente afirma que a Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAOT) realizou inspecções às empresas de produção dos resíduos e nos locais identificados como aterro ilegal.
Por considerar “grave” a situação ambiental detectada na sequência de notícias veiculadas pela comunicação social, “dada a dimensão dos aterros em questão”, a IGAOT emitiu os mandatos, ordenando aos responsáveis dos dois locais identificados a “cessação imediata da recepção e deposição de quaisquer resíduos”.
Por outro lado, dá um prazo de 60 dias para reporem “a situação existente à data anterior ao início da deposição ilegal dos resíduos através da sua remoção e encaminhamento para destino autorizado”.
Os resíduos em causa são escórias da queima de resíduos de biomassa, tendo sido feitas colheitas no local, aguardando a IGAOT os resultados dessas análises. Contudo, afirma, os resultados das análises anteriores, obtidas junto do produtor dos resíduos, “demonstram valores diminutos de poluentes (inferiores aos limites de quantificação dos equipamentos de análise) consonantes com escórias provenientes da queima de resíduos de biomassa”.
Ministério confirma abandono dos resíduos
O comunicado acrescenta que as diligências efectuadas permitiram confirmar que os resíduos, “apesar de supostamente terem como destino um operador autorizado para o efeito, eram na realidade abandonados”, em parte no terreno de Covão do Coelho.
Os restantes - “muitas toneladas” - estavam a ser aterrados, “sem qualquer licença ou condições para o efeito, num terreno pertencente a uma unidade de gestão de resíduos localizada no concelho da Chamusca, que não cumpria assim com a obrigatoriedade de tratamento dos mesmos”.
A associação ambientalista Quercus denunciou, há duas semanas, a deposição ilegal de resíduos industriais num terreno em Covão do Coelho, numa zona “próxima de uma falha geológica em área de máxima infiltração no maciço calcário estremenho, junto do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros”.
A Quercus adiantava que os resíduos, de acordo com a investigação da TVI exibida na reportagem “Máfia Lusitana”, provinham da fábrica de pasta de Celulose Beira Industrial (Celbi) e estavam a ser transportados para aquele local pela empresa Poderinova, de Covão do Coelho.
Por considerar “grave” a situação ambiental detectada na sequência de notícias veiculadas pela comunicação social, “dada a dimensão dos aterros em questão”, a IGAOT emitiu os mandatos, ordenando aos responsáveis dos dois locais identificados a “cessação imediata da recepção e deposição de quaisquer resíduos”.
Por outro lado, dá um prazo de 60 dias para reporem “a situação existente à data anterior ao início da deposição ilegal dos resíduos através da sua remoção e encaminhamento para destino autorizado”.
Os resíduos em causa são escórias da queima de resíduos de biomassa, tendo sido feitas colheitas no local, aguardando a IGAOT os resultados dessas análises. Contudo, afirma, os resultados das análises anteriores, obtidas junto do produtor dos resíduos, “demonstram valores diminutos de poluentes (inferiores aos limites de quantificação dos equipamentos de análise) consonantes com escórias provenientes da queima de resíduos de biomassa”.
Ministério confirma abandono dos resíduos
O comunicado acrescenta que as diligências efectuadas permitiram confirmar que os resíduos, “apesar de supostamente terem como destino um operador autorizado para o efeito, eram na realidade abandonados”, em parte no terreno de Covão do Coelho.
Os restantes - “muitas toneladas” - estavam a ser aterrados, “sem qualquer licença ou condições para o efeito, num terreno pertencente a uma unidade de gestão de resíduos localizada no concelho da Chamusca, que não cumpria assim com a obrigatoriedade de tratamento dos mesmos”.
A associação ambientalista Quercus denunciou, há duas semanas, a deposição ilegal de resíduos industriais num terreno em Covão do Coelho, numa zona “próxima de uma falha geológica em área de máxima infiltração no maciço calcário estremenho, junto do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros”.
