segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cortes de 75% no subsídio de desemprego a caminho

Para além das certezas do novo ano, que até a imprensa não mascara – a manchete do Jornal de Negócios desta segunda-feira é “Mais trabalho por menos dinheiro” - sabe-se que o Governo preparou também um corte brutal na duração do subsídio de desemprego. Desempregados com idades entre 45 e 50 anos são quem sente o maior corte: de 720 para apenas 180 dias.
Cortes de 75% no subsídio de desemprego a caminho
Foto de Paulete Matos.
Na última segunda-feira do ano, o Jornal de Negócios resume uma das certezas de 2012: "no novo ano haverá menos emprego em Portugal, mas mais horas de trabalho para quem tiver emprego. Tudo isto por menos dinheiro, tanto através dos salários, como no apoio a quem estiver desempregado".
Segundo o jornal Público, o projeto de decreto-lei que o Governo distribuiu aos parceiros sociais e que altera o regime do subsídio de desemprego, provoca os cortes mais distintos e austeros entre os diferentes tipos de desempregados, isto quando existem cerca de 1 milhão de pessoas nesta situação em Portugal, e cerca de 60 por cento dos desepregados não recebe nenhum apoio. Estes cortes serão discutidos na próxima reunião do conselho permanente da concertação social, marcada para 11 de Janeiro.
A pesar da crise social evidente, os aspetos consagrados no memorando de entendimento com a troika são para aplicar. É o caso do corte no valor máximo do subsídio (de 1257,66 para 1048,05 euros), do corte de 10 por cento no valor do subsídio após 6 meses de concessão, do aumento de 10 por cento do subsídio para os casais desempregados com dependentes a cargo e da concessão de subsídio aos falsos recibos verdes desde que concentrem a maioria dos descontos das entidades patronais, ou seja, sejam muito provavelmente falsos recibos verdes.
Aparentemente, o projeto do Governo consagra uma salvaguarda: "Na primeira situação de desemprego subsidiado, ocorrida após a data da entrada em vigor deste decreto-lei, é garantido ao beneficiário o período de concessão do subsídio de desemprego a que teria direito no dia anterior àquela data, ao abrigo das normas que estão em vigor." Só que não se sabe até quando.
A notícia dada pelo Governo, apesar de vir da troika, de que iria reduzir o período de 15 para 12 meses de descontos sociais necessários para se conceder subsídio ficou no projeto um pouco atenuada. Na verdade, essa alteração produz efeitos apenas a 1 de Julho de 2012. Poderá um dos efeitos práticos desse adiamento ser o de que todos os novos desempregados que surjam em 2012 terão mais dificuldade em obter subsídio? “A questão ficou em aberto”, como refere o Público que tentou contatar o Ministério da Segurança Social.
As mudanças...
Em primeiro lugar, os escalões etários são diferentes. O regime dos desempregados com idades entre 45 e 50 anos é agravado, dado que passam do último para o penúltimo escalão. Este é o grupo que regista as quebras mais pronunciadas (entre 25 a 75 por cento).
Em segundo lugar, alteraram-se os períodos de descontos sociais, em função dos quais são atribuídas as durações do subsídio: quem tenha menos de 15 meses de descontos após a última vez em que esteve desempregado sente - em todos os escalões etários - quebras de 56 a 67 por cento na duração do subsídio. São os desempregados com idades entre 45 e 50 anos quem sente o maior corte: de 720 para 180 dias (menos 75 por cento). Além disso, o projeto do Governo penalizou os que tinham direito a mais tempo de subsídio: quem tinha mais de 45 anos e com mais descontos sociais. Os 900 dias de subsídio passaram para 540 dias - menos 40 por cento.
Os “menores” cortes são sentidos pelos desempregados até 30 anos com mais de 24 meses de descontos, e entre 30 e 40 anos, com descontos entre 15 e 24 meses - menos 8,3 por cento.
Ou seja, todos os outros trabalhadores, com menos de 30 anos e menos de 2 anos de descontos, o montante e o tempo do subsídio de desemprego poderá ser muito afetado, não ultrapassando os 4 meses.
Finalmente, o Governo alterou o regime de majorações que tem em conta a dimensão da carreira contributiva para a Segurança Social: um dado número de dias por cada grupo de 5 anos de descontos nos últimos 20 anos, com variações etárias.
 

