segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

“A lei tem de permitir a procriação medicamente assistida a todas as mulheres”

Em entrevista ao Esquerda.net, o deputado João Semedo explica o projeto de lei do Bloco sobre Procriação Medicamente Assistida e Maternidade de Substituição que será discutido na próxima quarta-feira, dia 19 de Janeiro. “Não vemos qualquer razão para se limitar esta possibilidade apenas a umas pessoas e outras não, nós não aceitamos que uns possam ser felizes e outros não”, disse.
“A lei tem de permitir a procriação medicamente assistida a todas as mulheres”
"Para nós, a primeira condição para se ter um filho é, evidentemente, querer, desejar ter um filho. Se a medicina, hoje, permite que esse desejo seja possível, então a lei tem de tornar essa possibilidade uma realidade para todas as mulheres, em nome da sua felicidade e do seu projeto pessoal de parentalidade". Foto de Paulete Matos.
O que propõe este projeto de lei sobre 'Procriação Medicamente Assistida e Maternidade de Substituição' que o Bloco leva à discussão no parlamento?
O Bloco propõe várias alterações à Lei da Procriação Medicamente Assistida que existe há cerca de 6 anos, e que resultou, na altura, de iniciativas do Bloco e do PS. Trata-se de uma lei já responsável, e ainda bem, pelo nascimento de milhares bebés em Portugal, que de outro modo nunca teriam nascido, resultam então de tratamentos de fertilidade que tiveram êxito.
As propostas de alteração do Bloco são, fundamentalmente, três. A primeira diz respeito à legalização da maternidade de substituição, a qual propomos que seja possível desde que por razões clínicas, como a ausência ou lesão/doença no útero, ou grave incapacitação de gravidez, e desde que represente um gesto, uma atitude, uma decisão altruísta e solidária. Recusamos, portanto, que a maternidade de substituição dê origem a qualquer tipo de negócio legal ou ilegal. Nós queremos legalizar um tratamento, uma alternativa, para situações raras ou situações-limite que impedem uma mulher de engravidar.
As duas outras propostas do Bloco vão no sentido de permitir que qualquer mulher, seja qual for a sua situação pessoal, condição clínica (seja estéril ou não), estado civil (casada ou em união de facto com um homem ou uma mulher, divorciada, viúva, sozinha) possa recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida (PMA). Isto traduz-se em duas propostas muito concretas: em primeiro lugar, propomos que seja retirado da lei a exigência de que a mulher seja casada ou se encontre em união de facto para poder aceder a técnicas de PMA ou à maternidade de substituição; em segundo lugar, concretizando este aspecto de alargar a todas as mulheres o acesso às técnicas de PMA, propomos que também se retire da lei a condição de infertilidade, ou seja, consideramos que qualquer mulher, seja ou não infértil, deve poder ter acesso.
Quais as razões e os motivos que levaram o Bloco a propor estas alterações na lei já existente?
Quanto à maternidade de substituição, que se reportam a situações muito graves, nós não percebemos porque é que uma mulher que não pode ter filhos devido a uma situação clínica absolutamente extraordinária, não pode beneficiar das possibilidades que hoje as técnicas de procriação medicamente assistida oferecem para resolver estes problemas. São, de facto, situações raras, difíceis, mas nós consideramos que não havendo soluções perfeitas, esta é a única solução, reconhecendo os problemas e as dificuldades que levanta, tanto para a mulher que transportará o embrião e fará a gestação da futura criança, como para aqueles que serão depois a mãe, o pai, a família desse criança. É porque reconhecemos a complexidade desta situação que defendemos que esta solução deve apenas servir situações-limite de absoluta incapacidade de gravidez.
Relativamente às outras duas propostas que referi, a razão pela qual consideramos que a exigência do casamento ou união de facto deve cair é muito simples – para procriar, esses estados civis não são necessários e por isso questionamos porque é que a lei deve exigir algo que natureza não o faz, o que até é caricato.
Quanto à nossa proposta para que deixe de ser exigível a condição de infertilidade, ou seja, aceitarmos e permitirmos, achando que é legítimo, que uma mulher, seja qual for a sua situação clínica ou orientação sexual, possa recorrer à inseminação artificial, a razão fundamental é a felicidade e a realização pessoal das pessoas. Para nós, a primeira condição para se ter um filho é, evidentemente, querer, desejar ter um filho. Se a medicina, hoje, permite que esse desejo seja possível, então a lei tem de tornar essa possibilidade uma realidade para todas as mulheres, em nome da sua felicidade e do seu projeto pessoal de parentalidade. A procriação medicamente assistida é, aliás, uma das expressões mais ricas e evidente de que os avanços nas ciências da saúde e na medicina devem e podem estar ao serviço da felicidade das pessoas. Não vemos qualquer razão para se limitar esta possibilidade apenas a umas pessoas e outras não. Aceitando que há uma ética da felicidade que deve ser preservada e deve determinar estas questões, nós não aceitamos que uns possam ser felizes e outros não.
Os grupos parlamentares do PS e do PSD também já apresentaram propostas sobre estas questões que serão discutidas em conjunto com o diploma do Bloco de Esquerda, na próxima quarta-feira. Como avalia o Bloco as iniciativas destes partidos?
As propostas do PS e do PSD referem-se apenas à maternidade de substituição e são, no nosso ponto de vista, proposta 'coxas', porque tentam resolver apenas uma parte do problema, deixando sem resposta uma outra parte muito importante que tem a ver com o alargamento do acesso destas técnicas a todas as mulheres. Julgo que a argumentação do PS e do PSD esquece que o facto da procriação medicamente assistida, com a proposta do Bloco, se tornar acessível a todas as mulheres, não significa que passará a ser obrigatório procriar recorrendo a estas técnicas de procriação medicamente assistida, como é óbvio.
Numa sociedade democrática e plural, na qual haja respeito pela diferença, por cada um, pela individualidade, pela personalidade, enfim, pelos projetos de cada uma e cada uma, nem a própria sociedade nem a lei podem impor modelos de comportamento, de família ou de relação com a parentalidade. É em nome dessa pluralidade, do respeito pela diferença, em nome dessa exigência de nos respeitarmos uns aos outros, de forma igual e mesmo quando temos sentimentos, perspetivas ou opiniões divergentes, que consideramos que as propostas do PS e do PSD são 'coxas', insuficientes.
Julgo que haverá uma proposta também da Juventude Socialista, que eu ainda não conheço, mas que tudo indica será muito semelhante à do Bloco. Espero para ver e que existam então deputados na bancada socialista a apoiar também essa iniciativa.
Nós esperamos que em todas as bancadas existam deputados e deputadas sensíveis a este apelo pela diferença. Porque respeitar a diferença é aceitá-la e é também legislar de forma a que lei permita que a diferença se exprima, concretize e realize. Não basta dizer que somos muito tolerantes. É preciso que essa tolerância ganhe corpo e forma na lei. Neste caso da procriação medicamente assistida, trata-se de permitir que todas as mulheres, de acordo com os seus valores, as suas convicções e as suas escolhas, possam ter filhos recorrendo a estas técnicas.


