sábado, 12 de janeiro de 2013

"A dívida é uma bola de neve insustentável"


O economista Nuno Teles faz o convite à participação no I Encontro Nacional da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida, que se realiza no próximo sábado em Lisboa. Para além de dar a conhecer a composição da dívida pública, serão apresentadas "algumas pistas de trabalho sobre a necessidade de reestruturação da dívida e as diferentes formas que ela pode tomar".
Nuno Teles, economista e membro da IAC, apresenta o I Encontro Nacional do movimento
Um ano depois do arranque desta auditoria cidadã, que balanço fazem do vosso trabalho?
Este I Encontro da Auditoriana verdade é o segundo, porque houve o Encontro fundador no final de 2011. Este ano, há duas novidades no nosso trabalho: tivemos mais um ano de intervenção externa com o empréstimo da troika, o endividamento público cresceu e hoje estamos em profunda recessão. As coisas alteraram-se para pior, tanto na dívida como nas metas do défice. Em consequência, aumentou a pertinência da auditoria neste último ano e há uma atualçização do trabalho que desenvolvemos - tentar explicar o que aconteceu. A outra novidade foi o aprofundamento do programa de trabalho que tínhamos desde o Encontro fundador da Auditoria Cidadã, sobretudo no que respeita à análise da dívida e da sua composição.
O que se pretende com a auditoria é saber qual a dívida pública, do Estado, as suas maturidades, a quem é que devemos  - isto alterou-se com a troika - mas também as causas do endividamento público. A segunda parte do nosso trabalho é essa análise com estudos de caso do endividamento público, uma análise mais sectorial sobre o que é o Estado e porque é que se teve de endividar.
O trabalho que iremos apresentar, feito pelo grupo técnico, será por um lado mostrar qual foi a evolução da dívida e qual é a sua composição, ou seja, a quem é que estamos a dever dinheiro. Houve uma alteração radical dessa composição: há um ano atrás era apenas uma pequena componente que era devida à troika, mas os empréstimos oficiais têm ganho espaço dentro do endividamento público. Muito importante é também a análise evolução da dívida e o seu crescimento até hoje, a níveis de mais de 120% do PIB, e a análise da sustentabilidade da dívida, ou seja, com uma dívida de 120% do PIB a determinada taxa de juro, sabermos se estamos ou não numa espiral de endividamento sustentável. A dívida funciona como bola de neve e nós concluímos que é insustentável para o país e por isso tem de ser reestruturada.
Quais os objetivos deste 1º Encontro Nacional?
Pretendemos fazer uma discussão alargada, aberta ao público, nesta apresentação de contas do que é a Comissão de Auditoria e os seus diferentes grupos de trabalho. Será discutido um relatório sobre o nosso trabalho e análises de caso como a questão das PPP na saúde, as empresas públicas de transportes e - muito importante - os apoios à banca. Todo este processo de recapitalização bancária tem óbvias implicações na dívida e é preciso conhecer a forma como foram processados. E iremos apresentar algumas pistas de trabalho sobre a necessidade de reestruturação da dívida e as diferentes formas que ela pode tomar.
Desde a entrada da troika, a dívida pública portuguesa disparou 25 mil milhões. Como se pode travar esta espiral de empobrecimento que aumenta a dívida?
Este aumento da dívida teve vários componentes. Um deles tem a ver com o alargamento do que é considerado o perímetro do Estado, pois havia endividamento para-público, porque era de empresas públicas, mas que hoje é contabilizado como endividamento do Estado. Há aqui um factor contabilístico que é relevante para dar transparência à dívida do Estado. Há outros componentes, como o aumento do défice, que tem de ser financiado por nova dívida, e há a questão da recapitalização da banca e a forma como os empréstimos da troika são contabilizados na dívida.
Sobre a forma de contrariar este aumento, a opinião que é partilhada neste grupo técnico é que numa espiral recessiva, em que o Produto contrai e a dívida cresce em termos absolutos, o seu peso relativo é cada vez maior. Por isso a atual trajetória é insustentável. Só uma reversão das atuais políticas de austeridade e com crescimento económico é que conseguiremos ver diminuir o peso relativo da dívida no PIB. E o perfil da dívida tem de ser alterado. Pode tomar diferentes formas: uma renegociação das maturidades, juros e montantes é um dos cenários que constatamos. Esta dívida e o peso que tem o serviço da dívida - o que o Estado paga de juros -  é insustentável e por isso tem de haver um processo que leve à diminuição desse peso para os contribuintes portugueses.  Por outro lado, a total condicionalidade que está associada aos empréstimos da troika está a corroer os fundamentos do Estado Social e a nossa economia em geral. Esta recessão está a matar a economia. 
Onde se realiza o Encontro?
O Encontro decorre no dia 19 de janeiro no Instituto Franco Português, em Lisboa, durante todo o dia [início às 10h]. Dados os objetivos desta iniciativa em dar maior transparência na análise da dívida pública, é muito importante a participação de todos. Esta não é uma questão técnica, é uma questão política que diz respeito a todos os portugueses.

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.