sábado, 24 de dezembro de 2011

A transumância

Nos gráficos a que rezam e nas curvas que os enlevam, os liberais conseguem vislumbrar uma racionalidade segundo a qual os indivíduos, como o gado, estão condenados a um deslocamento sazonal para locais que oferecem melhores condições.
Até há pouco tempo, eram os verdadeiros finlandeses que nos acusavam de sermos madraços e preferirmos os subsídios ao trabalho. Durante algum tempo, foi de fora do país que nos veio a mensagem "ponham-se finos, deixem-se de mar e de sol e toca mas é a trabalhar, não pensem que vos vamos alimentar os vícios para sempre". Pelos vistos, esse tempo passou. Agora é o nosso próprio Governo que nos brinda com a advertência de que somos afinal uns acomodados na nossa "zona de conforto" e de que, jovens, professores, profissionais qualificados chegou o tempo de se porem ao caminho e irem à procura do sustento noutras paragens.
A rábula da emigração podia ser isso mesmo, uma rábula. Mas não é. É a expressão de uma visão do país e da vida. Na sua compreensão mecânica e sem alma da realidade, os liberais destinam às massas humanas um irrecusável princípio de transumância. Nos gráficos a que rezam e nas curvas que os enlevam, os liberais conseguem vislumbrar uma racionalidade segundo a qual os indivíduos, como o gado, estão condenados a um deslocamento sazonal para locais que oferecem melhores condições. Aliás, para os liberais os indivíduos são uns sortudos: enquanto os rebanhos se têm que deslocar duas e três vezes todos os anos, as pessoas só se deslocam uma ou duas vezes na vida. A essa pastorícia dos humanos, os liberais chamam "ajustamento espacial da mão-de-obra à disponibilidade do factor trabalho".
É pois uma convicção ideológica arreigada na transumância aquela que leva o primeiro-ministro a advogar a procura de trabalho pelos professores em Timor ou em Angola, reiterando o que um seu secretário de Estado instigou os jovens com qualificação superior a fazer. Fá-lo com o mesmo rigor frio e com o mesmo fundamento último com que o seu homólogo britânico preparou a evacuação dos seus compatriotas do nosso país quando (e não se...) a falência geral dos bancos se verificar. Com a pequena diferença de que um diz aos seus nacionais que regressem e o outro diz aos seus patrícios que vão à vida.
Para quem reduz a vida a peças que se movem em mapas e a retrata em curvas e em gráficos assépticos - uma vida sem pessoas, sem anseios nem angústias, feita apenas de massas humanas sem rostos nem vozes, guiadas por interesses estreitos - Passos Coelho não fez afinal mais do que falar verdade, afastando ilusões sobre as nossas possibilidades. A verdade, dizem-nos, é que este país não é para todos. A verdade, dizem-nos, é que não há dinheiro para pagar o que tem que ser pago a todos. Ao crescente exército de desempregados condenados a cá ficar, o Governo tira dinheiro ao subsídio que garante a sua subsistência. Aos jovens e profissionais qualificados, o Governo aponta a fronteira. Em ambos os casos o Governo estimula a transumância, convicto de que a fome e a necessidade, para os humanos como para o gado, hão-de guiá-los para novos prados verdejantes.
Na gestão do banco público, os nossos liberais mostram aliás como os humanos ganhariam em imitar o dinheiro na sua apetência pela transumância. Os professores resistem a convencer-se de que devem abandonar toda a vida que construíram aqui e construir outra noutras paragens? Vejam então as contas da Sucursal Financeira Exterior da Madeira da Caixa Geral de Depósitos - ei-las que migram subitamente para as Ilhas Caimão em fuga a essa coisa maldita que é pagar os impostos devidos por todos. Este desenraizamento do dinheiro encanta os nossos liberais.
Dinheiro que não paga impostos e pessoas que não exijam direitos que obriguem a essa cobrança, esses são os ideais dos nossos liberais. Pelo meio atravessa-se-lhes um país de que desistiram e nos sugerem que desistamos.