Entrevista por Sofia Roque.

Ex-administrador da SLN vai distribuir subsídios às empresas

Foi Secretário de Estado no governo de Durão Barroso e um dos responsáveis pela administração da sociedade que controlava o BPN e não avisou o Banco de Portugal quando encontrou fraudes. Franquelim Alves é o novo gestor do COMPETE, o programa de incentivos às empresas que dispõe de 5.500 milhões de euros. Ou seja, mais 1.000 milhões do que o que o país vai pagar pelo buraco do BPN.
Franquelim Alves disse aos deputados que a sua administração sabia da fraude nas contas do BPN, mas optou por não avisar o Banco de Portugal.
Franquelim Alves disse aos deputados que a sua administração sabia da fraude nas contas do BPN, mas optou por não avisar o Banco de Portugal. Foto Andre Kosters/Lusa
O Diário Eonómico confirmou a demissão do atual responsável pela gestão do COMPETE - Programa Operacional Fatores de Competitividade - Nelson Souza. A partir de fevereiro, é substituído por Franquelim Alves, o antigo responsável pela área não-financeira da Sociedade Lusa de Negócios, que tinha sob a sua alçada investimentos em sectores como o imobiliário, a saúde, o turismo e a indústria transformadora, entre outros.
No meio das polémicas sobre as nomeações das clientelas partidárias para cargos de direção no Estado, o nome deste social-democrata - que chegou à administração da SLN pela mão de outro notável laranja, Joaquim Coimbra - será mais um a acrescentar à longa lista. Franquelim Alves é economista e já trabalhou no grupo Lusomundo antes de passar para diretor financeiro da Jerónimo Martins. No ano 2000 regressa à Lusomundo e ocupou vários cargos em representação do grupo do tenente-coronel Luís Silva, por exemplo na administração da PT Multimedia.
Franquelim Alves foi um dos antigos administradores da Sociedade Lusa de Negócios ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN. Em São Bento, tentou explicar aos deputados porque aprovara as contas da SLN de 2007, mesmo admitindo que nessa altura já todos percebiam o que se estava a passar com o Banco Insular de Cabo Verde, por onde passava uma parte importante dos prejuízos ocultos da gestão de Oliveira e Costa. "Não aprovar seria um colapso completo da própria situação", confessou o ex-administrador para a área não-financeira da SLN.
Franquelim Alves não conseguiu convencer os deputados das razões por que não comunicou ao Banco de Portugal as suspeitas do escândalo financeiro nas contas do grupo e alegou que a SLN teria de fazer primeiro o apuramento de toda a situação. Com a entrada de Miguel Cadilhe para a presidência da SLN, acabou por deixar o cargo.
Esta nomeação do Governo para dirigir os fundos do programa COMPETE levará  Franquelim Alves a afastar-se da presidência executiva da Gi Capital Solutions, uma sociedade de reestruturação de créditos e gestão de carteiras de ativos imobiliários.  No COMPETE, o antigo administrador da SLN será responsável por um orçamento de 5.529 milhões de euros, dos quais 3.103 milhões são financiamento comunitário vindo através do FEDER. Um valor que ultrapassa em mil milhões o que os portugueses vão pagar nos próximos anos pelo buraco do BPN, segundo estimativa do Ministério das Finanças em Setembro.