A Quercus adiantava que os resíduos, de acordo com a investigação da TVI exibida na reportagem “Máfia Lusitana”, provinham da fábrica de pasta de Celulose Beira Industrial (Celbi) e estavam a ser transportados para aquele local pela empresa Poderinova, de Covão do Coelho.
Fonte: Lusa
in:O Público
Protocolo a quatro viabiliza solução para poluição no Alviela

O calvário das populações ribeirinhas do Alviela devido à poluição pode estar a chegar ao fim. A luz ao fundo do túnel começou a ver-se sexta-feira, 5 de Junho, com a assinatura, em Alcanena, de um protocolo envolvendo quatro entidades e que prevê a realização de várias intervenções complementares para mudar a face ao rio. A metáfora luminosa foi deixada pelo representante da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Resíduos de Alcanena, Fernando Fernandes, dizendo que “desta vez a luz ao fundo do túnel não é a do comboio que nos vem arrasar a todos, mas sim a saída” para os problemas.
O investimento estimado é de 21,2 milhões de euros e engloba: a construção de uma unidade de tratamento de resíduos industriais (raspas verdes); a melhoria do sistema de tratamento da ETAR de Alcanena; remodelação da rede de colectores de águas residuais; reabilitação da zona de lamas não estabilizadas; e defesa contra cheias da ETAR de Alcanena.
Integrado no mesmo protocolo, assinado pela Câmara de Alcanena, Instituto da Águas (INAG), Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARHT) e AUSTRA, encontra-se ainda a reconstrução da cascata do mouchão de Pernes, no concelho de Santarém. Uma obra também há muito reclamada e cujo início está previsto para breve.
O ex-presidente da Câmara de Alcanena, Luís Azevedo (ICA), considera que desta vez não se trata apenas de uma expressão de intenções mas sim de medidas concretas para colocar fim ao flagelo ambiental que há décadas, de forma regular, afecta o rio que cruza os concelhos de Alcanena e Santarém. O autarca fez um breve historial do processo, reconhecendo que a industrialização desenfreada e desumanizada deixou mossas difíceis de esquecer. “A agonia e morte do rio Alviela foi a face mais mediática e triste desse problema”, lamentou.
Apesar do investimento de 70 milhões de euros feito nas duas últimas décadas no sistema de tratamento de resíduos de Alcanena, o problema nunca ficou resolvido por inteiro. E é isso que agora se pretende. O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, lamentou o arrastar do problema mas congratulou-se com a concertação entre as várias entidades que à partida permitirá resolver uma questão complexa. Também o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Rui Baleiras, realçou esse aspecto e o envolvimento de três programas operacionais (Centro, Alentejo e da Valorização do Território) na comparticipação dos projectos.
Os projectos um a um
- Unidade de Tratamento de Resíduos Industriais. Tem como promotor a AUSTRA e um orçamento de 2,6 milhões de euros, com comparticipação prevista de fundos europeus de 70 por cento.
- Melhoria da eficiência do sistema de tratamento da ETAR de Alcanena. Obra da AUSTRA. Investimento de 7 milhões de euros, com financiamento comunitário previsto de 60 por cento.
- Remodelação da rede de colectores de águas residuais. O valor é de 5,9 milhões e a AUSTRA terá comparticipação máxima de 70 por cento.
- Reabilitação da zona de lamas não estabilizadas. Obra da responsabilidade da ART do Tejo. Valor de 5 milhões de euros. Aguarda aprovação da candidatura para financiamento em 70 por cento pela União Europeia. Conclusão prevista para Dezembro de 2009.
- Defesa contra cheias da ETAR de Alcanena. Projecto do INAG, com um valor de 777 mil euros. Conclusão prevista para Abril de 2010.
- Reconstrução da cascata do Mouchão de Pernes. Obra do INAG no valor de 917 mil euros. Conclusão prevista para Junho de 2010.
in: O Mirante
A equipa do Bloco de Esquerda em Alcanena fica à espera do início das obras e da consequente resolução dos problemas ambientais existentes no nosso Concelho.