Não há emprego para professores portugueses no Brasil e em Angola

Assessor do ministro da Educação do Brasil fica surpreendido com incitação de Passos Coelho à emigração. Em Angola só há 20 professores no âmbito de um acordo de cooperação.
Um assessor do ministro da Educação do Brasil, ouvido pelo semanário Expresso, nega que o Brasil esteja a importar professores portugueses, como deu a entender o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho. “Os entraves burocráticos são um problema, e o salário do professor também não é famoso”, observou. O salário mínimo dos professores do Básico é de cerca de 500 euros.
Expresso também ouviu cinco secretarias de Educação de diferentes estados, e pôde verificar que não há falta de professores. No mais rico estado do país, S. Paulo, por exemplo, existem 230 mil vagas e no ano passado candidataram-se 261 mil candidatos.
Um dirigente sindical docente, ouvido pelo semanário, lembra que no Brasil também há desempregados, greves, problemas salariais. “O Brasil está a percorrer um caminho económico bom, mas é ainda um país cheio de contradições”, lembra.
Em Angola, os professores em falta vão ser recrutados no país e há apenas 20 professores portugueses, no âmbito do acordo de cooperação, número que deve ser reforçado em meia dúzia.
Recorde-se que até Marcelo Rebelo de Sousa, ex-primeiro-ministro do PSD, criticou Passos Coelho: "Os portugueses querem um primeiro-ministro que lhes diga: Eu vou governar de tal maneira que não será preciso emigrar", disse.

Rússia: Mais de 50 mil pedem renúncia de Putin

Manifestantes denunciam a fraude no recente processo eleitoral, exigem novas eleições e a demissão do atual primeiro-ministro, assim como a libertação dos presos políticos e a elaboração de uma nova legislação eleitoral.
Manifestantes encheram a av. Sakharov
Cerca de 50 mil pessoas, segundo os organizadores (21 mil segundo a polícia) concentraram-se este sábado na Avenida Sakharov, no centro de Moscovo, para denunciar a fraude que afirmam ter ocorrido nas recentes eleições parlamentares e exigir a realização de novas eleições e a demissão do primeiro-ministro Vladimir Putin.
Os manifestantes têm uma lista de exigências que inclui a libertação dos presos políticos; a elaboração de uma nova legislação eleitoral não para 2013, como prometeu o presidente Dmitri Medvedev, mas para a realização de um escrutínio antecipado em 2012, e a demissão de Vladimir Tchurov do cargo de presidente da Comissão Eleitoral da Rússia.
"Não abandonaremos as praças enquanto as nossas reivindicações não forem cumpridas", afirmou Vladimir Rijkov, um dos organizadores do comício.
Duas horas depois de ter começado o comício, as pessoas ainda continuavam a acorrer à avenida. O escritor Grigori Chjartashvili, mais conhecido pelo pseudónimo de Boris Akunin, propôs batizar o novo movimento de “Rússia Honesta”. E acusou o atual regime de estar constantemente a mentir e a roubar, apelando à mobilização para mandar Putin para a reforma, e não para o Kremlin. O atual primeiro-ministro é de novo candidato a presidente pelo partido Rússia Unida, o vencedor das eleições que a oposição contesta.
Entre os oradores estiveram o ex-viceprimeiro-ministro Borís Nemtsov, que pediu a renúncia de Putin, uma exigência que aparecia em numerosos cartazes e que foi secundada por muitos outros oradores. Mikhail Gorbachov, que tinha anunciado que estaria presente, afinal não foi, mas disse apoiar as exigências dos manifestantes.
Entre os oradores, causou surpresa a presença do ex-ministro das Finanças Alexéi Kudrin, que disse estar a favor de aplicar o código penal aos responsáveis das falsificações nas últimas eleições. Houve manifestações semelhantes em muitas outras cidades.

Transportes: empresas já anunciam aumentos para janeiro

Mesmo antes de governo ter definido os valores, empresas como a Rodoviária de Lisboa, a Vimeca Transportes, a Scotturb e a Barraqueiro, anunciaram na imprensa que a partir de 1 de janeiro haverá novas tarifas.
Sem saber qual é o valor, empresas já anunciam aumento. Foto de Paulete Matos
Algumas empresas de transportes já estão a avisar os passageiros de que haverá aumentos nos preços dos passes e dos bilhetes a 1 de janeiro, apesar de o governo ainda não ter divulgado o valor da subida.
“Nos termos e para efeitos do n.º2 do artigo 6.º do decreto-lei n.º 8/93, de 11 de janeiro, informamos que irão ser praticadas, a partir de 1 de janeiro de 2012, novas tarifas. As tabelas estarão oportunamente disponíveis nos postos de venda e agentes habituais”, pode ler-se num dos anúncios.
O último aumento definidos pelo governo entrou em vigor a 1 de agosto e traduziu-se numa subida média máxima de 15 por cento nos preços praticados nos títulos dos transportes rodoviários urbanos de Lisboa e do Porto, fluviais e ferroviários até 50 quilómetros.
Para os títulos relativos aos transportes coletivos rodoviários interurbanos de passageiros até 50 quilómetros, o executivo fixou, na mesma altura, um aumento médio máximo de 2,7 por cento.
Na opinião de Amável Alves, dirigente da FECTRANS - Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, é estranho as empresas estarem a avisar os passageiros para aumentos quando os novos valores ainda não são conhecidos.
“Para cumprirem uma questão legal, as empresas estão a informar os passageiros sem saberem quais são os valores, porque o governo ainda não decidiu qual é o valor da subida”, afirmou o sindicalista.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Bloco denuncia "o favorecimento inaceitável do setor financeiro privado"

