terça-feira, 31 de agosto de 2010

Petróleo: Novo método de extracção pior que perfurar

Trata-se de um processo que implica injectar grandes volumes de água e produtos químicos em reservas subterrâneas para fracturar as rochas e assim libertar gás e petróleo. Os críticos dizem que este método pode envenenar os fornecimentos de água. Artigo de William Fisher, para a IPS.
Nova York, 30/8/2010, (IPS) - Com a limpeza do Golfo do México a meio caminho, as empresas de energia já prevêem um ataque ambientalista sobre o que asseguram ser o próximo marco em matéria de extracção de recursos naturais: o “fracking”, ou “fractura hidráulica”.
Trata-se de um processo que implica injectar grandes volumes de água e produtos químicos em reservas subterrâneas para fracturar as rochas e assim libertar gás e petróleo.
Os críticos dizem que este método pode envenenar os fornecimentos de água. Também afirmam que utiliza grande quantidade de água doce e gera muita água residual, com limitadas opções de eliminação. Segundo a indústria do sector, o “fracking” é usado em aproximadamente 90% dos poços em operação hoje em dia, e entre 60% e 80% dos novos terão de usar para continuarem a ser viáveis.
As empresas afirmam que o processo é seguro. Entretanto, as operações de fractura hidráulica estão vinculadas a riscos ambientais que podem ter importantes implicações financeiras para as empresas envolvidas, o que aumenta os controles em matéria de regulação.
O Congresso norte-americano encomendou à Agência de Protecção Ambiental (EPA) que estude o impacto ambiental potencial do “fracking” sobre a água potável, a saúde humana e o meio ambiente, depois de alguns moradores se terem queixado no programa de televisão Sixty Minutes, da rede CBS. Esta matéria também atraiu a atenção de grupos de accionistas, que este ano apresentaram propostas que afectam uma dezena de empresas que praticam este método, às quais foi exigido mais clareza sobre os riscos.
As operações de fractura hidráulica implicam o movimento de armazenamento e eliminação de vários milhões de litros de água e produtos químicos tóxicos. Por culpa da falta de transparência, pode ser muito difícil saber quais os químicos as empresas utilizam. Em vários Estados onde operam companhias de gás natural, foram registados derramamentos, punições por descumprimento de normas e litígios vinculados ao processo de fractura.
Das 12 propostas apresentadas, seis foram submetidas a votação dos accionistas, obtendo apoio entre 21% e 42% dos mesmos. “Estamos satisfeitos com o tipo de voto que recebemos, em apoio a uma proposta ambiental para o primeiro ano”, disse Larisa Ruoff, da Green Century Capital Management, firma com sede na cidade de Boston especializada em investimentos ambientalmente responsáveis.
O interesse de consumidores e da indústria é tão grande que a EPA foi obrigada a adiar sua quarta audiência – a última – por razões de segurança. A decisão chega menos de 24 horas após esta agência anunciar que transferia a sua audiência da Universidade de Binghamton para um centro de convenções em Siracusa, no Estado de Nova York, a 105 mil quilómetros dali.
A agência criticou a Universidade, dizendo que esse centro de estudos queria aumentar a quantia que cobrava de 6 mil dólares para 40 mil dólares. A Universidade disse prever a presença de aproximadamente oito mil pessoas, bem como manifestações de organizações ambientalistas e de partidários das perfurações, o que exigiria um lugar maior, aumentando os custos em matéria de segurança. Ainda não foi marcada nova data nem nova sede para a audiência.
As audições procuram ajudar a definir o alcance do estudo da EPA. As três anteriores aconteceram em Fort Worth, no Estado do Texas, Denver, no Colorado, e Canonsburg, na Pensilvânia. Mais de 1.200 pessoas participaram na última. A EPA realiza o seu estudo enquanto empresas de gás adentram na região de Marcellus Shale, principalmente para explorar as jazidas existentes no subsolo de Nova York, Pensilvânia, Virgínia Ocidental e Ohio, além de outras reservas do país.
Com as opiniões do público apresentadas por escrito nas quatro audições, a Agência pretendia completar o projecto do estudo até Setembro, iniciá-lo em Janeiro e ter os primeiros resultados até o final de 2012. Os investidores afirmam que os últimos acontecimentos tornam mais importante que nunca que sejam revelados os riscos existentes.
No começo deste mês, o Departamento de Protecção Ambiental da Pensilvânia ordenou à firma EOG Resources que suspendesse as perfurações nesse Estado após a explosão de um poço da companhia. Segundo o Departamento, “o incidente apresentou uma séria ameaça para a vida e a propriedade”. Na reunião anual da EOG, em Abril, cerca de 30% dos accionistas votaram a favor da proposta.
A atenção dos meios de comunicação sobre a fractura hidráulica e o grau de preocupação pública sobre os potenciais impactos ambientais dispararam desde 2007. Em Junho, o programa Sixty Minutes divulgou uma nota sobre o “fracking” que não informou aos telespectadores sobre quais os produtos químicos que são injectados no solo.
Em seguida, o documentarista Josh Fox abordou o tema no seu programa “Gasland”, agora exibido pela rede HBO. Nele relata o catastrófico derramamento de óleo causado entre Abril e Julho pela multinacional British Petroleum (BP) no Golfo do México e os efeitos ambientais dos esforços da indústria para extrair recursos naturais.
Ao percorrer o país, Josh comprovou que onde era comum a prática do ”fracking” também abundavam os efeitos negativos: uma proporção incomum de aumento dos casos de cancro, água que em geral não era potável e inclusive inflamável, animais que perdiam o pelo, entre outros. Segundo ele, são 450 mil destas explorações de gás em todo o país, com uma proposta de mais cem mil em Nova York e outras cem mil na Pensilvânia.
Não surpreende que a indústria do gás natural veja as coisas de um modo bastante diferente. A América’s Natural Gas Alliance, grupo de pressão a favor da indústria, disse que a água inflamável mostrada no documentário era assim porque o poço de água do dono da casa foi cavado num “bolsão de gás natural”. Também afirmou, citando um informe da EPA, que a mortandade de peixes que Josh denuncia no filme não se deve à exploração de gás natural, mas aos resíduos líquidos da mineração de carvão.
Envolverde/IPS

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.