quarta-feira, 11 de julho de 2012

Serviços Sociais fecham cantinas em Coimbra

O apoio social aos estudantes da Universidade de Coimbra foi cortado em 2 milhões de euros. O encerramento de duas cantinas está a provocar filas intermináveis nas outras duas, apesar da maior parte dos estudantes ter já saído da cidade.
Foto anjan58/Flickr
Os cortes nos apoios dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC) terá implicações no fim de certas especialidades médicas e na alteração dos serviços de lavandaria. Mas o encerramento da "cantina dos verdes" logo na apresentação da nova diretora dos SASUC e o rumor do encerramento futuro da "cantina dos grelhados" estão a causar grande apreensão entre os estudantes.
A "cantina dos grelhados" encerrou na semana passada, por ser período de férias, mas há grandes suspeitas que os SASUC não pretendem reabri-la quando os estudantes regressarem às aulas. Mesmo em tempo de férias, o encerramento destas cantinas está a provocar grandes filas à hora das refeições, o que tem obrigado as duas cantinas centrais abertas a alargar o horário de funcionamento tanto ao almoço como ao jantar.
Há o “rumor de fechar os grelhados”, afirmou a coordenadora geral do pelouro da ação social da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Rita Andrade ao site estudantil acabra.net. A dirigente estudantil diz ter recebido a garantia do encerramento de uma segunda cantina, “mas nós mostrámo-nos completamente contra”, acrescentou.
As medidas para resolver a dificuldade crónica no alojamento estudantil em Coimbra, com falta de quartos a preços razoáveis para estudantes, também ficam adiadas por tempo indeterminado. “A lógica de construção de residências que existiu há bem pouco tempo agora está fora de causa porque o financiamento não existe nem para a manutenção”, disse ao mesmo órgão de informação a vice-reitora para o planeamento e finanças da UC, Margarida Mano.

Desemprego de professores vai disparar em setembro

A Fenprof prevê que no início do próximo ano letivo seja atribuído "horário zero" a mais de sete mil professores. E que a dispensa de professores contratados irá arrastar mais 20 mil para o desemprego. Esta quinta-feira há manifestação de professores em Lisboa, a partir das 15h no Rossio.
Dia 12 julho, às 15h no Rossio (Lisboa), há manifestação de professores convocada pela Fenprof
Dia 12 julho, às 15h no Rossio (Lisboa), há manifestação de professores convocada pela Fenprof
O prazo para a definição dos horários disponíveis termina esta sexta-feira e a Fenprof estima que serão eliminados cerca de 25 mil horários. O ambiente entre os profissionais do ensino é de grande inquietação, até porque em apenas um ano a taxa de desemprego entre professores aumentou 120%, segundo dados oficiais do Instituto do Emprego e Formação Profissional.
Se no ano passado o "horário zero" foi atribuído a mais de quatro mil professores - cerca de metade conseguiu depois colocação através de concurso - este ano deverá ser o dobro. E Mário Nogueira - líder da Fenprof - diz que entre eles estarão professores "com mais de trinta anos de serviço, que ficarão com horário zero a algumas disciplinas". Em declarações ao Diário Económico, o professor Paulo Guinote afirmou que "a orientação que os diretores receberam do Ministério é para que, em caso de dúvida, seja atribuído o horário zero".
O presidente do Conselho de Escolas disse ao mesmo órgão de imprensa que os mais afetados serão os docentes de Educação Visual e Tecnológica, vítimas da reforma curricular de Nuno Crato que acabou com o chamado "par pedagógico", ou seja, a necessidade de estarem dois professores na sala de aula. Para Manuel Esperança, esta sangria de professores nas escolas é o resultado não apenas da reforma curricular, mas também da política que aumentou o número de alunos por turma e criou os mega-agrupamentos.
A indignação dos professores volta às ruas de Lisboa esta quinta-feira pelas 15h, com a concentração marcada para o Rossio. O desemprego no setor e os horários zero são o principal motivo do protesto convocado pela Fenprof, que pede também mais "respeito pelos horários de trabalho e condições de trabalho dignas".

Bloco apresenta medidas para combater a tirania da dívida

Portugal não precisa de mais tempo da troika para pagar a dívida, mas de cortar os juros que está a pagar e romper o memorando para “evitar a austeridade, proteger os salários e proteger as pensões". Francisco Louçã apresentou, esta terça-feira, as propostas do Bloco para responder à derrapagem da execução orçamental.
Medidas para combater a tirania da dívida
Foto de Paulete Matos: Bloco defende reestruturação da dívida pública portuguesa
Francisco Louçã defendeu, esta terça-feira, que a única alternativa consistente à política do governo é romper com o memorando e renegociar a dívida e os juros cobrados a Portugal. ”As duas alternativas que têm sido apresentadas à solução da dívida para manter o quadro do memorando da troika entraram em fracasso absoluto", afirmou o coordenador da comissão política do Bloco, em conferência de imprensa. 
As duas alternativas, precisou Louçã, são a do Governo, onde fica “tudo na mesma, não muda nada, a não ser que haja uma esmola de Bruxelas ou de Frankfurt", e a do Partido Socialista, para que "haja mais tempo para mais austeridade". As duas posições, adiantou, conduzem ao mesmo resultado, “mais dívida” e incapacidade de recuperação da economia.
“É por isso que o Bloco de Esquerda não pede mais tempo, o que exigimos é uma reestruturação da dívida, uma negociação das condições [de pagamento] que permitam evitar a austeridade, proteger os salários e proteger as pensões”. O primeiro passo nesse sentido, adiantou o deputado do Bloco, será “romper” com o memorando assinado com a troika.

