segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Prémio Nobel denuncia farmacêuticas por bloquearem pesquisas

O Prémio Nobel de Química de 2009, Thomas Steitz, denunciou, no dia 26 de Agosto, que os laboratórios farmacêuticos não investem na pesquisa de antibióticos que possam curar definitivamente, mas que preferem centrar o negócio em medicamentos que seja necessário tomar durante “toda a vida”. Artigo retirado de envolverde.com.br.
Por enquanto, segundo Steitz, os novos antibióticos para combater certas cepas resistentes à tuberculose são “só um sonho, uma esperança, até que alguém esteja disposto a financiar o trabalho”. Foto de Paulete Matos.
Por enquanto, segundo Steitz, os novos antibióticos para combater certas cepas resistentes à tuberculose são “só um sonho, uma esperança, até que alguém esteja disposto a financiar o trabalho”. Foto de Paulete Matos.
“Muitas das grandes farmacêuticas fecharam as suas pesquisas sobre antibióticos, porque eles curam as pessoas e o que estas empresas querem é um fármaco que se tenha que tomar a vida toda. Eu posso parecer cínico, mas as farmacêuticas não querem que as pessoas se curem”, enfatizou.
Pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes da norte-americana Universidade de Yale, Steitz assiste em Madrid ao Congresso Internacional de Cristalografia, o estudo da estrutura ordenada dos átomos nos cristais da natureza.
No caso da tuberculose, Steitz averiguou o funcionamento que deveria ter um novo antibiótico para combater certas cepas resistentes a essa doença, que surgem sobretudo no sul da África.
O desenvolvimento desse medicamento precisa de um grande investimento económico e da colaboração de uma farmacêutica para avançar na pesquisa, comentou Steitz na colectiva de imprensa. “Fica muito difícil encontrar uma farmacêutica que queira trabalhar connosco, porque, para essas empresas, vender antibióticos em países como a África do Sul não gera apenas dinheiro”, lamentou. “Elas preferem investir em medicamentos para a vida toda.”
Por enquanto, segundo Steitz, estes novos antibióticos são “só um sonho, uma esperança, até que alguém esteja disposto a financiar o trabalho”.
Steitz, Enrique Gutiérrez-Puebla e Martín M. Ripoli, ambos do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), fizeram uma apelo para que os países invistam mais em ciência. No caso dos antibióticos, a resistência das bactérias tornará necessário que estes continuem a pesquisar “indefinidamente”.
Steitz conseguiu revelar como funciona o ribossomo, a parte da célula encarregada de fabricar proteínas a partir dos aminoácidos, o que lhe valeu o Prémio Nobel, junto com os colegas Ada E. Yonath e Venkatraman Ramakrishnan.
Essa descoberta abriu uma nova linha de pesquisa em antibióticos, ao dar a conhecer o mecanismo pelo qual as bactérias se tornam resistentes a eles.
As suas pesquisas centram-se agora em determinar as regiões do ribossomo para as quais dirigir e fixar os antibióticos, ou seja, os pontos-chave em que o medicamento seria mais eficaz.
Actualmente, além da tuberculose, o laboratório de Steitz trabalha em vários compostos para combater cepas resistentes da pneumonia e do estafilococo áureo resistente à meticilina, que causa mais mortes que o HIV em alguns países, como os Estados Unidos.
Tradução: Idelber Avelar.
* Publicado originalmente pelo La Vanguardia e retirado do site da Revista Fórum.

PSD enfrenta críticas internas

Marques Mendes, Vasco Graça Moura e Manuela Ferreira leite, entre outros, tecem críticas às medidas implementadas pelo governo do PSD/CDS-PP. Num artigo de opinião publicado no semanário Expresso, a antiga líder do PSD defende que as medidas fiscais anunciadas até agora "de justiça têm pouco e de eficácia nada".
Foto de rtppt, Flickr.
Foto de rtppt, Flickr.
O ex-eurodeputado social-democrata, Vasco Graça Moura, já teria afirmado que ouviu o “comentário do Dr. Marques Mendes, de que o aumento de impostos está a ser muito mal explicado e está a traduzir-se num incomportável sacrifício das classes médias” e que estaria “inteiramente de acordo"com as suas declarações.
Agora, a ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, vem criticar as deduções das despesas de saúde no IRS, o aumento do IRS para os rendimentos maiores e evidencia a sua desconfiança face aos cenários macroeconómicos apresentados pelo Governo que apontam para uma certa evolução económica em Espanha e na Alemanha.
No seu artigo de opinião publicado no semanário Expresso, Ferreira Leite advoga que “o que se ganha com a diminuição das deduções não compensa o que se perde em tributação de rendimentos” e que “tributar cada vez mais esta classe de rendimento é optar por aplicar a sua poupança na manutenção do nível da despesa pública, em vez de deixar que esta se encaminhe para financiar o investimento necessário ao crescimento do país”.
A ex-ministra das Finanças sublinha ainda que não está “segura” quanto à “evolução” económica prevista pelo governo para Espanha e Alemanha.

