sexta-feira, 25 de março de 2011

Dia do estudante marcado por protestos em defesa da acção social

Em Lisboa, centenas de estudantes deixaram reclamações na DGES, enquanto outros acamparam em frente à Reitoria da UL. Em Coimbra, os estudantes encerraram a cadeado a Porta Férrea da universidade e em Faro o protesto juntou dezenas contra os cortes nas bolsas.
Dia do estudante marcado por protestos em defesa da acção social
Foto de Paulete Matos.
O livro amarelo da Direcção-Geral do Ensino Superior ficou preenchido com as reclamações das centenas de estudantes que se manifestaram esta quinta-feira às portas daquele organismo, em Lisboa. O protesto centrou-se nos cortes nas bolsas de acção social. “A esta hora [17h20] já foram escritas mais de mil reclamações e muitos estudantes continuam a fazer fila”, adiantou ao Público Luís Rebelo, da Federação Académica do Porto. Cerca de 600 estudantes deslocaram-se desde o Porto até Lisboa para aderirem a um protesto que juntou milhares de estudantes, adianta o mesmo jornal.
A Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa foi encerrada e coberta por duas faixas negras, onde se lia: “Se o Governo fecha para uns, nós fechamos para todos”. Uma corrente e um cadeado completaram o quadro, cujo objectivo foi alertar “para a necessidade de alterar o regime de bolsas instituído pelo Governo, que reduz substancialmente valores e exclui alunos”, conforme adiantou à Lusa Gonçalo Carrilho, presidente da associação académica, para acrescentar que “não pode haver no século XXI alunos a abandonar os estudos por falta de bolsas”.
Já no relvado em frente à Reitoria da Universidade de Lisboa, um “acampamento” com cerca de 30 tendas albergou 70 estudantes. A acção serviu para denunciar a alteração das regras de atribuição de bolsas de estudo, que tem vindo a excluir milhares de estudantes do sistema de Acção Social, não respondendo à necessidade urgente de alargamento do universo de bolseiros.
Segundo um manifesto divulgado, as novas regras prejudicam, sobretudo, as famílias mais numerosas e os estudantes cujos irmãos recebam também bolsas de estudo “O preço do alojamento dos estudantes aumenta, as bolsas descem e o dinheiro não chega”, testemunhou Pedro Saraiva, da Faculdade de Letras, salientando que “há estudantes a voltar a casa”.

Em Coimbra, dezenas de estudantes afectos ao Conselho de Repúblicas de Coimbra encerraram a cadeado a Porta Férrea, principal entrada da universidade. Sob alguma chuva, várias tendas foram montadas à frente da Porta Férrea, na Alta de Coimbra, desde o início da manhã. A iniciativa foi decidida à revelia da Assembleia Magna da Academia, mas veio reforçar o boicote às aulas, aí aprovado, proposto pela Associação Académica de Coimbra. “Temos alunos a desistir das faculdades por não terem dinheiro”, disse à Lusa António Leitão, um estudante do primeiro ano de Direito.
O reitor da Universidade de Coimbra disse partilhar das “preocupações” dos alunos quanto aos apoios sociais. “Na difícil situação económica e orçamental do país, não se pode cair na armadilha de tentar encontrar neste âmbito poupanças que criem ainda mais dificuldades à geração que agora se encontra no ensino superior”, sublinhou João Gabriel Silva, numa nota da reitoria.
Mais a sul, em Faro, os estudantes ergueram um "Muro das Lamentações". Cerca de quarenta alunos da Universidade do Algarve expuseram frente ao Governo Civil cinco painéis com reivindicações e entregaram naquele organismo um cheque fictício de 569 mil euros, simbolizando o corte nas bolsas de estudo. Segundo o presidente da Associação Académica, Guilherme Portada, pelo menos 36 alunos daquela universidade foram obrigados a cancelar as suas matrículas depois de os seus pedidos de bolsa terem sido rejeitados.
 

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