O deputado do Bloco Pedro Filipe Soares esteve esta sexta-feira à porta do BPN em Aveiro para criticar as benesses – “o ouro” - dadas ao setor financeiro -“o Deus Menino”- “pelos três reis magos” - Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Vitor Gaspar.
O deputado Pedro Filipe Soares sublinha que "não é aceitável que, enquanto se pedem sacrifícios aos portugueses ", o governo "venha dizer que nos próximos 20 anos irá fazer deduções fiscais à banca".
O deputado Pedro Filipe Soares sublinha que "não é aceitável que, enquanto se pedem sacrifícios aos portugueses ", o governo "venha dizer que nos próximos 20 anos irá fazer deduções fiscais à banca".
No cartaz natalício afixado à frente do BPN, o Bloco denuncia que "o Povo é que paga as prendas" dadas pelos três governantes à banca portuguesa, sendo que, segundo Pedro Filipe Soares, nos últimos tempos, “o euromilhões e o jakpot” atribuídos à banca “foram a recapitalização da banca e a transferência dos fundos de pensões".
"Na prática a privatização de 12 mil milhões de euros de dinheiro público, e a transferência dos fundos de pensões, nas condições em que é feita, são um claro benefício para o setor bancário, que passa à margem dos sacrifícios que se pedem aos portugueses, para o financiar", realçou o deputado bloquista.
"Não é aceitável que, enquanto se pedem sacrifícios aos portugueses, como ficarem este ano sem metade do subsídio de Natal e nos próximos dois anos sem subsídio de Natal e de férias" o governo "venha dizer que nos próximos 20 anos irá fazer deduções fiscais à banca", sublinhou ainda Pedro Filipe Soares.
O dirigente do Bloco de Esquerda lembrou também as contradições de Paulo Portas, que no seu discurso eleitoral afirmava ser “inaceitável que qualquer governo pudesse assumir compromissos para além da sua governação", frisando que "não podemos ter os que nascem hoje a pagar os desaires amanhã".
"Aqueles que dizem que, se o Estado não tem dinheiro, deve privatizar, já não dizem à banca que se não tem dinheiro deve vender os seus ativos e obrigar os seus acionistas a reforçar o capital, que é o que se passa em qualquer empresa privada. Que se peçam responsabilidades àqueles que durante anos e anos tiveram milhares de milhões em dividendos", defende Pedro Filipe Soares.
O setor financeiro "não pode viver de forma parasitária, com as benesses fiscais e a injeção direta de capitais públicos", avança o deputado, sublinhando que "quando foi para repartir os lucros [a banca] quis ficar com uma grande parte e agora que é preciso injetar capital, diz que tem de ser o Estado a fazê-lo, com dinheiro dos contribuintes, o que é inaceitável”.
“Os acionistas que comeram a carne, agora têm de roer os ossos", rematou Pedro Filipe Soares.

Europeias 2009: candidaturas do Bloco, POUS e MPT únicas a não registar irregularidades

Candidaturas do Bloco de Esquerda, do Partido da Terra e do Partido Operário de Unidade Socialista às eleições europeias de 2009 foram as únicas a não apresentar qualquer tipo de irregularidade.
Segundo o Acórdão do Tribunal Constitucional referente à apreciação das contas da campanha eleitoral para a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu, realizada em 7 de Junho de 2009, não foram sinalizadas quaisquer irregularidades nas candidaturas do Bloco de Esquerda, do Partido da Terra e do Partido Operário de Unidade Socialista, o mesmo não acontecendo com as restantes candidaturas.
No caso do partido de Paulo Portas, foram sinalizadas as seguintes irregularidades: contribuições em espécie efetuadas pelo partido; ações e meios de campanha não refletidos nas contas; subvenção pública recebida superior ao valor das despesas efetivas; sobreavaliação de receitas da subvenção; e contas apresentadas fora do prazo.
No que respeita ao outro partido atualmente no poder, o PSD, a sua candidatura ao parlamento Europeu apresentava divergências nos saldos; subavaliação das receitas da subvenção; abertura de diversas contas bancárias; e contribuições do partido não refletidas nas contas.
Ao PS, por sua vez, foram discriminadas as seguintes irregularidades: subavaliação das receitas da subvenção; sobreavaliação de despesas; abertura de duas contas bancárias para a campanha; não apresentação da demonstração dos resultados por natureza.

