segunda-feira, 4 de junho de 2012

Troika corta otimismo do Governo para a economia e as exportações em 2013

A avaliação da troika voltou a conter o otimismo do Governo nas projeções macroeconómicas para o próximo ano, revendo em baixa o crescimento previsto pelo Governo para 2012 para o PIB e em especial para as exportações, apesar de ser positiva. Assim, a troika aprovou a transferência de mais uma tranche de quatro mil milhões de euros, deixando, contudo, avisos como a necessidade de cortar ainda mais no subsídio de desemprego.
Troika corta otimismo do Governo para a economia e as exportações em 2013
A dívida pública portuguesa vai atingir os 118 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 e não os 115 por cento anteriormente previstos, anunciou o ministro das Finanças, que também divulgou outros ajustamentos ao cenário macroeconómico do Governo. Foto Miguel A. Lopes/Lusa.
A avaliação da troika voltou a conter o otimismo do Governo nas projeções
macroeconómicas para o próximo ano, revendo em baixa o crescimento previsto pelo Governo para 2012 para o PIB e em especial para as exportações. No Documento de Estratégia Orçamental (DEO) apresentado há um mês, o Executivo previa um crescimento de 0,6 por cento em 2013, mas as contas foram revistas nesta avaliação e as novas projeções passam agora a prever um crescimento ainda mais residual da economia, na ordem dos 0,2 por cento.

Na base desta revisão, em grande parte, estão as expetativas do Governo para as exportações. No DEO, o Governo previa para o próximo ano um avanço das exportações de 5,6 por cento face ao fecho de 2012. No entanto, na quarta avaliação, as contas refeitas apontam para um crescimento das exportações na ordem dos 3,5 por cento, mais de dois pontos percentuais abaixo das perspetivas governamentais.
Esta é mesmo a alteração mais significativa para explicar a perspetiva menos positiva apresentada no novo quadro macroeconómico resultante da avaliação da troika, já que em 2013, face às previsões do DEO, o consumo privado e público e o investimento devem apresentar quedas menos acentuadas, ainda que de forma muito ligeira.
As projeções para este ano acabam por validar a melhoria em 0,3 pontos percentuais das perspetivas para a evolução do PIB, que deve cair então 3 por cento caso as projeções se concretizem. Estas novas previsões esperam também uma menor queda do consumo privado (em 0,3 pontos percentuais), e do investimento (em 2,4 pontos percentuais).
Dívida pública nos 118% do PIB
A dívida pública portuguesa vai atingir os 118 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 e não os 115 por cento anteriormente previstos, anunciou o ministro das Finanças, que também divulgou outros ajustamentos ao cenário macroeconómico do Governo.
Os números avançados pelo ministro apresentam as revisões às projeções anteriores do Governo para 2013. Vítor Gaspar também anunciou uma taxa de desemprego de 15,9 por cento (a previsão anterior era 16 por cento).
Portugal passou na quarta avaliação da troika, mas esta deixará avisos para mais austeridade
A troika considerou, na sua quarta avaliação trimestral, que Portugal está a cumprir o seu programa de ajustamento, revelou esta segunda-feira o ministro das Finanças. Numa conferência de imprensa, no Ministério das Finanças, Vítor Gaspar afirmou que Portugal “cumpriu todos os critérios quantitativos e objetivos estruturais do quarto exame”. O país recebe assim a quinta parcela do empréstimo da troika, no montante de 4,1 mil milhões de euros.
No entanto, o Governo não deverá conseguir escapar a uma nova série de avisos e recomendações por parte dos técnicos da Comissão Europeia, FMI e BCE que estiveram em Lisboa durante as duas últimas semanas.
Segundo o Público, tendo em conta os pontos destacados na avaliação de Fevereiro passado e aquilo que aconteceu em Portugal durantes os últimos três meses, a troika deverá, no comunicado que apresentará, apelar novamente a um grande esforço de contenção na execução orçamental, alertar para a continuação da escalada do endividamento nas empresas públicas, pedir mais reformas nos mercados da energia e das telecomunicações e defender que as autoridades portuguesas devem ir ainda mais longe nos cortes no subsídio de desemprego e na contratação coletiva.
O Governo terá de apresentar, até ao final do mês, legislação que revogue automaticamente todos os instrumentos de contratação coletiva que os patrões e os sindicatos tenham aprovado. Se tal for para frente, apenas os trabalhadores sindicalizados poderão usufruir das condições negociadas pelos sindicatos.

