domingo, 21 de novembro de 2010

Que ninguém se iluda, a NATO nada conseguirá no Afeganistão, túmulo dos impérios

Se o Iraque foi ruim, o Afeganistão será ainda pior. Nada do que se diga ou faça na reunião da NATO em Lisboa, que é, sobretudo, exercício de autoilusão, alterará essa clara evidência. Por Patrick Cockburn
Militares norte-americanos no Afeganistão - Foto Dvidshub/Flickr
Militares norte-americanos no Afeganistão - Foto Dvidshub/Flickr
Não se trata só da guerra, que irá de mal a pior. Trata-se sobretudo da necessidade da NATO, de mostrar algum sucesso, já ter levado a movimentos contraproducentes, que só fizeram aprofundar a violência. Dentre essas perigosas iniciativas da NATO destaca-se a ideia de implantar milícias locais para combater os talibãs onde o exército afegão é fraco. São quase sempre milícias mercenárias, pagas por senhores-da-guerra locais, que caçam civis afegãos.
A estratégia do exército dos EUA é assassinar comandantes talibãs de nível médio. Mas um estudo recente mostrou que, na maioria dos casos, os assassinados são homens de prestígio nas suas respectivas comunidades. E que os assassinatos só fazem enfurecer cada vez mais a população. Nesses grupos indignados, os talibãs recrutam soldados cada vez com mais facilidade.
Hoje, em Lisboa, o comandante do exército dos EUA no Afeganistão, general David Petraeus, falará aos demais comandantes da NATO sobre o seu plano de começar, em 2011, a transferir para o governo afegão a responsabilidade pela segurança em algumas regiões do país. É mais desejo que projecto. De facto, a única preocupação do general Petraeus é conseguir escapar às acusações de que a NATO não tem nem ideia de quando ou como sair do atoleiro em que está, no Afeganistão.
Os talibãs controlam total ou parcialmente, hoje, metade do território afegão. Enquanto os EUA fazem jorrar reforços nas províncias de Helmand e Kandahar, os talibãs expandem os seus enclaves no norte.
Todo o plano de transferir a responsabilidade pela segurança para o exército afegão depende do exército e da polícia afegãos serem rapidamente expandidos, para 171 mil soldados, o exército, e para 134 mil guardas, a polícia. São novos recrutas que, além de ainda terem de ser treinados, terão de ser recrutados nas comunidades tadjique, uzbeque e hazara, de tendência anti-talibã. Os pashtuns, 42% dos afegãos, e grupo onde os talibãs têm raízes históricas, sentir-se-ão cada vez mais agredidos.
As diferenças entre a guerrilha no Iraque e no Afeganistão mostram que a guerrilha afegã é muito mais ameaçadora para as forças de ocupação. No Iraque, os guerrilheiros anti-EUA eram árabes sunitas, comunidade à qual pertence apenas um em cada cinco iraquianos. O governo pós-Saddam em Bagdade foi apoiado pelos curdos e pelos xiitas, quase quatro quintos da população. Os afegãos são mais xenofóbicos que os iraquianos. "Desconfiar de estrangeiros está no DNA de todos os afegãos", disse em Cabul um diplomata ocidental.
Os comandantes da NATO reunidos em Lisboa talvez se interessem por conhecer dois outros detalhes, que fazem do Afeganistão país muito mais perigoso para as forças de ocupação. O governo afegão é muito mais fraco que o governo em Bagdade, onde há tradição de controle central e o petróleo rende ao governo 60 mil milhões de dólares. Em termos militares, o exército soviético não foi derrotado no Afeganistão pelo poderio das forças afegãs, mas pelos 2.500 km de fronteira com o Paquistão. Enquanto essa longa fronteira permanecer aberta, porosa, e os guerrilheiros encontrarem paraísos seguros no Paquistão, nem a NATO nem o governo afegão derrotarão a resistência.
Artigo publicado em 20/11/2010, no jornal britânico “The Independent” (Be under no illusion, Nato is in no shape to make progress in this graveyard of empires)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu e disponível em redecastorphoto.blogspot.com

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.