segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lei Contra a Precariedade vai a votos no parlamento esta sexta-feira


No próximo dia 25 de janeiro, sexta-feira, o parlamento discutirá e votará a segunda Iniciativa Legislativa de Cidadãos da história da nossa democracia. A Lei contra a Precariedade, subscrita por cerca de 40 mil pessoas, propõe soluções concretas para combater falsos recibos verdes, contratação a prazo abusiva e falso trabalho temporário.
Cerca de 40 mil pessoas subscreveram esta proposta de lei elaborada por movimentos de trabalhadores precários.
Cerca de 40 mil pessoas subscreveram esta proposta de lei elaborada por movimentos de trabalhadores precários.
A Iniciativa Legislativa de Cidadãos que propõe umaLei Contra a Precariedadechega ao plenário da Assembleia da República já nesta sexta-feira, dia 25 de Janeiro, passado já mais de um ano da sua entrega na Assembleia da República, no início de Janeiro de 2012. A recolha de assinaturas começou em Abril de 2011.
Cerca de 40 mil pessoas subscreveram esta proposta de lei elaborada por movimentos de trabalhadores precários, nomeadamente, a Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis, FERVE, Movimento 12 de Março e Plataforma dos Intermitentes do Espetáculo e Audiovisual.
“Esta grande mobilização cidadã terá finalmente uma conclusão que pode, pela primeira vez, garantir a aprovação de legislação que combate a precariedade”, afirmam os promotores em comunicado de imprensa. 
Apesar de colidirem com a orientação assumida pelo Governo, os promotores da iniciativa confiam nos resultados da discussão parlamentar. “O PCP, Os Verdes e o Bloco já disseram que vão votar a favor. O PS não chegou a receber-nos, apesar da nossa insistência, e o PSD e o CDS alegaram que ainda não estavam em condições de dar uma resposta, mas mostraram-se sempre muito preocupados com o tema. Como a proposta é o mais simples e operativa possível, estão reunidas as condições para que possa ser aprovada”, sustentou ao Público Tiago Gillot, membro dos Precários Inflexíveis.
O que propõe a Lei contra a Precariedade
Relativamente aos falsos recibos verdes, “uma das faces mais visíveis da precariedade laboral”, a Lei contra a Precariedade propõe uma efetiva fiscalização da Autoridade para as Condições do Trabalho, que fica obrigada a comunicar imediatamente ao Tribunal de Trabalho qualquer situação de falsos recibos verdes que detete. Caberá depois ao Tribunal de Trabalho reconhecer a relação laboral.
Quanto aos contratos de trabalho a termo, só poderão ser renovados até três vezes, “não podendo exceder, na totalidade, a duração máxima de 18 meses”. Se isto acontecer, o contrato é automaticamente convertido em contrato sem termo. E se o empregador denunciar o contrato com o trabalhador, “fica inibido de contratar para o mesmo posto ou funções durante dois anos”.
Relativamente ao trabalho temporário, a ideia é que as empresas que recorram a um trabalhador com contrato de trabalho temporário por um período superior a um ano fiquem obrigadas à celebração de contrato, “desde que tal corresponda à vontade do trabalhador e sempre em condições iguais ou mais favoráveis do que aquelas em que é prestada a atividade”.
O mesmo para os trabalhadores temporários que acumulem, em 24 meses, 20 meses de descontos sucessivos para uma mesma empresa ou para empresas do mesmo grupo. O objetivo é impedir que se perpetuem as situações de milhares de trabalhadores recrutados por empresas de trabalho temporário (call centers, por exemplo) e que permanecem vários anos a exercer a mesma função para a mesma empresa com contratos de trabalho que vão sendo sucessivamente renovados, às vezes de 15 em 15 dias.
A força dos cidadãos pode ser lei
“Num momento em que se tenta convencer o conjunto da população que não existe alternativa ao desastre social, nunca foi tão importante combater a precariedade e o desemprego”, sustentam os promotores desta iniciativa legislativa cidadã.
“Esta é uma escolha de sociedade e do futuro. É com esta força que a Lei Contra a Precariedade confronta o parlamento. A força dos cidadãos pode ser lei”, sublinham.
Contributo do Irmão Lúcia.

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