Governo é "bom aluno" a "despejar" dinheiro público nos bancos

O deputado do Bloco Pedro Filipe Soares defende que a "única matéria" em que o Governo provou ser "bom aluno" perante a troika foi em "despejar dinheiro" nos cofres dos bancos, sem garantia de que isso tenha impacto na "criação de emprego".
"Temos aqui um processo de privatização de dinheiro público, que afinal é a grande vitória que o Governo diz ter alcançado neste exame", defende Pedro Filipe Soares. Foto de Paulete Matos.
"Temos aqui um processo de privatização de dinheiro público, que afinal é a grande vitória que o Governo diz ter alcançado neste exame", defende Pedro Filipe Soares. Foto de Paulete Matos.
Para o Bloco de Esquerda, a "única matéria" em que o Governo provou ser "bom aluno" perante a troika foi em "despejar dinheiro" nos cofres dos bancos, sem garantia de que isso tenha impacto na "criação de emprego". Em declarações à imprensa, o deputado do Bloco Pedro Filipe Soares condenou ainda que o Governo não se tenha demarcado das declarações de António Borges, segundo as quais diminuir os salários não é uma política mas "uma urgência".
"O Governo fica contente porque diz ter passado, nas palavras de Vítor Gaspar, no exame da 'troika'. Na prática, a única matéria em que o Governo prova ser um bom aluno é em despejar dinheiro público nos cofres dos bancos privados", afirmou o deputado Pedro Filipe Soares, citado pela Lusa.
Numa reação à quarta avaliação da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia), o Bloco critica que o Governo só exija "que 60 milhões cheguem à economia, que é algo de irrisório para as necessidades que a economia tem, para a criação de emprego", de entre os seis mil milhões de euros.
"Temos aqui um processo de privatização de dinheiro público, que afinal é a grande vitória que o Governo diz ter alcançado neste exame", defendeu.
O BCP, BPI e Caixa anunciaram hoje que irão pedir empréstimos ao Estado no valor de 6.650 milhões de euros, dos quais 5 mil milhões virão do programa de ajuda externa a Portugal. Por saber fica ainda se o Banif irá ou não concretizar o recurso ao plano de recapitalização que, recorde-se, tem 12 mil milhões de euros disponíveis no âmbito do acordo de ajuda externa que Portugal assinou com a troika.
Pedro Filipe Soares criticou Vítor Gaspar por este não ter condenado as palavras de António Borges, que disse que “o caminho é a redução de salários", argumentando que o ministro "está com certeza a brincar com os cidadãos e a não levar a sério a necessidade de aumento do rendimento das pessoas, de criação de emprego, de crescimento”.
"O que o Governo está a fazer é dizer que é mesmo um objetivo deste Governo, de Vítor Gaspar, Passos Coelho e Paulo Portas, reduzir os salários dos portugueses, que já são dos mais baixos da Europa", afirmou.

domingo, 3 de junho de 2012

Carreira de António Borges no Goldman Sachs "é um mistério"

O correspondente financeiro do Le Monde em Londres lançou em Lisboa o livro "O Banco - Como o Goldman Sachs dirige o mundo" e falou do ex-gestor do banco a quem Passos Coelho entregou o dossier dos negócios das privatizações.
Capa do livro "O Banco - Como o Goldman Sachs dirige o mundo"
“O senhor Borges estava fora do meu radar quando escrevi o livro, nunca tinha ouvido falar”, afirmou Marc Roche à Rádio Renascença, acrescentando que apenas tomou conhecimento do economista “quando se demitiu do FMI”. As fontes do jornalista no FMI disseram-lhe que  “se livraram dele porque não estava à altura do trabalho. E agora chego a Lisboa e descubro que está à frente do processo de privatização. Há perguntas que têm de ser feitas”, declarou o autor do livro que mostra as relações de grande proximidade de gente que passou pelo Goldman Sachs e por governos de países onde o banco teve influência.
“Os italianos Mario Draghi e Mario Monti, o grego Lukas Papademus, o português António Borges, todos eles são antigos membros do Goldman Sachs. Não é uma seita, não é uma irmandade. São pessoas com carreiras brilhantes, que se conhecem e partilham os mesmos valores entre eles. Pessoas com os mesmos objetivos e que atuam da mesma forma”, declarou Marc Roche à agência Lusa. "De vez em quando perguntamos 'o que diabo andou a fazer no Goldman Sachs?' mas eles não respondem. A não ser Draghi, que disse ter lidado com situações corporativas e que nunca mexeu em assuntos relacionados com dívida soberana dos países. Mas tal como os outros, o senhor Borges é um mistério para mim", confessa o jornalista.
“Não acredito na teoria da conspiração, não há um plano do Goldman Sachs para dominar o mundo. A única missão do banco é produzir lucros nem que seja a ajudar os gregos a enganar as finanças ou os portugueses no processo de privatizações – para eles é negócio, não é política”, acrescentou.
Roche defendeu que a falta de ética e as "imoralidades" cometidas pelas instituições financeiras deviam ser levadas a tribunal. “A opinião pública sente-se enganada e pressionada pela austeridade imposta, em parte, para pagar os erros da banca e ainda nenhum banqueiro pagou pelos erros. Quando ponho a questão aos banqueiros eles respondem que a imoralidade e a falta de ética não são crime. Por isso, às vezes, calcam o risco amarelo da imoralidade mas não ultrapassam a linha vermelha da legalidade. Temos de começar a pensar em julgar a imoralidade”, propôs o jornalista.
“Os políticos não têm interesse nos processos contra os bancos e a prova disso é o Goldman Sachs, assim como outras organizações financeiras. Tony Blair trabalhou para a JP Morgan, Prodi trabalhou para o Goldman Sachs, políticos na Bélgica trabalharam para a Dexia, Monti para o Goldman Sachs e Papademos, na Grécia, é próximo da Goldman Sachs. Nenhum deles tem interesse em levar estes problemas a tribunal”, lamenta Roche, que considera que os erros dos bancos estão a ser pagos pelos cidadãos.
O livro "O Banco - Como o Goldman Sachs dirige o mundo" recebeu o Prémio de melhor livro de Economia 2010, atribuído pela Associação de Jornalistas Económicos e Financeiros de França. A edição portuguesa é da Esfera dos Livros.