Parlamento aprova reforço dos impedimentos aos políticos

O projeto de lei do Bloco foi aprovado com a abstenção do PSD, CDS e PS e prevê o alargamento do período de nojo dos ex-governantes e titulares de altos cargos públicos. Com esta lei, eles só poderão exercer funções em empresas privadas do ramo que tutelaram ao fim de seis anos, o dobro do período hoje em vigor.
Catarina Martins apresentou o projeto de lei do Bloco
Catarina Martins apresentou o projeto de lei do Bloco
Foi apenas com os votos do Bloco, PCP e Verdes que a lei passou, mas nem a direita nem o PS ousaram impedir o alargamento deste período de nojo para os gestores e governantes que passam para empresas do setor privado com quem negociaram enquanto ocupavam cargos públicos.
Para o Bloco de Esquerda, "a realidade tem demonstrado que estes limites são insuficientes para a transparência da vida democrática e do sistema político".
"Já vimos todos que os três anos são insuficientes", afirmou Catarina Martins no debate desteprojeto de lei, antes de explicar porque é que o Bloco propõe seis anos em vez de dez anos, como já  fez em anteriores iniciativas. "Dez anos foi considerado exagerado, mas todos concordamos que esse período deve ser superior ao do mandato", explicou a deputada bloquista, sublinhando que "o Bloco de Esquerda está interessado em construir e em avançar" em medidas que promovam mais transparência na vida democrática do país.
"É a transparência no exercício das funções que credibiliza a ação política", acrescentou a deputada esta quinta feira no plenário, na véspera da votação. O projeto de lei agora aprovado alarga ainda o regime de impedimentos e de incompatibilidades aos administradores de empresas públicas e e sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Vítor Bento, os novos e velhos nacionalistas e a salvação da Pátria com a saída do euro

A sugestão de Vítor Bento para a discussão da saída do euro é simplesmente um favor à medida da senhora Merkel.



opiniao
22 Dezembro, 2011 - 12:37
Por Francisco Louçã

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A sugestão de Vítor Bento para a discussão da saída do euro é simplesmente um favor à medida da senhora Merkel.



Para surpresa de muitos, o economista Vítor Bento veio recomendar uma discussão sobre a saída do euro: “Não devemos recusar discutir esse assunto como se fosse um dogma religioso” (Público, 19 de Dezembro). Vítor Bento é conselheiro de Estado, nomeado pelo presidente (em substituição de Dias Loureiro), um dos homens poderosos em Belém e na finança portuguesa, e seria o mais insuspeito defensor desta hipótese.



Um frémito de entusiasmo perpassou por isso pelas fileiras nacionalistas. Pois se até em Belém! Se até a finança! Se até Cavaco Silva! O que tem de ser tem muita força! Os nacionalistas sentem chegada a sua hora: de Sua Majestade D. Duarte Nuno aos maoístas e ao novo partido que os imita, soam as trombetas – vamos à rua, que agora é lutar pelo essencial, salvar a Pátria, sair do euro e da União Europeia, ressuscitar o escudo, reconstruir a economia, convocar os bons espíritos.



“Devemos ter disponibilidade para discutir todos os cenários”, acrescenta, ponderadamente, o conselheiro de Estado. Discutamos, pois.



Mas discutamos com ideias e entre ideias: uma questão essencial não pode ser tratada como jogos florais. Pois, perguntado pelos efeitos deste “cenário”, Vítor Bento logo acrescenta, impávido: “haverá uma queda do valor dos salários e das poupanças entre 30 e 50%. Ou seja, teríamos um grande e imediato empobrecimento”. E, conclui, “A situação será caótica”.



Fica assim evidente o que significa esta sugestão do conselheiro: ele quer simplesmente demonstrar que não há nenhuma alternativa à dívida. Só o caos. Ele quer aterrorizar a sociedade, com a ajuda de quem afirma que não existe outra saída senão o escudo, ou seja, outra forma de austeridade e de empobrecimento. Bento espera que, se a única alternativa ao empobrecimento é o empobrecimento, as pessoas escolham empobrecer e ainda agradeçam.



Nesta crónica, em que repito muito do que escrevi há pouco noutro texto, respondo a Vítor Bento com dois argumentos. O primeiro é que a saída do euro deve ser recusada agora, porque é a pior das soluções, e a pior das soluções só pode ser aceite quando não há mais nenhuma.



