quinta-feira, 10 de março de 2011

Ministério da Educação promove situações “extremas” de precariedade

Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública acusa ME de se “aproveitar da miséria” alheia para resolver problema crónico de falta de funcionários. ME contrata auxiliares a part-time por 3 euros à hora através de contratos que, por vezes, não duram sequer um mês.
A FP lembrou ainda o recurso a outro tipo de trabalho precário: os desempregados colocados pelos centros de emprego ao abrigo de contratos de emprego e inserção social (CEIS) que apenas trabalham quatro dias e depois são novamente atirados para o desemprego. Foto de Paulete Matos.
A FP lembrou ainda o recurso a outro tipo de trabalho precário: os desempregados colocados pelos centros de emprego ao abrigo de contratos de emprego e inserção social (CEIS) que apenas trabalham quatro dias e depois são novamente atirados para o desemprego. Foto de Paulete Matos.
A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FP) veio denunciar a contratação de 2845 auxiliares de educação desde o início do ano lectivo em condições de extrema precariedade.
Os funcionários recebem apenas três euros à hora, têm horários incompletos que nem sequer são cumpridos de seguida e apenas lhes são garantidos contratos de cerca de um ou dois meses.
Luís Pesca, da FP, explica que os trabalhadores só se sujeitam a estas condições “pelo desespero de encontrar alguma fonte de rendimento e pela ilusão de um dia poderem ter um contrato por mais tempo”.
A FP, quando confrontada com a abertura de 2300 vagas nestas condições entre Setembro e Dezembro de 2010, chegou a supor que se trataria de uma “situação especial”, “alguma verba para contratações a termo que teria sobrado no Orçamento do Estado”, no entanto, em Janeiro, o Ministério da Educação (ME) voltou a abrir 545 vagas idênticas.
Para a FP o objectivo é claro: o ME pretende aproveitar-se da miséria alheia para resolver, apenas a curto prazo, o problema crónico de falta de funcionários da forma mais económica. O próprio objectivo de poupança não é, contudo, e segundo a FP, alcançado, já que a abertura de vagas para contratações que chegam a ser mais curtas do que o próprio prazo de candidatura tem custos burocráticos associados – publicitação do concurso, constituição de júri, entre outros.
A FP lembrou ainda o recurso a outro tipo de trabalho precário: os desempregados colocados pelos centros de emprego ao abrigo de contratos de emprego e inserção social (CEIS) que apenas trabalham quatro dias e depois são novamente atirados para o desemprego.

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