"Se querem sair da crise, aumentem os salários"

Entrevista a Jan Toporowski, economista da London School of Oriental and African Studies, que esteve presente na Conferência Económica Internacional "Portugal na Encruzilhada da Europa", co-organizada em maio pelo Bloco de Esquerda e o Partido da Esquerda Europeia em Lisboa.
A crise da dívida apareceu depois da crise financeira. Quais as verdadeiras causas desta crise?
As verdadeiras causas da crise começaram em 2008, 2009. Foi quando o Banco Central Europeu - que refinancia a dívida dos governos - começou a financiar a compra dessa dívida ao preço definido pelos mercados. Antes disso, financiava a compra pelo seu valor nominal. Foi uma mudança nas práticas do BCE, que despoletou uma dinâmica desastrosa nos mercados. E aí nós apercebemo-nos que essa diferença de valores estava a ser paga pelo BCE e tornou-se cada vez maior. Em certa medida, isto tem a ver com o tamanho da dívida pública, que aumentou muito com a crise financeira. Os governos tiveram de financiar os bancos, que iriam à falência por causa das bolhas especulativas no imobiliário e nos mercados financeiros. O sistema financeiro europeu não estava preparado para esta coincidência de fatores. Não há na Europa o que há na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos: as pessoas sabem que por detrás do banco central está um governo e que os dois cooperam para ultrapassar a crise financeira.
Qual a razão de não existir esse enquadramento institucional na Europa?
Na Europa, esse enquadramento foi montado para imitar a situação alemã no pós-guerra e o papel do banco central europeu no pós guerra. Isto é uma situação invulgar que não existia em nenhum outro país na Europa. E por causa da estrutura da economia alemã, o banco central não tinha de intervir muito no pós-guerra e por isso parecia ser bem sucedido. Noutros países europeus, o enquadramento era diferente porque precisavam de uma cooperação mais próxima entre governo e banco central.
Com o início da crise, o BCE começou a emprestar dinheiro a bancos privados. Quais as consequências desta ação e como pode o BCE intervir em tempo de crise?
O que eles fizeram até pode ser entendido como certo à primeira vista: já que não podem emprestar dinheiro diretamente aos Estados, emprestaram aos bancos para estes emprestarem aos Estados indiretamente. Mas podiam ter feito coisas que não fizeram, como intervir de forma muito mais ativa no mercado secundário de obrigações para subir o seu preço. Ou voltar à anterior prática de manter descontos para obrigações da dívida pública ao seu valor real. Isso teria feito a diferença. Há uma outra solução muito simples: atribuir uma licença bancária a uma instituição pública, ou até privada, quer permitiria a essa instituição comprar ao BCE a juro baixo e investir em dívida pública a um juro mais alto. Isto iria dar liquidez ao mercado de obrigações da dívida.
Um dos argumentos para a recapitalização da banca é aumentar o crédito para a economia. Isto está a acontecer?
Eles compram dívida pública porque a banca privada na Europa não está a alargar os seus empréstimos. Por outras palavras, neste momento é muito lucrativo para a banca pedir emprestado ao BCE a juro baixo e comprar dívida pública com esse dinheiro. É isso que os bancos comerciais têm feito. Parece um investimento arriscado, porque há a ameaça de bancarrota, mas não há razão para que essa bancarrota aconteça ou para que os governos europeus não capitalizem os bancos comerciais e depois financiem esse capital com obrigações que esses bancos comprariam. Em princípio, isto pode fazer-se de acordo com as regras do FMI. Elas não impõem limites à dívida bruta dos governos e o FMI sempre insistiu que o número relevante é o da diferença entre a dívida do Estado e os ativos do Estado. Se fizermos isto, é possível começar a desenvolver condições de financiamento mais inovadoras, que apoiariam o mercado para as obrigações da dívida dos Estados.
O que pensa da receita da austeridade para resolver esta crise?
A austeridade não pode resolver a crise, só faz piorar a crise. Trata-se de uma falácia para quem pensa que as contas do Governo são como as contas lá de casa. Na realidade, os Estados precisam de se financiar de forma mais aventureira se querem dar estabilidade ao sistema financeiro.
E qual seria uma boa estratégia para países como Portugal e a Grécia?
Uma boa estratégia tem de ser contra-intuitiva: têm de começar por aumentar salários. Se aumentarem os salários, em especial os mais baixos, esse dinheiro será gasto na economia e reanimará a atividade económica e as receitas do Estado. Isto é muito difícil de fazer numa economia capitalista de mercado livre, mas podem fazer-se algumas coisas, como aumentar o salário mínimo e os salários dos funcionários públicos mais mal pagos, incentivar o emprego a tempo inteiro em vez de fragmentá-lo em empregos part-time. Isto teria um efeito positivo na atividade económica. Em segundo lugar, operações financeiras mais aventureiras para aguentar o mercado de obrigações da dívida. Isto é essencial para prevenir o colapso da banca. Precisamos disto para termos um sistema financeiro forte que possa apoiar as finanças do Estado.
Acha que Portugal ou a Grécia podem pagar a sua dívida nas condições que lhes estão a ser exigidas?
Não, não é possível. Ou melhor, há uma possibilidade: se criarem um imposto sobre os lucros bancários e usá-lo para pagar a dívida pública. É possível fazê-lo através de meios fiscais, mas para além disto não consigo imaginar outra maneira a curto prazo. A longo prazo é possível, se permitirmos o aumento da dívida pública e que o Governo possa gastar dinheiro até a inflação começar a aumentar e as receitas públicas aumentem a um ritmo superior ao crescimento da dívida. Isso causaria grande descontentamento na Europa, mas é uma maneira de o conseguir.
É favorável a uma reestruturação da dívida?
Sim, isso é essencial, mas penso que a reestruturação da dívida deve ser feita através de operações financeiras que transformem as dívidas com alto custo de financiamento em dívidas com baixo custo de financiamento. Isto é possível fazer e deve ser feito. Mas vamos ser claros: o nível de dívida pública na Europa não é assim tão alto. Se olharmos para os ativos de que dispõem os Estados, a dívida não é assim tão grande na Europa. Nunca nos podemos esquecer disto, apesar dos mercados já se terem esquecido. Foi a estupidez do Tratado de Maastricht, que impôs limites ao crescimento da dívida bruta em vez de limitar o crescimento da dívida líquida.   
Nas próximas eleições gregas, estão a dizer aos eleitores que a opção é ficar no euro com a austeridade ou sair do euro. Não há uma terceira opção? E se a Grécia sair, o que acontece?
As escolhas não são essas, são falsas escolhas. Nos corredores do poder europeu discute-se a sobrevivência do sistema bancário. Se os governos entram em bancarrota, o seu sistema financeiro colapsa, porque os bancos gregos, portugueses, espanhóis e italianos têm muita dívida pública. Em certa medida, há aqui uma chantagem e contra-chantagem de ambos os lados. Não é preciso austeridade para ficar no euro. O que precisamos são formas inovadoras de financiamento, que são hoje dificultadas pelas restrições impostas aos bancos centrais na Europa.
Para além desse papel dos bancos centrais, o que teria de mudar na regulação dos mercados?
Em primeiro lugar, o BCE devia fazer o mesmo que fazem os bancos centrais britânico e norte-americano para apoiarem a dívida pública. E precisa agir de forma a controlar os mercados financeiros, quer através da regulação, quer comprando e vendendo nesses mercados, impedindo a especulação. É preciso impedir que os mercados financeiros continuem a arrasar a economia de tempos a tempos, como estão a fazer agora. Há uma necessidade real de controlar os mercados financeiros e este é um dos aspetos patológicos da crise atual: todo o problema está a ser escondido, porque quer os mercados, quer os governos, quer a troika, estão todos obcecados com a dívida pública.