O segundo passo é “reestruturar o conjunto da dívida portuguesa”. Portugal tem que declarar a “anulação de todos os juros abusivos”, diz Louçã, referindo-se tanto à troika como aos credores privados para os quais transferiu, aos longo dos últimos noves anos, mais de 600 biliões de euros de amortização de divida e mais de 54 biliões de euros de juros, entre 2002 e 2011”, declarou Francisco Louçã.
“Queremos fazer, em resumo, exatamente aquilo que fez a Alemanha quando precisou: renegociar com os credores para a abater uma parte importante da dívida, a começar pelos juros extorsionários que Portugal não tem o direito de pagar. Quando a Alemanha precisou, cortou dois terços da dívida e indexou o pagamento da restante dívida às taxas de crescimento do produto e às exportações”, concluiu.  
resolução da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, aprovada na reunião de 7 de Julho, apresenta as bases para um programa para combater a tirania da dívida. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Espanha prepara-se para subir o IVA e reduzir a Taxa Social Única

Sob forte pressão internacional, o Governo espanhol vai seguir as recomendações europeias e do FMI com medidas de ajustamento que deverão passar por uma subida do IVA, redução das contribuições patronais para a Segurança Social e um aumento do número de horas de trabalho semanais dos funcionários públicos.
"Estamos em transição rumo a uma menor tributação do trabalho e uma tributação maior ao nível dos impostos indiretos", adiantou o Ministro das Finanças espanhol, Cristóbal Montoro.
"Estamos em transição rumo a uma menor tributação do trabalho e uma tributação maior ao nível dos impostos indiretos", adiantou o Ministro das Finanças espanhol, Cristóbal Montoro.
A prometida alteração da “estrutura fiscal”, com um aumento dos impostos sobre o consumo, poderá acontecer mais cedo do que o Governo de Mariano Rajoy previa. Quem o deu a entender foi o ministro responsável pelas Finanças e Administrações Públicas, Cristóbal Montoro, ao defender que o IVA é baixo “por comparação com outros países” e que o Executivo respeitará as conclusões do último Conselho Europeu.
"Estamos em transição rumo a uma menor tributação do trabalho e uma tributação maior ao nível dos impostos indiretos", adiantou Montoro, citado pela Expansión. No mesmo sentido, o governante referiu a possibilidade de se acabar com as deduções fiscais na compra de habitação.
O Governo conservador de Rajoy já deitara por terra a promessa eleitoral de não subir impostos, ao apontar para 2013 medidas neste sentido. Ainda não é certo quando atuará, mas Montoro não deixou margem para dúvidas de que Madrid vai tomar em breve como suas as recomendações externas em matéria fiscal, que sugerem mexidas imediatas.
O ministro falou também numa “menor fiscalidade sobre o trabalho”, podendo assim assinalar uma descida nas contribuições sociais das empresas, através redução da Taxa Social Única (TSU), que seria assim compensada em termos de receitas pela subida do IVA, à semelhança do que estava inicialmente previsto no acordo entre Portugal e a troika.
Promessas eleitorais anuladas devido a “circunstância excecional”
Ao contrário do discurso de campanha de Rajoy, que se opôs a uma subida do IVA para não agravar a contração do consumo privado, a posição do Partido Popular é agora diferente. Dada a situação espanhola, defendeu a secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, subir o IVA – hoje com três taxas (4, 8 e 18%) – é uma “circunstância excecional”.
Já Cristóbal Montoro, embora não tenha assumido prazos, focou-se nesta ideia, sendo que Espanha tem hoje a estrutura fiscal “mais baixa do mundo desenvolvido”, insistiu, segundo o El País.
A dias de o Primeiro-Ministro, Mariano Rajoy, ir ao Parlamento de Madrid com a promessa de anunciar medidas anticrise “importantes”, o ministro confirmou ainda estar a ser estudado um aumento do número de horas de trabalho semanal dos funcionários públicos, aproximando ainda o seu regime laboral ao do sector privado incorporando “muitos elementos do seu estatuto”, entre eles, um sistema de “avaliações contínuas”.
Esta segunda-feira, foi divulgado que Espanha poderá ter mais um ano para cumprir a meta do défice de 3% do PIB imposta por Bruxelas, ou seja, até 2014. Se esta ampliação for definitivamente aprovada, a meta do défice será de 6,3% este ano, de 4,5% em 2013 e de 2,8% em 2014.

Bloco desafia Governo a cortar nos juros que paga à troika para compensar subsídios

