Sem surpresa, PSD e CDS não faltaram à chamada. Apesar de não ter comparecido à reunião com a troika, Paulo Portas fez um ar sério ao relatar os pormenores do encontro aos jornalistas. Outro ausente destas "negociações" foi Passos Coelho, que à mesma hora dava uma entrevista na rádio a anunciar a privatização da segurança social. Foi pelo líder do PSD que se ficou a saber que só para a semana é que a troika vai "testar" as medidas com os três partidos dispostos a governar com o programa do FMI.
Com a obediência garantida do tripé doméstico, a troika internacional tem as mãos livres para impor a agenda do desemprego e das privatizações no próximo Ecofin. Mas o que está em causa na ida às urnas, três semanas mais tarde, fica ainda mais evidente.
Em junho, o tripé do FMI que nos trouxe a esta crise vai a votos apoiado na chantagem dum empréstimo em condições desastrosas para a economia. Ao recusar a irresponsabilidade de fazer de figurante nessa chantagem, a esquerda escolheu o seu caminho: o de quem responde pelas alternativas que defende, a começar pela transparência das contas da dívida existente e por propostas claras que finalmente obriguem a pagar quem até hoje só lucrou com os nossos sacrifícios.
Mais do que nunca, agora é tempo de ser exigente. E com esta força a crescer até 5 de junho, o tripé não se aguenta.
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