Syriza apresenta programa económico

Embalado pela sondagem de quinta-feira, que deu 31.5% de intenções de voto à coligação de esquerda grega, Alexis Tsipras voltou a prometer rejeitar o memorando da troika e reverter o corte salarial e o plano de privatizações.
Syriza quer taxar os ricos para pôr a economia a crescer com justiça social.
"Ou se implementa o memorando, ou se cancela", afirmou o líder da Syriza, citado pelo diário Ekathimerini, criticando as promessas da Nova Democracia e do PASOK de renegociar o memorando caso alcancem a maioria nas eleições de 17 de junho. Tsipras condenou ainda a campanha de medo e chantagem aos eleitores, destinada a transformar as eleições num referendo à permanência da Grécia na zona euro.
"O falso dilema euro-dracma revelou-se um favor dos responsáveis da União Europeia aos seus amigos necessitados que lhes pediram ajuda", afirmou Tsipras, referindo-se à notícia da Reuters acerca do pedido do ex-primeiro ministro Lucas Papademos a Durão Barroso para que este fizesse uma declaração forte sobre a possibilidade da Grécia sair do euro.
Tsipras apresentou um "plano de reconstrução nacional" com o objectivo de "reduzir a nossa dívida ou uma moratória e suspensão do pagamento dos juros até que a economia estabilize ou mostre sinais de recuperação". "O serviço da dívida deve estar ligado á taxa de crescimento da Grécia", acrescentou Alexis Tsipras.
Uma das medidas propostas é a rejeição do corte de 22% no salário mínimo, fazendo-o regressar aos 751 euros e alargar o subsídio de desemprego a um período de dois anos em vez de um. Para estabilizar a economia, a Syriza defende uma despesa pública entre 43% e 46% do PIB, em vez dos 36% previstos no memorando da troika. Para aumentar as receitas de 41% para 45% do PIB, a média comunitária, Alexis Tsipras propõe taxar a riqueza e os rendimentos milionários. E para implementar estas reformas, a Syriza quer criar um registo de bens detidos por cidadãos gregos no país e no estrangeiro, com a sua apreensão em caso de declarações falsas. A redução do IVA nos produtos alimentares essenciais, uma reforma fiscal menos penalizadora dos baixos rendimentos, o fim das isenções fiscais aos armadores, o investimento em tecnologia e meios humanos para combater a evasão fiscal e a nacionalização dos bancos recapitalizados pelo Estado são outras das propostas da Syriza para inverter o caminho da economia grega para a ruína.
Para viabilizar o sistema de segurança social, Tsipras quer usar as receitas da exploração de petróleo e gás para criar um fundo que garanta o futuro das pensões gregas. "O povo grego não está a pedir dinheiro. Não são pedintes. Querem trabalhar e poder suportar o seu custo de vida", afirmou o líder da Syriza, garantindo que "isto pode ser atingido sem os duros cortes impostos pelo memorando".

