Sob o lema “Dá a volta à precariedade”, o MaydayLisboa 2010 concentrou-se no Largo Camões em Lisboa, ao início da tarde, onde várias pessoas se foram juntando e preparando a manifestação que dali seguiu em direcção ao Martim Moniz, para integrar o desfile da CGTP até à Alameda. Também no Porto, a parada Mayday integrou o desfile da CGTP, na sua parte final, afirmando a sua diversidade, as suas propostas e palavras de ordem.
O MayDay, a manifestação dos precários, tem vindo a crescer e a espalhar-se por Portugal, depois de se ter iniciado em Milão, em 2001, e dispersado pela Europa (ganhando a forma do Euromayday) e pelo mundo fora.
Em Lisboa, o protesto contra a precariedade realizou-se pela primeira vez em 2007. No Porto, teve início no ano passado, repetindo-se este ano reforçado com vozes de Coimbra. Este ano, o Euromayday aconteceu em várias outras cidades da Europa como Genéve, Berlim, Milão, Málaga e Zurique. No resto do mundo, também em Toronto, Tóquio e Tsukuba foram organizadas paradas Mayday2010.
Até ao dia 1 de Maio, os trabalhadores precários envolvidos na organização do Mayday protagonizaram diversas acções de convocação da parada, como o bloqueio de dezenas de call-centers com centenas de chamadas de “apelo à participação do precariado no Mayday” (uma acção conjunta entre as organizações do Mayday de Lisboa, Coimbra e Porto).
Os movimentos das várias cidades têm organizações autónomas, constituem-se como movimentos auto-organizados, mas partilham reivindicações expressas num manifesto conjunto publicado nos seus sites, onde a luta contra a precariedade e a exploração é o denominador comum.
Entre os manifestantes das paradas Mayday encontravam-se precários que trabalham com contratos a prazo, a falsos recibos verdes, desempregados e que vêm também de diversos sectores profissionais e sociais.
“Somos cada vez mais”, diz o movimento, e consideram-se cada vez mais “empurrados pela desregulação das condições laborais” para a precariedade e para o “binómio infernal do emprego precário/desemprego miserável”.
O movimento acusa o Código do Trabalho de Vieira da Silva de ter ajudado na “tarefa de precarizar mais gente”, a par da crise e do desemprego que provocaram “uma ainda maior chantagem sobre quem trabalha”.
Além disso, afirmam em comunicado de imprensa, consideram que o Programa de Estabilidade e Crescimento foi a “declaração de guerra final” aos precários e aos desempregados. Tal “ficou bem patente no acordo entre Sócrates e Passos Coelho para o corte às prestações sociais dos mais fracos”, acusam.
O Mayday procura juntar as várias precariedades existentes, explicam, e por isso entre os manifestantes encontram-se falsos recibos verdes, trabalhadores de Empresas de Trabalho Temporário, intermitentes do espectáculo, bolseiros, estagiários, imigrantes, trabalhadores sexuais, operadores de call-center, estudantes, trabalhadores-estudantes, desempregados e “mal-empregados em geral”.
O percurso em Lisboa foi marcado com acções e palavras de ordem que afirmavam a recusa da precariedade e a solidariedade entre os trabalhadores precários. Entre as várias palavras de ordem ouvia-se “Precários nos querem, rebeldes nos terão”, “Hoje, 1.º de Maio, há precários a trabalhar”, “Somos todos trabalhadores sexuais”, “Trabalho intermitente, cultura permanente” ou “Não pagamos a crise deles”.
Pelo segundo ano consecutivo em Lisboa, e este ano também no Porto, um grupo de trabalhadores sexuais integrou a manifestação dos precários reclamando que “trabalho sexual é trabalho”. Os grupos seguiram sinalizados com chapéus-de-chuva vermelhos que simbolizam a protecção destes trabalhadores que, na maior parte das vezes, estão votados à precariedade estrema por não lhes ser reconhecido qualquer direito laboral, mas também devido ao estigma e à indiferença de uma sociedade que não os reconhece como trabalhadores.
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