Governo corta 1.734 milhões nas funções sociais

Saúde, Educação e Segurança Social são os sectores mais afectados pelos cortes previstos no Documento de Estratégia Orçamental, que estima uma diminuição na despesa de 2.243,2 milhões de euros em 2012. As funções sociais do Estado sobrem uma redução de 1.734 milhões de euros.
A Saúde, Educação e Segurança Social serão as áreas mais penalizadas pelo plano de contenção da despesa do governo do PSD e CDS/PP, contando com uma redução de 1521,9 milhões de euros, o equivalente a 0,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). O executivo planeia ainda reduzir mais 200 milhões em despesas sociais noutros ministérios. Foto de Paulete Matos.
A Saúde, Educação e Segurança Social serão as áreas mais penalizadas pelo plano de contenção da despesa do governo do PSD e CDS/PP, contando com uma redução de 1521,9 milhões de euros, o equivalente a 0,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). O executivo planeia ainda reduzir mais 200 milhões em despesas sociais noutros ministérios. Foto de Paulete Matos.
Esta sexta-feira, na Comissão de Orçamento, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, não revelou novas informações, face às que já haviam sido avançadas pelos media, sobre o Documento de Estratégia Orçamental, tendo confirmado apenas que a Saúde, Educação e Segurança Social serão as áreas mais penalizadas, contando com uma redução de 1521,9 milhões de euros, o equivalente a 0,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
A poupança é mais drástica na área da Saúde, ascendendo a 810,2 milhões de euros, o que representa quase 10 por cento do orçamento deste sector. Até finais de 2013, a área da saúde sofrerá uma redução na ordem dos 1,6 mil milhões de euros.
No próximo ano, e segundo adianta o jornal Público, é prevista a racionalização de recursos e o controlo da despesa da saúde, mediante a centralização das compras e serviços partilhados, a execução de um plano de diminuição das despesas nos hospitais e a rentabilização da capacidade hospitalar, a revisão da tabela de preços a pagar ao sector convencionado e a revisão da tabela de preços do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Segundo declarou o ministro da saúde, Paulo Macedo, em entrevista ao Jornal da Noite da TVI, no que respeita às taxas moderadoras no SNS, “haverá menos isenções do que o número que existe actualmente” e “haverá também algum agravamento, designadamente diferenciado”.
Na área da Educação, Ciência e Ensino Superior, os cortes atingem 506,7 milhões de euros, o equivalente a 0,3% do PIB. O ensino superior sofre uma redução de 114 milhões de euros, pelo que deverá agora ser implementada uma "maior disciplina de utilização de fundos públicos e a um plano de substituição de fontes de financiamento".
Na segurança social a redução é de cerca de 200 milhões de euros. São previstas, entre outras, medidas como a diminuição da verba destinada às prestações sociais e novas alterações às regras do subsídio de desemprego.
O executivo do PSD e CDS/PP planeia ainda reduzir mais 200 milhões em despesas sociais noutros ministérios.
“Desestruturação do Estado Social”
O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, criticou as medidas apresentadas pelo governo, afirmando que “estamos a viver uma fase de acelerada desestruturação do Estado Social” e que o caminho seguido pelo PSD e CDS/PP “é um desastre”.
Também o presidente da Cáritas Portuguesa veio afirmar "é com grande perplexidade” com que registou “estas nefastas notícias”, que irão ser “altamente corrosivas para os portugueses, que nos últimos tempos já tem sido alvo das medidas de austeridade que têm vindo a perturbar fortemente as condições de vida digna de muita gente."

sábado, 3 de setembro de 2011

Demissões na Autoridade dos Serviços do Sangue e da Transplantação


Responsáveis pela Autoridade dos Serviços do Sangue e da Transplantação pediram a demissão esta sexta-feira devido ao corte de 50% nos incentivos para a realização de transplantes. Responsáveis afirmam que medida poderá causar a morte de doentes.
O ministro da Saúde já admitiu que os cortes poderão resultar num menor número de transplantes. Foto de Ministério da Saúde, Flickr.
O ministro da Saúde já admitiu que os cortes poderão resultar num menor número de transplantes. Foto de Ministério da Saúde, Flickr.
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, já admitiu que o corte nos incentivos para a realização de transplantes, anunciado em Agosto e que terá efeitos retroactivos desde o início do ano, poderá resultar num menor número de transplantes.
Perante as declarações deste responsável de Estado, a Coordenadora Nacional das Unidades de Colheita de Órgãos, Tecidos e Células para Transplantação, Maria João Aguiar, afirmou à agência Lusa que se recusa a permanecer no seu lugar na medida em que este “está esvaziado de funções”. A responsável afirmou ainda que não pode aceitar “que haja doentes que se podem salvar mas que vão morrer porque o país está em dificuldades económicas”.
Maria João Aguiar lembrou ainda que as transplantações renais se traduzem numa «poupança de milhões de euros» ao Estado, já que “a transplantação é a maneira mais económica para os doentes que vão continuar a gastar dinheiro ao Estado porque continuam em diálise se não são transplantados”.
A Coordenadora Nacional das Unidades de Colheita de Órgãos enviou ainda uma mensagem aos colegas que trabalham nos Serviços do Sangue e da Transplantação, apelando para que «continuem a ter em mente os doentes que estão em lista de espera, porque eles existem e sofrem todos os dias».
O director Geral da Autoridade dos Serviços do Sangue e da Transplantação, João Rodrigues Pena, também apresentou a sua carta de demissão ao ministério da Saúde em sinal de protesto contra os cortes anunciados.