Mentiras colossais

Apesar de todas as medidas de austeridade que são conhecidas o Governo vai falhar as metas do défice. O Governo já está a falhar.
Apenas nove dias depois de entrarmos em 2012 ficámos a conhecer a grande mentira colossal do Governo sobre as contas públicas. As finanças reconhecem que o défice deste ano será de 5,4%, em vez dos 4,5% estipulados no acordo com a troika.
Num documento interno do Ministério de Vítor Gaspar, publicado na imprensa, afirma-se com todas as letras que o valor final do défice orçamental será superior ao previsto pelo Orçamento do Estado e pelo memorando de entendimento com a troika.
Há cerca de um mês que o Ministério das Finanças terá conhecimento destes números, que escondeu até agora, e é fácil perceber porquê: apesar de todas as medidas de austeridade que são conhecidas o Governo vai falhar as metas do défice. O Governo já está a falhar.
5,4%, numa versão mais otimista - que deverá ficar aquém da realidade - serão a marca deste executivo que, já é evidente, só tem duas alternativas: ou falha com as metas com que se comprometeu, e ficará desacreditado, ou irá impor uma nova vaga de austeridade.
Certo é que após meses de chantagem social, tendo como justificativo para as medidas draconianas impostas aos portugueses a ideia de que o rigor nas contas públicas nos vai salvar do abismo, e toda esta falácia está agora a descoberto.
A derrapagem no défice é consequência da transferência das pensões da banca para o Estado em 478 milhões de euros, uma operação que permitiu ao Governo mascarar o problema as contas em 2011. Os bancos transferiram os fundos de pensões para a Segurança Social, e o Estado cumpriu o défice de 2011. Em 2012 há que garantiro pagamento dessas pensões, logo o défice aumentará, e há já quem aponte para os 7%.
Torna-se claro que o Governo apenas encobriu o défice de 2011, adiando um problema para justificar e impor a austeridade como a solução de todos os males. O recém-aprovado OE para 2012 não vai assim além de um documento de intenções, com o Governo a admitir que a derrapagem deste ano só será conhecida com o orçamento retificativo que está a ser elaborado.
No parlamento, esta semana, Vítor Gaspar, o ministro “sério”, fugiu ao confronto com a verdade dos números como o diabo foge da cruz. No mesmo dia em que o Banco de Portugal afirmava, no seu boletim de Inverno, que seriam necessárias medidas adicionais de controlo do défice, o ministro negou novas medidas de austeridade. Mas não nega o descalabro da política orçamental do Governo e um executivo que se contradiz: há semanas Passos Coelho considerava tabu a venda de património imobiliário do Estado. Gaspar garante agora que caso seja necessário garantir receita adicional, esta será obtida através da alienação de imóveis ou da atribuição de concessões. O desnorte é consequência visível na ação do executivo subjugado à inflexibilidade da troika na renegociação dos limites do défice. Medidas fiscais adicionais estarão certamente a ser já cozinhadas.
Curioso será ver como responderá Gaspar daqui a 5 ou 6 meses sobre um novo desvio colossal que já não será herança de Sócrates, e sem atenuantes. Entretanto fica um recado senhor ministro: não invente mentiras novas. Já chegam as dos últimos meses.

