segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Os banqueiros são os ditadores do Ocidente

Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichés por palmo quadrado em todo o mundo - o Médio Oriente -, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.
Mas... que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Médio Oriente algum dia superará a a canalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos 'especialistas' de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.
Comecemos pela "Primavera Árabe" - expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está a sacudir o Médio Oriente - e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do ocidente que "colheram uma folha" do livro da "Primavera Árabe"; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram "inspirados" pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e - só em parte - na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.
A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais "democráticos", desesperados em separar as coisas, dedicados a sugerir que o ocidente estaria apenas a colher num último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.
O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Médio Oriente, foi uma luta por dignidade, a recusa a aceitar os ditadores & famílias e claques de ditadores que, de facto, viviam como se fossem donos dos seus respetivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que os seus países pertencem a eles, ao povo.
E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business - causa perfeitamente justificada - e contra "governos".
O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de 'derivados' e às agências 'de risco' - todos esses apoiados na fraude que são os 'especialistas' saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma 'crise de globalização', e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram - e disso continuam convencidos - que seriam proprietários dos seus países.
As eleições no ocidente, que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante o acordo de governos eleitos - tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para 'eleger' os proprietários deles mesmos, da sua riqueza, do seu futuro.
Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo 'bónus' e 'prémios' aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.
Não precisei - embora tenha ajudado - de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos... e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes 'do risco' (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje - graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados - matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de 'rebaixar' os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.
Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje, que Rommel em 1940?
Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e - ah, santo deus, também a al-Jazeera - tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam - Inside Job já abriu o caminho! - desses escandalosos corretores duplos?
Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Médio Oriente, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobbyistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no "processo de paz" norte-americano para o conflito Israel-Palestinos, porque os 'mocinhos' são os "moderados" e todos os demais são os 'bandidos' "terroristas".
Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser "anarquistas", os "terroristas" sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós no Ocidente – os nossos governos eleitos - criamos os nossos ditadores. Mas, diferentes dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores, intocáveis.
O chefe de governo da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo esta semana que o seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?
Artigo publicado no jornal britânico The Independent, traduzido pelo coletivo da Vila Vudu e disponível em redecastorphoto.blogspot.com

Quem trabalha mais na Europa

Os dados publicados sexta feira pelo Eurostat indicam que os gregos são quem trabalha mais horas na UE e os portugueses estão em quarto lugar. Prova-se assim a xenofobia dos ataques de Angela Merkel aos povos do Sul da Europa e que o Governo de Passos Coelho quer fazer de Portugal um país de trabalho escravo. O artigo é de Marco Antonio Moreno.
Cada vez que se fala de trabalho e produtividade existe o estereotipo da eficiência alemã e da indolência grega. Diz-se que os gregos são uns preguiçosos e que os alemães são os campeões da produtividade na Europa. No entanto, estes dados publicados pelo Eurostat, para as horas trabalhadas nos 27 países da União Europeia dizem outra coisa: os alemães não são os mais produtivos da Europa e os gregos não têm nada de preguiçosos. De facto são os que mais trabalham como mostra o primeiro gráfico.
Esta semana demos conta da falácia do chamado esbanjamento dos países da periferia, ao contrastar os dados para a dívida pública da zona euro e a sua variação entre 2000 e 2010. Durante muito tempo deitou-se a culpa da atual crise a este esbanjamento e conclui-se que os mais “esbanjadores”, e que aumentaram significativamente a sua dívida pública, foram a França e a Alemanha. Agora, com os dados na mão, podemos ver quem são os que trabalham mais horas por semana e os que são mais produtivos.
Quando vemos os números reais, os gregos são os maiores trabalhadores europeus juntamente com os austríacos: 43,7 horas por semana face a 42 horas dos alemães. Em Espanha trabalha-se 41,6 horas por semana, enquanto em França 41,1 horas. Os italianos estão mais abaixo com 40,5 horas. Os mais preguiçosos são os dinamarqueses, que trabalham 39,1 horas...
Pelo lado da produtividade (segundo gráfico) a da Alemanha é apenas 23,7% maior que a média da União Europeia. Neste indicador ganha de longe o Luxemburgo, com uma produtividade 89% maior que a média europeia. Seguem-se-lhe bastante longe a Holanda, com 36,5% acima da média europeia, a Bélgica com 34,7%, a França com 32,7% e a Irlanda com 25,6%. Espanha também está acima da média europeia com uma produtividade superior em 7,9%. Pode ver aqui ográfico interativo.
Estes dados foram publicados nesta sexta feira, 9 de dezembro de 2011, durante a reunião dos líderes europeus. Os números mostram-nos que muito preconceito quando se trata os gregos de preguiçosos, ou quando se diz que os alemães são os mais trabalhadores da Europa. Se alguma vez isso foi assim, hoje a coisa mudou. Com o dilacerante desemprego juvenil que na Grécia chega a 43,5% é expectável que qualquer grego com trabalho se sinta muito afortunado e que se agarre a esse trabalho com força. Isto também nos fornece dados sobre a deterioração em que vive parte importante da população europeia.
Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em El Blog Salmon e traduzido por Carlos Santos para esquerda.net