A Beatificação da Crise


Numa lógica muito cristã, assume-se que o sacrifício é o caminho necessário para o perdão pelos erros cometidos e para a recompensa futura.
A política da austeridade aí está, com novas medidas anunciadas diariamente. O Verão não fez abrandar o ritmo. Pelo contrário, a tradição de silly season serviu para que se avançasse com ainda mais convicção. E quando tudo parece conjugar-se para que se consiga de facto deitar abaixo com simples despachos o que levou décadas a construir, duas dimensões que se interligam parecem ganhar particular destaque.
Por um lado, um alibi que tudo consegue justificar: o memorando da troika. Ele é privatizações no pior contexto possível e em sectores em que as grandes potências europeias continuam a manter uma forte presença pública. Ele é aumento de impostos sem pestanejar. Ele é revisões do conceito de serviço público em domínios centrais do Estado Providência. E como se tudo isto não fosse já suficientemente mau, fazemos questão de ir ainda mais além do que o previsto no memorando, condenando-nos a um triste papel de bom aluno. O próprio professor parece incrédulo perante o nosso voluntarismo. Comentários para quê?
Mas o alibi troikiano acima referido tem beneficiado de uma preciosa ajuda. Como já tem vindo a ser sublinhado por muitos, um estranho sentimento de sacrifício redentor parece ter sido absorvido por uma parte considerável da opinião pública. Numa lógica muito cristã, assume-se que o sacrifício é o caminho necessário para o perdão pelos erros cometidos e para a recompensa futura. Estivemos a viver no pecado durante demasiado tempo, sendo portanto natural o presente castigo divino. Devemos assim abraçar políticas de sacrifício e humildade para que os amanhãs nos sejam mais risonhos. Esta espécie de religiosidade económica, que não por acaso algum clero mais tonto logo se dispôs a corroborar, parece ter tomado conta de diversas franjas sociais.
A coberto desta beatificação da crise, a mais ambiciosa vaga liberal de que há memória está em curso e à vista de todos. E são inúmeras as medidas que, mais do que direccionadas para a redução da despesa pública, são sobretudo norteadas por visões profundamente ideológicas sobre o papel do Estado na sociedade e na economia. Que o Outono Quente que se adivinha sirva para descongelar todos os redutos de apatia social perante o que se está a passar. Porque, como todos sabemos, o país já pagou demasiado caro por visões beatas do mundo.

Construtora do Grupo Espírito Santo despede 200 trabalhadores


A Opway, empresa detida pelo Grupo Espírito Santo e que conta com Almerindo Marques no seu conselho de administração, já anunciou o despedimento de cerca de duas centenas de trabalhadores.
A Opway, empresa pertencente ao Grupo Espírito Santo, conta com Almerindo Marques, que transitou da empresa Estradas de Portugal (EP), no seu conselho de administração.
A Opway, empresa pertencente ao Grupo Espírito Santo, conta com Almerindo Marques, que transitou da empresa Estradas de Portugal (EP), no seu conselho de administração.
A construtora Opway, que foi criada em Janeiro de 2008 a partir da aquisição da SOPOL – Sociedade Geral de Construções e Obras Públicas, S.A, que fazia parte do consórcio liderado pela Mota-Engil, pela empresa OPCA – Obras Públicas e Cimento Armado, S.A., detida pelo Grupo Espírito Santo, “está a desenvolver um processo de ajustamento da actividade, que visa prepará-la para enfrentar da melhor forma as referidas circunstâncias".
A administração da empresa, da qual faz parte Almerindo Marques, que transitou da empresa Estradas de Portugal (EP), gestora pública da rede rodoviária nacional, já veio esclarecer que este mesmo processo implica o despedimento de cerca de duas centenas de trabalhadores, argumentando que "trata-se de uma decisão necessária” para manter a viabilidade da empresa e para “prepará-la para os desafios que se avizinham e preservar a estrutura remanescente."
O grupo adianta ainda que estas adaptações resultam da “contracção do investimento público e privado em infra-estruturas, os constrangimentos no financiamento da economia e os atrasos nos prazos de recebimento” que “levaram, nos últimos anos, a um agravamento da situação financeira das empresas que actuam no sector da construção em Portugal”.
Sindicato apresenta alternativas
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, questiona a inevitabilidade alegada pela empresa, defendendo que seria possível criar “120 mil postos de trabalho” caso se apostasse na requalificação de “milhares de estradas secundárias”, na implementação de saneamento básico em várias freguesias e na “requalificação das pequenas, médias e grandes cidades”.
Albano Ribeiro considera estas propostas “perfeitamente suportáveis” a nível económico, ao contrário de grandes obras como o TGV, a terceira travessia sobre o Tejo e o novo aeroporto de Lisboa.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Governo antecipa aumento do IVA sobre a electricidade e gás

Taxa passa de 6 para 23%. Proposta de lei aprovada esta quinta em Conselho de Ministros aponta para entrada em vigor já a 1 de Outubro. Vítor Gaspar quer arrecadar o triplo da receita com aumento do IVA do que o previsto pela 'troika'.
IVA sobre a electricidade e gás natural sofre aumento brutal. Foto de RaSeLaSeD - Il Pinguino
O governo aprovou na quinta-feira em Conselho de Ministros a proposta de lei com as alterações à taxa de IVA sobre a electricidade e o gás natural de 6 para 23%. A medida já estava no acordo original com a 'troika', mas a sua entrada em vigor foi antecipada e a intenção do governo é que já comece a ser aplicada a partir de 1 de Outubro. Para isso, a discussão da proposta na Assembleia da República está agendada para o dia 7 de Setembro.
A pressa do governo para começar já a arrecadação de mais IVA tem a ver com a derrapagem orçamental, face aos objectivos, de 1,5% do PIB, cerca de 2.500 milhões de euros. As causas são, segundo admitiu Vítor Gaspar, as contas públicas da Madeira e o processo de privatização do BPN, bem como um agravamento das despesas com pessoal, consumos intermédios e despesas de capital.
O aumento do IVA deve prosseguir em 2012 através de outras medidas ainda não anunciadas da chamada “racionalização da estrutura das taxas de IVA”, uma nova designação, no jargão do governo, para o aumento do IVA.
Aliás, o memorando da troika previa um aumento adicional do IVA de 410 milhões de euros em 2012, mas o governo, no Documento de Estratégia Orçamental apresentado pelo ministro Vítor Gaspar na passada quarta-feira, diz que a colecta será três vezes maior: 1190 milhões de euros.
“O IVA, o mais cego e recessivo de todos os impostos, tornou-se o braço direito do Ministro das Finanças”, acusa Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda. Nas contas do deputado, este aumento de receita equivalerá a um aumento geral do IVA superior a 2 pontos percentuais.