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
José Gusmão questiona em Assembleia sobre taxas Multibanco
José Gusmão, deputado eleito pelo Bloco de Esquerda em Santarém, questionou hoje o Governo relativamente à possibilidade de aplicação das taxas de utilização de Multibanco.
Contratos a prazo nas autarquias sobem 21%
| Os contratados a prazo subiram 21% nas autarquias, mais ainda do que o aumento da precariedade total no país. Em causa estão sobretudo trabalhadores que cobrem necessidades permanentes, reconhece a Associação Nacional de Municípios Portugueses. O número de falsos recibos verdes também subiu nas autarquias. Foi publicado o mais recenterelatório sobre os recursos humanos nos municípios portugueses, da responsabilidade da Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL). Segundo o Correio da Manhã, os dados apurados pela DGAL, referentes ao ano de 2008, revelam que perto de 20% dos trabalhadores e trabalhadoras das autarquias têm vínculo precário. Concretamente, segundo estes números cerca de 18% correspondem a contratos a prazo e 2% a recibos verdes. No total, estamos a falar de cerca de 25 mil pessoas. O Governo afirma querer combater a precariedade, mas os empregadores públicos estão a fazer o contrário. Num ano em que o número de trabalhadores das autarquias aumentou 2%, os contratados a prazo subiram 21%. Os dados foram publicados pela Direcção-Geral das Autarquias Locais e baseiam-se no balanço social enviado pelos 308 municípios. O relatório de Caracterização de Recursos Humanos, recentemente divulgado, afirma que a 31 de Dezembro de 2008 os contratados a termo - certo ou incerto - representavam já 15,5% dos actuais 126 683 trabalhadores autárquicos. Em 2007, a percentagem era de 13%, num universo de 124 547 trabalhadores. O presidente da Associação Nacional de Municípios atribui a evolução a novas contratações de professores e auxiliares para as actividades de enriquecimento curricular (AEC), enquadradas no processo de transferência de competências para as autarquias. "Desde sempre fomos chamando a atenção que à custa das AEC ia aumentar o número de funcionários contratados das câmaras", afirmou ao Diário de Notícias Fernando Ruas, que diz desconhecer os dados em detalhe. "Na minha câmara [Viseu], por exemplo, são mais de duzentos", acrescenta. Em causa estão contratados a prazo que cobrem "necessidades permanentes", reconhece o presidente da ANMP, garantindo que "mais tarde" estes casos "hão-de ter regularização". Fernando Ruas diz que a situação se mantém “por força da indefinição da transferência de competências. Que só fica arrumada se for definida por lei. O que acontece neste momento é que as câmaras estão a receber competências por um contrato, que não é definitivo", argumenta. Os sindicatos contestam. "Quero pensar que o aumento se deva às AEC. Mas nesse caso os trabalhadores deveriam ter contratos por tempo indeterminado", refere José Abraão, da FESAP. "É natural que em vésperas de eleições os presidentes de câmara tenham tido a tentação de gerar alguns postos de trabalho, o que nem seria muito mau tendo em conta o combate ao desemprego", afirma. "O que não faz sentido é estes empregarem-se e ao mesmo tempo não vermos reduzido o número de trabalhadores da mobilidade especial", acrescenta. O acréscimo de 3473 contratados a termo nas autarquias (para um total de 19 664) aconteceu numa altura em que se reduziram 2444 prestadores de serviços. O novo regime de vínculos, carreiras e remunerações, em vigor desde Março de 2008, impôs maiores restrições aos recibos verdes, pelo que poderá ainda ter havido alguma transferência. O aumento do número de contratados a prazo é, de resto, generalizado. Em 2008, segundo o INE, havia 727 mil contratados a termo certo, mais 6% que no ano anterior. A tendência poderá inverter-se este ano. Quando sobe o desemprego, os precários são os primeiros a cair. |
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Bloco propõe novo modelo de avaliação docente