Num comício no Algarve, este domingo, Francisco Louçã respondeu ao desafio do primeiro-ministro e apontou o corte nos juros do empréstimo da troika como alternativa que o Governo deve seguir para substituir a receita gerada pelo corte dos subsídios de férias e de Natal.
Bloco desafia Governo a cortar nos juros que paga à troika para compensar subsídios
“Quantos salários, cortes, meses e pensões são precisos para que se juntem 34 mil milhões de euros a uns usurários que acham que Portugal lhes está a pagar uma renda”, questiona Louçã. Foto de Paulete Matos.
Francisco Louçã e Catarina Martins discursaram este domingo, em Monte Gordo, para centenas de pessoas e responderam ao desafio do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que no sábado pediu à oposição para apresentar alternativas a essa poupança, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional de declarar inconstitucional o corte nos subsídios de férias e Natal.
“O que incomoda é a injustiça, a desigualdade, é dizer a uma reformada, que descontou toda a vida para receber uma pensão de 500 euros, que vai pagar com impostos, com cortes nos subsídios, cortes na sua vida, para que haja um buraco ser cada vez maior”, disse Louçã, citado pela Lusa, referindo-se aos números da execução orçamental do primeiro trimestre, que apontam para um défice superior a sete por cento.
“Recuperar o que é nosso é a alternativa”
O coordenador da Comissão Política do Bloco apresentou depois o que disse serem “três alternativas consistentes, honestas, diretas e fundamentais para o país” para recuperar o impacto que a não aplicação dessa medida pode ter para o Orçamento do Estado.
“Cortem nos juros. Portugal não tem que pagar 34 mil milhões de euros de juros à ‘troika’, que não cobra juros à banca, mas cobra aos vossos salários”, propôs Francisco Louçã, questionando a plateia sobre “quantos salários, cortes, meses e pensões são precisos para que se juntem 34 mil milhões de euros a uns usurários que acham que Portugal lhes está a pagar uma renda”.

O dirigente bloquista considerou que o corte nos juros impostos pela “troika” do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia “é uma questão de dignidade” e apontou também como alternativa cortar nas Parcerias Público Privadas (PPP).
“Cortar nas PPP. Vamos nós pagar, até 2040, 60 mil milhões de euros. Quantas pensões é preciso cortar para pagar esse valor aos consórcios financeiros, quantos salários são precisos cortar?”, voltou a questionar, afirmando que “recuperar o que é nosso é a alternativa”.
Em terceiro lugar, o líder do Bloco apresentou como proposta ao desafio de Passos Coelho “um imposto especial sobre o património de luxo, àqueles que têm mais de um milhão de euros de propriedades, de ações de títulos”, património que disse não ser tributado em Portugal.
“Aqui tem justiça no combate, seriedade no combate, é assim que se muda o país”, afirmou o dirigente do Bloco de Esquerda.
“Estupidez” e “absurdos” pautam ação do Governo
Na sua intervenção em Monte Gordo, a deputada Catarina Martins apontou o “cinismo” do Governo que “faz tudo ao contrário do que prometeu” e refere o aumento dos impostos e o corte dos subsídios aos funcionários públicos e pensionistas. A deputada destacou a “estupidez” do aumento do IVA que só serviu “para termos uma menor receita fiscal e mais desemprego”.
Estando no Algarve, Catarina Martins classificou como “absurdo” a introdução de portagens em estradas que não têm alternativas, como a Via do Infante, levando o Estado a gastar mais dinheiro.
A deputada contrapôs ainda a austeridade dos cortes nos serviços públicos, o aumento do gás e da luz, o aumento do custo dos transportes, ao “corte que não houve nas rendas no setor da energia”. A austeridade tem um propósito, afirmou: “baixar os salários e empobrecimento”.
 

Autarcas do Bloco de Esquerda do Porto classificam o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica como sendo a "lei mata-freguesias", considerando que a medida visa "diminuir o número de eleitos" e centralizar ainda mais o poder. ARTIGO | 9 JULHO, 2012 - 18:37 Em conferência de imprensa, José Castro adiantou que o Bloco "rejeita frontalmente qualquer agregação, fusão ou extinção de freguesias do distrito do Porto, sem que primeiro seja dada voz aos eleitores e à população das freguesias". Foto de Paulete Matos. Autarcas do Bloco de Esquerda do Porto classificam o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica como sendo a "lei mata-freguesias", uma lei que esconde também outros objetivos. A lei 22/2012 "esconde a intenção de diminuir o número de eleitos" e tem como "verdadeiro objetivo a centralização do poder", afirmou esta segunda-feira o deputado bloquista na Assembleia Municipal do Porto José Castro. Em conferência de imprensa, José Castro adiantou que o Bloco "rejeita frontalmente qualquer agregação, fusão ou extinção de freguesias do distrito do Porto, sem que primeiro seja dada voz aos eleitores e à população das freguesias". Castro referiu que foram já apresentados requerimentos sobre a realização de referendos locais em diversas assembleias municipais, como a de Matosinhos e a de Valongo. "Os eleitos nos órgãos autárquicos não têm legitimidade política para decidir estas reduções [do número de freguesias] que a lei aponta", disse, acrescentando que o Bloco exige "a realização de um referendo local" nos municípios nos quais estão previstos a redução do número de freguesias. Para o Bloco, ao contrário do que estabelece a lei como objetivo "a diminuição de freguesias não vai trazer mais coesão territorial nem desenvolvimento local". "Esta diminuição nas áreas urbanas vai criar sérios problemas no mapa territorial de autarquias com enormes desajustes entre o conjunto de freguesias", sustentou. Segundo o deputado, enquanto no Porto, por exemplo, a lei prevê criar freguesias com 50 mil habitantes, "haverá um resto de território com municípios em que grande parte das freguesias terá menos de 20 mil habitantes". "As assimetrias regionais vão crescer significativamente", sublinhou. "O que faz falta em Portugal é fazer a regionalização” O deputado bloquista na Assembleia Municipal de Matosinhos Ferreira dos Santos adiantou que, naquele município, de acordo com a legislação, está previsto que o número de freguesias passe de 10 para quatro, contudo, aquele órgão político já aprovou, com a abstenção do PSD, que "recusará tomar qualquer medida que leve à redução" do número de freguesias. Em Valongo, adiantou o deputado Eliseu Lopes, "foi aprovada uma moção que dizia que a proposta [do Governo que prevê acabar com uma das suas cinco freguesias] não estava de acordo com as necessidades" do município. Os bloquistas entendem que "o que faz falta em Portugal é fazer a regionalização, prevista na Constituição", bem como quebrar a centralização do poder, que “asfixia” o país. "Não há na Europa continental esta estrutura autárquica (freguesia)", disse ainda José Castro, considerando que esta lei "também não tem em conta a realidade autárquica da União Europeia". Em Espanha, por exemplo, existem mais de oito mil municípios, em que sete mil têm menos de cinco mil habitantes, exemplificou. TERMOS RELACIONADOS: Notícias política

