terça-feira, 23 de novembro de 2010

Guerra de moedas? Evidentemente

O estatuto do dólar como moeda de reserva do sistema-mundo é a última grande vantagem que os Estados Unidos têm hoje.
As moedas são um problema económico muito particular. Porque só entre as moedas existe a verdadeira relação ganha-perde. Independentemente dos méritos de revalorizar ou desvalorizar uma moeda particular, estes méritos só são vencedores se outros perderem. Não é possível que todos desvalorizem ao mesmo tempo. É logicamente impossível e, portanto, politicamente sem sentido.
A situação mundial é bem conhecida. Vivemos num mundo no qual o dólar dos EUA é a moeda de reserva mundial. Isto, obviamente, dá aos Estados Unidos um privilégio que nenhum outro país possui. Pode imprimir a sua moeda à vontade, sempre que considere que fazê-lo resolve um problema económico imediato. Nenhum outro país pode fazer o mesmo; ou melhor, nenhum outro país pode fazer o mesmo sem penalização, enquanto o dólar continuar a ser a moeda de reserva aceita.
Também é sabido que o dólar já há algum tempo vem perdendo o seu valor em relação a outras moedas. Apesar das constantes flutuações, a curva tem sido descendente pelo menos nos últimos 30 anos.
Os países do nordeste da Ásia – China, Coreia e Japão – têm desenvolvido políticas monetárias criticadas por outros países. Na verdade, este é um tema de constante atenção por parte dos média. No entanto, para ser justo, não é de forma alguma fácil estabelecer, no momento, a política mais sensata, mesmo sob a perspectiva egoísta de cada país.
Considero que a questão fundamental é mais simples do que as explicações complicadas da maioria dos analistas políticos. Parto de algumas premissas. O estatuto do dólar como moeda de reserva do sistema-mundo é a última grande vantagem que os Estados Unidos têm no sistema-mundo de hoje. Por isso, é compreensível que os Estados Unidos façam todo o possível para manter essa vantagem. Para fazê-lo, é necessária a disposição de outros países (incluindo, nomeadamente, os do nordeste da Ásia), não só de usarem o dólar como uma forma de calcular as transferências, mas também como um meio de investimento dos seus excedentes (particularmente em títulos do Tesouro dos EUA).
No entanto, a taxa de câmbio do dólar tem vindo a decair constantemente. Isto significa que os excedentes investidos em títulos do Tesouro dos EUA valem menos à medida que o tempo passa. Chega um ponto em que as vantagens de tal investimento (sendo que a principal vantagem é sustentar a capacidade das empresas dos EUA e dos consumidores individuais de pagarem as importações) acabarão por ser inferiores à perda do valor real dos investimentos em títulos do tesouro. As duas curvas movem-se em direcções opostas.
O problema é o que se coloca em qualquer situação de mercado. Se o valor de uma acção está a cair, os seus donos vão querer livrar-se dela antes que fique demasiado baixo. Mas a alienação rápida por um grande accionista pode induzir outros a uma venda apressada, causando prejuízos ainda maiores. O jogo é sempre o de encontrar o momento certo de vender, que não seja nem demasiado tarde nem cedo demais, ou não fazê-lo nem muito lentamente, nem rápido demais. Isso exige um timing perfeito, e a procura deste timing é o tipo de decisão que muitas vezes tem mau resultado.
Esta é, para mim, a imagem básica do que está a ocorrer e vai acontecer com o dólar dos EUA. Não pode continuar a manter o grau de confiança mundial que antes gozava. Cedo ou tarde, a realidade económica vai confrontá-lo. Isso pode acontecer num choque de cinco minutos ou num processo muito mais lento. Mas quando ocorrer, a pergunta chave é: o que vai acontecer depois?
Não há qualquer outra moeda hoje preparada para substituir o dólar como moeda de reserva. Nesse caso, quando o dólar cair, deixará de haver moeda de reserva. Estaremos num mundo de moeda multipolar. E um mundo de moeda multipolar é um mundo muito caótico, no qual ninguém se sente confortável, porque as alterações constantes e rápidas das taxas de câmbio tornam muito precárias as previsões económicas de curto prazo que pretendam ser minimamente racionais..
O director-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, advertiu publicamente que o mundo está a mergulhar numa guerras de moedas, cujo resultado “teria um impacto negativo e muito prejudicial a longo prazo”. Uma possibilidade real é que o mundo possa evoluir, e parece-me que já está a fazê-lo, para acordos de permuta de facto – uma situação que não é realmente compatível com o funcionamento eficaz de uma economia-mundo capitalista.
Caveat emptor!1
Immanuel Wallerstein
Comentário nº 292 de 1 de Novembro de 2010
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net, revista pelo autor.

1 E xpressão latina que significa – literalmente – o risco é do comprador. Outra forma de traduzir a expressão seria: Compre por sua própria conta e risco. A situação oposta é o caveat venditor.

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.