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ruptura/FER abandona Bloco e constitui um novo partido

Comissão Política do Bloco de Esquerda emite uma nota endereçada a todos os seus membros onde comunica os factos relacionados com a decisão “irresponsável e sectária” do Ruptura/FER de abandonar o Bloco e constituir um novo partido.
Gil Garcia. Foto de Paulete Matos.
Gil Garcia. Foto de Paulete Matos.
Leia, na íntegra, a nota da Comissão Política do Bloco de Esquerda dirigida a todos os seus membros:
“NOTA DA COMISSÃO POLÍTICA DO BLOCO DE ESQUERDA
Sobre a decisão da Ruptura/FER de abandonar o Bloco e constituir um novo partido
1. A Mesa Nacional aprovou a 3 de Dezembro a seguinte resolução, com 2 votos contra e todos os restantes a favor:
“A Mesa Nacional regista a decisão da Ruptura/FER de criar um novo partido político. Essa decisão foi comunicada publicamente, primeiro ao Jornal de Notícias, depois em jornais distribuídos nas manifestações de 15 de Outubro e de 24 de Novembro.
Essa decisão é irresponsável e um passo culminante de uma trajectória de sectarismo.
A Mesa Nacional mandata a Comissão Política para informar todos os membros do Bloco de Esquerda acerca destes factos.”
Cumprindo esta resolução, a Comissão Política comunica a todos os membros do Bloco de Esquerda os seguintes factos.
2. Em Março deste ano, antes das eleições legislativas, Gil Garcia comunicou que o Ruptura/FER estava empenhado na criação de um novo partido político, num discurso que foi colocado no youtube (aos 6´30) pelos seus autores. Desde então, os membros do grupo abandonaram as suas actividades no Bloco.
Em Setembro, Garcia declarou ao Jornal de Notícias que o novo partido seria formado no início de 2012. Nas manifestações de 15 de Outubro e 24 de Novembro, a FER distribuiu jornais anunciando a sua decisão de formar esse novo partido.
O jornal “Sol” de 9 de Dezembro, citando Garcia, anuncia que “o pontapé de saída será dado a 10 de Março com um congresso da Ruptura aberto”, que formará o novo partido.
3. O Ruptura/FER integrou-se no Bloco depois da sua fundação e, ao longo desta década, escolheu uma orientação entrista, que consistiu durante anos na ocultação das suas divergências, tendo aprovado as resoluções das Convenções que agora diaboliza. Nos anos mais recentes, passou a afirmar divergências de fundo sob qualquer pretexto. Os membros do Bloco lembram-se de intervenções tão extravagantes como o apelo à constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão, ou apelo ao voto em branco nas eleições presidenciais. Durante estes anos, o sectarismo absoluto tornou-se a forma de actuação do grupo. Isso ficou à vista de muitos dos seus militantes iniciais, que se afastaram do grupo e escolheram o Bloco como seu partido.
A constituição de um novo partido é a escolha do sectarismo. Enquanto o Bloco se fez para criar uma esquerda socialista com influência de massas, com convergência e força, o novo partido da FER é apenas mais um grupo, entre outros, e com a mesma linha do MRPP.
O Bloco de Esquerda não desiste nem da esquerda para a luta pelo socialismo contra o capitalismo, nem de um amplo movimento plural e representativo dos trabalhadores e jovens.
A Comissão Política do Bloco de Esquerda”