Os muito ricos e o mito de que seriam “criadores de empregos”

Os mais ricos – indivíduos e empresas – são muito bons em acumular fortunas. E são melhores ainda na arte de cultivar o mito de que seriam “criadores de empregos”. Por Paul Buchheit, da Common Dreams.
Foto 401k/Flickr
Em 1889, no seu artigo O Evangelhoda Riqueza[Gospel of Wealth], Andrew Carnegie ensinava que os norte-americanos deveriam considerar bem vinda a concentração da riqueza nas mãos de poucos, porque “a superior sabedoria, experiência e habilidade” dos ricos garantiria benefícios para todos.
Mais recentemente, Edward Conard, autor de Unintended Consequences: Why Everything You've Been Told About the Economy Is Wrong [Consequências indesejadas: por que tudo o que lhe contaram sobre a economia está errado], disse: “Como sociedade, não estamos a oferecer aos nossos raros talentos recompensa suficiente. Estamos pagando pouco aos quecorrem riscos”.  [1]
Será verdade? Será que, se dermos todo o dinheiro aos norte-americanos mais ricos, estará garantido que o empregarão sabiamente e que criarão empregos e estimularão os investimentos em pequenos negócios e, assim, beneficiarão toda a sociedade? Isso parece ser o que pensam os 18 altos executivos de grandes empresas que escreveram, em carta ao Secretário do Tesouro Timothy Geithner, que qualquer aumento nos impostos sobre ganhos de capital reduzirá o investimento, “quando precisamos formar capitais nos EUA para criar empregos e expandir nossa economia.”
Os 18 empresários e executivos que assinam a carta não listam qualquer prova a favor de suas ideias, porque não há o que prove esse tipo de delírio. Os factos são outros:

Os muito ricos não gostam de investimentos de risco
Analistas de mercado de Marketwatch estimam que mais de 90% do património acumulado pelos milionários está aplicado numa combinação de investimentos de baixo risco (bondse dinheiro), no mercado de ações e em propriedade imobiliária. Segundo o economista Richard Wolff, cerca de metade do patrimônio do 1% mais rico está aplicado em fundos não incorporados (contas comerciais pessoais). O  Wall Street Journal anota que cerca de mais de ¾ do patrimônio dos que valem individualmente mais de $20 milhões está investido em fundoshedge.
A parte do investimento aplicada em negócios iniciantes em 2011 não chegou a 1% dos investimentos dos ricos nos EUA.
A investigação de Mendelsohn Affluent Survey confirmou que os muito ricos gastam menos de 2% do próprio dinheiro para estimular negócios iniciantes. A última coisa que querem, pelo que se pode ver, é investir no arriscadíssimo negócio de contratar gente para inovar.

Os muitos ricos não gostam de arriscar em empregos
Os profissionais da alta gestão e da administração financeira representavam, em 2005, cerca de 60% do 1% de norte-americanos mais ricos. Os empresários empreendedores não chegavam a 3%.  Estudo recente constatou que menos de 1% de todos os empresários empreendedores vinham de ambientes muito ricos ou muito pobres.
A grande massa dos investimentos dos norte-americanos mais ricos toma o rumo do exterior – para fora dos EUA, onde os mais ricos aplicam 57% do próprio dinheiro e enchem suas fábricas com trabalhadores mal remunerados e superexplorados. Números do Departamento de Comércio mostram que as empresas norte-americanas cortaram cerca de 2,9 milhões de empregos nos EUA entre 2000 e 2009. Ao mesmo tempo, criaram 2,4 milhões de subempregos fora dos EUA.
O mais provável é que os muito ricos absolutamente nunca pensem em criar empregos, sejam quais forem, nos EUA. Pesquisas mostram que 60% dos investidores com patrimônio de $25 milhões ou mais estão investindo no exterior até 1/3 de tudo que têm. Nos EUA, a riqueza extra que teria sido criada pelos cortes de impostos da era Bush evaram aos “piores números do trabalho, de toda a história”. O grande criador de empregos nos EUA, como diria Nick Hanauer,[2]é o consumidor de classe média.

As empresas norte-americanas muito ricas não gostam de investir nos EUA
Como as empresas gastam o próprio dinheiro? Em larga medida, não gastam. Segundo a agência Moody's, o caixa de empresas não financeiras norte-americanas subiu 3% entre 1980 e 2011 e chega hoje a $1,24 trilhões. A razão património/dinheiro  das empresas quase triplicou entre 1980 e 2010. Estima-se que o dinheiro paralisado como reserva de caixa nas empresas norte-americanas bastaria para manter empregados 3,5 milhões de pessoas a mais, durante cinco anos, com salário anual de $40 mil dólares.
As empresas que mais preservam suas reservas de caixa, entre as quais Apple, Google, Intel, Coca Cola e Chevron, gastam o seu dinheiro na recompra de ações (o que faz subir o preço das ações preferenciais), em dividendos para investidores e na compra de empresas subsidiárias. Segundo Bloomberg, a recompra de ações alcança hoje um dos mais altos picos dos últimos 25 anos.
A empresa Apple alega ter criado 500 mil empregos para a economia dos EUA, mas aí estão contados entusiastas da construção de aplicativos e os motoristas da Fedex que entregam iPhones a domicílio. A Apple emprega hoje nos EUA 47 mil pessoas: é 1/10 da força de trabalho da General Motors nos anos 1990s.
Os riquíssimos investem, isso sim, no exterior. Também investem mais em “drenar cérebros” para o exterior – empresários, cientistas, médicos – do que em apoiar a melhoria da educação nos EUA.
Há um campo no qual as grandes empresas gostam de gastar dinheiro: em bônus aos altos executivos. Bancos, sobretudo, cujos gastos extras são muitas vezes cobertos por empréstimos de juro zero que lhes garante o FED - Federal Reserve.
Os mais ricos – indivíduos e empresas – são muito bons em acumular fortunas. E são melhores ainda na arte de cultivar o mito de que seriam “criadores de empregos”.