Autarcas do Bloco de Esquerda do Porto classificam o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica como sendo a "lei mata-freguesias", considerando que a medida visa "diminuir o número de eleitos" e centralizar ainda mais o poder.
BE/Porto é contra a lei "mata-freguesias" e defende realização de referendos locais
Em conferência de imprensa, José Castro adiantou que o Bloco "rejeita frontalmente qualquer agregação, fusão ou extinção de freguesias do distrito do Porto, sem que primeiro seja dada voz aos eleitores e à população das freguesias". Foto de Paulete Matos.
Autarcas do Bloco de Esquerda do Porto classificam o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica como sendo a "lei mata-freguesias", uma lei que esconde também outros objetivos. A lei 22/2012 "esconde a intenção de diminuir o número de eleitos" e tem como "verdadeiro objetivo a centralização do poder", afirmou esta segunda-feira o deputado bloquista na Assembleia Municipal do Porto José Castro.
Em conferência de imprensa, José Castro adiantou que o Bloco "rejeita frontalmente qualquer agregação, fusão ou extinção de freguesias do distrito do Porto, sem que primeiro seja dada voz aos eleitores e à população das freguesias". Castro referiu que foram já apresentados requerimentos sobre a realização de referendos locais em diversas assembleias municipais, como a de Matosinhos e a de Valongo.
"Os eleitos nos órgãos autárquicos não têm legitimidade política para decidir estas reduções [do número de freguesias] que a lei aponta", disse, acrescentando que o Bloco exige "a realização de um referendo local" nos municípios nos quais estão previstos a redução do número de freguesias.
Para o Bloco, ao contrário do que estabelece a lei como objetivo "a diminuição de freguesias não vai trazer mais coesão territorial nem desenvolvimento local". "Esta diminuição nas áreas urbanas vai criar sérios problemas no mapa territorial de autarquias com enormes desajustes entre o conjunto de freguesias", sustentou. Segundo o deputado, enquanto no Porto, por exemplo, a lei prevê criar freguesias com 50 mil habitantes, "haverá um resto de território com municípios em que grande parte das freguesias terá menos de 20 mil habitantes". "As assimetrias regionais vão crescer significativamente", sublinhou.
"O que faz falta em Portugal é fazer a regionalização”
O deputado bloquista na Assembleia Municipal de Matosinhos Ferreira dos Santos adiantou que, naquele município, de acordo com a legislação, está previsto que o número de freguesias passe de 10 para quatro, contudo, aquele órgão político já aprovou, com a abstenção do PSD, que "recusará tomar qualquer medida que leve à redução" do número de freguesias.
Em Valongo, adiantou o deputado Eliseu Lopes, "foi aprovada uma moção que dizia que a proposta [do Governo que prevê acabar com uma das suas cinco freguesias] não estava de acordo com as necessidades" do município.
Os bloquistas entendem que "o que faz falta em Portugal é fazer a regionalização, prevista na Constituição", bem como quebrar a centralização do poder, que “asfixia” o país. "Não há na Europa continental esta estrutura autárquica (freguesia)", disse ainda José Castro, considerando que esta lei "também não tem em conta a realidade autárquica da União Europeia". Em Espanha, por exemplo, existem mais de oito mil municípios, em que sete mil têm menos de cinco mil habitantes, exemplificou.
 

Eurogrupo discute hoje futuro da Espanha, Grécia e Chipre

Os ministros das Finanças da zona euro vão discutir esta segunda-feira, em Bruxelas, as situações de Espanha, Grécia e Chipre, mas só são esperadas algumas decisões relativamente à ajuda à banca espanhola. Entretanto, Espanha relembra à Holanda e à Finlândia que “os acordos têm de ser cumpridos”.
Eurogrupo discute hoje futuro da Espanha, Grécia e Chipre
Quanto à Grécia e ao Chipre, o Eurogrupo deverá limitar-se a avaliar os resultados das missões iniciais da troika que recentemente estiveram em ambos os países.
Os ministros das Finanças da zona euro começam esta segunda-feira, em Bruxelas, a definir as condições do empréstimo que visa salvar uma parte substancial do sistema financeiro espanhol. O futuro da Grécia e do Chipre também fazem parte da agenda, mas só são esperadas algumas decisões relativamente à ajuda à banca espanhola.
Espera-se então que o Eurogrupo chegue a um “acordo político” sobre os termos da assistência financeira até 100 mil milhões de euros para a recapitalização da banca espanhola, embora a versão final do memorando de entendimento, que estabelecerá todas as condições para o “resgate”, só deva ser concluída e assinada no final do mês. Está definido que o empréstimo será realizado numa primeira fase através do atual fundo de resgate, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), até que entre em vigor o novo Mecanismo Europeu de Estabilidade, adianta a Lusa.
Quanto à Grécia e ao Chipre, o Eurogrupo deverá limitar-se a avaliar os resultados das missões iniciais da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) que recentemente estiveram em ambos os países, mas a anunciada renegociação do memorando com a Grécia e a decisão sobre o resgate pedido por Nicósia a 25 de junho último só deverão conhecer desenvolvimentos em finais de agosto.
Os 17 vão ainda voltar a discutir a nomeação do novo presidente do Eurogrupo, dado que está a expirar o mandato do atual, o luxemburguês Jean-Claude Juncker. Depois deste encontro, na terça-feira haverá uma reunião alargada aos 27 ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), estando Portugal representado em ambas pelo ministro Vítor Gaspar.

