sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Despedimento colectivo nas Páginas Amarelas

A Direcção da empresa Páginas Amarelas comunicou formalmente esta terça-feira a intenção de proceder ao despedimento colectivo de 70 trabalhadores, entre os quais se encontram 5 dos seus 9 representantes na CT.
Despedimento colectivo nas Páginas Amarelas
No passado dia 27 de Outubro, cerca de 100 trabalhadores protestaram em frente à Portugal Telecom contra o processo de despedimento colectivo em curso.
O anúncio foi feito dia 2 de Novembro, quase uma semana depois do protesto dos trabalhadores realizado em frente às instalações da Portugal Telecom (PT) em Lisboa, um dos accionistas da Páginas Amarelas (PA).
O objectivo do protesto foi, segundo a Comissão de Trabalhadores, “chamar a atenção do accionista PT para a situação que estava prestes a desencadear-se, e que mais parece ser a continuação de uma ‘reestruturação permanente em curso’ que teve início em 2005 e parece que nunca mais terminará”.
Segundo o comunicado enviado pela Comissão de Trabalhadores das PA, este processo de despedimento colectivo tem sido conduzido de uma forma “pouco transparente”, uma vez que os trabalhadores envolvidos começaram por ser contactados individualmente pela Direcção em meados de Outubro, com o intuito de tentar obter o seu acordo para as rescisões dos contratos, e nunca explicitando que seria utilizado o mecanismo do despedimento colectivo.
Chegou mesmo a haver reuniões entre a Comissão de Trabalhadores e a direcção da PA, mas esta nunca informou sobre quais os trabalhadores que estavam a ser contactados.
A Administração da PT recebeu uma delegação de trabalhadores, depois do protesto no passado dia 27 de Outubro, e explicou que as várias reestruturações ocorridas ao longo dos últimos anos têm em vista a redução do quadro de pessoal da empresa devido à necessidade da sua reorganização operacional e transição do seu negócio predominante para as plataformas online, em detrimento das tradicionais listas telefónicas impressas.
Contudo, ao mesmo tempo que a PA vai reduzindo o seu quadro efectivo de pessoal, vai aumentado o recurso aos contratos temporários e de prestação de serviços através de empresas de outsourcing, denunciam os trabalhadores, acrescentando que estes contratos são superiores ao número de trabalhadores que se desvinculam da empresa. Com esta estratégia, cria-se “uma nova geração de trabalhadores, precários e com menores salários e regalias”, sublinha a Comissão de Trabalhadores.
Além disto, no final de 2009, cerca de 100 trabalhadores foram abordados pela empresa para rescindirem os seus contratos, por mútuo acordo, com uma compensação que tinha por base a aplicação de um rácio de 1,2 salários por ano de trabalho. Mas, diz a Comissão de Trabalhadores, a maioria dos trabalhadores não aceitou e por isso foram vítimas, ao longo de 2010, de vários tipos de pressão e perseguição. Uns foram “colocados sozinhos numa sala”, outros transferidos para outros departamentos ou colocados na dependência de chefias intermédias “que lhes controlam os horários ao minuto”.
Entre os funcionários incluídos no despedimento colectivo, agora formalmente anunciado, estão trabalhadores que não aceitaram sair da empresa na reestruturação de 2009, os que “resistem” desde a reestruturação de 2007 e membros da actual e da anterior Comissão de Trabalhadores.
A empresa PA emprega actualmente cerca de 420 trabalhadores. 

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