Fenprof convoca protestos para 16 de Setembro

“Todos os protestos e reclamações são legítimos” nesta altura, considerou Mário Nogueira, lembrando que mais de 35.000 professores ficaram no desemprego, apesar de muitos deles terem um número elevado de anos de serviço.
"Não se pode pedir às pessoas que fiquem resignadas”, diz a Fenprof. Foto de Paulete Matos
A Federação Nacional dos Professores anunciou esta quinta-feira que vai promover protestos em todas as capitais de distrito a partir do próximo dia 16 de Setembro.
“O tempo é de luta, é tempo de vir dizer para a rua 'basta' e que não estamos para mais sacrifícios que não têm resolvido problema nenhum”, disse Mário Nogueira.
O secretário-geral da Fenprof avisou o primeiro-ministro: “Não venha pedir a paz quem declarou a guerra. Não se pode pedir às pessoas que fiquem resignadas”, lembrando que "35 mil candidatos ao concurso de professores contratados ficaram no desemprego".
Mário Nogueira disse que haveria ainda mais docentes no desemprego se não tivesse sido "travado" o fim do par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica e a formação de mega-agrupamentos. Mas disse temer que o governo "volte à carga", já que o Documento de Estratégia Orçamental 2011-2015 anuncia a supressão de ofertas não essenciais no Ensino Básico. “A Educação vai voltar a ser ler, escrever e contar como no tempo de Salazar?", questionou.
Nogueira disse ainda que foram detectadas "irregularidades nas listas de colocação" com a "retirada de 2 mil professores" e sublinhou que a estrutura sindical não vai assinar acordo com o governo sobre avaliação de desempenho docente se forem mantidas as quotas, as cinco menções para notas e o efeito das classificações nos concursos.

Desmascarado

Passos Coelho foi desmascarado pela realidade. Prometeu que não aumentava impostos, mas essa é a única especialidade deste governo.
Lead: 
Passos Coelho foi desmascarado pela realidade. Prometeu que não aumentava impostos, mas essa é a única especialidade deste governo.
O Ministro das Finanças anunciou ontem ao país um novo pacote de austeridade. É o terceiro, em pouco mais de dois meses. A cada conferência de imprensa de Vítor Gaspar, os portugueses já sabem que têm razões para esconder a carteira. Na primeira, foi um imposto para levar metade do subsídio de Natal, depois foi gigantesco o aumento do IVA para o gás e para a electricidade. Agora, foram mais aumentos do IVA e a garantia de que as pensões serão congeladas até 2013.
Os aumentos anunciados do IVA abrangerão um enorme conjunto de bens. O Governo quer aumentar o IVA três vezes mais do que era imposto pela troika. Este aumento de receita equivalerá a um aumento geral do IVA superior a 2 pontos percentuais. O IVA, o mais cego e recessivo de todos os impostos, tornou-se o braço direito do Ministro das Finanças.
Longe vão os tempos da campanha eleitoral, onde Pedro Passos Coelho garantia que era possível equilibrar as contas cortando apenas nas despesas intermédias do Estado e que o aumento de impostos exigido pela troika era mais que suficiente. Paulo Portas garantia que “subir [os impostos] é aumentar a recessão”. Mas isso foi antes das eleições, agora já nem interessa lembrar esses tempos.
Agora, chegados ao governo, o mundo mudou outra vez. Entre aumento do IVA, da energia e imposto extraordinário já vão 1925 milhões de euros a mais do que vinha no memorando. 1925 milhões de euros, senhoras e senhores deputados, são mais de 1% do produto interno bruto. Antes das eleições, quando o PSD dizia que pretendia ir muito mais longe do que a troika, era de cortes nas despesas de consumo dos ministérios que falava, não no aumento sem precedentes da carga fiscal.
Mas os sacrifícios exigidos aos portugueses vão além da carga fiscal, traduzindo-se na contínua diminuição do rendimento disponível das famílias. Os aumentos dos transportes são um exemplo disso. Nem a criação do passe social + escamoteia este aumento. Aumentam os preços para todos, mas os apoios sociais, agora, limitam-se a quem recebe pouco mais do que o salário mínimo. Os privilegiados que têm que viver com 600 ou 700 euros pagam por inteiro. Não temos nenhum passe social +, o que este governo nos traz é, isso sim, um programa troika +.
Esta é a política da extorsão sobre os portugueses. O Ministro das Finanças vestiu o facto de cobrador de impostos e agrava as desigualdades. O Governo, ao querer ir mais longe do que a troika, está a lançar o país ainda mais fundo na recessão. É a política do abismo com a qual não podemos compactuar.
O congelamento de pensões e de salários é novamente a austeridade para quem vive do seu trabalho. Entre 2011 e 2013 a inflação levará 8,2% dos rendimentos destas famílias pela via dos congelamentos. Se juntarmos a isto o aumento do IVA, estamos perante uma perda real de rendimento superior a 10%. O governo escolheu as famílias para pagar esta crise.
A austeridade do governo ataca os rendimentos das famílias e corta nos serviços essenciais. Os cortes na saúde levarão a um aumento das taxas moderadoras e dos preços dos medicamentos. Os cortes nos apoios sociais são a perseguição do Governo a quem menos tem e mais sofre com a crise que vivemos. A redução de funcionários públicos, muito acima do pedido pela troika, é um ataque aos serviços públicos.
E tudo isto em nome de uma miragem de retoma em 2013, num cenário macro-económico claramente inflaccionado e desfasado da realidade. Ignora, por exemplo, o abrandamento das economias norte americanas e europeias
Seria de esperar que o Governo, tão duro com os portugueses que vivem do seu trabalho, se mostrasse igualmente duro com quem mais tem. Mas o que se vê é exactamente o contrário. Pedro Passos Coelho, que em Portugal não responde sobre as desigualdades, vai a Espanha dizer que não está disposto a taxar as grandes fortunas. Afinal, aqueles que são tão duros com quem trabalha, são generosamente submissos com os milionários. Mesmo aumentando a taxa de IRS e IRC, o governo escolhe isentar de sacrifícios as grandes fortunas, o grande património, os dividendos e as acções. Para uns os sacrifícios, para os outros continuam as benesses. É a política da excepção na austeridade.
Quem ouve o governo a falar de rigor até parece que se esqueceram da Madeira. As notícias da governação de Alberto João Jardim dão conta de um buraco que vai sendo descoberto a cada dia que passa. Mas, sobre isso, Passos Coelho nada diz. Escondeu dos portugueses que o buraco na Madeira seria de 500 milhões de euros, num claro favor partidário. O país conheceu este facto pela voz das instituições europeias. O Ministro das Finanças reconheceu ontem que se vive na Região Autónoma uma situação de crise insustentável. E qual a solução para este problema? Passo Coelho viajará, dentro de dias para a Madeira, para passar o cheque a Alberto João Jardim. Afinal, aumentam-se os impostos aos portugueses para arcar com os excessos de João Jardim. É este o exemplo da incoerência do governo na política da austeridade.
Passos Coelho foi desmascarado pela realidade. Prometeu que não aumentava impostos, mas essa é a única especialidade deste governo. Prometeu uma saída para a crise, mas leva-nos cada vez mais fundo na recessão. Prometeu bonança, traz-nos austeridade.
O Bloco de Esquerda não se resigna perante as dificuldades, nem considera inevitáveis as desigualdades. Por isso, apresentamos quatro propostas na Assembleia da República:
  1. Imposto de Solidariedade sobre as grandes fortunas, para taxar o património global acima dos 2 milhões de euros.
  2. Taxação das mais valias bolsistas através englobamento no IRS dos agentes singulares e o fim da isenção em IRC das recebidas por entidades colectivas (como SGPS e fundos de investimento).
  3. Taxação dos rendimentos de capital no Imposto Extraordinário.
  4. Auditoria Pública à dívida da Região Autónoma da Madeira.
Estas são as proposta de coragem para o país.

