sábado, 19 de junho de 2010

Enfermeiros repudiam diploma dos salários

Profissionais em greve fazem manifestação em Lisboa. Dirigente sindical diz que “vale sempre a pena protestar porque se há de conseguir".
Protesto de enfermeiros. Foto de Paulete Matos
Protesto de enfermeiros. Foto de Paulete Matos
Cerca de uma centena de enfermeiros manifestaram-se esta sexta-feira em Lisboa, entre a praça do Campo Pequeno e o Ministério da Saúde, onde entregaram uma moção "de total repúdio e veemente protesto" por causa da tabela de remunerações da classe.
Os enfermeiros repudiam a imposição de um diploma sobre remunerações que prevê que os profissionais em início de carreira continuem a ganhar 1020 euros até 2013, altura em que passarão a receber 1200.
Segundo o coordenador nacional do sindicato dos enfermeiros portugueses, José Carlos Martins, a remuneração imposta é "inferior ao que o Governo se auto-obrigou legalmente" a pagar aos outros licenciados da Administração Pública.
Mesmo com as negociações encerradas neste capítulo, o dirigente sindical afirmou "que vale sempre a pena protestar porque se há de conseguir".
Os enfermeiros vão agora recorrer ao primeiro-ministro, à Presidência da República e ao Parlamento, mas "a forma e o tempo" ainda vão ser determinados.
Entretanto, o movimento SOS-SNS divulgou um comunicado de apoio à greve dos enfermeiros onde afirma: “Sendo os/as enfermeiros/as profissionais essenciais para os cuidados de saúde, não daremos o braço a torcer, hoje respondemos na rua, amanhã de muitas outras formas.”
O comunicado lista os motivos que levaram os enfermeiros à luta:
  • progressão de carreira congelada há8 anos:
  • o Estado não assegura a formação nas escolas públicas;
  • a licenciatura não se reflecte no ordenado;
  • Os enfermeiros especializam-se em várias áreas, muitas vezes sem dispensa laboral, mas depois poucas vagas abrem para especialistas;
  • a enfermagem é uma profissão de desgaste rápido, mas as condições não melhoram nem termina precariedade dos contratos;
  • há falta de profissionais em muitos serviços, mas há enfermeiros no desemprego;
  • com o desfalcamento do SNS, os enfermeiros não têm muitas vezes condições de prestar o melhor serviço a que os cidadãos têm direito.

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