O salário, a democracia e o autoritarismo

Não será casual o patronato colocar em causa os dias de trabalho sindical e os dias de campanha eleitoral como faltas justificadas e remuneradas. Querem chegar ao coração da democracia...
Temos assistido a um autêntico ataque, concertado, no sentido de baixar o valor do salário no nosso país. Não é de agora. Começou com os aumentos abaixo dos níveis da inflação, depois o congelamento de salários que levou à perda efectiva de poder de compra anos a fio, as alterações ao subsídio de desemprego que fazem com que a reentrada no mercado de trabalho se faça auferindo um salário inferior, os cortes nos apoios sociais que reduzem o rendimento disponível das famílias, a precariedade laboral, até chegarmos ao ponto do corte nos salários e nos subsídios de férias e de Natal. Mas tudo isto não chega para saciar o patronato e a troika e, com a desculpa de que é preciso promover a competitividade, retiram-se feriados, altera-se os dias de férias e acrescenta-se meia hora de trabalho diário. Tudo sem remuneração.
Semanas a fio ouvimos o Governo defender acerrimamente estas medidas como a única forma de estimular a competitividade, mas, agora, parece que o Governo deu sinais de que vai retirar a proposta de aumento do horário de trabalho, coisa que o Ministro da Economia não esclareceu devidamente, muito ocupado que anda com a problemática do pastel de nata, como é do conhecimento público. Esperamos para ver. Mas o que já estamos a ver é o posicionamento do patronato que avança com novas exigências, aproveitando a maré de um Governo que aceita tudo, desde que seja contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Por isso, António Saraiva, Presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CEP) não perde tempo a dizer que não se pode criar “um vazio com o eventual recuo do Governo no aumento do horário de trabalho” e levanta o véu sobre as propostas que vai apresentar: mexer nas faltas justificadas, como, por exemplo, as faltas por casamento e os dias destinados ao trabalho sindical e os dias de campanha eleitoral para os candidatos a cargos públicos. Isto é o levantar do véu, porque não admira nada que queiram também alterar as faltas por doença, por luto e mesmo por assistência à família, para não falar dos direitos dos trabalhadores-estudantes.
Não será casual o patronato colocar em causa os dias de trabalho sindical e os dias de campanha eleitoral como faltas justificadas e remuneradas. Sabemos que é ambição antiga e mostra onde querem chegar. Querem chegar ao coração da democracia, limitando, por questões financeiras, o direito de todos e todas se candidatarem a qualquer órgão de representação política ou de exercerem actividade sindical. Está em causa o valor real do salário, mas está em causa a cidadania e o direito de participação. A Lei protege aqueles e aquelas que se dedicam ao sindicalismo, porque reconhece que essa actividade é parte integrante da vida democrática e da vida da própria empresa, assim como estabelece a igualdade de oportunidades para todos os que se candidatam a órgãos de representação política no período da campanha eleitoral.
Estes princípios não são negociáveis. Por isso atenção, muita atenção: Querem reduzir o salário, empobrecer os trabalhadores e desproteger os desempregados, mas de caminho também querem reduzir a democracia. Isto chama-se autoritarismo!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Passe do Metro de Lisboa pode aumentar mais 50%

