terça-feira, 16 de novembro de 2010

Paz profunda na Tecno-Utopia

Um novo filme no Channel 4 insulta os verdes, ao mesmo tempo que evita a questão do poder.
Pois o Channel 4 (Canal 4 da TV britânica) fê-las de novo. Nos últimos 20 anos transmitiu uma série de polémicas sobre o ambiente, e a maior parte delas foi ferozmente anti-ecologista1. Noutras questões, os filmes do Channel 4 mostram todos os lados. Mas não quando se trata do ambiente.
 Na noite passada pôs no ar outra polémica: “O que o Movimento Ecologista não percebeu”. Esta foi apresentada por duas pessoas que ainda se consideram verdes: Stewart Brand e Mark Lynas. Não é tão raivoso como outros filmes. Mas, como os seus predecessores, difunde falsidades clamorosas sobre os ambientalistas e insere-se confortavelmente na agenda empresarial. O filme é baseado no livro de Brand, “Whole Earth Discipline”2. Argumenta que os ecologistas, ao não conseguirem abraçar as tecnologias correctas, impediram tanto o progresso ambiental quanto o social. Nem tudo o que diz está errado, mas o seu relato está embebido de pensamento mágico, no qual se espera que a tecnologia resolva todos os problemas políticos e económicos. Esta visão, agora popular entre consultores de empresas verdes, é sustentada na ignorância da questão do poder.
O filme começa, por exemplo, por culpar os ecologistas pelo fracasso da política ambiental. Mas, como um trabalho publicado na revista Environmental Politics mostra, os movimentos ecologistas continuaram a crescer, atingindo mais pessoas em cada ano. O que mudou é que um poderoso contra-movimento, conduzido por thinktanks financiados por grandes empresas, tem feito guerra à política ecologista3. “Este contra-movimento foi central para a inversão do apoio dos Estados Unidos à protecção do meio ambiente, tanto interna como internacionalmente.” Uma viragem semelhante ocorreu noutros países.
Muitos dos thinktanks foram lançados nos anos 1970 por empresas e multimilionários que procuravam limitar os direitos laborais e evitar a distribuição da riqueza. Depois do colapso do comunismo soviético, a atenção dos seus financiadores mudou da ameaça vermelha para a ameaça verde. Este lóbi teve um acesso ao governo e a dinheiro com que os ecologistas nem podiam sonhar. Ambientalistas culparem-se uns aos outros pela falta de progresso é trair uma ausência alarmante de contexto.
Mas a visão de Brand depende de esquecer o contexto. Ele sustenta que salvaremos a biosfera adoptando energia nuclear, colheitas geneticamente modificados e geo-engenharia, e desenha um quadro jovial de um mundo que funciona com precisão em base a essas novas tecnologias. Sem uma crítica do poder, o seu tecno-utopismo é fantasia pura. A electricidade nuclear de facto pode ser parte da solução, mas o verdadeiro desafio do clima não consiste em meter-se em novas tecnologias, mas em sair das velhas. Isto significa confrontar algumas das forças mais poderosas do mundo, um tema que não tem lugar na história de Brand.
De forma semelhante, embora o mundo tenha tido excedentes alimentares durante muitos anos, quase um milhar de milhão de pessoas passa permanentemente fome, enquanto cereais suficientes para as alimentar várias vezes são dados a animais e usados para fazer biocombustíveis. Isto não porque haja falta de tecnologia, mas porque os pobres têm falta de poder económico e político. A proposta do filme – que devemos mudar para tecnologias que tendem a ser monopolizadas por grandes conglomerados – pode exacerbar este problema.
As tentativas de Brand para evitar conflitos com o poder são compreensíveis: ele fundou uma consultora para grandes empresas chamada Global Business Network4. Mas a ideologia que abraçou pô-lo mais perto dos grupos de lóbis das grandes empresas do que ele poderá ter consciência.
Por exemplo, o filme sustenta que, em consequência de campanhas de grupos como o Greenpeace, o pesticida DDT foi interdito no mundo inteiro. O resultado foi que a malária se desenvolveu em África, “matando milhões”. Só um problema: o DDT para controle de doenças não foi proibido (se não acreditar em mim leia o Anexo B da Convenção de Estocolmo 20015) e o Greenpeace não pediu que isso acontecesse6. A história da proibição foi um mito espalhado por lobistas para desacreditar os verdes7. No filme, Stewart Brand diz que quer que os verdes admitam quando estão errados. Desafiei-o a admitir que percebeu mal a história do DDT antes de o filme ir para o ar. Não recebi nenhuma resposta8.
Brand e Lynas apresentam-se como hereges. Mas as suas ficções convenientes aderem ao pensamento da nova ordem estabelecida: corporações, thinktanks, políticos neoliberais. Os verdadeiros hereges são aqueles que nos lembram que nem progresso social nem ambiental são possíveis a menos que o poder seja confrontado.
O ambientalismo não é apenas substituir um conjunto de tecnologias por outro. A mudança tecnológica é importante, mas ela protegerá a biosfera apenas se também tratarmos de resolver questões como o crescimento económico, o consumismo e o poder das grandes empresas. Esses são os desafios que o movimento verde nos pede para tratar. Essas são as questões que o filme ignora.
Tradução de Paula Sequeiros para o Esquerda.net
2 Stewart Brand, 2010. Whole Earth Discipline. Atlantic Books, London.
3 Peter Jacques; Riley Dunlap; Mark Freeman, 2008. The organisation of denial: Conservative think tanks and environmental scepticism. Environmental Politics, 17:3, 349-385. DOI: 10.1080/09644010802055576.
6 O Greenpeace contactou repetidamente os lobistas que puseram a circular este mito para explicar que não pedira a proibição do DDT para fins de controle de doenças, mas eles continuam a repeti-lo.
8 E-mail enviado às 11h22 no dia 3 de Novembro, e, para outros endereços, mais tarde naquele dia..

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.