quinta-feira, 7 de abril de 2011

Chantagem ou democracia

O anúncio ontem feito pelos quatro principais bancos portugueses, após reunião a meias com o governador do Banco de Portugal, é isso mesmo: um golpe de estado palaciano que pretende ditar, fora da democracia e contra ela, o destino do país no próximo futuro.
Chantagem ou Democracia – eis os dois caminhos que se abrem ao país no fim desta legislatura.
O anúncio ontem feito pelos quatro principais bancos portugueses, após reunião a meias com o governador do Banco de Portugal, é isso mesmo: um golpe de estado palaciano que pretende ditar, fora da democracia e contra ela, o destino do país no próximo futuro.
Com o à vontade de quem se sabia credor da vénia e da cumplicidade do poder político, os donos de Portugal querem impor o seu interesse pessoal, travestido de preocupação com o país.
Numa campanha promocional como não há memória, em horário nobre televisivo durante toda a semana, dizem que não há mais lugar a dúvidas e que o tratamento de choque de um FMI a todo o vapor passa definitivamente a ser lei. A mensagem dos banqueiros era a de que perderam a paciência, mas a verdade é a de que perderam a vergonha.
Um a um, os quatro responsáveis pelas instituições bancárias que mais ganharam com os negócios públicos onde o lucro lhes foi sempre garantido, a absurdas e imorais taxas de 12 a 14% ao ano, repetem, com ar comiserado, que estão fartos de arriscar o seu futuro por terem estado a amparar o interesse público. Os responsáveis pelos mesmos bancos que sempre escapam a todos os sacrifícios com a facilidade de quem nunca paga os impostos que deve, exigem agora uma intervenção externa à custa de ainda maiores sacrifícios para os suspeitos do costume.
A sua mensagem é simples: querem que nos afoguemos todos em nome do seu interesse. Daqui desta tribuna para que o povo nos elegeu dizemos-lhes com clareza: cumpram os vossos deveres e paguem o que nos devem a todos nós, em vez de virem chantagear a democracia, pretendendo condicionar a vontade popular.

A legislatura que hoje termina tem uma marca essencial: a adopção, passo a passo, da política da recessão como orientação para o país por parte do Partido Socialista e da direita parlamentar. PEC ante PEC, Portugal foi atirado para o abismo de uma contracção selectiva e profundamente desigual da economia, em que aos trabalhadores foi tirado salário, aos velhos foram tiradas pensões e apoios nos medicamentos, aos mais novos foi acrescentada precariedade no trabalho e falta de horizontes na vida ao mesmo tempo que aos bancos foi aliviada ainda mais a carga fiscal apesar dos 4 milhões de euros de lucro por dia, ao consórcio Mota-Engil/BES foi abençoado um deslize de mais 151 milhões de euros na construção de uma auto-estrada ou se manteve a impunidade para os movimentos especulativos no offshore da Madeira.
Tudo isto sempre a pretexto da acalmia dos mercados e da retoma do crescimento. A verdade é que, desde Janeiro de 2010, a Moody’s reduziu o rating da República 4 níveis, a Standard & Poors 5 níveis e a Fitch 6 sendo óbvio que, desde Janeiro de 2010, o défice não é seis vezes maior nem a nossa incapacidade de crescer piorou quatro vezes. Mas a esta chantagem especulativa o Governo e os seus apoiantes PS e PSD responderam com a cordialidade dos amigos: nem uma só iniciativa, aqui ou em Bruxelas, que pusesse essas nebulosas da governação económica informal em sentido – ao contrário, assentimento para com a chantagem contra a democracia, cedência aos chantagistas até à ironia suprema de serem eles a criticar as medidas de austeridade do Governo por levarem o país para a recessão e prejudicarem assim, naturalmente, a satisfação dos compromissos para com os credores. Assim são sempre os abutres: prenunciam a morte, forçam-na e dela se alimentam quando o alvo lhes cede.
José Sócrates e o Governo cederam sempre. Os quatro PECs são a expressão insofismável dessa cedência. Por isso, o discurso tonitruante de resistência à intervenção externa no país, que o Primeiro Ministro ensaia agora como guião da sua encenação eleitoral não resiste um só minuto à prova dos factos. Foi pela sua mão que, PEC após PEC, as políticas do FMI se tornaram nas políticas oficiais do Governo. E já se anuncia, pela voz de destacados dirigentes do PS, a cedência última do pedido de intervenção oficial do FMI, com o apoio prestimoso do PSD e dos quatro banqueiros que ontem ocuparam o pódio da chantagem contra a democracia.
José Sócrates e o Governo escolheram este caminho, ninguém lho impôs. O PS escolheu o caminho do arcaísmo. Escolheu aliar-se nos PEC a um PSD que propõe obrigar os desempregados a trabalho gratuito para receberem o subsídio de desemprego para que descontaram – arcaísmo. Escolheu aliar-se ao PSD na recusa de uma fiscalização séria do cumprimento da lei e na criminalização dos falsos recibos verdes, perpetuando a precariedade como modo de vida de toda uma geração – arcaísmo. Escolheu aliar-se ao PSD na humilhação dos beneficiários de prestações sociais como o RSI ou o abono de família, seguindo a orientação da direita mais radical – arcaísmo. Escolheu aliar-se às confederações patronais pondo os despedimentos em saldo e afectando parte do salário dos trabalhadores despedidos ao pagamento de parte do seu despedimento – arcaísmo. No essencial da governação, onde ela dói na vida dos mais frágeis, o PS optou pelo arcaísmo de uma ligação à direita. Disse que era inevitável. Mas isso foi um disfarce medíocre para a sua escolha.
Contra os golpismos que fazem todas as chantagens contra a economia, agora é a hora da democracia. Dar a palavra ao povo é a única forma de devolver à democracia o que sempre foi dela e só dela: a definição das políticas que nos hão-de governar, a clarificação dos caminhos de resposta responsável à irresponsabilidade da bancarrota e à humilhação nacional às mãos do FMI.
O Bloco de Esquerda estará neste tempo de resgate da democracia contra o golpismo ciente das grandes exigências que nos são feitas.
Responderemos com clarificação ao nevoeiro. Apresentaremos propostas concretas de alternativa à política da bancarrota e não nos deixaremos enlear nas novelas de passa culpas ou nas campanhas negativas que já começaram a entreter os mais incautos.
Responderemos com tenacidade à chantagem. Do Bloco de Esquerda ninguém espere que se renda aos diktats dos especuladores e dos banqueiros contra uma economia justa e decente. Onde outros cedem e dão força aos golpismos, nós faremos frente, em nome da democracia, pelo seu permanente reforço.
Responderemos com unidade ao sectarismo. Uma esquerda ganhadora contra o arcaísmo dos que se juntam à direita tem que ser uma esquerda tão firme na defesa da justiça na economia, dos serviços públicos e dos direitos sociais como ciente de que essa defesa não tem modos únicos. O Bloco de Esquerda aí estará.
Agora é a hora da democracia. Cada um responderá pelas escolhas que fez, pelos caminhos que andou e pelos espaços de dignidade que abriu. Por isso esta é, para o Bloco de Esquerda, uma hora de confiança.
Declaração Política na Assembleia da República a 6 de Abril de 2011