O Governo prepara-se para aumentar o preço do passe social do Metro de Lisboa de 23,90 para 36 euros, com o objetivo de pôr os utentes lisboetas a pagar o mesmo preço do Andante para o Metro do Porto. A simplificação tarifária prometida ficará na gaveta e o Governo insiste em acabar com a histórica carreira do elétrico 18.
A solução do Governo é ter um país com menos transportes públicos e mais caros.
A solução do Governo é ter um país com menos transportes públicos e mais caros. Foto Paulete Matos
A confirmar-se esta intenção do Ministério de Álvaro Santos Pereira, noticiada este sábado pelo Jornal de Notícias, os utentes do Metro de Lisboa vão pagar mais 16,45 euros em menos de um ano, contando com os recentes aumentos das tarifas dos transportes.
O grupo de trabalho que o Governo nomeou para estudar a reforma do sistema de transportes já entregou o relatório final ao Governo e a conclusão mais importante foi mesmo a desistência do processo de simplificação tarifária, que "face à sua extrema complexidade", o grupo não foi capaz de encontrar uma solução. Pelo contrário, o documento a que a Lusa teve acesso confirma que "foi reconhecida a sua inviabilidade", pelo menos no prazo do mandato do atual Governo.
Assim, em vez da criação do Passe Cidade levar à eliminação dos passes próprios do Metro e da Carris - empresas com fusão à vista - o grupo propõe agora a "eliminação de títulos de venda reduzida" e diz que só no caso da CO "foi possível "consensualizar a introdução de um novo zonamento tarifário que permita eliminar as incongruências do atual sistema". Na prática, passa a existir um "zonamento fixo", em que o passageiro "paga de acordo com o número de zonas em que circula", independentemente da linha, percurso ou distância, em vez de pagar apenas a distância que percorre como acontece hoje.
O acesso aos transportes públicos irá passar a ser dificultado para os jovens e idosos, que atualmente beneficiam do desconto de 50%. Agora, estes utentes terão de comprovar as suas dificuldades económicas ao balcão do Metro e da Carris e só quem apresente rendimentos muito baixos irá beneficiar de tarifas sociais.  O plano do Governo prevê ainda que os utentes paguem de acordo com os rendimentos que declaram ao fisco, com a criação de novos escalões, com preço diferenciado. Esta medida poderá trazer aumentos ainda maiores no preço dos bilhetes simples.
Segundo a agência Lusa, na Carris, é proposto o fim de 16 carreiras (10, 49, 79, 777, 790, 797, 18E, 203, 205 e 208 da rede urbana e 21, 25, 76, 745, 764 e 799 da rede suburbana) e 19 alterações do serviço que incluem encurtamento do percurso ou alterações ao nível das ruas abrangidas (12, 30, 44, 70, 701, 703, 706, 709, 718, 732 e 794 na rede urbana e 22, 28, 31, 36, 714, 726, 202 e 210 na rede suburbana).
E insiste no fim do elétrico 18, uma das poucas carreiras ainda em funcionamento nas colinas lisboetas, que serve a zona da Ajuda e Alcântara, ligando-as à baixa de Lisboa. O desaparecimento deste símbolo da cidade não trará poupanças acrescidas à empresa, mas abre a porta ao progressivo abandono deste meio de transporte mais ecológico por parte da Carris. Muitos utentes revoltados com a intenção da empresa lembram que já a derrotaram no passado quando tentou acabar com esta carreira e lançaram uma petição que pode ser subscrita aqui.
 

A face lisboeta da “austeridade inteligente”

É inaceitável que o executivo de António Costa se desresponsabilize, num momento como estes, de fazer o que lhe compete: ficar do lado dos cidadãos.
Qual é a distância que vai entre a opção, profundamente ideológica, do governo do PSD pelo empobrecimento do país e a ação do executivo do PS em Lisboa?
Como outros dirigentes do PS, Carlos Zorrinho, responderia com toda a certeza que a diferença está na inteligência da austeridade.
Mas na prática, qual é a distância? É impor o limite ao défice na Constituição ou apenas numa lei de valor reforçado com os mesmo efeitos? É uma PT Bluestation no Chiado? ou o principio de alienação, de violação do que é de todos, da democracia e do património público, não é o mesmo?

