quarta-feira, 23 de junho de 2010

Em memória de tudo o que foi perdido

A raiva é palpável ao longo do Delta do Mississipi, diante das consequências da maior catástrofe ambiental na história dos EUA.
Nova Orleães – A raiva é palpável ao longo do Delta do Mississipi. À medida que o geyser de petróleo da Deepwater Horizon1 continua imparável, as consequências da maior catástrofe ambiental na história dos Estados Unidos estão a chegar à costa; a ecologia, a economia e modos de vida sofrem o impacto.
Viajei pelos pântanos e pelas cidades costeiras do Estado do Luisiana durante quatro dias, conhecendo as pessoas das linhas da frente da maré negra. Estão enraivecidas, sem trabalho e lêem nos jornais artigos sobre pessoas que ficaram doentes.
Uma pessoa cujo emprego se mantém intacto – pelo menos até agora – é o director-executivo da British Petroleum (BP), Tony Hayward. Hayward, que ganhou mais de 4,5 milhões de dólares em 2009, lamentou no domingo: “Não há ninguém que queira mais do que eu que isto termine. Sabe, gostava de ter a minha vida de volta.” Hayward torna-se ainda mais odioso com quase todos os comentários que faz, os quais são claramente dirigidos a minimizar o impacto da catástrofe da BP. Provavelmente, será mais comedido em futuras declarações, uma vez que o Procurador-Geral dos EUA, Eric Holder, acabou de visitar a área e afirmou publicamente: “temos de assegurar que qualquer pessoa responsável por este derrame preste contas. Isto significa accionar as autoridades civis – e se necessárias, criminais – de acordo com a lei.
Na Grand Isle, conhecemos Dean Blanchard, que é proprietário do maior negócio de camarões na
área. Levou-nos no seu barco, onde expressou fortes sentimentos em relação ao presidente Barack Obama: “Julguei que fosse um homem do povo, que viesse cá e conhecesse os problemas que estamos a passar, que olhasse para nós, que nos falasse e nos assegurasse a sua ajuda, mas ele escondeu-se na estação da Guarda Costeira como um presidente qualquer.” Os pais e os avós de Blanchard tiveram a mesma profissão. Com o seu sotaque 'cajun' bastante forte, explicou o efeito nas marés do petróleo:
“Fiz a minha vida a partir da observação das marés. Nós pescamos camarão. Não se pode ver um camarão. Quer saber como nós sabemos onde estão os camarões? Através das marés. Quando esta esvazia, mais água vai e mais água volta e, quando volta, traz tudo consigo. Normalmente traz camarão, mas desta vez vai trazer petróleo.”
Blanchard afirma que os pescadores são como agricultores: “Perdemos dinheiro em Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, preparamo-nos para a colheita em Maio, Junho e Julho. Portanto, gastamos muito dinheiro para chegar a Maio.” Quando a Deepwater Horizon explodiu em 20 de Abril, milhares de pescadores, as suas famílias, os comerciantes e as comunidades dependentes daqueles viram o seu rendimento anual desaparecer, sem nenhuma outra perspectiva.
Muitos dos proprietários dos barcos pesqueiros foram agora contratados pela BP para trabalharem na limpeza das águas. Um pescador local, John Wunstell Jr., foi levado de emergência para o hospital por problemas respiratórios atribuídos ao ambiente nocivo.
Ele e outros acusam a BP de proibir o uso de máscaras. John ainda fez um requerimento para uma acção judicial no sentido de forçar a BP a fornecer máscaras e outro material protector para limpar os trabalhadores. A resposta de Hayward? “Tenho a certeza que estão genuinamente doentes, mas se isso tem a ver com a dispersão do petróleo, se tem a ver com uma intoxicação alimentar ou qualquer outra razão para estarem doentes… É um grande problema manter um exército a actuar. Sabe, os exércitos marcham pelos seus estômagos.”
Blanchard ficou indignado. Perguntou: por que é que a BP confiscou as roupas dos trabalhadores uma vez postas as batas do hospital? Disse ainda: “Não acho que sejam precisas para testar as pessoas por intoxicação alimentar. Só são necessárias roupas se se estiver a testar intoxicação química.”
Blanchard levou-nos ao Golfo (do México) para vermos as operações de limpeza. Nenhum dos proprietários dos barcos quis falar connosco. Blanchard explicou, “Têm medo de falar e têm medo de ser vistos porque a BP ameaçou-os de que se falassem com os média, seriam despedidos.”
Um pescador, Glenn Swift, que conhecemos em Buras, Louisiana, confirmou que assinou um contrato com uma cláusula cujo conteúdo determinava o fim do mesmo se falasse com os meios de comunicação. Quando lhe perguntei por que é que, então, estava a falar comigo, respondeu: “Não penso que calar alguém seja correcto. Supostamente vivemos nos EUA e, supostamente, temos liberdade de expressão.”
Na estrada perto de onde Blanchard vive, a família já levantou 101 cruzes no seu jardim, cada uma a homenagear algo que eles adoram, por exemplo “pelicanos castanhos”, “pôr-do-sol na praia” e “areia entre os dedos dos pés.” Na placa junto ao cemitério dos sonhos lê-se: “Em memória de tudo o que foi perdido, cortesia da BP e do nosso Governo Federal.”
Denis Moynihan contribuiu para a pesquisa nesta coluna.
Tradução de Sofia Gomes para o Esquerda.net

1 Nome de plataforma onde decorreu o acidente

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Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.