Apresentação do livro ‘Portugal Agrilhoado, A economia cruel na era do FMI’

Na próxima quinta-feira será lançado o livro "Portugal Agrilhoado, A economia cruel na era do FMI", de Francisco Louçã, na FNAC do C. C. Chiado, em Lisboa, pelas 18h30. A obra será apresentada por Fausto Coutinho.
Na próxima quinta-feira será lançado o livro "Portugal Agrilhoado, A economia cruel na era do FMI", de Francisco Louçã, na FNAC do C. C. Chiado, em Lisboa, pelas 18h30. A obra será apresentada por Fausto Coutinho.
Na próxima quinta-feira será lançado o livro "Portugal Agrilhoado, A economia cruel na era do FMI", de Francisco Louçã, na FNAC do C. C. Chiado, em Lisboa, pelas 18h30. A obra será apresentada por Fausto Coutinho.
Ao longo deste livro, Francisco Louçã denuncia a “campanha impiedosa” contra o salário que constitui uma verdadeira “guerra em que não se consentem tréguas nem se limpam as armas” e na qual “todos os meios são mobilizados”.
Começando “pela sua teoria, pelas ideias que a justificam”, o autor discute depois “o plano de ataque da economia cruel contra os salários e as prestações sociais, que tem como centro de disputa a privatização dos serviços públicos”. Por fim, Francisco Louçã apresenta “as alternativas necessárias para mobilizar a confiança e a determinação de uma revolução cidadã, de uma revolução social que democratize a economia”.
Leia aqui a introdução na íntegra.

Governo vai diminuir número de entradas gratuitas nos museus e palácios nacionais

Instituto dos Museus e da Conservação, organismo do Ministério da Cultura, está a estudar a possibilidade de reduzir as entradas gratuitas nos museus e palácios nacionais a um domingo por mês e não todos os domingos. Preço dos bilhetes também deverá ser actualizado.
Palácio Nacional da Ajuda. Foto de Aires dos Santos.
Palácio Nacional da Ajuda. Foto de Aires dos Santos.
O director do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), João Brigola, afirmou na passada terça-feira ao jornal Público que este organismo, criado no âmbito do Ministério da Cultura, está a preparar medidas para reduzir o número de entradas gratuitas nos museus e palácios nacionais, se possível já a partir do verão.
Segundo João Brigola, o objectivo desta medida, que prevê a redução das entradas gratuitas a um domingo por mês e não todos os domingos, prende-se com o aumento das receitas em 800 mil euros.
O director do IMC explica que "na situação em que estamos, o país não se pode dar ao luxo de ter níveis tão elevados de gratuitidade".
Apesar de os museus e palácios nacionais terem perdido, entre 2009 e 2010, 13.620 visitantes (0,5 por cento do total), conforme dados apresentados pela própria Divisão de Documentação e Divulgação do IMC, o que poderá ter resultado da ligeira redução das entradas gratuitas já introduzida em 2010, João Brigola não teme nova diminuição de visitas em 2011.
Certo é que o acesso à cultura, principalmente entre as classes mais desfavorecidas, e a revitalização dos palácios e museus portugueses não parece constituir uma prioridade para o Ministério da Cultura.