O nome Baixa-Chiado era património da cidade, de todos os cidadãos e cidadãs de Lisboa, como qualquer espaço público. Agora é da PT que por sua vez também deixou de ser propriedade pública, deixou de servir a cidadania. Quando se trata de oferecer aos lucros privados o património público, os interesses são sempre os mesmos, sejam rosa ou laranja.
Num dos seus discursos na Assembleia Municipal, António Costa afirmou que com as novas obras o Terreiro do Paço voltaria a ser do povo. Só nos ocorre perguntar... e o resto de Lisboa, também será do povo?
Lisboa não está à venda, ao contrário do que António Costa pensa. É de todos os lisboetas. E por isso mesmo é inaceitável que o executivo de António Costa se desresponsabilize, num momento como estes, de fazer o que lhe compete: ficar do lado dos cidadãos.
Os cortes cegos que marcam este longo período de austeridade são na verdade muito certeiros, afetam em primeiro lugar e sobretudo a população com rendimentos mais baixos e a as famílias que foram empurradas para as periferias da cidade.
Solidariedade, responsabilidade, igualdade. Estes deviam ser os lemas de uma governação ao serviço das pessoas. Não é a assistência nem a caridadezinha muito agradecidas a um qualquer milionário que, favorecido por isenções e livre dos cortes, pode comprar a avenida da Liberdade durante vários dias com uma ínfima parte do que retira da exploração dos seus trabalhadores e fornecedores.
No final de novembro, depois do Governo ter anunciado e implementado cortes nos apoios sociais, cortes nas horas extraordinárias, cortes de 5% nos salários dos funcionários públicos, cortes nos subsídios de Natal e de férias, aumento dos impostos e do custo do acesso aos serviços públicos, o presidente António Costa veio finalmente anunciar o seu próprio plano não contra mas para contribuir para a crise social: o corte nas horas extraordinárias e no horário dos serviços municipais, com especial incidência nos serviços de recolha de lixo e dos bombeiros.
Aquilo que a Câmara dá com uma mão retira em dobro ou em triplo com a outra. E exatamente com a mesma arrogância com que o Governo atropela a concertação social, o executivo da Câmara ignora os sindicatos.
Com o desemprego a aumentar, os aumentos dos impostos e das taxas sobre os serviços públicos, dos transportes e da saúde e os cortes nos salários, tudo em nome de uma dívida impagável, em nome de um programa de austeridade recessiva que já não esconde ao que vem: empobrecer o país para garantir os lucros da banca e os caprichos dos mercados financeiros, o que o executivo do PS em Lisboa responde, na senda do que defende para o país, é que para austeridade, austeridade e meia. Em cima das medidas do governo, mais pobreza e mais desemprego.
É isto a austeridade inteligente? Terão os cidadãos de Lisboa vivido acima das possibilidades do resto do país? Será este um castigo especial a aplicar a Lisboa?
Austeridade inteligente é pôr em causa a segurança dos lisboetas impondo um quinto turno aos bombeiros sapadores quando isso diminui os efetivos disponíveis, fecha quartéis, diminui para metade a capacidade de resposta do Regimento e põe em risco a própria segurança dos bombeiros? É reduzir para metade os serviços mínimos durante a greve dos Bombeiros Sapadores para "evitar o pagamento das horas extraordinárias e de vencimentos"?
Depois de ter aprofundado a crise social, de ter imposto mais austeridade do que o Governo da direita, de ter posto em risco a segurança dos lisboetas, tudo em nome da poupança e do dinheiro que supostamente não existe... António Costa não tem uma explicação a dar sobre a noticia de que o reduzido número de concursos públicos e a elevada quantidade de ajustes diretos, assim como a grande quantidade de obras ao abrigo do estado de necessidade, aumentam os custos das obras adjudicadas em Lisboa. Perante a confirmação de que um número muito reduzido de empresas está a concentrar todas as adjudicações em Lisboa qual é a resposta que o Presidente tem a dar aos lisboetas e ao país? Afastar das obras públicas o vereador Nunes da Silva, responsável pelo relatório que trouxe um pouco de luz à opacidade dos negócios que retalham Lisboa.
Que austeridade é esta?
Nunca poderá haver austeridade inteligente porque não há inteligência possível na recessão, na pobreza e no desemprego. Mas ainda que fosse impossível conciliar o inconciliável, Lisboa não seria disso exemplo.
O PS tinha uma escolha, olhar para Lisboa e ver gente ou olhar para Lisboa e ver um negócio. Durante muito tempo permitiu-se fazer a escolha errada, mas agora essa escolha terá consequências gravíssimas na vida do povo de Lisboa, daquelas que trabalham ou estão desempregadas, dos estudantes e dos precários, das reformadas, dos mais pobres.