O segundo é que há alternativas tanto à austeridade da troika quanto à austeridade dos nacionalistas com o seu novo escudo.



Para ficar claro, o que critico é o nacionalismo, envergonhado ou agressivo, que anuncia um milagre com a saída do euro. Não discuto aqui os estudos de economistas que, com consistência, têm procurado alternativas à crise da dívida, como as apresentadas pelos relatórios de Costas Lapavistsas e os seus colaboradores, que comentarei noutra ocasião. Pelo contrário, o que escrevo de seguida converge com muito do que afirmam nesses estudos, nomeadamente sobre os riscos concretos da situação de transição com uma nova moeda.



Uma sexta-feira à noite

Suponhamos que o governo decidiu sair do euro e ressuscitar o escudo. Mandou por isso imprimir em segredo as notas de escudo e prepara-se para anunciar a novidade, numa sexta à noite, à hora do telejornal, quando os bancos já estão fechados (ou decreta um feriado bancário durante vários dias). Nesse fim-de-semana, todos os bancos fazem horas extraordinárias para distribuir as notas por todos os multibancos, para que a nova moeda possa entrar imediatamente em circulação.



O que vai acontecer é que toda a gente vai descobrir que se prepara a nova moeda. Esta operação de lançamento do escudo envolve milhares de pessoas, que transportam e distribuem as notas, e eles vão contar às suas famílias. E, de qualquer modo, toda a gente assistiu nas semanas anteriores a declarações dos ministros a explicar que isto vai muito mal e precisamos de decisões muito corajosas para salvar a Pátria em perigo. Em resumo, toda a gente percebeu o que vai acontecer.



O que farão então as pessoas? Não é preciso adivinhar: vão a correr aos bancos levantar todas as suas contas e guardar as notas de euros. Se não o fizerem, todas as suas poupanças vão ser transformadas em escudos, a um valor nominal que cairá com a forte desvalorização que, afinal, é o objectivo desta operação. Os trabalhadores que depositaram salários e poupanças vão ser as primeiras vítimas da nova política. E por isso vão tentar salvar o que puderem.



Ora, os bancos não querem nem podem pagar aos clientes todos os seus depósitos, simplesmente não têm o dinheiro para isso – nem há notas suficientes para cobrir toda a massa monetária líquida que existe em Portugal (a massa monetária é a soma das notas e moedas em circulação com os depósitos nos bancos, e os bancos não guardam todo esse dinheiro, porque emprestam grande parte dele). Os bancos vão por isso fechar as portas quando se generalizar o alarme, e o governo vai chamar o exército para guardar os edifícios. Foi assim na Argentina ou na Rússia, foi assim em todos os casos em que se anunciaram grandes desvalorizações (e nem se tratava de sair de uma moeda e criar outra, o que nunca aconteceu na história da União Europeia).



Os nacionalistas, que propuseram a saída do euro, começam agora a ter a primeira dificuldade. É que vão defender o exército e os bancos contra a população. E vão ter de fazer a sua primeira vítima, os depositantes nos bancos. A conta é fácil: se a desvalorização for de 50%, as poupanças e depósitos vão perder metade do seu valor.



O milagre das exportações

Passou assim o primeiro choque. Mas vem aí mais, e pior. O escudo desvalorizou-se então 50% em relação ao euro. O governo aposta nessa desvalorização para recuperar a economia e espera que o efeito benéfico seja o seguinte: as exportações aumentam porque se tornam mais baratas em euros e dólares, enquanto as importações diminuem porque se tornam mais caras em escudos. Assim, haverá uma deslocação de capital para as indústrias e serviços exportadores e uma redução do consumo e das importações. Tudo isto melhora substancialmente a balança de pagamentos. A regra é esta: se a vida melhorar para Américo Amorim, o dono da maior multinacional industrial portuguesa, ou para outras empresas exportadoras, melhorará também para toda a economia.



Parece conveniente, mas é um problema. É que, com a desvalorização, o preço dos produtos importados aumenta no mesmo dia. O combustível passou a custar uma vez e meia o seu preço anterior (e todo o sistema de transportes também), e o mesmo acontece com os alimentos importados ou com os medicamentos, entre tantos bens de primeira necessidade.



Como dois terços do rendimento dos portugueses é para o consumo corrente, imagina-se o efeito imediato destes aumentos de preços no salário.