É hora de julgar os crimes económicos contra a humanidade?

Da mesma forma que se criaram instituições e procedimentos para julgar os crimes políticos contra a humanidade, é hora de fazer o mesmo com os crimes económicos. Este é um bom momento, dada sua existência difícil de refutar. Por Lourdes Benería e Carmen Sarasúa, do El País.
Foto de xornalcerto, Flickr.
Foto de xornalcerto, Flickr.
É urgente que a noção de “crime económico” se incorpore ao discurso cidadão e se entenda a sua importância para construir a democracia económica e política. No mínimo, isso far-nos-á ver a necessidade de regular os mercados para que, como diz Polanyi, eles estejam ao serviço da sociedade e não o contrário.
Segundo o Tribunal Penal Internacional, crime contra a humanidade é “qualquer acto desumano que cause graves sofrimentos ou atente contra a saúde mental ou física de quem o sofre, cometido como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil”. Desde a Segunda Guerra Mundial estamos familiarizados com este conceito e com a ideia de que, não importa qual tenha sido sua magnitude, é possível e necessário investigar estes crimes e punir os culpados.
Situações como a gerada pela crise económica tem feito com que se comece a falar de crimes económicos contra a humanidade. O conceito não é novo. Já nos anos 1950, o economista neoclássico e prémio Nobel, Gary Becker, introduziu a sua “teoria do crime” em nível microeconómico. A probabilidade de que um indivíduo cometa um crime depende, para Becker, do risco que assume, da possível vitima e do possível castigo. A nível macroeconómico, o conceito foi usado nos debates sobre as políticas de ajuste estrutural promovidas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial durante os anos 1980 e 1990, que acarretaram gravíssimos custos sociais à população da África, América Latina, Ásia (durante a crise asiática de 1997-1998) e Europa do leste. Muitos analistas apontaram esses organismos como responsáveis, especialmente o FMI, que perdeu muito prestígio após a crise asiática.
Hoje são os países ocidentais que sofrem os custos sociais da crise financeira e de emprego, e dos planos de austeridade que supostamente lutam contra ela. A perda de direitos fundamentais, como o trabalho e a habitação, e o sofrimento de milhões de famílias que vêem em perigo a sua sobrevivência são exemplos dos custos aterradores desta crise. Os lares que vivem na pobreza estão a crescer sem parar. Mas quem são os responsáveis? Os mercados, lemos e ouvimos todos os dias.
Num artigo publicado na Businessweek, no dia 20 de Março de 2009, intitulado “Wall Street’s economic crimes against humanity”, Shoshana Zuboff, antiga professora da Harvard Business School, sustentava que o facto de os responsáveis pela crise negarem as consequências de suas acções demonstrava “a banalidade do mal” e o “narcisismo institucionalizado” nas nossas sociedades. É uma mostra da falta de responsabilidade e da “distância emocional” com que acumularam somas milionárias e que agora negam qualquer relação com o dano provocado. Culpar só o sistema não era aceitável, argumentava Zuboff, assim como não seria culpar, pelos crimes nazistas, só as ideias e não aqueles que os cometeram.
Culpar os mercados é efectivamente ficar na superfície do problema. Há responsáveis e são pessoas e instituições concretas: são aqueles que defenderam a liberalização sem controlo dos mercados financeiros; os executivos e empresas que se beneficiaram dos excessos do mercado durante o boom financeiro; aqueles que permitiram as suas práticas e que permitem agora que saiam imunes e fortalecidos, com mais dinheiro público, em troca de nada. Empresas como Lehman Brothers ou Goldman Sachs, bancos que permitiram a proliferação de créditos podres, empresas de auditoria que supostamente garantiam as contas das empresas, e pessoas como Alan Greenspan, chefe do Federal Reserve norte-americano durante os governos de Bush e Clinton, opositor ferrenho da regulação dos mercados financeiros.
A Comissão do Congresso norte-americano encarregue de investigar as origens da crise foi esclarecedora neste sentido. Criada pelo presidente Obama, em 2009, para investigar as acções ilegais ou criminais da indústria financeira, entrevistou mais de 700 especialistas. O seu relatório, tornado público em Janeiro passado, conclui que a crise financeira poderia ter sido evitada. Assinala falhas nos sistemas de regulação e supervisão financeira do governo e das empresas, nas práticas de contabilidade e de auditorias, e na transparência nos negócios. A Comissão investigou o papel directo de alguns gigantes de Wall Street no desastre financeiro, por exemplo, no mercado de subprimes, e das agências encarregadas do ranking de bónus. É importante entender os distintos graus de responsabilidade de cada actor deste drama, mas não é admissível a sensação de impunidade sem responsáveis.
Quanto às vítimas dos crimes económicos, em Espanha um desemprego de 20% há mais de dois anos significa um enorme custo económico e humano. Milhares de famílias sofrem as consequências de terem acreditado que pagariam hipotecas com salários mileuristas[i]: 90 mil execuções hipotecárias em 2009 e 180 mil em 2010. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego é metade da espanhola, mas envolve cerca de 26 milhões de pessoas sem trabalho, o que implica um tremendo aumento da pobreza num dos países mais ricos do mundo. Segundo a Comissão sobre a Crise Financeira, mais de quatro milhões de famílias perderam as suas casas, e quatro milhões e meio estão em processo de despejo. Cerca de 11 bilhões de dólares de “riqueza familiar” desapareceram com a desvalorização de patrimónios, incluindo casas, pensões e poupanças. Outra consequência da crise é o seu efeito sobre os preços dos alimentos e outras matérias-primas básicas, setores para os quais os especuladores estão a desviar os seus capitais. O resultado é a inflação dos seus preços e o aumento ainda maior da pobreza.
Em alguns casos notórios de fraudes como o de Maddof, o autor está na prisão e o processo judicial contra ele continua porque as suas vítimas têm poder económico. Mas em geral aqueles que provocaram a crise não só obtiveram lucros fabulosos, como também não temem castigo algum. Ninguém investiga as suas responsabilidades nem as suas decisões. Os governos protegem-nos e o aparato judicial não os persegue.
Se tivéssemos noções claras de que se trata de um crime económico e se existissem mecanismos para investigá-los e persegui-los, muitos dos problemas actuais poderiam ter sido evitados. Não é uma utopia. A Islândia oferece um exemplo muito interessante. Em vez de resgatar os banqueiros que arruinaram o país em 2008, a promotoria abriu uma investigação penal contra os responsáveis. Em 2009, o governo inteiro teve que renunciar e o pagamento da dívida foi suspenso. A Islândia não socializou as perdas como estão a fazer muitos países, incluindo a Espanha, mas decidiu aceitar que os responsáveis fossem castigados e que seus bancos falissem.
*Lourdes Beneríaé professor de Economia na Universidade de Cornell. Carmen Sarasúa é professora de História Econômica na Universidade Autônoma de Barcelona. Artigo publicado originalmente no jornal El País, no dia 29 de março de 2011.
Tradução: Katarina Peixoto
**Publicado originalmente no site da Agência Carta Maior.