Notas:
[1] New York Times, 1/5/2012, “The Purpose of Spectacular Wealth, According to a Spectacularly Wealthy Guy” [O objetivo da riqueza espetacular, segundo alguém espetacularmente rico], assinado por Adam Davidson, onde se lê:
“(...) recentemente, encontrei Edward Conard na 5ª. Avenida, entre a Av. Madison e a Rua 57, bem em frente de seu escritório [na empresa] Bain Capital, o Fundo de Investimento em Participações que ele ajudou a converter em negócio multibilionário, à custa de comprar empresas em frangalhos, consertá-las e revendê-las com gordos lucros. Conard, que se aposentou há três anos, quando completou 51 anos, não é membro só do 1%: é membro também do 0,1%. Sua fortuna está na casa das centenas de milhões: vive em uma casa no Upper East Side, perto da 5ª. Avenida; e é um dos principais doadores de campanha de seu antigo patrão, depois sócio, e amigo, Mitt Romney”.
Conard pode ser ouvido, em entrevista a Fareed Zakaria, da CNN, a seguir:
 
[2] Para saber quem é, ver em: “Raise Taxes on Rich to Reward True Job Creators: Nick Hanauer” (em inglês) E também em: “TED rejeita palestra de um capitalista contra o papel dos capitalistas” (em português)


Traduzido por Vila Vudu e publicado pela redecastorphoto.

Testamento vital aprovado por unanimidade

Com a lei agora aprovada no Parlamento, cada cidadão vai poder decidir quais os cuidados de saúde a que não quer sujeitar-se, no caso de se encontrar incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente. Para o deputado João Semedo, que coordenou a redação da lei, "foi dado um passo em frente nos direitos humanos e dos cidadãos".
Foto Paulete Matos
"Com a aprovação deste texto final do Testamento Vital a democracia portuguesa ficou mais perfeita", afirmou Semedo na sua declaração de voto, lembrando que se está a consagrar "um direito que já existe enquanto gozamos de saúde e podemos aceitar ou recusar um tratamento ou um exame".
João Semedo saudou os deputados das diferentes bancadas que contribuíram para a redação final da lei e sublinhou que "esta aprovação não resolve todos os problemas dos cidadãos que estão no final da vida, como a pobreza, solidão, abandono e sofrimento", prometendo novas iniciativas do Bloco no parlamento sobre estes problemas.
A lei do testamento vital permite a qualquer pessoa maior de idade e capaz poder declarar que não deseja ser submetido a "tratamento de suporte artificial das funções vitais", "tratamento fútil, inútil ou desproporcionado no seu quadro clínico e de acordo com as boas práticas profissionais", "tratamentos que se encontrem em fase experimental", ou "receber os cuidados paliativos adequados" ao sofrimento provocado por doença irreversível ou em fase avançada.
O testamento vital, que a lei chama "Diretiva Antecipada de Vontade", permite ainda à pessoa "autorizar ou recusar a participação em programas de investigação científica ou ensaios clínicos". A assinatura terá de ser reconhecida no notário e a Declaração poderá ser anulada ou modificada a qualquer altura, mas ao fim de cinco anos terá de ser renovada para não perder validade. O outorgante poderá recorrer à colaboração de um médico para a elaboração do testamento vital e nomear um procurador de cuidados de saúde, que possa exercer os direitos do outorgante, caso este se encontre "incapaz de expressar de forma pessoal e autónoma a sua vontade".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Governo quer alugar médicos à hora, estudantes protestam contra falta de vagas para internato

O Governo promove concurso ilegal para a contratação de empresas de aluguer de médicos à hora. O Bloco de Esquerda considera que se trata de um ataque às carreiras médicas, à qualidade dos cuidados de saúde e ao SNS, reclama anulação do concurso e contratação direta de médicos. Mais de mil estudantes de medicina protestaram contra a falta de vagas para o internato médico.
Bloco defende que o Governo deve abrir de imediato concursos para a colocação de médicos nos centros de saúde e hospitais do país e fazer a sua contratação direta, dispensando quaisquer intermediários privados - Foto de Alex E. Proimos/Flickr
O governo, através da central de compras do Ministério da Saúde, abriu um concurso para contratar “médicos em pacote” e através de empresas de aluguer de médicos à hora, em todo o país e para diversas especialidades, tendo como único critério de seleção "o mais baixo preço unitário por hora".
O Bloco de Esquerda considera que o governo está a tratar o trabalho médico como qualquer outra mercadoria, “não se vislumbrando qualquer preocupação com a qualidade da medicina praticada e a organização das equipas prestadoras de cuidados de saúde”.
Este concurso é ilegal, porque viola a legislação laboral e a negociação coletiva, e, alerta o Bloco, é aberto no momento em que decorrem arrastadas "negociações" entre os sindicatos dos médicos e o governo sobre grelhas salariais, carreiras médicas e outras questões laborais, traduzindo uma “inaceitável chantagem sobre o processo negocial”.
Para o Bloco de Esquerda “nunca houve um tão insidioso e perigoso ataque às carreiras médicas, à organização e qualidade dos cuidados de saúde e ao SNS”. O partido lembra que há muito alerta para a falta de médicos e defende que o Governo “deve abrir de imediato concursos” para a colocação de médicos nos centros de saúde e hospitais do país e fazer a sua contratação direta, dispensando quaisquer intermediários privados, com os quais se desbarata e desperdiça dinheiro público”.
Entretanto nesta quinta feira, mais de mil estudantes de medicina concentraram-se em frente ao ministério da Saúde em protesto contra a falta de vagas para o internato médico, fundamental para exercerem a profissão. Segundo a Lusa, os estudantes vestiam batas brancas e ostentavam ao peito “senhas de espera”. O problema surge porque a capacidade do internato médico é apenas de 1.500 vagas, enquanto que o número de licenciados chega aos dois mil em cada um dos próximos anos. Manuel Abecassis, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), diz que “são diplomados em medicina, que não vão poder terminar a formação”, acrescentando que “muitos, se calhar, vão ter que completar o curso lá fora, nos países onde isso é possível”.