Espanha relembra à Holanda e à Finlândia que acordos têm de ser cumpridos

Mariano Rajoy inicia uma semana que pode ser decisiva para definir o futuro imediato de Espanha. Mas é no mercado da dívida que a prova dos nove se fará e nos corredores diplomáticos que as eventuais soluções se encontrarão.
O caminho não é fácil para o primeiro-ministro espanhol. Rajoy suspirou de alívio no final da mais recente cimeira europeia e saiu dela como um dos vencedores. Mas os mercados não subscreveram a tese. E, no final da semana passada, as taxas de juro pedidas pelos investidores para comprarem obrigações espanholas aproximavam-se de máximos históricos, muito perto também dos níveis que obrigaram Portugal, Grécia e Irlanda a pedir o resgate externo.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol recordou esta segunda-feira à Finlândia e à Holanda que "os acordos devem ser cumpridos", numa referência à oposição desses dois países pelas decisões adotadas na última cimeira europeia.
"Não faz o menor sentido que num Conselho Europeu, que é a máxima instituição da União Europeia (UE), se adote um acordo e que, de regresso a casa, se comecem a abrir brechas e a procurar fórmulas para incumprir os compromissos ali obtidos", disse José Manuel García Margallo aos jornalistas.
O chefe da diplomacia espanhola referia-se ao acordo, alcançado no final de junho, sobre a possibilidade dos fundos europeus comprarem dívida no mercado secundário, decisão que tanto a Finlândia como a Holanda ameaçam vetar.
Depois de afirmar que os mercados são forças cegas que respondem aos seus próprios interesses, García-Margallo destacou que a responsabilidade do Executivo nos mercados e nas instituições europeias é adotar as decisões necessárias para que as ações contra o euro não tenham sucesso. Considerando que o problema do euro é "político" e não "económico", García-Margallo afirmou que os investidores apostam em áreas geográficas com piores dados que a zona euro porque duvidam da vontade da UE de defender a moeda comum.
Este domingo, também o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, criticou os países "nórdicos" (Finlândia e Holanda) que minam "a credibilidade" das decisões da zona euro e apelou também à aplicação rápida das decisões tomadas para resolver a crise.