Passos ataca imposto sobre grandes fortunas

O primeiro ministro disse em entrevista ao El Pais que taxar as grandes fortunas seria "encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza". Passos segue para Berlim para encontrar-se com Merkel. "Vai a despacho", acusa Miguel Portas.
Passos Coelho está em Berlim para repetir as promessas de austeridade sobre os trabalhadores portugueses.
Passos Coelho está em Berlim para repetir as promessas de austeridade sobre os trabalhadores portugueses. Foto EPA
Questionado pelo diário espanhol sobre o que fará o seu Governo para "reduzir a tremenda assimetria fiscal em Portugal, onde os rendimentos sobre o trabalho são taxados ao dobro dos rendimentos sobre o capital", Passos Coelho recusou a aprovação dum imposto sobre as grandes fortunas, "porque o que precisamos é de atrair fortunas".
Para o primeiro-ministro, "se tivéssemos decidido aumentar a pressão fiscal sobre o capital e as fortunas, teríamos um problema de financiamento da economia mais grave que o que temos". Passos Coelho acrescenta que isso seria "dar um sinal errado", ao "encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza".
Já sobre o papel das agências de rating, que podem descer de novo a classificação portuguesa, Passos Coelho assegurou à imprensa espanhola que "o governo português não vai arvorar nenhuma bandeira contra elas".
Depois do encontro com Zapatero e Rajoy, Passos Coelho encontra-se em Berlim esta quinta-feira com Angela Merkel. Para o eurodeputado bloquista Miguel Portas, Passos vai “convencido, e com algum realismo, que quem manda na UE é a senhora Merkel, e nenhum senhor Van Rompuy ou nenhum senhor Durão Barroso”, pelo que “vai a despacho”, para “receber instruções e apresentar a estratégia que o seu Governo está a seguir, que é de antecipar e reforçar o que Portugal acordou com a troika”.
Miguel Portas diz que haveria decerto temas mais importantes para colocar na agenda do encontro com a chanceler alemã, desde “a questão da valorização do euro face ao dólar, que só beneficia a Alemanha e prejudica países menos competitivos como Portugal” ou a “oposição obstinada da Alemanha à emissão de obrigações europeias”.