"Refundação da Europa" feita por diktat

As conclusões da cimeira europeia representam sobretudo a ameaça de um novo reforço da austeridade e institucionalizam o diktat franco-alemão. Por José Goulão, em Bruxelas
A cimeira adotou na íntegra a carta de Merkel e Sarkozy - Angela Merkel à chegada à cimeira europeia de dezembro de 2011
A cimeira adotou na íntegra a carta de Merkel e Sarkozy - Angela Merkel à chegada à cimeira europeia de dezembro de 2011
Os resultados da cimeira europeia concluída na madrugada de sexta-feira, sob pressão para que as conclusões fossem anunciadas antes da abertura das bolsas, representam acima de tudo a ameaça de um novo reforço da austeridade contra os cidadãos europeus e institucionalizam o diktat franco-alemão sobre as instituições europeias através da adoção na íntegra da carta elaborada durante a semana pela chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicholas Sarkozy. A carta será transformada em tratado durante os próximos meses envolvendo os 17 países da Zona Euro e os que se queiram associar. O Reino Unido rejeitou essa opção, que os promotores pretendem impor aos Estados signatários sem que seja sujeita a referendo pelos seus povos. (leia A reunião decisiva)
As conclusões da cimeira foram escritas por antecipação na carta de Merkel e Sarkozy e assentam na criação de uma “União para a Estabilidade e o Crescimento” transformada em “tratado refundador” da UE e que prevê a “governança económica” da Eurozona através de mecanismo orçamentais unificadores e obrigatórios – os que têm servido de base à política de austeridade imposta a pretexto do combate à crise. As medidas são acompanhadas por sanções aos Estados incumpridores a aplicar através de um mecanismo que envolve a Comissão Europeia e o Tribunal Europeu de Justiça.
A “União para a Estabilidade e o Crescimento” é apresentada como o pilar que tem faltado no âmbito da União Económica e Monetária para acompanhar e salvaguardar o euro. As medidas impostas retomam o limite máximo de défice de 3% inscrito no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) agravadas pelo objetivo de introduzir na legislação ou Constituições dos Estados signatários o limite máximo de défice de 0,5% - valor que surgiu, segundo informações obtidas nos bastidores, para contornar as críticas segundo as quais a tese do défice zero é irreal.
A União para a Estabilidade e Crescimento é obrigatória para os países da Zona Euro e estará aberta à adesão dos países que o desejem e se comprometam com a política de austeridade e as outras medidas estabelecidas pelo diretório franco-alemão.
O Reino Unido, através do primeiro ministro, David Cameron, é o único Estado membro da União que desde já rejeita a adesão ao novo tratado, não por discordar da política de austeridade mas por recusar a formulação, não quantificada por Merkel e Sarkozy, de prever mecanismos de regulação financeira.
“Preferíamos uma reforma dos tratados a 27, mas isso não é possível devido à posição dos nossos amigos britânicos; haverá portanto um tratado intergovernamental a 17 aberto aos que queiram juntar-se”, declarou o presidente francês durante a sua conferência de imprensa realizada na madrugada de sexta-feira.
Contrariando as opiniões dominantes segundo as quais Londres se auto-excluiu da União Europeia, de que por exemplo se fez eco o primeiro ministro italiano Mario Monti, David Cameron comentou que “é certo que existe uma mudança nas nossas relações com a Europa, mas o cerne da nossa relação – o mercado único, o comércio, o investimento, o crescimento e o emprego – continua o mesmo”.
Considerado um reforço recente da ortodoxia neoliberal nos meandros da União, colocando-se ao lado de Merkel e Sarkozy nesse domínio, Mario Monti fez uma declaração significativa sobre a polémica entre Bruxelas e Londres. “Pessoalmente desagrada-me”, disse, ”porque é do interesse da Itália haver países capazes de contrabalançar a influência de membros como a França; mas as condições colocadas por Cameron eram inaceitáveis até para mim”.
Nos bastidores da cimeira, em contactos informais, houve questões que Merkel, Sarkozy e os seus seguidores não conseguiram explicar, num momento em que a Europa caminha para a recessão, quando foram colocados perante a contradição entre os objetivos de estabilidade e crescimento e os efeitos contrários provocados pela política de austeridade que vai ser institucionalizada em tratado, um processo que o candidato presidencial francês Jean-Luc Mélanchon qualifica como a aplicação de um “regime austeritário”.