CMVM denuncia indícios de manipulação da dívida portuguesa

O Presidente da Comissão Mediadora de Valores Mobiliários, Carlos Tavares, foi ao Parlamento ratificar as ações da auditoria cidadã e de todas as iniciativas da sociedade civil que questionam a dívida. Por Luís Bernardo, publicado em auditoriacidada.info
A quem não acreditar, sugere-se a audição destas declarações. É claro como água, ao contrário da condução dos negócios públicos, os quais, em Portugal e em toda a história da comunidade política, primam pela opacidade e pelo elitismo.
Portanto, a CMVM foi à Assembleia da República avisar os representantes eleitos da República que enviara uma denúncia ao Ministério Público. Trata-se de uma mudança importante no discurso institucional e não podemos permitir que o episódio fique deposto na espuma dos dias. O presidente de uma instituição importantíssima — para todos: defensores da regulação ou da desregulação — afirma que há algo de podre no reino da dívida; que há gente não muito bem intencionada a escrever em pasquins com exposição internacional, com o objetivo de pressionar «o mercado» — seja lá o que isso for, para além do cartel bancário composto por cinco ou seis bancos-leviatã —, no sentido de aumentar os seus próprios lucros e comprar a gasolina necessária a uma fuga para o Belize ou para as ilhas Caimão. Manipulação, diz Carlos Tavares. Afirmar o óbvio não teria grande valor, caso não fosse um dos primeiros reguladores a afirmar que:
a) o sistema da dívida, como lhe chama Maria Lúcia Fattorelli, é um gigantesco esquema extrativo e, seguindo o último livro de Daron Açemoglu e James Robinson, pode mesmo ser entendido como instituição extrativa (consultando o website do IGCP, ficamos a perceber quem manda);
b) esse sistema está no núcleo do regime de acumulação neoliberal, baseado na expropriação de direitos fundamentais e na transferência ascendente de riqueza. Manipulação, portanto. Actos puníveis por lei, dirão outros. E uma farsa desesperante.
Parece que a auditoria cidadã passou a ter o apoio de Carlos Tavares e da CMVM. Esperamos, portanto, que a CMVM publique todos os documentos indiciadores de manipulação da dívida soberana portuguesa, para que os trabalhos continuem. E os trabalhos continuam, no meio do lodo criado pelos tais «manipuladores», disfarçados de académicos eméritos e cravejados — medalhados — de conflitos de interesses, que só podem levar-nos a considerar isto: a primeira mercadoria que venderam foi a decência.
As consequências políticas serão nulas. O problema é demasiado vasto e complexo para que uma denúncia por «suspeitas» ou «indícios» possa resolvê-lo. Sabemo-lo. Mas estas declarações, pouco depois da demonstração de que o FMI tem, como diretora-executiva, uma sociopata relapsa e a poucas semanas de um ato eleitoral grego que pode assustar muita gente, revelam uma redefinição das posturas institucionais. Resta saber, agora, como se posicionarão os atores políticos portugueses, os mesmos que crucificaram Pedro Nuno Santos e martelam o nosso ânimo com a narrativa thatcherista da inevitabilidade. Que dirão? Como reagirão? Provavelmente, com um silêncio olímpico ou uma relativização astuta. Mas não nos vamos calar.
Diz-nos o universo moral no qual crescemos que só a gente desonrada se recusa a pagar. Mas esse universo moral também diz que a usura é a mais vil das instituições. Pagar, pois; a gente que escreve para meter ao bolso e cuspir na cara de quem trabalha. Até quando vamos ficar sem fazer nada?
Artigo de Luís Bernardo, revisão de Rita Veloso, publicado em auditoriacidada.info

“Governo mascarou as contas públicas”