Standard & Poor's varre zona euro com cortes nos ratings

Por entre críticas à liderança europeia, a S&P baixou a notação de nove países, incluindo a França, e mantém perspetivas negativas para a dívida de 14 dos 16 países da zona euro. O rating da dívida de Portugal passou a ser "lixo" e a agência acredita que só vai piorar.
A S&P acusa os líderes europeus de não compreenderem as causas da crise. A Comissão diz que a decisão é "aberrante".
A S&P acusa os líderes europeus de não compreenderem as causas da crise. A Comissão diz que a decisão é "aberrante". Foto PPE/Flickr
A Standard & Poor's - uma das quatro agências que dominam a notação financeira mundial - anunciou na noite de sexta-feira a revisão das notações de longo prazo em dois escalões para Portugal, Espanha, Itália e Chipre. Os países que baixam um escalão na avaliação da agência são a França, Áustria, Malta, Eslováquia e Eslovénia. Apenas a Alemanha, Bélgica, Finlândia, Estónia, Holanda, Luxemburgo e Irlanda mantêm as notações anteriores. No entanto, a perspetiva de longo prazo para as dívidas dos países da zona euro é vista como negativa, com apenas duas exceções à ameaça de novo corte no rating ainda este ano: a Alemanha e a Eslováquia.
Na reação ao corte do rating de 'BBB-' para 'BB', o Ministério das Finanças português acusa a S&P de "ter substituído a sua análise individualizada por país por uma análise sistémica baseada na área do euro, da qual decorrem avaliações que não refletem adequadamente as realidades nacionais”. Para o Governo, a existência de pressões em baixa nos salários, consumo e investimento em Portugal enquadra-se "num padrão típico de processos de ajustamento como o do caso português", preferindo destacar as "inúmeras medidas para flexibilizar o mercado de trabalho e reforçar a competitividade" da economia ou que "o ambicioso plano de privatizações está em curso como planeado", classificando de "enorme sucesso" a recente privatização da EDP. O comunicado do Governo não faz nenhuma referência a outra previsão anunciada agora pela S&P: em caso de incumprimento ou reestruturação da dívida, a agência prevê que na melhor das hipóteses os credores só recuperarão metade do valor que detêm em dívida soberana portuguesa.
A deputada bloquista Ana Drago também reagiu ao anúncio da S&P, para dizer que Passos Coelho "deveria ter aproveitado tempos anteriores para fazer uma renegociação dos juros das 'tranches' de dinheiro que têm chegado a Portugal, e que são muito elevados". Para Ana Drago,  "agora vai ser muito mais difícil renegociar a descida dos juros num contexto em que Portugal estará muito mais acossado pelos mercados financeiros". Em declarações à Lusa, a deputada do Bloco defendeu ainda "uma actuação do Banco Central Europeu que permita contrapor uma abordagem política de países democráticos aos mercados financeiros, que têm os seus interesse especulativos de lucro".
O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, veio a público dizer que o corte generalizado das notações na zona euro é uma “decisão aberrante”. A consequência imediata do anúncio da S&P foi o acentuar da queda do euro face ao dólar norte-americano. Mas na próxima semana o cenário poderá agravar-se, com a subida das taxas de juro das dívidas soberanas e o aumento das dificuldades financeiras no conjunto da zona euro.
Quanto às consequências políticas, a situação francesa é a que chama mais a atenção, não só por perder o "triplo A" que é suposto distinguir a solidez das finanças públicas e a capacidade de cumprir com o pagamento da dívida, mas pelo efeito que este corte no rating terá na evolução da campanha para as presidenciais. Neste aspeto, trata-se de um revés importante para Nicolas Sarkozy, que ainda não anunciou a recandidatura ao cargo.   
No comunicado em que explica as mudanças de notação das dívidas soberanas dos países da zona euro, a Standard & Poor's aponta o falhanço da cimeira de 9 de dezembro. "O acordo político não fornece recursos adicionais suficientes ou a flexibilidade operacional para reforçar as operações de resgate europeu, ou ampliar o apoio suficiente aos países da zona euro submetidos ao aumento das pressões dos mercados", diz a nota da agência. A S&P acredita ainda que o acordo alcançado vê apenas como causa da crise "que a turbulência financeira atual decorre principalmente do desregramento fiscal na periferia da zona euro", enquanto a agência acredita que "os problemas financeiros que a zona euro enfrenta são tanto uma consequência do aumento dos desequilíbrios externos como de divergências na competitividade entre o núcleo central da zona euro e a chamada 'periferia'".
Na mesma nota, a S&P ameaça com um novo corte generalizado dos ratings da dívida da zona euro ainda em 2012 e avisa que "um processo de reforma com base apenas num pilar de austeridade fiscal arrisca-se a tornar-se autodestrutivo, com a procura interna a acompanhar as crescentes preocupações dos consumidores sobre a segurança de emprego e o rendimento disponível disponível, baixando as receitas fiscais nacionais". Elogios no relatório, só para o Banco Central Europeu, por ter aliviado os requisitos das garantias exigidas aos bancos, por reduzir a 1% a taxa de juro exigida para o refinanciamento, mas sobretudo por ter participado em operações de recompra de dívida sem precedentes para "aliviar fortemente as pressões de financiamento de curto prazo para os bancos".