O Bloco de Esquerda defendeu esta terça-feira um modelo de avaliação de professores integrado, sem quotas, e realizado quando da mudança de escalão do docente, e onde também é feita uma apreciação de cada estabelecimento de ensino, valorizando o desempenho das melhores escolas e dos melhores professores e prevenindo e corrigindo os problemas. Na exposição de motivos do projecto de lei apresentado, o Bloco de Esquerda define assim as características estruturantes da sua proposta são: . um modelo integrado que parte de objectivos definidos pelos diferentes órgãos de coordenação científica e pedagógica . um modelo integrado que avalia o desempenho docente no quadro da avaliação das escolas . um modelo que articula a avaliação interna com a avaliação externa, que valoriza a auto-avaliação das escolas e dos professores e a concilia com instrumentos que garantem a independência do processo; . um modelo que valoriza o desempenho das melhores escolas e dos melhores professores e que previne e corrige os problemas. Para a deputada Ana Drago, o modelo que o governo de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues tentou impor na legislatura anterior perdeu toda a credibilidade. "É necessário suspendê-lo e apresentar um novo", defendeu, apelando a que todas as forças políticas apresentem novas propostas. Ana Drago defendeu um modelo não centrado apenas no desempenho individual e onde os resultados dos alunos não contam, porque cada escola está integrada num contexto diferenciado: "É totalmente diferente a situação de um professor que dá aulas numa pequena aldeia do interior da Guarda ou de Bragança ou numa escola do centro de Lisboa", apontou. No modelo proposto pelos bloquistas, "os objectivos são definidos por cada escola e não há quotas de professores, porque não há quotas para o mérito", explicou. O Bloco defende que deve existir uma "componente de avaliação global das escolas", levada a cabo pelo próprio estabelecimento de ensino, que define objectivos (através dos conselhos pedagógicos, grupos disciplinares e departamentos escolares) no início de cada lectivo e no final desse ano deve realizar um processo de auto-avaliação, que será aferido por uma "equipa de intervenção externa". Já a avaliação dos docentes deve ser feita por uma comissão quando houver mudança de escalão, e seguindo os objectivos definidos por toda a escola. Leia aqui o projecto de lei do Bloco de Esquerda. |
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Segundo o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o aumento salarial da função pública para 2010 deverá ficar abaixo do intervalo de 1 a 1,5%, estimado para a economia em geral. As declarações feitas antes no V Fórum Parlamentar Ibero-americano, só devem ser confirmadas com a divulgação das previsões que estão a ser feitas para o Orçamento do Estado do próximo ano. A justificativa apresentada pelo governador do Banco de Portugal para o valor avançado sobre o aumento dos salários da função pública, prende-se ao facto do aumento salarial de 2,9%, registado neste ano, não ter sido atribuído com a perspectiva de uma inflação negativa. Constâncio afirmou ainda que considera que serão necessárias novas medidas para controlar o défice até 2013, tais como o aumento dos impostos.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, por iniciativa do deputado José Gusmão, requer a presença, com carácter de urgência, do Ministro de Estado e das Finanças na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, com vista a prestar esclarecimentos sobre decisão de proceder à reprivatização do BPN. 
O número de desempregados em Portugal apurado pelo INE durante o terceiro trimestre subiu para 548 mil, o que representa 9,8% da população activa do país. O agravamento de 2,1% face aos 7,7 % observados no período homólogo de 2008, continuam acima dos 8,8% previstos pelo Governo para este ano. 
O Bloco de Esquerda defendeu esta terça-feira um modelo de avaliação de professores integrado, sem quotas, e realizado quando da mudança de escalão do docente, e onde também é feita uma apreciação de cada estabelecimento de ensino, valorizando o desempenho das melhores escolas e dos melhores professores e prevenindo e corrigindo os problemas.