Na quinta-feira arranca o festival internacional de cinema de Lisboa, que comemora este ano a décima edição. Para além das novas secções, o Doclisboa vai debater a RTP e o serviço público de televisão.
A sessão de abertura conta com um filme português, "A Última Vez Que Vi Macau", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, no Grande Auditório da Culturgest, dia 18 às 21h30. O festival inclui 68 filmes portugueses na programação e termina no dia 28, com a habitual projeção dos filmes premiados e a sessão de encerramento, na véspera, apresenta "Cesare deve morire", filmado numa prisão de Roma por Paolo e Vittorio Taviani. Para além das competições internacionais de longas e curtas metragens e das habituais secções "Investigações", "Riscos" e "Heartbeat", dedicada à música, este ano o público encontrará novidades na organização do programa do festival: as secções "Cinema de Urgência", "Verdes Anos" e "Passagens".
"Cinema de Urgência" procura trazer ao grande écran a "nova prática de cidadania que recupera uma ideia de cinema como acção directa", com cada vez mais gente a documentar "através das suas câmaras a realidade social e política, as suas inquietações, as lutas em que se implicam" e a disponibilizar esses filmes na internet. "Não podemos ignorar que na história do cinema documental está inscrita também uma concepção da prática cinematográfica ligada à reflexão e à acção directa sobre o real", dizem os organizadores na apresentação desta secção que contará com imagens das lutas sociais na Grécia e em Espanha, do Occupy Wall Street e da ocupação da escola da Fontinha, passando pela guerra civil síria.
Outra secção em estreia é "Verdes Anos", abre o festival aos filmes produzidos no contexto das escolas de vídeo, cinema, audiovisuais e comunicação ou noutros cursos relacionados com o cinema. O objetivo assumido é de permitir aos jovens realizadores o acesso "a um público alargado facilitando, com isso, a sua entrada futura para o contexto profissional, bem como o seu enriquecimento enquanto realizadores". "Passagens" é a terceira nova secção do Doclisboa e procura pensar as relações entre cinema e arte, com a saída do cinema para espaços tradicionalmente ligados à arte (museus e galerias) e acolhimento de instalações de Chantal Akerman e Pedro Costa, apresentadas na Galeria Palácio Galveias, Carpe Diem Arte e Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, entre 20 de outubro e 30 de novembro.
Como sempre, o festival oferece um leque assinalável de filmes de qualidade - ver programação completa. Na secção "Heartbeat", o destaque vai para a estreia mundial do filme de Edgar Pêra, "Visões de Madredeus", com os cine-diários daquela banda portuguesa entre 1987 e 2006, da Europa ao Oriente. O festival propõe igualmente uma retrospetiva da obra de Chantal Akerman, que continuará a ser exibida na Cinemateca após o encerramento do Doclisboa. Outra retrospetiva, "United We Stand, Divided We Fall", mostrará filmes realizados por coletivos nas décadas de 70 e 80, a partir do Maio de 68. Filmes sobre "movimentos operários, feministas, estudantis, das minorias; movimentos contra a guerra, a exploração, as instituições e o totalitarismo dos governos". O curador desta retrospetiva, Federico Rossin, afirma que esta escolha é "um percurso preciso e necessário para manter os nossos olhos mais abertos, tornar mais produtiva a nossa fúria e os nossos desejos mais fortes".
Na segunda-feira, 22 de outubro, pelas 14h30 na Culturgest, realiza-se uma mesa redonda sobre "A RTP e o Serviço Público de Televisão", que irá discutir também "a continuidade de um trabalho específico de relação entre a televisão e a produção de documentários". Nesse dia tem também início o workshop de realização coordenado por Miguel Clara Vasconcelos, em que vários realizadores apresentarão o processo de trabalho de que resultou o filme apresentado nesta edição do festival.
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