Passe social penaliza quem tem filhos

No programa de Governo, Passos Coelho prometeu que todas as decisões do Conselho de Ministros seriam sujeitas a um "visto familiar". Mas o passe social destinado a quem apresente uma declaração de rendimentos abaixo dos 545 brutos por mês ignora a existência de filhos a cargo.
"Passe Social +" ignora filhos dos utentes mais pobres.
"Passe Social +" ignora filhos dos utentes mais pobres. Foto Paulete Matos
"Qualquer iniciativa que seja aprovada em Conselho de Ministros requer a prévia aposição do “visto familiar”, ou seja, um avaliação quanto ao impacto que tem sobre a vida familiar e o estimulo à natalidade", diz o Programa do Governo na página 85. Nada mais contraditório com a alteração ao preço dos passes dos transportes das áreas metropolitanas, com a introdução de um passe social para os cidadãos com baixo rendimento que penaliza mais duramente quem mais filhos tem.
Na prática, quem ganhe 540 euros mensais brutos e não tenha filhos, pode seguir para as filas para tratar da papelada do passe social, que nos primeiros dias ultrapassaram uma hora de espera. Mas quem ganhe apenas mais dez euros e tenha filhos a seu cargo, perde o direito ao passe com desconto.
Esta medida contraria não só o programa de Governo como  a prática habitual da concessão de apoios sociais. Aqui, o cálculo do rendimento é depois filtrado pela capitação que tem em conta o número de pessoas que compõem o agregado. É o caso do subsídio social de desemprego, do rendimento social de inserção e de outras ajudas.
Mas no "passe social +" que o governo inventou, o rendimento é dividido apenas pelos sujeitos passivos, ou seja, quem entrega declaração de IRS, o que exclui as crianças.

Elas continuam a morrer

É tempo de não deixar cair no esquecimento nenhuma das vítimas.
Lead: 
É tempo de não deixar cair no esquecimento nenhuma das vítimas.
Há poucos meses atrás o autocarro do Benfica foi apedrejado na auto-estrada. Notícias de abertura nos telejornais, comentários e mais comentários, entrevistas, sucederam-se umas atrás das outras. E até teve honras de declaração do Ministro da Administração Interna (na altura Rui Pereira). O ano passado, também pela altura do verão, foram assassinadas quatro mulheres, em quatro dias seguidos. Denominador comum? O autor do crime foi o marido. Parece que a história se repete e só esta semana (até hoje) já foram assassinadas quatro mulheres. Denominador comum? O autor do crime foi o marido.
O que é que isto tem a ver com o autocarro do Benfica? O episódio com o autocarro do Benfica serve para ilustrar como as autoridades policiais, o governo e também os órgãos de comunicação social tratam os diversos tipos de violência e sobretudo como tratam o crime que provavelmente mais mata no nosso país. A violência doméstica é o crime contra as pessoas, e sublinho contra as pessoas, que mais e maiores efeitos tem: produz mais vítimas (muitas vezes mortais), filhos e outros familiares, tem efeitos devastadores na saúde das vítimas directas e indirectas e, retira a Liberdade e a Cidadania a milhares de mulheres. É um crime público na verdadeira dimensão da palavra. Quando a Liberdade e a Cidadania estão em causa todos e todas temos a ver com o assunto.
Ontem a notícia da morte de uma mulher em Setúbal teve mais destaque porque o autor do crime é agente da polícia. Mas, ao contrário da notícia do autocarro do Benfica, não houve entrevistas a contextualizar a situação, não houve apelos, e, nenhum responsável policial ou governamental deu a cara pelo combate a este tipo de crime. E esta diferença diz tudo sobre a importância que lhe é atribuída.
As autoridades estão à espera que seja uma por dia para despertarem para este CRIME e para encararem de vez e com firmeza o fenómeno da violência contra as mulheres neste país de brandos costumes?
As poucas linhas que o Programa do actual Governo dedica a esta importante questão, suscitam preocupação séria: “Será dado um especial enfoque à prevenção da violência exercida em contexto doméstico sobre crianças, idosos, pessoas dependentes e com deficiência”… E o enfoque na violência contra as mulheres no seio da família, ela própria central em relação às outras vítimas? Parece que as mulheres não têm lugar no curto parágrafo que o programa do governo dedica à violência doméstica. Está aqui em potência um retrocesso cujas consequências são muito perigosas.
É pois tempo de não deixar cair no esquecimento nenhuma das vítimas.

Bélgica contra Paris e Berlim: "Assim é complicado viver"