“Governo conspirou contra o país”, acusa Louçã

Coordenador do Bloco afirma que a decisão do Tribunal Constitucional foi uma derrota do governo e uma grande vitória dos trabalhadores da função pública e dos reformados. E adverte o governo que não há uma única linha do texto do TC que diga que é preciso aumentar os impostos, garantindo que o Bloco se baterá por cada cêntimo dos salários dos trabalhadores do privado.
Francisco Louçã: “Voltaremos ao TC se o governo quiser insistir na via inconstitucional". Foto de Paulete Matos
No final da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã afirmou que “a decisão do Tribunal Constitucional constituiu uma grande derrota do governo e uma grande vitória para os trabalhadores da função pública e para todos os reformados do público e do privado, a quem estavam a ser retirados dois subsídios dos seus salários e das suas pensões”.
Para Louçã, o governo, em resposta ao TC, atuou “com uma mistura de arrogância e ressentimento que todos puderam notar”, observando que o azedume do primeiro-ministro “só se compara com a violência que o líder parlamentar do CDS veio acusar pessoalmente os juízes do TC por terem tomado uma decisão à letra da Constituição”.
Para o deputado bloquista, “esta resposta do governo demonstra simultaneamente as tensões dentro da coligação, que dá sinal de fragilidade, mas sobretudo a incapacidade do governo de responder ao desafio que o Tribunal Constitucional colocou”.
O orçamento era ilegal
Louçã sublinhou que “simplesmente o TC veio dizer que o orçamento era ilegal quando retira dois subsídios aos trabalhadores da função pública e aos reformados. Portanto, a única correção possível é não só a restituição como a abertura de um caminho de consolidação orçamental que não persista nem na ilegalidade, nem na violência ou na discriminação”.
Para o coordenador do Bloco, o que incomoda o governo é que caiu a máscara da consolidação orçamental. “O governo queria disfarçar um aumento de impostos, a retirada dos dois subsídios, como se fosse uma redução das despesas. Mas aquilo que atinge os salários e as pensões das pessoas não é uma redução das despesas. É pura e cruamente um aumento de impostos”.
Louçã recordou que as dificuldades orçamentais do governo não resultam da decisão do TC e sim de uma derrapagem orçamental. “No dia anterior à decisão do TC, o governo tinha um buraco de dois mil milhões de euros, porque não é capaz de fazer que a austeridade funcione”, e insistiu que a austeridade só leva ao afundamento da economia, à redução das receitas fiscais, ao aumento do desemprego, num “um efeito dominó que é a cada dia mais grave”.
Não há uma linha do texto do TC que diga que é preciso aumentar impostos
Dirigindo-se ao primeiro-ministro, Louçã advertiu: “não se atreva a vir dizer aos portugueses que vai cortar qualquer cêntimo dos subsídios dos trabalhadores do privado, ou da função pública ou dos reformados, com o pretexto mentiroso de que o TC assim o deseja. O TC não tem uma única linha a sugerir que a ilegalidade aplicada aos trabalhadores da função pública ou aos pensionistas se estenda aos outros”.
E sublinhou: “Há alguns idiotas úteis que dizem que o governo agora tem de tirar os salários ou aumentar os impostos brutalmente por causa do TC. Mas não há uma única linha do texto do TC que diga que é preciso aumentar os impostos”.
Se o governo quer responder à desorientação orçamental chegando a um nível de imposição fiscal e de confisco generalizado como nunca ocorreu em Portugal, disse Louçã, “só pode saber que o Bloco de Esquerda não só se baterá energicamente contra este desvario orçamental, como naturalmente apresentará alternativas como sempre o temos feito”.
O coordenador do Bloco, “não é aceitável e é uma mentira para além de qualquer limite dizer que foi o TC que empurrou o governo para fazer, depois do fracasso da austeridade ainda mais austeridade”, insistindo que é preciso vencer a ilegalidade e não prolongar a ilegalidade. “Proteger os salários é a prioridade para a política nacional, porque é assim que a economia pode recuperar e o respeito da Constituição se pode manter”.
PR está fragilizado
Respondendo a uma pergunta dos jornalistas, Louçã afirmou quer o Presidente da República está numa posição muito fragilizada. Porque “alertou para a desigualdade e para a injustiça desta medida, e depois aceitou-a. E na política portuguesa nós precisamos de responsáveis que assumam responsabilidade”.
Aos boatos que apontam para uma cobrança de mais 7% de IRS em 2013, Louçã alertou para que isso significa a duplicação do esforço fiscal, um enorme ataque à classe média, “tudo o que o governo prometeu que não faria. E um governo que faz exatamente aquilo que prometeu é um governo que está a montar uma armadilha contra o seu país e portanto está na ilegalidade”.
E afirmou: “É totalmente inconstitucional um violento aumento de impostos num país que tem de corrigir as suas contas por via de uma economia que funcione”, concluindo que “Voltaremos ao TC se o governo quiser insistir na via inconstitucional. E bater-nos-emos pela defesa de cada cêntimo do salário dos trabalhadores do privado ou do setor público, porque todos trabalham para o país. Foi aí que o governo conspirou contra o país numa imensa mentira”.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Bloco considera que Tribunal Constitucional faz “parêntesis na Constituição”

O Tribunal Constitucional declarou inconstitucional o corte dos subsídios de férias e Natal a funcionários públicos e pensionistas, considerando que a medida “se traduzia numa violação do princípio da igualdade” e “restringiu os efeitos da declaração de inconstitucionalidade” ao ano de 2012. Bloco de Esquerda considera que o Tribunal Constitucional fez um “um parêntesis na Constituição”, ao determinar que a declaração de inconstitucionalidade não se aplica em 2012. Notícia atualizada às 22.50h de 5 de julho
Foto de Paulete Matos
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, afirmou à agência Lusa: "O Tribunal Constitucional declara inconstitucionais os cortes, mas diz que isso não vale para 2012 porque há um superior interesse que é o interesse da ‘troika' do cumprimento da meta do défice. O Tribunal Constitucional coloca ele próprio a Constituição entre parêntesis".
Luís Fazenda considerou ainda que com esta decisão do Tribunal Constitucional está "atestada a menoridade democrática do Estado português", "não é constitucional, mas como a ‘troika' exigiu, é inconstitucional mas agora não se aplica".
Questionado sobre o acórdão abrir a porta ao alargamento da aplicação de cortes aos 13º e 14º meses à generalidade dos trabalhadores portugueses, incluindo os do setor privado, o líder parlamentar do Bloco afirmou que o partido está "decididamente contra todos os cortes", frisando "que sobre isso não haja dúvida", sublinhando que tal hipótese seria igualmente inconstitucional e salientando que "não constava da petição que assinámos essa possibilidade".
O Tribunal Constitucional aceita cortes salariais, mas considera que a medida de cortar os subsídios a pensionistas e funcionários públicos “se traduzia numa imposição de um sacrifício adicional que não tinha equivalente para a generalidade dos outros cidadãos que auferem rendimentos provenientes de outras fontes”. Por isso, declarou que a medida é inconstitucional.
Para o ano de 2012, o Tribunal decidiu que a sua declaração de inconstitucionalidade não tem efeitos, considerando que “a execução orçamental de 2012 já se encontra em curso avançado” e a declaração de inconstitucionalidade podia “colocar em risco o cumprimento da meta do défice público imposta nos memorandos” da troika.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já disse que para 2013 o Governo vai respeitar a decisão do Tribunal Constitucional e alargar os cortes a todos os portugueses.
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, diz que a decisão do TC "confirma que o Governo estava claramente a violar a Constituição Portuguesa" e exige que os trabalhadores e pensionistas que sofreram os cortes de subsídios de férias e Natal sejam ressarcidos. "Neste momento, os trabalhadores da função pública e da administração central do Estado têm de ser ressarcidos daquilo que ilegalmente lhes foi retirado e que pôs em causa um compromisso que estava estabelecido entre trabalhadores e o próprio Estado. O governo tem de assumir as suas responsabilidades, tem de haver consequências políticas", frisou Arménio Carlos.
É o seguinte o comunicado do Tribunal Constitucional na íntegra:
“Comunicado de 5 de julho de 2012
Acórdão n.º 353/12
Processo n.º 40/12
Relator: Conselheiro João Cura Mariano