Outra das decisões chave para o novo tratado é a futura criação de um Mecanismo Europeu Intergovernamental Permanente para a Estabilidade” (MES), um novo fundo financeiro supostamente para apoio aos Estados mais afetados pelo combate à dívida soberana e que, ao contrário do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), não será temporário.
O MES será dotado com 500 mil milhões de euros, uma verba que poderá ser revista durante o próximo ano, e a sua criação levanta desde já as mesmas dúvidas de eficácia reveladas pelo FEEF, dotado com 440 mil milhões de euros, atualmente reduzidos a 250 mil milhões, e que a cimeira anterior decidiu, com grande eco propagandístico, ampliar para um bilião de euros. Essa medida foi, até ao momento, um fiasco absoluto. Desta feita os Estados membros vão decidir no prazo de 10 dias se farão um empréstimo de 200 mil milhões ao FMI para que o FMI garanta a cobertura do fundo. Nos bastidores correu a especulação de que se o FEEF é considerado insuficiente para fazer frente a problemas reais, por exemplo a possibilidade de explosão de uma grande economia da União como a italiana, também o volume do MES não resolverá o problema. Há poucos dias o FEEF foi colocado “sob vigilância” pelas agências de notação norte-americanas.
A gestão do MES foi atribuída ao Banco Central Europeu – que mantém em absoluto o estatuto baseado na imagem do antigo Bundesbank, ignorando a Alemanha todas as críticas e propostas que foram apresentadas – decisão considerada encorajadora; porém, trata-se de um compromisso apenas tolerado por Berlim para rejeitar a sugestão de Van Rompuy e Barroso sobre o eventual papel do MES como instituição de crédito a países em dificuldades. Este fundo deverá entrar em funcionamento em Julho de 2012.
Um exemplo de como a imposição do diktat franco-alemão foi praticamente total é o facto de a cimeira ter adotado o processo de tomada de decisões no MES por maioria super-qualificada de 85% e não por unanimidade. O mais longe que alguns países foram nas reservas, designadamente a Finlândia, é a obrigatoriedade de consulta ao Parlamento antes de tomar uma decisão.
Em termos de institucionalização da política de austeridade, a cimeira decidiu que os países da Zona Euro – e os aderentes voluntários – sejam automaticamente sancionados se ultrapassarem o défice público de 3% do PIB; por sua vez, o limite de 0,5% será inscrito nas legislações nacionais, ou nas Constituições, sob supervisão do Tribunal Europeu de Justiça – o que representa, a par da institucionalização da uniformização orçamental e da governança económica será outro meio de ataque à soberania dos Estados membros.
“Isso vai ser a base de um pacto orçamental e de mais disciplina em matéria de política económica entre os membros da Zona Euro”, comentou Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu.
Fontes do BCE citadas pelo Monde afirmaram que os resultados da cimeira estão de acordo com o Conselho de Governadores da instituição, que a partir de agora considera desnecessário tomar quaisquer novas medidas de apoio aos países mais afetados pelo problema da dívida. Isto significa o abandono gradual da compra pelo BCE de obrigações de países membros, já atualmente limitada a 20 mil milhões de euros por semana.
Apesar de o assunto da mutualização da dívida a 17 através dos eurobonds ter estado em cima da mesa e ter vindo a ser verbalmente defendido pelo presidente da Comissão, não é objeto de qualquer alusão nas conclusões da cimeira e nas declarações dos dirigentes.
Durão Barroso, nas suas declarações finais, mostrou-se mais disponível para dinamizar o processo de “agilização” do novo tratado – isto é, subtraí-lo à opinião e parecer dos cidadãos europeus – que Paris e Berlim querem pronto em Março.
Em princípio, deverá realizar-se uma reunião de ministros das Finanças da Zona Euro, aberta aos “voluntários”, já na próxima semana em Bruxelas. Uma cimeira com o mesmo formato poderá realizar-se em Janeiro.
A base de trabalho que vai ser seguida a partir de agora para a elaboração do tratado será a carta do diretório franco-alemão, conforme reconhece a generalidade da imprensa europeia.
Essa carta inclui um compromisso perante os mercados de que situações como a da dívida grega não voltarão a acontecer.
As bolsas europeias, e também Wall Street, reagiram com subidas às decisões a cimeira, o que tem vindo a ser regra no dia a seguir às 16 reuniões do género já realizadas desde o início da crise. Também é regra que na semana seguinte regressem a desconfiança e as descidas nas principais praças financeiras mundiais.
A reação norte-americana aos resultados da cimeira não foi muito efusiva, facto a que não é estranho o facto de o Reino Unido deles se ter distanciado.
José Goulão, em Bruxelas