Sindicato contesta mais despedimentos na imprensa

O Sindicato dos Jornalistas contesta o despedimento coletivo em curso no grupo Impala, que decidiu encerrar a revista 'Focus'. Outro motivo de preocupação são os processos de rescisões voluntárias que ocorrem no Diário Económico e nos media da Global Notícias (DN, JN, TSF, entre outros).
No caso da revista Focus, estão em causa os postos de trabalho de dez jornalistas e outros oito trabalhadores. Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou à Impala, de Jacques Rodrigues, para que "encete um verdadeiro processo de negociação, com o objetivo de manter a publicação da revista “Focus” e os postos de trabalho agora ameaçados, renunciado à solução mais fácil do encerramento e do despedimento". Para o SJ, "mesmo num caso extremo de encerramento, um grupo como a Impala pode e deve recolocar os trabalhadores afetados nas suas restantes publicações".
Quanto à situação na Global Notícias, do grupo Controlinveste de Joaquim Oliveira, o presidente do SJ comentou à Lusa as propostas de rescisão voluntária que circulam nas redações dos media do grupo, lembrando que “o impacto deste tipo de medidas sente-se não só pelo efeito que tem na vida das pessoas mas também na qualidade da informação, onde há um prejuízo muito sério”.
“As consequências deste tipo de reestruturações é a perda de capital de conhecimento, de memória e de prestígio com perda das pessoas há mais anos na profissão. Aconteceu na Lusa, na RTP e está a acontecer na Global Notícias”, acrescentou Alfredo Maia, que vê nestas reestruturações a tentação "de as empresas descartarem os recursos mais caros”, sobretudo os jornalistas com mais idade e experiência. Por outro lado, reconheceu o presidente do Sindicato, o critério da idade nestas propostas permite à empresa “minorar o impacto social dos despedimentos, uma vez que as pessoas naquela idade podem estar a receber subsídio de desemprego três anos e depois passarem à reforma”.
As rescisões voluntárias também estão presentes no quotidiano do Diário Económico, com a empresa detentora a querer poupar nos custos com pessoal "um pouco mais de metade" da sua meta anual de poupança, ficada em 2,1 milhões de euros. Embora sem dispor de muitos dados sobre esta situação, Alfredo Maia afirmou que “mesmo os processos voluntários traduzem-se na descapitalização das redações”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

S & P corta rating da França e de vários países da zona euro

Uma fonte do governo francês confirmou à Agência France Press que a agência de notação financeira Standard & Poor's decidiu cortar o rating da França, retirando-lhe o triplo A (a melhor notação). Além da França, todos os outros países da zona euro poderão ter cortes no rating, à exceção de quatro.
Agência corta rating da França e de todos os outros países da zona euro, à exceção de Alemanha, Finlândia, Holanda e Luxemburgo
Agência corta rating da França e de todos os outros países da zona euro, à exceção de Alemanha, Finlândia, Holanda e Luxemburgo
A agência de notação financeira Standard & Poor's deverá anunciar hoje o corte do rating da França e de todos os outros países da zona euro, à exceção de Alemanha, Finlândia, Holanda e Luxemburgo. Alemanha, Holanda e Luxemburgo manterão assim o triplo A, a melhor notação de rating. A notícia foi confirmada por uma fonte anónima do governo francês.
Já a 5 de Dezembro a Standard & Poor's tinha ameaçado cortar o rating dos países da zona euro.
A especulação com a notícia da decisão da Standard & Poor's levou à queda das bolsas e à subida desenfreada dos juros das dívidas soberanas dos países da zona euro nos mercados financeiros.
Segundo o site do “Jornal de Negócios”, os juros da dívida portuguesa a dois anos dispararam 12,8 pontos base para 112,438%, a das obrigações a 5 anos subiram 6,3 pontos para 15,079% e das obrigações a 10 anos subiram 2,5 pontos para 12,421%.
A degradação da notação de quase todos os países da zona euro irá provocar a subida das taxas de juro das dívidas soberanas desses países e poderá ter até implicação nas taxas de juro do Fundo Europeu de Estabilização Financeira.
Esta degradação do rating, imposta por uma das quatro agências mundiais de notação financeira, poderá agravar a situação económica e financeira na Europa e poderá agudizar ainda mais as contradições na zona euro e na União Europeia.
Para Portugal, uma nova descida do rating aumentará as já elevadíssimas taxas de juro que o país está a pagar pela sua dívida soberana, influindo negativamente na situação económica e financeira do país.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.