“Assim é complicado viver!”, desabafou o ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Olivier Chastel, ao constatar em entrevista ao jornal bruxelense Le Soir que “a Europa já só toma decisões depois de uma cimeira franco-alemã”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros belga diz que as vantagens que os alemães tiram da UE devem ser compensadas pelo apoio aos eurobonds.
O ministro dos Negócios Estrangeiros belga diz que as vantagens que os alemães tiram da UE devem ser compensadas pelo apoio aos eurobonds. Foto MNE belga.
Publicada no dia em que o Eurogrupo tenta mais uma vez estabelecer as condições de aplicação do resgate à Grécia, a entrevista não surge como um caso isolado a contestar o domínio de Paris e Berlim sobre as questões da crise e o bloqueio dos eurobonds. Desde que a Finlândia se entendeu directamente com a Grécia sobre a questão das garantias para o resgate, as vozes “contestatárias” na União contra a política “do eixo” soam cada vez mais altas.
“As vantagens que a Alemanha tira da União devem ser compensadas pela aceitação dos títulos de dívida europeus (eurobonds) pela própria Alemanha”, disse Chastel na sua entrevista a Le Soir. O ministro belga dos Negócios Estrangeiros afirmou ainda que “o facto de os grandes Estados da União quererem manter o poder sobre as questões económicas e financeiras bloqueia a solução da crise”.
A entrevista do chefe da diplomacia belga foi publicada no dia em que os ministros das Finanças dos países da Zona Euro procuram mais uma vez concretizar as fórmulas práticas de resgate à Grécia no seguimento da recente e “frustrante” cimeira de Paris entre Merkel e Sarkozy, recorrendo a adjectivos que circulam nos corredores das instituições europeias.
Jacek Rostowski, ministro das Finanças da Polónia, país que assume a presidência rotativa da União, afinou praticamente pela tese de Castel. Segundo ele, existe um risco de “dissolução da Zona Euro” e “as elites europeias, incluindo a alemã, devem decidir se querem que o euro sobreviva, ainda que a um preço elevado, ou não”.
Os ministros do Eurogrupo gastaram os trabalhos de quarta-feira a tentar encontrar uma solução para o que a maioria deles, segundo se diz, considera ser um “problema” levantado pelo recente acordo bilateral entre a Grécia e a Finlândia para a participação de Helsínquia no resgate. No momento em que a questão das garantias é “a prioridade das prioridades”, segundo Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, Atenas e Helsínquia acordaram em que as garantias gregas serão em dinheiro líquido, solução que indispôs França, Alemanha, Barroso, Rompuy, o BCE e o comissário Olli Rehn. Responsáveis franceses e alemães dizem que os outros países também discordam do entendimento bilateral mas sabe-se que pelo menos a Áustria, a Eslováquia e a Holanda tentaram “aproveitar a boleia” para negociar acordo semelhante com Atenas.
O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, garantiu que “a solução está próxima”, presumindo-se que resulte da imposição franco-alemã. A França afirma que o que está em causa no resgate à Grécia é o acordo estabelecido em 21 de Julho, “e nada mais do que esse acordo”, pelo que “só podem existir acordos bilaterais com a aceitação de todos os países”. A Alemanha afirmou exactamente o mesmo.
A Grécia, por seu lado, debate-se com as pressões de todos os lados e, dando um sinal da inquietação pelas exigências que estão a ser feitas ao país, o seu ministro das Finanças declarou que o governo de Atenas não aceitará dar como garantias “activos reais, fundiários ou partes de empresas”. Pressupondo-se, segundo um diplomata ao serviço de uma instituição europeia, que “afinal sempre há quem cobice as ilhas gregas”.

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu

Bloco quer auditoria às contas da Madeira

O candidato bloquista às eleições regionais na Madeira quer que sejam apuradas responsabilidades pelo desvio de 500 milhões de euros e passadas a pente fino as contas de todo o sector público empresarial da Região.
Roberto Almada diz que "a realidade em 2011 será no mínimo catastrófica" para as finanças públicas madeirenses.
Roberto Almada diz que "a realidade em 2011 será no mínimo catastrófica" para as finanças públicas madeirenses.
Para Roberto Almada, uma auditoria é "fundamental para percebermos exactamente quanto devemos, o que devemos e o que foi feito a tanto dinheiro que entrou na Madeira ao longo dos últimos anos".
Nas contas do Bloco, a Madeira tinha no fim do ano passado 1094 milhões de dívida directa, 1445 milhões de dívida indirecta, 242 milhões de encargos assumidos e não pagos e 2000 milhões de avales concedidos a empresas do sector público empresarial, relata o Diário de Notícias da Madeira.
"Se no final do ano de 2010 os encargos financeiros aproximavam-se já dos cinco mil milhões de euros, a realidade em 2011 será no mínimo catastrófica", alertou o primeiro candidato do Bloco às eleições de Outubro. Para Roberto Almada, esta "catástrofe" que "terá de ser paga em dobro pelos madeirenses". "O Bloco não aceita que os madeirenses tenham que cumprir dois programas de austeridade: o nacional e um regional".

Violência doméstica faz quatro vítimas numa semana

Desde o passado domingo, quatro mulheres foram assassinadas pelos maridos. A associação UMAR diz que "o poder judicial não está a actuar de uma forma efectiva e eficaz".
Quatro mulheres foram assassinadas nos últimos quatro dias em Portugal.
Quatro mulheres assassinadas em quatro dias em Portugal. Foto Pachakutik/Flickr
Esta semana tem sido crítica no que respeita aos casos de homicídio de mulheres às mãos dos companheiros. No domingo, em Lourosa, um homem esperou pelo fim do casamento do filho para depois assassinar a mulher à porta de casa com dez facadas. Maria Glória, de 46 anos, tentava separar-se do marido e já tinha saído de casa alguns meses antes para fugir aos maus tratos, relata o Correio da Manhã. No mesmo dia, no Cadaval, Patrícia Figueira, de 27 anos, teve o mesmo destino trágico, baleada com oito tiros pelo seu marido de 31. O motivo, segundo o Jornal de Notícias, foi que ele não queria que a mulher trabalhasse.
Na terça-feira, um agente da PSP trancou o filho de 14 anos na casa de banho e baleou Maria João, de 42 anos, com a arma de serviço, no Bairro Afonso Costa, em Setúbal. E já na quarta-feira, Zilda Gonçalves, de 72 anos e emigrada em França, foi assassinada com um golpe na cabeça com um utensílio de cozinha pelo marido de 76 anos, doente de Alzheimer. As ameaças de morte e a violência faziam parte do quotidiano dos 50 anos de casamento destes emigrantes de férias em Bragança, segundo os vizinhos  ouvidos pelo JN.
Para Maria José Magalhães, presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta, a explicação para a sucessão de crimes em pouco espaço de tempo tem a ver com a época do Verão, que tem semelhanças com a do Natal no que respeita ao número de casos. "É época de férias, em que o agressor - seja o marido ou o ex-marido, companheiro ou namorado) - tem tempo livre e pode preparar o crime. Tudo isto parte da ideia de que a mulher é um objecto e, como tal, lhes pertence", diz a dirigente da UMAR em entrevista ao Jornal de Notícias.
Maria José Magalhães diz que "as autoridades policiais fazem o que podem, mas dependem do sistema judicial". E recorda os casos em que as vítimas ou os seus vizinhos já tinham apresentado queixa, "mas o criminoso continuou em liberdade até matar".
"Quando a Polícia prende indíviduos que assaltaram com violência um banco, o juíz pode impor-lhes a prisão preventiva como medida de coacção. Estes agressores têm de ser considerados da mesma forma".