Maquinistas da CP fazem greve no Natal e Ano Novo

Maquinistas da CP farão greve nos próximos dias 23, 24 e 25 de dezembro, 1 de janeiro e também nas horas extraordinárias até ao final do próximo mês. Administração da empresa ameaça não pagar salários.
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.
O presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) esclareceu que os trabalhadores tomaram esta decisão porque, “ao arrepio do acordo assinado, em que sanava todo o conflito e criava as condições para a paz social na empresa”, a administração da empresa “desencadeou de forma absurda, sem justificação e de forma ilegal, procedimentos disciplinares”.
António Medeiros classificou esta tomada de posição como uma “ofensa e um confronto declarado aos maquinistas e ao sindicato nunca antes vistos”, sendo que os maquinistas estão a ser “perseguidos e alvo de processos disciplinares inventados e forjados”.
Dois destes processos disciplinares dizem respeito, segundo o pré-aviso divulgado pelo SMAQ, à greve geral de 24 de novembro de 2010, cujas sanções ultrapassarão os 620 dias de suspensão.
A greve é ainda convocada em sinal de “repúdio das políticas de desmantelamento do Caminho de Ferro e anulação dos postos de trabalho” e das "condições de prestação de trabalho e repouso/alojamento dos maquinistas", entre outros.
Administração ameaça trabalhadores
Segundo noticia o Diário de Notícias, a administração da CP terá advertido a Comissão de Trabalhadores de que o pagamento de despesas correntes, como os salários, estará em risco caso as acções de protesto continuem.  
 

Milhares de trabalhadores em greve na empresa sócia da Jerónimo Martins

No reino Unido, os trabalhadores da Unilever, empresa que tem, desde 1949, uma parceria com o grupo Jerónimo Martins, estão em greve esta sexta-feira em protesto contra a intenção da administração de extinguir o fundo de pensões da empresa.
Foto de Seamusiv, Flickr.
Foto de Seamusiv, Flickr.
Segundo divulga o socialistworker online, mais de 2.000 trabalhadores de nove fábricas, dois centros de Pesquisa e Desenvolvimento e um escritório da multinacional Unilever, que teve um lucro de 2,41 mil milhões de euros no primeiro semestre deste ano, estão em greve esta sexta-feira para defender as suas pensões.  Os sindicatos Unite, GMB e Usdaw participam nesta greve.
Após ter proibido novas adesões ao esquema de pensões e de ter solicitado aos trabalhadores para aumentarem a sua contribuição de forma a salvarem o fundo, a empresa quer agora abolir por completo este sistema, o que implica que os trabalhadores que descontam há vários anos perderão milhares de libras.
Trabalhadores denunciam objectivos da empresa
Em declarações ao Socialist Worker, os trabalhadores da Unilever denunciam as intenções da administração da Unilever.
Paul Comerford, um técnico de produção da fábrica de Essex, afirmou que "parece que a Unilever teve desde sempre um plano para acabar com o direito dos trabalhadores às suas pensões”.
"Eles estão a entrar na onda também, vêem o que o governo está a fazer com as pensões do sector público e pensam: “'Nós também vamos ter um pouco disto”, avançou este trabalhador.
Já Mike Rooke, da fábrica de Purfleet, Essex, sublinhou que a “Unilever é uma das multinacionais mais ricas do mundo”, sendo que o CEO da empresa recebe todos os anos £ 350.000 todos os anos, além de um salário de 900 mil libras, quase outro tanto em bónus, e 1 milhão ações no ano passado".
Administração repreende trabalhadores
Como forma de castigar os grevistas, a administração da Unilever decidiu, segundo noticia o Guardian, desmarcar as comemorações natalícias da empresa e não distribuir este ano as habituais senhas de alimentos da empresa.
Por outro lado, os representantes da Unilever cancelaram também as marcações de férias para o próximo ano, argumentando que podem ser marcadas, entretanto, novas greves.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Perspetivas sombrias para o euro

