O mais premiado realizador português acusa a Lusomundo-Zon de abafar os filmes nacionais para "exibir em cheio o cinema americano" nas salas de cinema que explora.
Manoel de Oliveira arrasa o monopólio da distribuição de filmes em Portugal. Foto piwiyan/Flickr
"A Lusomundo-Zon, no que respeita ao cinema em Portugal, tem-se comportado para com os realizadores portugueses, com quem a dita empresa faz contratos, comprometendo-se a explorar os seus filmes, de forma abertamente contraditória", diz o cineasta num artigo de opinião no jornal Público intitulado "A agonia com cinema português em Portugal".
Neste artigo contundente do realizador contra a situação de monopólio na distribuição de filmes em Portugal, Oliveira começa por elogiar as palavras de Daniel Proença de Carvalho na entrevista a Judite de Sousa na RTP sobre "a defesa do nosso país na actual situação em que nos encontramos". "Ora aí está o que devia ser ouvido pela Lusomundo-Zon, de que o mesmo dr. Proença de Carvalho é presidente", aconselha o centenário realizador de cinema.
"Afinal, a Lusomundo-Zon vem procedendo como o abafador de que nos fala o escritor Miguel Torga em 'Contos da Montanha', quando se refere a este no momento em que ia a casa para apressar a morte do moribundo, abafando-o com o travesseiro", prossegue Oliveira, assinalando que o cinema português ainda não está moribundo, "muito em especial no estrangeiro".
"O Bloco de Esquerda referiu mesmo, lembrando em tempos, na Assembleia da República, que o meu filme "Vou para Casa" alcançou cerca de 2 milhões e 600 mil espectadores", recorda o cineasta. "O que equivale a dizer que estes realizadores, o João Botelho, o Pedro Costa, o João Salaviza, tal como eu, não temos no estrangeiro o dito abafador, como sucede não raro em Portugal. Ora a Lusomundo-Zon, abafando os filmes nacionais de que dispõe por contrato, como é o caso destes, para ter livres as salas de cinema de que é exploradora, fá-lo a fim de exibir em cheio o cinema americano", acusa Manoel de Oliveira.
"É ainda de notar que, no nosso país, nenhum filme estrangeiro paga um real sequer, a reverter em favor do cinema português, como seria mais que justo, e como acontece noutros países, em França, por exemplo", conclui Oliveira.
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