Quanto às exportações, sim, vão aumentar, desde que os compradores no estrangeiro queiram comprar mais em função da redução do preço (e desde que não haja recessão no estrangeiro, e que os produtos portugueses correspondam a mercados com procura crescente, e que as suas características acompanhem as exigências dos consumidores estrangeiros, etc.). Talvez aumentem. Se aumentarem, será em todo o caso devagar: as receitas das vendas só entram quando se fizerem as vendas, e é preciso esperar o tempo da produção – e é preciso ter dinheiro para investir. Depois, o que Portugal exporta inclui o custo da matéria-prima e outros produtos que são importados, que são mais de metade do valor das exportações, e que ficaram mais caros. Por isso, as receitas das exportações aumentam pouco, devagar e mais tarde.



A dívida dos bancos duplica a dívida pública

Chega depois o segundo choque. Metade das famílias portuguesas tem uma longa dívida ao banco, que lhe emprestou dinheiro para comprar a casa. Emprestou em euros e deve em euros aos bancos estrangeiros, mas vai receber em escudos dos devedores em Portugal.



O banco perdeu assim metade do valor dos seus créditos. O banco vai por isso à falência. É por isso que os defensores da saída do euro explicam, honestamente, que será necessário nacionalizar todos os bancos, não tanto para socializar o capital financeiro, mas antes para o salvar. E salvar um banco pode custar muito caro, como já sabemos pelo caso BPN. Porque, quando se nacionaliza um banco, fica-se com as suas dívidas, que são dívidas a quem nele depositou e dívidas a quem lhe emprestou dinheiro, normalmente a banca estrangeira. Salvar os bancos tem um custo, e não é pequeno: a dívida pública portuguesa duplica imediatamente com as dívidas dos bancos, que antes eram privadas e passam a ser públicas porque foram nacionalizadas.



Chegados aqui, já sabemos o que se vai passar: os nacionalistas vão propor um aumento de impostos para pagar as dívidas da banca ao estrangeiro, isto é, para financiar a banca internacional.



Mais impostos



Voltemos agora aos problemas que os nacionalistas estão a viver no apoio ao governo que decidiu a saída do euro. Já têm contra si quem vai pagar mais impostos, viu multiplicar as suas dívidas, paga mais pelos alimentos, transportes e medicamentos, ou perdeu parte das suas poupanças e depósitos. Com tudo isto, os trabalhadores depressa perceberão que perderam parte do seu salário (ou da sua pensão), e que o esforço orçamental não diminuiu (pelo contrário, agravou-se, pois a dívida vai ser paga em euros mas os impostos são recebidos pelo Estado em escudos, e são precisos cada vez mais escudos por cada euro), e a saúde e a educação têm novos cortes.



Por outras palavras, os nacionalistas que defendem a saída do euro meteram-se numa alhada. Os que diziam que queriam impedir a austeridade, acabam a propor um sistema de mais austeridade, toda orientada para o benefício de um sector social, a indústria exportadora, e promovem a queda dos salários e das pensões. Não resolveram nenhum problema e criaram novas dificuldades. E perdem o respeito dos trabalhadores, que estão a ser prejudicados.



Combater para vencer a austeridade e o empobrecimento

A política socialista tem um critério que é o da defesa da classe trabalhadora. Essa política é a que defende o salário e se bate por ele, e não a que sacrifica o salário. A solução autoritária de saída do euro é uma proposta de mais austeridade. Não há por isso nenhuma razão para a defender como alternativa para defender o salário. A saída do euro é uma solução que só pode ser aplicada quando não exista nenhuma outra, quando se esgotarem todas as alternativas, quando a sobrevivência o exigir.



E, como a saída do euro nunca virá da vontade de um governo de bloco central, mas só poderá resultar, nas presentes circunstâncias políticas, de um diktat da Alemanha, temos todas as razões para contrariar a ameaça que representa. Só a senhora Merkel, na sua prepotência, pode concretizar o sonho dos nacionalistas. A sugestão de Vítor Bento para a discussão da saída do euro é simplesmente um favor à medida da senhora Merkel.



Enfrentemo-la. Se a saída do euro é um milagre de fantasia e só pode garantir degradação dos salários e pensões, a austeridade que temos realmente é a outra, a da troika. E, essa austeridade, a que Vítor Bento quer promover e defender, é a que temos de vencer.