[i]O neologismo “mileurista” (surgido a partir de “mil euros”) se aplica para definir a uma pessoa pertencente à geração nascida entre 1965 e 1985, na Espanha, que possuem uma renda que não supera a casa de 1.000 euros/mês.

PT paga 3 milhões de euros a dois ex-administradores em 2010

Rui Pedro Soares e Fernando Soares Carneiro, que abandonaram a PT no âmbito do processo ‘Face Oculta’, receberam, em conjunto, 3 milhões de euros em 2010. A Rui Pedro Soares, amigo de José Sócrates, a PT pagou 1,2 milhões de euros. Soares Carneiro recebeu 1,8 milhões.
Rui Pedro Soares, quando foi ouvido na Comissão Parlamentar de Ética. Foto da Lusa.
Rui Pedro Soares, quando foi ouvido na Comissão Parlamentar de Ética. Foto da Lusa.
O ex-administrador da Portugal Telecom (PT) Rui Pedro Soares, que, no âmbito do processo “Face Oculta” foi “apanhado” a falar com Paulo Penedos sobre a compra da TVI pela PT, e que terá sido o principal interveniente nas duas tentativas de aquisição da estação televisiva, recebeu, em 2010, cerca de 1,2 milhões de euros resultantes de indemnização e salário até à data em que desempenhou funções - 17 de Fevereiro de 2010.
Rui Pedro Soares arrecadou 648,7 mil euros de indemnização, 104,2 mil euros de remuneração fixa e 459,4 mil euros de prémio anual sobre o exercício de 2009, segundo o relatório e contas da PT divulgado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O ex-administrador da PT, amigo de José Sócrates e que tem tido um papel activo na máquina do Partido Socialista, tendo, segundo divulgou o Jornal de Negócios, sido assistente do grupo socialista no Parlamento Europeu, assumido o lugar de vereador de João Soares em Lisboa, sido candidato à liderança da JS e trabalhado no site da candidatura de Sócrates a secretário-geral do PS, já teria visto o seu rendimento aumentar exponencialmente entre 2005 e 2009.
Em cinco anos, o rendimento anual de Rui Pedro Soares passou de 72.635,68 euros, o que equivale a um rendimento médio mensal de 5.188,26 euros (com base em 14 vencimentos anuais) para 1.540.848 euros anuais em 2009, ou seja 110.061 euros por mês..
Somando o que ganhou entre 2005 e 2009, Rui Pedro Soares auferiu mais de 4 milhões de euros. Com os salários de 2010 e o prémio de 600.000 euros que receberá por ter renunciado ao cargo de administrador executivo da PT, o rendimento de Rui Pedro Soares ultrapassará significativamente os 5.000.000 de euros.
Fernando Soares Carneiro, também ex-administrador da PT que saiu igualmente no seguimento do processo "Face Oculta", recebeu um total de 1,8 milhões de euros: 973 mil euros de indemnização, 175 mil euros por compromisso de não concorrência, 201 mil euros de remuneração fixa e 459,4 mil euros de prémio anual sobre o ano de 2009.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Governo “tem agora os bancos privados a morder a mão que os ajudou"

