quarta-feira, 4 de maio de 2011

Liberdade de Imprensa: concentração dos media e degradação laboral são “ameaças sérias”

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas denuncia como "sérias ameaças" à liberdade e ao pluralismo da imprensa a concentração dos media, o "poder absoluto" das empresas, a "degradação" laboral e a chantagem do desemprego.
Liberdade de Imprensa: concentração dos media e degradação laboral são “ameaças sérias”
“Creio que em Portugal persistem ameaças à liberdade de imprensa como seja a própria concentração da propriedade dos meios de informação, as condições de trabalho dos jornalistas e a precariedade que representam constrangimentos à liberdade de expressão", disse Alfredo Maia, presidente do Sindicato de Jornalistas.
A denúncia surge a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se comemora esta terça-feira. A data foi instituída em 1993 pela ONU. Na sua mensagem para assinalar a efeméride, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) refere que, "não obstante a garantia constitucional de liberdade de imprensa", em Portugal continuam a ser "sérias ameaças à liberdade e ao pluralismo" a "concentração da propriedade dos meios de comunicação social, o poder absoluto das empresas e dos principais grupos para decidir quem entra, quem permanece e quem sai da profissão, a degradação das condições de trabalho dos jornalistas, a ameaça de desemprego e a precarização".
De acordo com o presidente do SJ, é necessário “garantir nas leis do sector da rádio, da televisão e da imprensa que os níveis de concentração recuem efectivamente”, cita a Lusa.
“Creio que em Portugal persistem ameaças à liberdade de imprensa como seja a própria concentração da propriedade dos meios de informação, as condições de trabalho dos jornalistas e a precariedade que representam constrangimentos à liberdade de expressão", disse, salientando que esta situação representa também um "perigo para os cidadãos que têm direito a uma informação plural e diversificada".
Alfredo Maia chamou ainda a atenção para a ameaça ao emprego dos jornalistas e ao número de jornalistas despedidos nos últimos anos.
“Isto significa que as empresas estão a fazer informação com menos profissionais ou seja menos olhos, menos ouvidos”, disse o presidente do SJ.
Na opinião de Alfredo Maia, as empresas tendem a utilizar a mesma informação feita pelo mesmo jornalista em vários órgãos de informação e “isso reduz a diversidade informativa”.
“É preciso convencer as empresas de que o seu futuro, o futuro da sua credibilidade depende também da capacidade de produzir informação diversificada, plural e de qualidade e isso faz-se contratando mais jornalistas e não despedindo jornalistas com memória e experiência como tem acontecido”, disse.
Segundo Alfredo Maia, a conjuntura exige uma "informação qualificada que explique aos cidadãos o que está a acontecer, que mostre aos cidadãos que continua a valer a pena adquirir jornais, ouvir rádio e ver televisão".
Aproveitando a proximidade de novas eleições, as legislativas de 5 de Junho, o sindicato apela aos jornalistas para que garantam "a difusão e o esclarecimento sobre opiniões, projectos e propostas que todas as formações políticas, sem excepção nem privilégio, estão a apresentar aos cidadãos".

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