Solução de Merkel e Sarkozy prevê governo económico com poderes acrescidos de intervenção nos países e sem ser eleito por ninguém. Mas as propostas fogem do essencial: não põem “dinheiro sobre a mesa”, única saída, segundo o Financial Times. Cameron ameaça não assinar novo tratado.
A “governança reforçada” seria dos países do euro, deixando num segundo plano os que não fazem parte da união monetária. Foto do European Parliament
A cimeira dos líderes da União Europeia que começa esta quinta feira com um “jantar informal” é apresentada como a última hipótese de salvar o euro. Isto mesmo já foi dito em cimeiras anteriores, que porém nada fizeram para resolver a crise das dívidas soberanas da Europa. O cenário que se apresenta desta vez é mais tenso. Por todo o lado começa a ser encarada como uma possibilidade real o colapso do euro, como admitem jornais europeus influentes como o Le Monde, o Financial Times ou o El País.
Governança reforçada” (e não eleita)
As propostas que o eixo franco-alemão para a cimeira, que ainda não são conhecidas em todo o detalhe, foram delineadas numa carta que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy endereçaram ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. No concreto, a carta esboça um novo desenho da União, onde haveria uma “governança reforçada” para assegurar “uma disciplina orçamental” e “uma maior competitividade”, através de “regras mais ambiciosas e severas para os Estados membros”. Os países que não cumprirem os objetivos do défice, através dos planos de austeridade impostos, sofrerão sanções quase automáticas, e os parlamentos nacionais terão de levar em conta as orientações da Comissão.
Na prática, o novo desenho da UE é o de um governo dos países mais ricos do euro sobre os outros, com base numa legislação que ninguém votou e aplicada por um governo com características federais e com poderes para decidir a vida de povos que nunca tiveram a possibilidade de o eleger.
Diagnóstico errado
O editorial desta quinta do Financial Times considera que as propostas de Merkel e Sarkozy são “um início pouco promissor” e critica o diagnóstico errado da crise que “divide a eurozona em nações que são virtuosas fiscalmente e as que são consideradas dissolutas 'pecadoras'.”
O jornal afirma que é preciso “reequilibrar” a zona euro, mas com uma abordagem mais imaginativa, não apenas uma perspetiva de “austeridade sem fim”. E defende que são necessários os contributos de todos os países da zona euro, e não apenas da Alemanha e da França.
Financial Times afirma que os governos europeus minaram de tal maneira a sua credibilidade, que a única forma de recuperar a confiança dos mercados é pôr muito “dinheiro sobre a mesa”, através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira que sustente os preços dos títulos de dívida. O problema é que o FEEF não parece ter condições de captar o dinheiro necessário. “Por isso”, defende o FT, “será preciso receber a assistência do BCE”. O jornal reconhece-se desconfortável diante da perspetiva de o BCE ficar muito exposto aos títulos de dívida soberana, mas “diante da natureza premente da situação, nada pode ser descartado”.
Ora esse é justamente o problema. Merkel tem rejeitado terminantemente qualquer alternativa de “pôr dinheiro em cima da mesa”, seja através da emissão de eurobonds, de dar ao FEEF o estatuto de instituição bancária para poder receber dinheiro do BCE, ou da intervenção direta do BCE para emprestar dinheiro aos Estados. Ora sem “dinheiro sobre a mesa”, o mais provável é que o resultado da cimeira não passe mais uma vez de frases ocas que não resolvem nada.
E o Reino Unido?
Para complicar mais a teia de contradições em torno da cimeira, o plano “Merkozy” parece só levar em conta a zona euro. A “governança reforçada” seria dos países do euro, deixando num segundo plano os que não fazem parte da união monetária. Acontece que um desses países é o Reino Unido.
"Quando estiver em Bruxelas, vou defender e promover os interesses do Reino Unido. O mais importante agora para nós é resolver o problema da zona euro que está a congelar a nossa economia", afirmou esta quarta o primeiro-ministro britânico David Cameron, em Londres.
E acrescentou: "claro que para isso os países da zona euro vão ter de trabalhar mais em conjunto e se escolherem usar o Tratado europeu para isso, é óbvio que vou insistir na defesa dos interesses do Reino Unido. Não assinarei um Tratado que não tenha essas seguranças, tal como outros aspetos importantes como o mercado único e os serviços financeiros".
Cameron está a ser pressionado por membros do seu próprio governo, como Owen Paterson, ministro para os assuntos da Irlanda do Norte, que defendeu a realização de um referendo se o tratado que dá base à União Europeia for alterado.