O deputado do Bloco José Gusmão, reagindo às declarações dos líderes dos bancos privados, que anunciaram que não irão fazer mais empréstimos ao Estado português, afirmou que "o governo, que sacrificou o país para salvar os bancos privados, tem agora os bancos privados a morder a mão que os ajudou".
Na passada segunda-feira, os principais banqueiros portugueses anunciaram que não iriam emprestar mais dinheiro ao Estado nos próximos meses e reclamaram um empréstimo intercalar. Foto de Paulete Matos.
Na passada segunda-feira, os principais banqueiros portugueses anunciaram que não iriam emprestar mais dinheiro ao Estado nos próximos meses e reclamaram um empréstimo intercalar. Foto de Paulete Matos.
Perante o ultimato dos maiores banqueiros do país, que, na passada segunda-feira, anunciaram que não iriam emprestar mais dinheiro ao Estado nos próximos meses e reclamaram um empréstimo intercalar, o deputado do Bloco de Esquerda José Gusmão acusou o governo de ter promovido "uma política de benefício ao sistema financeiro".
A imposição de "garantias pagas com o dinheiro dos contribuintes à banca privada", a previsão de "um regime de privilégio fiscal para o sistema financeiro" e o " pacote de estímulo à economia” que “dedicou 60 por cento a apoiar o sistema financeiro e 1 por cento a apoiar a criação de emprego" traduziram-se num aprofundamento da crise, defendeu José Gusmão.
“Depois de o país ter empenhado o dinheiro dos contribuintes para salvar os bancos privados, os bancos privados abandonam o país na primeira oportunidade, e numa oportunidade de particulares dificuldades como é aquela que vivemos", criticou o deputado do Bloco, dizendo que se trata de "uma posição concertada de toda a banca privada".
No que respeita à "proposta de ajuda externa por parte dos bancos", José Gusmão considerou que isso é propor o "agravamento de todas as medidas que levaram ao actual contexto económico”.
Questionado pelos jornalistas sobre que medidas deve o governo português tomar, José Gusmão respondeu que "é possível haver um apoio de liquidez realizado através do banco público, os estatutos do BCE permitem-no" e que "isso seria importante para ultrapassar a situação de urgência que actualmente existe ao nível da dívida pública".
"Nós defendemos que isso deve ser feito porque não tem nada a ver com a entrada do FMI em Portugal, tem a ver com possibilidades que já estão previstas hoje no quadro institucional do Banco Central Europeu", avançou o dirigente do Bloco.
Para o Bloco, a resposta à "crise das dívidas públicas" passa por uma "renegociação das parcerias público-privadas", por "instituir mecanismos de solidariedade à escala da União Europeia" e por "criar as condições para que possa haver uma renegociação da dívida dos países que estão em maiores dificuldades".

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bancos portugueses deixam de dar crédito ao Estado

Líderes dos maiores bancos reuniram-se esta segunda-feira secretamente no Banco de Portugal e anunciaram em coro, em jeito de ultimato, que não vão comprar mais dívida pública nos próximos meses. Banqueiros pressionam para que Portugal peça ajuda intercalar à UE, no valor de 15 mil milhões de euros.
Bancos portugueses deixam de dar crédito ao Estado
A decisão de não emprestar mais ao Estado nos próximos meses foi avançada esta segunda-feira numa reunião no Banco de Portugal, entre o governador, Carlos Costa, e os presidentes dos principais bancos portugueses.
A decisão de não emprestar mais ao Estado nos próximos meses e a ideia de se avançar com o pedido do empréstimo intercalar, para permitir gerir a situação financeira nacional até ao Verão, foram avançadas esta segunda-feira numa reunião no Banco de Portugal, entre o governador, Carlos Costa, e os presidentes dos principais bancos portugueses. A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios, na sua edição impressa desta terça-feira.
Ainda na noite desta segunda-feira, Carlos Santos Ferreira, presidente executivo do BCP, falou abertamente sobre o pedido de ajuda, numa entrevista à TVI. Ricardo Salgado, do BES, provavelmente fará o mesmo esta terça-feira.
Trata-se de pôr o Estado a tomar medidas para salvar os bancos embora seja dito que o Estado português necessita mesmo dos tais 15 mil milhões de euros para cumprir com os seus compromissos até final de Junho.
O Negócios explica que a decisão dos bancos de não emprestarem de momento mais dinheiro ao Estado não é uma retaliação, e que resulta de uma “sobre-exposição no último ano”, em que os bancos portugueses “têm estado activamente a financiar o Estado” português, quer servindo de intermediários com o Banco Central Europeu (BCE) quer indo directamente aos leilões de títulos de dívida. Contudo, os bancos portugueses têm financiado o Estado a juros muito mais altos comparados com os que pagam quando recorrem ao crédito do próprio BCE.
No entanto, agora os grandes bancos deixaram de ter mais margem para isso, o que o Negócios sugere que resulta pelo menos em parte dos cortes de rating da dívida nos últimos dias – e a que se acrescentou já esta terça-feira o da Moody’s – para níveis pouco recomendáveis, o que prejudica os balanços de quem tem títulos da dívida portuguesa.
Esta posição dos bancos vai no entanto restringir muito as possibilidades de financiamento do Estado, que já tem os mercados quase fechados e anunciou recentemente um programa de emissão este trimestre de títulos de dívida apenas de curto prazo de sete mil milhões de euros.
Juros da dívida pública a cinco anos superam os 10 por cento
Os juros das obrigações portuguesas estão em alta em todos os prazos. Na maturidade a cinco anos, os juros da dívida portuguesa superaram pela primeira vez os 10 por cento e seguem a ganhar 12,4 pontos base para 10,042 por cento.
Os juros da dívida a dois anos subiram para 8,854 por cento, enquanto os juros das obrigações a 10 anos estão nos 8,666 por cento. A taxa de juro da dívida a dois anos continua, assim, acima da remuneração das obrigações com maturidade a 10 anos. Um sinal de que existem receios de que Portugal não cumpra o pagamento da dívida (o jornal Diário Económico avança esta terça-feira que o incumprimento poderá ser de 40 por cento) e algo que já não acontecia desde 2004 com a dívida portuguesa.
Esta terça-feira a Moody’s baixou o "rating" de Portugal em um nível de A3 para Baa1 e disse que poderá efectuar mais cortes. A Moody’s afirma que quem ganhar as eleições legislativas vai ter que recorrer ao Fundo de Estabilização Europeu "com carácter de urgência".
Bloco diz que bancos querem que seja accionada ajuda do fundo europeu
“O que parece é que os bancos estão a pedir a intervenção do Fundo [Europeu] de Estabilização Financeira”, disse o deputado bloquista José Gusmão.
Esta situação, comentou o deputado, “mostra como foi trágica a opção do Governo de responder a esta crise económica através de uma política de austeridade assimétrica”.
Quanto a uma ajuda intercalar, José Gusmão disse que o Bloco de Esquerda não sabe de que mecanismo se trata.