Bloco aponta os "desvios colossais" das promessas de Passos Coelho

O deputado bloquista Pedro Filipe Soares acusou o primeiro-ministro de ter dito em campanha que não aumentaria impostos e vir agora aumentá-los a cada conferência de imprensa dada pelo ministro das Finanças. A CGTP diz que há razões para uma "mobilização muito grande" da sociedade.
No que diz respeito aos impostos, Passos Coelho mudou de discurso como quem muda de casaco, diz o Bloco.
No que diz respeito aos impostos, Passos Coelho mudou de discurso como quem muda de casaco, diz o Bloco. Foto Luís Saraiva/Flickr
"Na campanha eleitoral, Passos Coelho prometeu que não aumentaria impostos, mas em cada conferência de imprensa do ministro das Finanças há um novo aumento de impostos. Neste caso concreto o aumento do IVA, uma taxa que lesa o consumo, o que traz um efeito ainda mais recessivo à economia", disse o deputado do Bloco em reacção à conferência de imprensa de Vítor Gaspar.
Pedro Filipe Soares disse ainda que o Governo “fez muito pouco” para taxar os rendimentos mais elevados. “Percebemos que há aqui uma tentativa de responder à pressão mediática existente mas é uma tentativa para fazer muito pouco quando muito mais estava ao alcance do Governo”, acrescentou o deputado, citado pela agência Lusa.
O outro "desvio colossal" do Governo, no entender do Bloco tem a ver com "o rigor". "O ministro considerou que a situação vivida na Madeira como uma crise insustentável devido à governação de Alberto João Jardim, no entanto não teve uma palavra sequer para uma solução”, criticou Pedro Filipe Soares, dando ainda outro exemplo: “sobre as parcerias público-privadas, que é o grande encargo de despesa que nós temos do ponto de vista das contas públicas, o ministro foi parco nas palavras, não falou ou falou ao de leve”.
Outra reacção ao anúncio feito pelo ministro de congelamento de salários e pensões, redução de funcionários e aumento de impostos, veio da parte do secretário-geral da CGTP, ao afirmar que estas "políticas de recessão" podem colocar o país "num patamar social e de desenvolvimento de onde é muito difícil sair".
«O país está condenado com tudo isto a aumentar o desemprego. Tudo o que é avançado aumenta o desemprego», alertou Carvalho da Silva. O líder sindical disse ainda que estas medidas de austeridade agora anunciadas são razões para "uma mobilização muito grande da sociedade portuguesa" para as enfrentar. A CGTP promove manifestações em Lisboa e Porto no dia 1 de Outubro contra as políticas de austeridade do Governo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Governo congela salários, reduz funcionários e aumenta impostos

Ministro das Finanças anuncia que o congelamento de salários e pensões durará até pelo menos 2013, e que o número de funcionários públicos será reduzido em 2%. São criadas novas taxas de IRS sobre os rendimentos mais altos, e de IRC sobre empresas com lucros superiores a 1,5 milhão de euros.
Vítor Gaspar: o fantasma do desvio orçamental persiste. Foto de Miguel A. Lopes, Lusa
O Ministério das Finanças, Vítor Gaspar, reconheceu uma derrapagem orçamental, face aos objectivos, de 1,5% do PIB, cerca de 2.500 milhões de euros. As causas são, segundo o ministro, as contas públicas da Madeira e o processo de privatização do BPN, bem como um agravamento das despesas com pessoal, consumos intermédios e despesas de capital. O défice público ficaria, caso não fossem tomadas medidas de correcção, disse Vítor Gaspar, acima dos 5,9% previstos para este ano.
As linhas gerais da Estratégia orçamental apresentadas pelo ministro são:
– Os salários na Função Pública serão congelados pelo menos até 2013 e serão impedidas, a qualquer título, consequências financeiras associadas a promoções e progressões. O documento de estratégia afirma que "O congelamento de salários é uma medida que terá de ser considerada durante toda a duração do programa. É uma exigência das condições de austeridade e sacrifício que vivemos"
– As pensões também ficarão congeladas até 2013.
– O número de funcionários públicos será reduzido em 2% entre 2012 e 2014.
– É criada uma taxa adicional de 2,5% para os contribuintes com rendimentos mais elevados, incidindo sobre a parcela do rendimento colectável que exceda o limite que tem o último escalão de IRS.
– É criada uma taxa adicional 3% de IRC para as empresas sobre o lucro tributável superior a 1,5 milhões de euros.
– O governo irá ainda propor a subida da taxa sobre as mais-valias mobiliárias de 20 para 21%.
– Os sujeitos passivos dos últimos dois escalões de rendimentos deixarão de fazer deduções à colecta na saúde, educação e encargos com imóveis.
O Governo prevê que a taxa de desemprego atinja um máximo de 13,2% já no próximo ano, começando a decrescer em 2013 de forma gradual, até aos 12,3% em 2015.
O documento prevê ainda que a dívida pública atingirá o pico em 2013, chegando aos 106,8% do Produto Interno Bruto, descendo depois para os 105% em 2014.
Ainda no campo das previsões, o governo espera que a economia volte a crescer já em 2013, em 1,2% do PIB, antevendo um crescimento médio de 2% anualmente entre 2013 e 2015.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.