Liberais, se 40 anos vos parece pouco…

Acabar com a reforma após 40 anos de trabalho é criminoso. É preciso impedi-lo a todo o custo.
Para lá dos detalhes e dos balanços entre as suas componentes, está claro que a manovra finanziaria [documento previsional integrante do Orçamento de Estado italiano], com os mais recentes cortes no estado social, nas pensões, nos serviços públicos, nos direitos fundamentais do trabalho tal como foram concebidos ao longo dos últimos 40 anos, se enquadra num pensamento único liberal que, apesar do falhanço demonstrado pela crise, continua a ser a referência económica à escala internacional. À escala nacional, constitui a marca política do governo Monti e dos seus bem-educados ministros.
Há uma imagem que sintetiza bem a situação: nos jornais, na tv, ou na opinião dos especialistas, geralmente professores universitários, banqueiros e economistas, o fardo de Itália não se chama evasão fiscal. Nem corrupção ou incapacidade das suas classes dirigentes, redistribuição errada da riqueza, desperdício ou prevaricação. Não, o fardo, aquele que está na origem da crise que se aproxima e do desastre que nos bate à porta, tem o nome e o rosto daqueles trabalhadores que passaram 40 ou mais anos a trabalhar honestamente, a pagar impostos, respeitar as regras, desejando um futuro diferente para os seus filhos. No vozear que se vem ouvindo, eles devem ser responsabilizados, são a podridão que é preciso erradicar.
A Segurança Social revelou recentemente que, em 2010, o número de pessoas que se reformou após 40 anos de descontos, foi de 116.013, enquanto que 174.426 pessoas se reformaram depois de alcançarem o limite de idade definido por lei. Bem! Encontrámos os responsáveis pela crise, 116 mil pessoas que irão desfrutar a vida à nossa conta, sugando os recursos de todos aqueles que não declaram um Euro, têm o SUV em nome da empresa e o barco em qualquer paraíso fiscal. Podemos estar tranquilos.
Acabar com a reforma após 40 anos de trabalho é criminoso. É preciso impedi-lo a todo o custo. E para defender tal direito, é preciso ir para as barricadas! Para lá da opinião sobre as pensões e reformas e a sua correspondência com a fase atual do mercado de trabalho – aos professores e banqueiros deveria dizer-se “se 40 anos vos parece pouco, experimentem trabalhar vocês! – o que é inaceitável é a inversão da ordem do discurso. Seria compreensível que nestes dias se tivesse falado de como recuperar pelo menos um décimo dos recursos retirados ao Estado pela a evasão fiscal, atacar a corrupção, reformar a administração pública cortando no desperdício. Invés disso, por detrás de sorrisos sóbrios e posturas condizentes, por detrás da elegância dos gestos, que parecem dissolver num instante e por magia a vulgaridade pedo-pornográfica do Berlusconismo, por detrás de um sorriso afável esconde-se a lógica mais velha do mundo.
E pior. Esconde-se a política mais falhada do mundo. O Capitalismo mundial debate-se com uma crise de fundo desde a metade dos anos 70. No início dos anos 80 aplicou receitas neoliberais procurando uma saída para a crise dos lucros e da acumulação. Levantou-se por períodos breves e à custa de sanguinários efeitos sociais: os planos de ajustamento estrutural do FMI nos países do sul, o assalto ao estado social na Europa, os planos de liberalização dos anos 90 e finalmente a financiarização descontrolada da economia. Os efeitos desta política estão à vista de todos, mas hoje, de forma negligente, é-nos proposto o mesmo remédio que nos vem destruindo o organismo. A bolha da dívida está para rebentar com um prejuízo de centenas de milhares de milhões e a Itália acredita piamente que vai resolver o problema com alguns milhões rapados aos pensionistas e reformados? É difícil de acreditar na viabilidade destas medidas.
Mas o liberalismo é assim. Não admite estar enganado e mantém a direção mesmo quando é claro que a rota levará o navio contra os rochedos. Talvez porque quem vai ao leme está seguro de que as vítimas do embate serão exatamente aqueles que trabalharam 40 anos. No momento do impacto estarão demasiado cansados para se conseguirem salvar.
Artigo publicado em Il Fatto Quotidiano, 2 de Dezembro de 2011
Tradução de André Beja