Eis que chegam os abutres

Desde Janeiro de 2010, a Moody’s reduziu o rating da República 4 níveis, a Standard & Poors 5 níveis e a Fitch 6. Mas desde Janeiro de 2010, o défice não é seis vezes maior e a nossa incapacidade de crescer não piorou quatro vezes.
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Desde Janeiro de 2010, a Moody’s reduziu o rating da República 4 níveis, a Standard & Poors 5 níveis e a Fitch 6. Mas desde Janeiro de 2010, o défice não é seis vezes maior e a nossa incapacidade de crescer não piorou quatro vezes.
A Moody’s cortou o rating português de A3 para Baa1. É só mais um, visto que já na sexta-feira a Fitch tinha reduzido a sua avaliação em dois níveis, de A- para BBB-, e a Standard & Poor’s, no dia 24 Março, de A- para BBB.
As justificações são pouco originais - temem a instabilidade política e social, duvidam da nossa capacidade para cumprir as metas do défice e consideram que temos dificuldade em conseguir fontes estáveis de financiamento.
Continuam a fazê-lo com a suposta seriedade de quem não tem nada a ver com o assunto, munidos de uma legitimidade que ninguém lhes conferiu, pelo menos não de forma democrática.
No dia 24 de Março, tanto a Fitch como a S&P reduziram o rating português, na sequência da não aprovação do último pacote de austeridade e a resignação do primeiro-ministro.
O analista de crédito da S&P afirmou na altura esperar “que o governo sucessor não tenha escolha a não ser adoptar uma versão destas propostas de reforma, dado o interesse aparentemente reduzido dos investidores pela divida portuguesa (...).”
Este não é um aviso sem consequências, já que foi o causador de um novo máximo nos juros da divida pública, em todos os prazos. E por cada vez que a ameaça de uma empresa privada - como a S&P - relativamente aos desígnios da política nacional agrava as condições de financiamento da economia, a democracia sai enfraquecida.
Desde Janeiro de 2010, a Moody’s reduziu o rating da República 4 níveis, a Standard & Poors 5 níveis e a Fitch 6. Mas desde Janeiro de 2010, o défice não é seis vezes maior e a nossa incapacidade de crescer não piorou quatro vezes. A única variável que acompanhou a evolução dosratings foram mesmo os juros da divida pública (e outros instrumentos financeiros).
Sempre que uma agência de rating anuncia um novo corte, ou diz aos jornais que está a pensar fazê-lo, os juros batem recordes, tornando cada vez mais penoso pagar a nossa dívida futura e aproximando-nos da bancarrota.
O peso dos juros tornou-se no principal problema da nossa economia – não pedimos emprestado para investir, ou para despesas sociais, mas para conseguir suportar os juros das novas emissões de divida pública. Entretanto, a degradação dos ratings dificulta também o financiamento das empresas e dos bancos privados, hipotecando qualquer hipótese de recuperação do investimento privado nos próximos tempos.
Não existem cortes “preventivos” nos ratings. Quando o processo começa, o que se segue é uma contínua degradação das condições de financiamento da economia, com consequências ao nível das contas públicas e da percepção do risco pelos mercados, que leva a novos cortes, e assim sucessivamente até à bancarrota. E eis que chegam os abutres, prontos para especular com o que resta e comprar por tuta-e-meia o Estado a preço de saldo.

