segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Crise aumenta negócio das empresas de trabalho temporário


O recrutamento de trabalhadores com recurso a agências de trabalho temporário tem vindo a subir nos últimos anos, apesar de haver milhares de empresas a fechar e do desemprego estar a aumentar. A precariedade extrema é a única oferta destas empresas: contratos duram em média 4 meses, as pessoas são colocadas varias vezes no mesmo posto, intercalando com períodos de desemprego, e os salários já baixaram 25%, desde que chegou a Troika.
Crise aumenta negócio das empresas de trabalho temporário
A duração média dos contratos temporários baixou para 4 meses e algumas pessoas foram colocadas mais do que uma vez no mesmo posto, intercalando os contratos com situações de desemprego.
Segundo explicou à Lusa o novo presidente da Associação das Empresas do Setor Privado de emprego (APESPE), Joaquim Adegas, as entidades patronais recorrem cada vez mais às empresas de trabalho temporário (ETT), até porque há mais informação e fiscalização. “Perante as restrições às contratações e a inexistência de ofertas de emprego, o papel das empresas privadas de emprego é fulcral para inverter a situação e combater o desemprego”, defendeu.
Contudo, as palavras de Joaquim Adegas esbarram na realidade dos números que a sua própria associação divulgou na semana passada, ao Jornal de Negócios, que indicam a extrema instabilidade a que os trabalhadores estão votados e que a máxima precariedade caracteriza os vínculos e os salários. Aliás, estes trabalhadores nunca chegam a sair de um círculo vicioso que roda em torno de contratos temporários e desemprego.
A própria APESPE, que considera, nas palavras do seu Presidente, que a solução para o desemprego está no trabalho temporário, informou que a duração média dos contratos baixou para 4 meses e ainda especificou que “algumas [pessoas] foram colocadas mais do que uma vez no mesmo posto”, chegando por isso a 280 mil as “cedências” feitas por estas agências, lia-se no Negócios.
Joaquim Adegas afirmou também que 3/4 das colocações do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), instituto público, foram feitas através de empresas de trabalho temporário, que pertencem ao sector privado. De acordo com dados do IEFP, no primeiro semestre de 2011, foram registadas 146.975 cedências para um total de 95.986 trabalhadores, o que significa um aumento de 8,5 por cento do recurso ao trabalho temporário face ao período homólogo de 2010 e uma média de 803 colocados diariamente.
O desemprego é a fonte do negócio das ETT’s: em tempos de crise, o lucro do sector situa-se nos 900 milhões de euros, mas os salários pagos por estas empresas (que captam uma parte desse salário pago pela empresa à qual são “cedidos” os trabalhadores) já baixaram em média 20 a 25 por cento desde a entrada da Troika, em 2011.
Apesar de ainda não ter disponíveis dados atualizados relativos a 2012, Joaquim Adegas sublinha que, em 2010, as empresas de trabalho temporário empregaram “mais do dobro das pessoas [do conseguido pelo] Instituto do Emprego e da Formação Profissional”. Quantas pessoas voltaram ao desemprego é um número não revelado.
Em Portugal existem atualmente 193 empresas de trabalho temporário com alvará, muitas delas com várias delegações.
Em outubro deste ano, a APESPE, que conta atualmente com 50 empresas do setor privado de emprego associadas, contabilizava no seu site 6.058 candidatos, um número que significa um acréscimo de 1.211 utilizadores, comparativamente ao final do primeiro semestre de 2012.
Em relação às ofertas de emprego disponíveis, a maior parte destina-se a vendas e comerciais, seguindo-se call centers e serviços de apoio ao cliente, bem como técnicos de saúde e auxiliares.

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