Na sessão plenária de 5 de Julho, o Tribunal Constitucional aprovou o Acórdão nº 353/12 que julgou o pedido de declaração de inconstitucionalidade das normas constantes dos artigos 21.º e 25.º da Lei n.º 64-B/2011, de 30 de Dezembro (Lei do Orçamento de Estado para 2012).
Pelas referidas normas foi suspenso o pagamento dos subsídios de férias e de Natal, ou de quaisquer prestações correspondentes aos 13.º e, ou, 14.º meses, quer para pessoas que auferem remunerações salariais de entidades públicas, quer para pessoas que auferem pensões de reforma ou aposentação através do sistema público de segurança social, durante os anos de 2012, 2013 e 2014.
O Tribunal verificou que esta medida se traduzia numa imposição de um sacrifício adicional que não tinha equivalente para a generalidade dos outros cidadãos que auferem rendimentos provenientes de outras fontes, tendo concluído que a diferença de tratamento era de tal modo acentuada e significativa que as razões de eficácia na prossecução do objectivo de redução do défice público que fundamentavam tal opção não tinham uma valia suficiente para a justificar.
Por isso entendeu que esse diferente tratamento a quem aufere remunerações e pensões por verbas públicas ultrapassava os limites da proibição do excesso em termos de igualdade proporcional.
Apesar da Constituição não poder ficar alheia à realidade económica e financeira, sobretudo em situações de graves dificuldades, ela possui uma específica autonomia normativa que impede que os objectivos económico-financeiros prevaleçam, sem qualquer limites, sobre parâmetros como o da igualdade, que a Constituição defende e deve fazer cumprir.
Por estas razões, o Tribunal concluiu que a dimensão da desigualdade de tratamento que resultava das normas sob fiscalização, ao revelar-se manifestamente desproporcionada perante as razões que a fundamentavam, se traduzia numa violação do princípio da igualdade, consagrado no artigo 13.º, da Constituição, pelo que declarou inconstitucionais as normas constantes dos artigos 21.º e 25.º, da Lei n.º 64-B/2011, de 30 de Dezembro (Lei do Orçamento de Estado para 2012).
Atendendo a que a execução orçamental de 2012 já se encontra em curso avançado, o Tribunal reconheceu que as consequências desta declaração de inconstitucionalidade, poderiam colocar em risco o cumprimento da meta do défice público imposta nos memorandos que condicionam a concretização dos empréstimos faseados acordados com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, pelo que restringiu os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, nos termos permitidos pelo artigo 282.º, n.º 4, da Constituição, não os aplicando à suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal, ou quaisquer prestações correspondentes aos 13.º e, ou, 14.º meses, relativos ao ano de 2012.
A decisão foi tomada por maioria. Votaram a declaração de inconstitucionalidade o Conselheiro relator, João Cura Mariano, e os Conselheiros Ana Guerra Martins, Catarina Sarmento e Castro, Joaquim Sousa Ribeiro, Carlos Pamplona de Oliveira, José Cunha Barbosa, Maria João Antunes, Carlos Fernandes Cadilha e o Conselheiro Vice-Presidente, Gil Galvão; votaram vencidos os Conselheiros Vitor Gomes, Maria Lúcia Amaral e o Conselheiro Presidente, Rui Manuel Moura Ramos. Votaram a restrição de efeitos desta declaração o Conselheiro relator, João Cura Mariano, e os Conselheiros Ana Guerra Martins, Joaquim Sousa Ribeiro, Vitor Gomes, Maria Lúcia Amaral, Maria João Antunes, Carlos Fernandes Cadilha, o Conselheiro Vice-Presidente Gil Galvão e o Conselheiro Presidente Rui Manuel Moura Ramos; ficaram vencidos quanto a este ponto os Conselheiros Catarina Sarmento e Castro, Carlos Pamplona de Oliveira e José Cunha Barbosa."

Louçã fala em "trafulhice administrativa" do Ministério da Saúde

A manipulação das listas de utentes sem médico de família foi o alvo das críticas do coordenador bloquista no fim da reunião com a diretora dos Agrupamentos dos Centros de Saúde de Cascais. Louçã diz que os profissionais de saúde têm todas as razões para fazer greve na próxima semana.
O Governo joga com os números para dizer que toda a gente tem médico de família.
O Governo joga com os números para dizer que toda a gente tem médico de família. Foto Paulete Matos
Na reunião desta quinta-feira, em que participaram Francisco Louçã e João Semedo, foram abordados alguns dos temas quentes da política de saúde do Governo e a forma como estão a dificultar o acesso da população aos cuidados médicos. A propósito das listas de médicos de família, Francisco Louçã confirmou que só no concelho de Cascais há 50 mil pessoas que não tinham médico de família e passaram a ter, mas outras 50 mil que tinham médico de família foram retiradas dessa lista.
"Podem declarar que toda a gente que não tinha médico de família passou a ter. Isto é uma brincadeira com as pessoas. Nós precisamos de um serviço de saúde que atenda as pessoas, que olhe para as dificuldades, que as acarinhe, que lhes dê conselhos, que as apoie quando elas precisam e o que o ministro está a fazer é uma gigantesca fraude administrativa, jogando com as pessoas como se fossem números", afirmou Louçã.
Uma situação idêntica está a ocorrer em Oeiras e na Amadora e Louçã classifica-a de "trafulhice administrativa". "Jogar com as pessoas nas folhas de papel não muda nada na saúde delas. Um Ministério que está disponível para resolver os problemas nas folhas de papel é um Ministério que não se preocupa com a saúde das pessoas. É importante alertar para esta manipulação e mostrar que o Governo tem procedido mal", acrescentou o deputado do Bloco.
Outro dos temas abordados foram as contratações de enfermeiros, nutricionistas e fisoterapeutas por menos de quatro euros por cada hora de trabalho. Para Louçã, "não há rei, nem roque, não há regras, não há respeito nenhum, não há nenhuma prioridade, não há estratégia, não há forma de ver o Serviço Nacional de Saúde e é por isso que a greve dos profissionais da próxima semana é tão importante".
A seguir à reunião, a comitiva bloquista prosseguiu a agenda do dia dedicada à Saúde, visitando ainda o Centro de Saúde do Estoril.
 