Provedor de Justiça questionou INE sobre pergunta dos recibos verdes

A polémica pergunta 32 dos Censos 2011, que omite a realidade dos falsos recibos verdes, já motivou 544 reclamações para a Provedoria até esta segunda-feira. Intimação entregue no tribunal pelos movimentos de precários já foi deferida.
Provedor de Justiça questionou INE sobre pergunta dos recibos verdes
A pergunta 32 já deu origem “a 544 reclamações até agora [17:00 de segunda feira]”, disse a assessora do Provedor de Justiça.
Em declarações à Lusa, a assessora do Provedor revelou que Alfredo José de Sousa “mandou uma carta para a presidente do INE [Alda Carvalho] na passada sexta-feira” para perceber por que razão a pergunta 32 foi elaborada daquela forma.
"Qual o modo como exerce a profissão indicada?" tornou-se uma questão polémica devido à sugestão de resposta feita no questionário dos Censos em curso, que indica que deve ser assinalada a opção "trabalhador por conta de outrem" caso a pessoa "trabalhe a recibos verdes mas tenha um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva e um horário de trabalho".
Esta questão já deu origem “a 544 reclamações até agora [17:00 de segunda feira]”, acrescentou a assessora do Provedor de Justiça.
Acção judicial para substituir pergunta que "encobre falsos recibos verdes"
A polémica foi lançada quando os movimentos de precários denunciaram que a pergunta tentava branquear a situação dos falsos recibos verdes.
Na altura o Instituto Nacional de Estatística (INE) esclareceu que "nos Censos nunca será possível recolher informação sobre todas as questões de interesse para a sociedade" e que "no contexto dos Censos está em causa conhecer a situação face ao mercado de trabalho de facto e não de direito, de acordo com as categorias usuais".
Na passada quarta-feira, três movimentos de trabalhadores precários (FERVE, Precários Inflexíveis e Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual) e os promotores do protesto Geração à Rasca entregaram uma acção judicial no Tribunal Administrativo de Lisboa exigindo a alteração da pergunta. No dia seguinte, o Tribunal deferiu a intimação e terá enviado um pedido de esclarecimento ao INE relativamente ao conteúdo da pergunta 32 dos Censos 2011.
Os precários, que já tinham apelado anteriormente à apresentação de uma queixa junto do Provedor de Justiça, exigem que o INE admita o erro, “para que a maior operação estatística no país não se transforme num instrumento para branquear a verdadeira dimensão da enorme fraude social que são os falsos recibos verdes”.
No início de Março, o Bloco de Esquerda requereu a realização, com carácter de urgência, de uma Audição com o Governo, através do Ministro da Presidência, por considerar que “o processo de Censos (…) contém indicações para os recenseadores que podem encobrir e mascarar a realidade dos falsos recibos verdes”.
INE obrigado a retirar duas perguntas do inquérito dos Censos 2011
As perguntas em causa são: uma relativa às uniões de facto, na qual se pede para se identificar se o parceiro é do mesmo sexo ou de sexo diferente; a outra diz respeito à identificação das pessoas que estavam presentes no dia 21 de Março no alojamento do inquirido.
Estas duas perguntas foram consideradas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados como sendo informação «sensível», da esfera da «vida privada», pelo que este organismo proibiu o INE de registar na bases de dados estas informações.
Apesar do INE ter tido muito tempo para preparar a operação, o pedido de autorização para o tratamento das respostas ao Censos só foi feito à Comissão de Protecção de Dados no dia 10 de Março.


"Precisamos de mentiras novas" porque Sócrates contou "história" que "não é convincente"

A deputada do Bloco Ana Drago considerou que na entrevista da noite de segunda-feira, à RTP, o primeiro-ministro insistiu em contar uma "história" sobre o pacote de austeridade chumbado no Parlamento em Março que "não é convincente".
Ana Drago: "Precisamos de mentiras novas" porque Sócrates contou "história" que "não é convincente"
Ana Drago: “A cada novo conjunto de medidas de austeridade, José Sócrates tem vindo a dizer que este é o momento em que se consegue colocar um ponto final na crise da dívida pública e hoje repetiu exactamente a mesma história a propósito do pacote que a oposição chumbou no Parlamento, levando à sua demissão”.
Segundo Ana Drago, o primeiro-ministro, José Sócrates, "veio dizer ao país que se fosse agora aprovado o PEC IV isto era a salvação do país".
"É altura de dizer ao primeiro-ministro que ou ele aprende alguma coisa com a experiência dos sucessivos pacotes de austeridade, que conduziram ao empobrecimento do país no último ano ou, lamento dizer-lhe, mas precisamos de mentiras novas, porque de facto, esta história que é vendida por José Sócrates aos portugueses não é convincente", declarou a deputada do Bloco aos jornalistas, no Parlamento.
De acordo com Ana Drago, a cada novo conjunto de medidas de austeridade, como "cortes nos salários, cortes nos abonos de família, cortes nos subsídios de transportes de doentes, congelamento das pensões", José Sócrates "tem vindo a dizer que este é o momento em que se consegue colocar um ponto final na crise da dívida pública" e "hoje repetiu exactamente a mesma história" a propósito do pacote que a oposição chumbou no Parlamento, levando à sua demissão.
Mas "essa história não bate certo ao longo do último ano" e "a verdade é que o país tem estado a empobrecer, a capacidade de produção de riqueza da nossa economia está a diminuir, entrámos em recessão", acrescentou.
Por outro lado, Ana Drago considerou que na entrevista à RTP o primeiro-ministro manifestou "uma certa satisfação em atacar o PSD", o que disse compreender, "porque, de facto, o PSD vai dizendo, com alguma alegria, que, não só o PEC IV era pouco, como era necessário ir mais longe nos pacotes de austeridade".
"E, portanto, é sobre este debate que eu creio que os portugueses têm de reflectir nos próximos tempos porque, de pacote de austeridade e de PEC em PEC, o país tem perdido a sua capacidade de responder a uma crise social e económica gravíssima", concluiu.

