domingo, 17 de fevereiro de 2013

Governo abandona os desempregados “à sorte da caridadezinha à la Dra Jonet”


Foi uma "lufada de ar fresco", diz o deputado João Semedo, referindo-se à música "Grândola, Vila Morena" cantada nas galerias da Assembleia da República. O deputado bloquista acrescentou ainda que o país "bem que precisa do 25 de Abril". No confronto com o primeiro-ministro, João Semedo questiona Passos Coelho se vai devolver os subsídios de desemprego e se finalmente "vai dizer onde vai cortar os 4 mil milhões de euros".
No início da sua intervenção na sessão plenária desta sexta feira, para a qual estava agendado o debate quinzenal com o primeiro ministro, o coordenador do Bloco de Esquerda congratulou a “lufada de ar fresco”, “o cheirinho a 25 de abril” que passou pelo parlamento, referindo-se ao facto de um conjunto de pessoas do movimento Que se lixe a troika! que assistia ao debate nas galerias ter cantado a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, durante o discurso de Pedro Passos Coelho. “Bem que precisamos desse 25 de abril”, frisou.
Abordando o primeiro ministro Pedro Passos Coelho sobre os dados oficiais relativos ao desemprego, que vieram a público nos últimos dias, João Semedo afirmou que “o governo pode celebrar mais uma proeza insólita e dramática: ficámos a saber que, em Portugal, o número de desempregados que não recebem qualquer apoio do Estado, cerca de 1 milhão, é superior ao número oficial de desempregados, cerca de 900 mil”.
O dirigente bloquista, acusando o governo PSD/CDS-PP de deixar “à sorte da caridadezinha 'à la Dra Jonet'” esse “milhão de desempregados que irá engrossar as fileiras da pobreza e miséria em Portugal”, questionou Pedro Passos Coelho se, perante esta situação, o primeiro ministro “está disposto a repor o subsídio de desemprego enquanto o trabalhador estiver desempregado”.
Mediante a resposta de Pedro Passos Coelho, que defendeu, inclusive, que essa não é uma proposta que possa ser “levada a sério”, o deputado do Bloco afirmou que os portugueses ficaram a perceber que o governo abandona esse milhão de desempregados “à sua má sorte” e lembrou que Pedro Passos Coelho é “primeiro ministro de um governo que não hesitou em gastar 6,5 mil milhões de euros de dinheiros públicos para recapitalizar a banca”. “Não me venha dizer que não há dinheiro para acudir à situação dramática desse milhão de desempregados”, salientou.
“De quantos mais pobres, de quanto mais desempregados, de quantas mais falências está à espera para mudar esta política?”, questionou, adiantando que, “se há espiral recessiva é porque a sua política é, de facto, uma outra espiral: uma espiral suicida, a espiral da austeridade, a espiral do desinvestimento público”.
João Semedo acusou ainda o executivo de apenas estar disponível para modificar as cláusulas do memorando para favorecer a banca e agudizar a austeridade, lembrando que a recapitalização da banca serviu para alimentar os seus lucros, associados, em muitos casos, à compra da dívida pública.
No final da sua intervenção, o dirigente bloquista perguntou ainda a Pedro Passos Coelho sobre qual é o verdadeiro intuito da volta ao país que os ministros do PSD vão promover durante este fim de semana, e durante a qual vão, supostamente, explicar aos militantes do seu partido em que consiste a Reforma do Estado. “O que é que o primeiro ministro vai dizer aos militantes do PSD que ainda não tenha podido dizer ao parlamento e ao país? Vai dizer finalmente onde e como vai cortar os 4 mil milhões de euros? Ou não passa tudo de uma cruzada de fé para animar os fieis das suas hostes?”, rematou.

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