Bloco denuncia assalto ao salário dos professores contratados

O Ministério da Educação cortou sem avisar até 625 euros nos salários de junho a professores contratados em todo o país. As primeiras queixas vieram do Alentejo e o Bloco de Esquerda já pediu explicações a Nuno Crato. Fonte do Ministério disse à imprensa que vai corrigir a situação.
Protesto de professores contratados e desempregados.
Protesto de professores contratados e desempregados. Foto Paulete Matos
A situação é inédita e um dos docentes prejudicados, a lecionar em Elvas, pediu explicações à escola que o contratou sobre o corte na folha de salário do mês passado. Estes professores foram contratados e assinaram aditamentos que lhes aumentaram a carga horária, ficando nalguns casos com horário completo. Mas com o fim do período de aulas,  o Ministério da Educação cortou unilateralmente as horas que constavam dos aditamentos, anulando o pagamento acordado com os professores.
Para a deputada bloquista Ana Drago, estamos "perante uma ilegalidade e um desrespeito total pelo trabalho destes professores". O pedido de explicações entregue na Assembleia da República diz que "mesmo que a diminuição de vencimento verificada no recibo do mês de junho se deva a uma alteração da duração do horário de trabalho do professor contratado, esta alteração só pode acontecer com conhecimento e assentimento prévio do trabalhador".
A resposta da escola cita um esclarecimento da Direção Regional de Educação do Alentejo, dizendo o seguinte: "Tratando-se de horas letivas aquelas que deram origem aos aditamentos ao contrato do docente, os aditamentos manter-se-ão enquanto a necessidade dessas horas se mantiver." Ou seja, com o fim das aulas, o Ministério corta salários sem avisar nem acordar com os professores a diminuição da sua carga horária.
Os professores contratados são as próximas vítimas das medidas de austeridade do governo da troika, apesar de já terem visto a sua taxa de desemprego aumentar 120% no último ano. No próximo mês de setembro, dezenas de milhar de professores não deverão voltar a encontrar colocação nas escolas, que serão menos e com turmas ainda mais cheias.
Em reação à notícia, uma fonte do Ministério da Educação disse ao Jornal de Notícias que a situação se verificou em apenas um agrupamento escolar e que "irá ser devidamente corrigida".

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mulheres idosas vivem pior em Portugal

As mulheres com mais de 65 anos vivem mais sozinhas, em casas mais degradadas e estão mais pobres. É o retrato do estudo “Género e Envelhecimento”, que cruzou dados dos censos, da Segurança Social e do Eurostat e que concluiu também que elas recebem, em média, menos 200 euros de reforma mensal que os homens da mesma idade.
Foto de Paulete Matos.
O estudo foi feito por dois investigadores do Centro de Estudos para a Intervenção Social (CESIS) e esta quarta-feira apresentado durante um seminário promovido pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.  Um deles é Pedro Perista, que afirmou à Lusa que “as mulheres têm uma esperança de vida maior, mas isso não quer dizer que esse tempo seja vivido de forma saudável”.
As dificuldades por que passam hoje as idosas portuguesas ficam à vista no momento de receber a reforma. Em média, o valor das pensões de velhice ronda os 297 euros, enquanto os homens com mais de 65 anos recebem em média 500 euros. A discriminação repete-se no valor das pensões de invalidez: a média é de 281 euros para as mulheres e 358 euros para os homens.
"É preciso distinguir as carreiras contributivas e o trabalho, porque existem muitos casos de mulheres que trabalharam mas não descontaram. Isto tem depois um impacto nas taxas de pobreza”, acrescentou o investigador do CESIS.
É isso que ajuda a explicar que as mulheres acima dos 80 anos sejam mais de três quartos das beneficiárias da pensão social de velhice, para quem não fez descontos suficientes para obter a reforma. Quanto ao Complemento Solidário para Idosos, que apoia quem tem reformas muito baixas, as mulheres representam dois terços do total.
Também as condições da habitação da mulher idosa em Portugal se estão a degradar. Ainda são quase 5% a viver numa casa sem casa de banho, duche ou autoclismo e 27,4% das mulheres com mais de 65 anos convivem em permanência com as infiltrações nos tetos, humidade nas paredes e janelas apodrecidas. Na mesma situação encontram-se 21,9% dos homens do mesmo grupo etário.
 

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.