PCP e Bloco de Esquerda reúnem-se sexta-feira

Direcções dos dois partidos de esquerda realizam encontro na Assembleia da República para consultas mútuas sobre crise política e social.
"A troca de impressões que se vai realizar é muito importante e vem na sequência de múltiplas convergências na recusa da política do FMI."

As direcções do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda vão reunir-se na próxima sexta-feira às 11 horas na Assembleia da República. Na agenda do encontro estão consultas mútuas sobre a crise política e social que o país atravessa. A reunião foi proposta pela Comissão Política do Bloco de Esquerda e aceite pela direcção do PCP.
Para Jorge Costa, dirigente do Bloco, “a troca de impressões que se vai realizar é muito importante e vem na sequência de múltiplas convergências na recusa da política do FMI que já está a ser aplicada em Portugal”.
Recorde-se que na sexta-feira o coordenador do Bloco, Francisco Louçã, anunciou que vai propor à VII Convenção, de 7 e 8 de Maio, uma estratégia de unidade à esquerda, no sentido de diálogos com o PCP, sindicalistas e socialistas.
“O caminho que faremos é para desenvolver a capacidade de aproximação entre os distintos sectores da esquerda, sabendo que, no Parlamento e na vida social, nos temos encontrado na recusa da recessão, com o PCP, com sindicalistas, com trabalhadores e activistas sociais que são independentes, com gente que se tem abstido e com muita gente que tem votado no PS não aceitando hoje as políticas de recessão”, disse, acrescentando que defende uma estratégia que promove “todas as pontes necessárias e todos os diálogos possíveis”, de modo a “construir uma alternativa que possa governar, liderar e alterar as regras desta economia que se tem fechado no desastre económico”. Na mesma oportunidade, Louçã observou que “na luta contra as medidas liberais e em defesa dos salários e do emprego, PCP e BE têm tomado posições convergentes”.
Em resposta, Jerónimo de Sousa disse este domingo que, para as legislativas de 5 de Junho, o PCP mantém a coligação com o Partido Ecologista “Os Verdes”. Mas está disposto a entender-se numa aliança pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda. “Há muitos homens e mulheres, portugueses, preocupados com o futuro do país, que procuram dar uma contribuição para travar este rumo. Em relação ao BE, é preciso que clarifique os seus objectivos. Mas não temos nenhum preconceito em considerar que existam portugueses também preocupados com a situação dispostos a fazer um esforço para esse governo patriótico e de esquerda”, disse o secretário-geral dos comunistas, que sublinhou: “A concretização da política necessária à resolução dos problemas nacionais exige a formação de um governo patriótico e de esquerda capaz de assegurar uma nova fase da vida do país marcada pelo desenvolvimento, a justiça e o progresso social, um governo para salvar o país e não um governo dito de salvação nacional”.

Gasolina atinge valor recorde

Novo valor de referência é 1,599 euros por litro. Portugal tem a sétima gasolina mais cara da União Europeia a 27 países e oitavo mais alto preço do gasóleo.

Esta segunda-feira o preço da gasolina subiu para o valor mais elevado de sempre: 1,599 euros por litro como referência, o que significa que nos postos já se está a pagar mais de 1,6 euros por litro, dado que os revendedores cobram normalmente preços superiores aos de referência. O preço do gasóleo não sofreu ainda alterações.
Desde o início do ano, a gasolina já aumentou 12 cêntimos por litro e o gasóleo subiu 16 cêntimos. Um depósito de 50 litros de gasolina custava em Janeiro 74,2 euros, menos 5,75 euros do que agora.
O último relatório da Comissão Europeia mostra que Portugal tem dos combustíveis mais caros entre os 27 Estados-Membros, antes e depois de impostos. De acordo com o último relatório de Bruxelas, que compara preços com impostos, Portugal tem a sétima gasolina mais cara da União Europeia a 27 países. Quanto ao gasóleo, Portugal apresenta o oitavo preço mais elevado do mercado.
Se não se levar em conta os impostos, os preços da gasolina e do gasóleo sobem para a sexta e segunda posições entre os países da UE com os combustíveis mais caros.
Recorde-se que a Galp teve no ano passado lucros de 441 milhões de euros, 27,9% mais que no ano anterior. Já Américo Amorim, um dos principais accionistas da Galp (o seu grupo Amorim-Energia tem 33,34% da empresa) teve a sua fortuna aumentada 1.100 milhões no ano passado, sendo o 200º homem mais rico do mundo.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.