É contra ela que a esquerda se deve juntar. A esquerda, contra os nacionalistas. A esquerda mesmo, a que faz a auditoria à dívida, porque não aceita que o povo pague o que não deve. A que exige a ruptura com a troika, e considera que ela estabelece uma dívida ilegítima. A que sabe que sem soberania não há democracia, e que é democracia que é precisa para impedir a alteração das leis laborais, a facilitação dos despedimentos, o aumento das taxas moderadoras ou a destruição da segurança social. A esquerda que mobilizou para a greve geral e que sabe que em 2012 será necessário um novo fôlego para mais protesto e acção social, dos contribuintes, dos reformados, dos desempregados, dos precários, dos trabalhadores, dos defensores do Serviço Nacional de Saúde, dos utilizadores dos transportes públicos, de todas e de todos os que sofrem a austeridade.



A única alternativa é a luta geral. Ao caos de Vítor Bento, a esquerda opõe a democracia da defesa do salário e das pensões. A luta social pela maioria.



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Francisco Louçã

Deputado, dirigente do Bloco de Esquerda, professor universitário..



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Parlamento aprova reforço dos impedimentos aos políticos

O projeto de lei do Bloco foi aprovado com a abstenção do PSD, CDS e PS e prevê o alargamento do período de nojo dos ex-governantes e titulares de altos cargos públicos. Com esta lei, eles só poderão exercer funções em empresas privadas do ramo que tutelaram ao fim de seis anos, o dobro do período hoje em vigor.

Artigo
22 Dezembro, 2011 - 17:38



Catarina Martins apresentou o projeto de lei do Bloco Foi apenas com os votos do Bloco, PCP e Verdes que a lei passou, mas nem a direita nem o PS ousaram impedir o alargamento deste período de nojo para os gestores e governantes que passam para empresas do setor privado com quem negociaram enquanto ocupavam cargos públicos.



Para o Bloco de Esquerda, "a realidade tem demonstrado que estes limites são insuficientes para a transparência da vida democrática e do sistema político".



"Já vimos todos que os três anos são insuficientes", afirmou Catarina Martins no debate deste projeto de lei, antes de explicar porque é que o Bloco propõe seis anos em vez de dez anos, como já fez em anteriores iniciativas. "Dez anos foi considerado exagerado, mas todos concordamos que esse período deve ser superior ao do mandato", explicou a deputada bloquista, sublinhando que "o Bloco de Esquerda está interessado em construir e em avançar" em medidas que promovam mais transparência na vida democrática do país.



"É a transparência no exercício das funções que credibiliza a ação política", acrescentou a deputada esta quinta feira no plenário, na véspera da votação. O projeto de lei agora aprovado alarga ainda o regime de impedimentos e de incompatibilidades aos administradores de empresas públicas e e sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos.



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Venda da EDP à China é "inaceitável", diz Bloco

O negócio da venda de 21,35% do capital da EDP a uma empresa de capitais públicos chineses significa que o Governo desistiu de ter papel num sector tão estratégico como é a energia", defendeu a deputada bloquista Mariana Aiveca.

Artigo
22 Dezembro, 2011 - 18:58



Mariana Aiveca lamenta que esteja "tudo à venda em Portugal" Para o Bloco de Esquerda, com este negócio "cai como um baralho de cartas o argumentário do Governo segundo o qual era uma imposição de Bruxelas o país não poder ter participação pública" na EDP.



"Ficamos agora a saber que é exatamente uma empresa chinesa, de capitais públicos, que vai ter interferência num sector estratégico como o da energia. Estamos perante uma posição incompreensível e inaceitável, ainda mais grave porque se trata de uma empresa chinesa, de um país em que o regime ditatorial é efetivamente uma realidade", sublinhou Mariana Aiveca em declarações à agência Lusa.



Para o Bloco, é "incompreensível" e "inaceitável" que o Governo tenha vendido parte do capital da EDP à Three Gorges Corporation e Mariana Aiveca lamentou ainda que se encontre "tudo à venda em Portugal". "No caso concreto da EDP, isto significa que o Governo desistiu de ter papel num sector tão estratégico como é a energia", declarou a dirigente do Bloco de Esquerda.



Em comunicado ao regulador do mercado, a Parpública, empresa gestora de participações públicas, anunciou que “a referida alienação será efetuada pelo preço global de 2,69 mil milhões de euros, incorporando um prémio de 53,6 por cento em relação ao preço de mercado no dia 21 de dezembro”, quando a EDP fechou a valer 2,246 euros por acção.



O governo preteriu as candidaturas do grupo alemão E.ON e das empresas brasileiras Eletrobras e Cemig. Os chineses da Three Gorges prometem construir uma fábrica de aerogeradores, asseguram um financiamento de dois mil milhões ao seu projecto e outro no mesmo valor mas ainda sem garantias, e mantêm António Mexia na presidência da empresa.



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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.