quinta-feira, 7 de julho de 2011

Recessão em 2012 pode ser o triplo do que o FMI previu

A economia portuguesa teve a terceira maior queda (-0,6%) no primeiro trimestre entre os países da OCDE. E os economistas da Univ. Católica prevêem agora que a recessão no próximo ano atinja -1,5%, triplicando as estimativas do FMI e fazendo o desemprego disparar para os 14%.
O NECEP estima também 12,8% de desemprego este ano, que cresce para 14% em 2012. Foto Paulete Matos
O NECEP estima também 12,8% de desemprego este ano, que cresce para 14% em 2012. Foto Paulete Matos
O Núcleo de Estudos de Conjuntura (NECEP) da Universidade Católica Portuguesa publicou esta quarta-feira a Folha Trimestral de Conjuntura. Para o segundo trimestre do ano, o NECEP estima uma quebra de 0,4% do Produto Interno Bruto, que na opinião destes economistas se fica a dever "sobretudo ao comportamento negativo do consumo privado, em linha com o aumento das restrições ao crédito e com a evolução desfavorável do rendimento disponível das famílias".
Para o ano de 2011, o NECEP prevê que a economia registe uma contracção de -1,7%, ou seja, mais duas décimas que a previsão do FMI em Abril. Mas para o próximo ano, a disparidade das previsões é bem maior: o relatório do FMI sobre as perspectivas económicas para a Europa, divulgado em Maio, anunciou que Portugal seria o único país europeu em recessão, num valor previsto de -0,5%. Para o NECEP, a saúde da economia será três vezes mais afectada, com uma variação de -1,5%.
"Estas revisões em baixa decorrem, essencialmente, das restrições impostas pelo programa de ajuda financeira externa" e "é de realçar que as restrições de financiamento à economia portuguesa estão a ter já um peso negativo importante no crescimento", explica o núcleo de investigadores da Católica.
A previsão sobre a evolução da taxa de desemprego também confirma o cenário de recessão, com o NECEP a estimar 12,8% de desemprego este ano, e uma subida para 14% em 2012.
Quanto às contas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico para a evolução económica no primeiro trimestre deste ano, a queda da economia portuguesa (-0,6%) foi apenas ultrapassada pela do Japão (-0,9%) e da Austrália (-1,2%). A média da zona euro foi um crescimento de 0,8%, com países como a França (0,9%) e a Alemanha (1,5%) a situarem-se acima da média e outros, como Espanha (0,3%) e Itália (0,1%) bem abaixo dela.

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