Nota do tradutor:
Dois dias depois da publicação deste texto, o Governo de Mario Monti apresentou um pacote de austeridade que ataca fundo nos direitos de quem trabalha, gerando uma reação irada das principais centrais sindicais italianas, que já convocaram atos de protesto e luta, a começar já em Dezembro.

Onde fica o interior?

O governo mostrou o mais completo desdém pelo espírito de coesão e solidariedade nacional e decidiu atirar o interior do país para o abismo.
A receita indicou o encerramento das linhas de caminho-de-ferro, à revelia dos protestos da vizinha Espanha; portagens na A23, quando temos acessibilidades rodoviárias grotescas; populações idosas mais isoladas, sem assistência; o fecho de serviços públicos e as Juntas de Freguesias também na mira do encerramento. Este cardápio de crueldades contra o Alto Alentejo, à imagem do restante interior parecia ser a fórmula para abater o interior onde a pobreza ataca em silêncio. Contudo, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas mostrou o mais completo desdém pelo espírito de coesão e solidariedade nacional e decidiu atirar o interior do país para o abismo, com a passividade de António José Seguro que demonstrou não fazer oposição.
Com o orçamento de Estado para 2012, o Governo eliminou todas as taxas reduzidas e incentivos aplicados às empresas do interior. É mais uma medida desacertada, onde até o parecer do Concelho Económico e Social, sustentou que tal medida não traduz qualquer ajuda à crise económica. Já são evidentes as dificuldades das empresas que sentem mais de perto a concorrência com a vizinha Espanha, onde os custos de energia e combustíveis são mais baixos e as demais diferenças resultantes da taxa do IVA, assimétricas. Desta forma, todos sabemos, não se dinamiza a economia. Além de não se captarem investimentos, os poucos que temos podem vir a fechar ou a deslocalizar-se. Ao mesmo tempo que liquidam o interior, estão a condenar as empresas que já têm dificuldades por se situarem nesta região.
O preço da interioridade é uma realidade admitida por todos e é voz emproada nos discursos eleitorais ou visitas presidenciais, mas a realidade resume-se à demagogia permitindo o abandono irresponsável das populações.
A sustentabilidade, o equilíbrio do país e a vida das pessoas estão em causa e é fundamental que todos sem exceção lutem contra o interioricídio.
O Alto Alentejo é, cada vez mais, um imenso feudo esquecido, aglutinado por oportunistas. Se não lutarmos, daqui por uns anos ouviremos perguntar, onde fica o interior?

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.