Perante a análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que refere que a queda nas receitas fiscais com impostos indiretos foi quase o dobro da divulgada pela Direção-Geral do Orçamento e que estima um défice de 7,4% no primeiro trimestre de 2012, o deputado do Bloco Pedro Filipe Soares sublinhou que “o rigor prometido [pelo governo] ruiu por terra”.
Foto de Paulete Matos.
Ao contrário do que foi divulgado pela DGO [Direção-Geral do Orçamento], a quebra da receita proveniente de impostos indiretos foi mais acentuada. A UTAO detetou uma incorreção na taxa de variação homóloga acumulada até abril dos impostos indiretos da administração central e segurança social (sem EPR – Entidades Públicas Reclassificadas), publicada pela DGO”, refere a análise da UTAO à execução orçamental entre janeiro e abril, tornada pública no passado dia 23.
Segundo os técnicos desta unidade independente que dá apoio aos deputados, na origem do erro encontra-se a falha da DGO em somar a receita proveniente do IVA social entre janeiro e abril de 2011, no valor de 238 milhões de euros. Este valor terá sido, segundo a UTAO, “erradamente imputado à receita não fiscal, tendo afetado, assim, a variação homóloga do saldo global da administração central e da segurança social”.
Da correção deste lapso resulta que “a receita de impostos indiretos da administração central e da segurança social (sem EPR) diminui 6,8 por cento (agravando em quase 1,1 pontos percentuais a quebra registada até março), quase o dobro da variação pública na síntese de maio da DGO (-3,5 por cento)”.
Na sua análise, a UTAO refere ainda que a receita fiscal da administração central mais segurança social, descontado do efeito das EPR e da antecipação de dividendos, terá registado uma redução de 2,3 por cento, o que contraria o aumento de 0,2 por cento implícito nos dados divulgados pela DGO.
“A UTAO estima que o défice das Administrações Públicas se tenha situado em cerca de 7,4 por cento do PIB no primeiro trimestre de 2012”, adianta também a análise, alertando para o facto de “a quebra das receitas de impostos indiretos e de contribuições sociais, a qual se tem vindo a agravar desde o início do ano", originar "uma diferença ainda maior entre a ótica de especialização de exercício e a ótica da contabilidade pública".
"Este facto, aliado à habitual diferença no primeiro trimestre entre os juros pagos e os juros incorridos, origina um ajustamento de dimensão relevante para o défice em contas nacionais”, conclui.
O rigor prometido ruiu por terra"
Para o deputado bloquista, Pedro Filipe Soares, a análise da UTAO indica que "há novamente um gigantesco lapso do Governo".
"O Governo mascarou as contas públicas, dizendo-nos que a derrapagem dos impostos indiretos era metade da que se verificou. Há afinal uma degradação maior das contas públicas, como também é visível um défice de mais de sete por cento no primeiro trimestre deste ano", sublinhou Pedro Filipe Soares.
"De lapso em lapso, este Governo continua a insistir no enorme erro que é esta política orçamental", adiantou o dirigente do Bloco de Esquerda.
"Com esta política, o Governo leva o país mais fundo na recessão e torna mais débeis as contas públicas. O que a análise da UTAO nos diz é que o rigor prometido ruiu por terra", rematou Pedro Filipe Soares.

Governo impõe trabalho comunitário a alunos faltosos

Segundo o novo Estatuto do Aluno e Ética Escolar, aprovado esta quinta feira em Conselho de Ministros, os planos individuais de trabalho destinado aos alunos faltosos vão ser substituídos por tarefas a favor da comunidade. Os pais dos alunos faltosos serão alvo de uma “forte censura social”.
Foto de Paulete Matos.
No final do Conselho de Ministros, que teve lugar esta quinta-feira de manhã, o ministro Nuno Crato anunciou o fim dos Planos Individuais de Trabalho (PIT) e a sua substituição por trabalho comunitário, medida que será destinada às crianças e jovens com excesso de faltas.
Esta proposta foi integrada no novo estatuto do aluno, agora denominado Estatuto do Aluno e Ética Escolar. Segundo o ministro Nuno Crato, o objetivo desta medida é promover a integração numa ética da escola.
O secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar esclareceu ainda que, em caso persistente de absentismo, as escolas serão obrigadas, tal como já acontece, a assinalar estes alunos junto das comissões de proteção de menores e jovens. O mesmo acontecerá com os alunos que forem suspensos por mais de cinco dias.
João Casanova de Almeida adiantou ainda que os encarregados de educação dos alunos faltosos serão sujeitos a uma “forte censura social”.
No diploma é ainda restabelecida a hipótese dos alunos serem excluídos do sistema de ensino, caso já não estejam abrangidos pela escolaridade obrigatória (até aos 18 anos).
Segundo avançou o secretário de Estado da Presidência do Conselho e Ministros, Marques Guedes, mediante a aprovação do Estatuto do Aluno e Ética Escolar pela Assembleia da República, o Código Penal deverá ser alterado para que o mesmo venha a prever um agravamento em um terço das penas previstas para crimes contra a pessoa e o património ocorridos nas escolas ou relacionados com estas.
São várias as criticas ao processo de elaboração do novo Estatuto do Aluno
As criticas ao modo como foi conduzido o processo de elaboração do novo estatuto do aluno vêm de diversas frentes, seja dos diretores de escola ou dos encarregados de educação.
“É de lamentar que o Conselho das Escolas não tenha sido ouvido e não se tenha pronunciado sobre uma proposta de um documento que a tutela possa ter apresentado e que leva agora a Conselho de Ministros”, sublinhou, em declarações à Rádio Renascença, o presidente do órgão consultivo do Ministério da Educação, Manuel Esperança.
Albino Almeida, da Confederação de Associações de Pais (Confap), afirmou a esta rádio que os encarregados de educação esperam, pelo menos, ter conhecimento do diploma quando este for enviado à Assembleia da República e não através da comunicação social.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.