Nas jornadas parlamentares, José Gusmão referiu que a medida proposta pelo Bloco custaria cerca de 540 milhões de euros em 5 anos e constituiria uma "resposta rápida e eficaz à crise".
O Bloco apresentou nas jornadas parlamentares a proposta de reabilitação de 200 mil habitações em centros urbanos.
Esse projecto de reabilitação urbana criaria 60.000 empregos de forma directa e "é um tipo de investimento público que convoca uma parte muito significativa do nosso tecido empresarial, existente e a desenvolver, e dá resposta àquela que é uma necessidade de política económica, de política social e de habitação, absolutamente fundamental", disse o deputado José Gusmão no final do debate "Responsabilidade social contra a crise: emprego e orçamento".
Gusmão sublinhou que uma das divergências que o Bloco tem em relação ao PS é a prioridade a investimentos de pequena e média dimensão e distribuídos pelo país, por oposição às grandes obras.
No debate interveio também a ex-presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz Manuela Silva que referiu que a erosão do contrato social a partir dos anos 80 e a evolução do sistema capitalista levou a uma "extrema celeridade nas relações económicas" - o capitalismo liquido, de Zygmunt Baumann - e à desvalorização da "dimensão social do trabalho", que por sua vez levaram à "precariedade e desqualificação".
"Importa encontrar urgentemente um novo enquadramento jurídico-constitucional para a empresa capitalista, para que fique vinculada aos princípios democráticos que presidem à organização das sociedades contemporâneas", afirmou, salientando que hoje existem "empresas transnacionais que têm mais influência sobre a vida das pessoas do que governos democraticamente eleitos".
A economista Manuela Silva considerou que esta é uma "contradição que a História terá de resolver". "É uma tarefa política rever os fundamentos da empresa capitalista e o seu quadro jurídico-constitucional", apontando como solução a criação de um modelo de "empresa cidadã", social e capitalista em simultâneo.
"O grande desafio da justiça social neste século é chegar a novo modelo empresarial em que o capitalismo não seja o domínio absoluto", defendeu.
No debate, moderado pela deputado Cecília Honório, intervieram ainda o coordenador da União dos Sindicatos do Algarve, António Goulart, e Cristina Andrade do Ferve. O sindicalista falou das consequências da crise no Algarve, referindo que "quase metade dos trabalhadores por conta de outrem são precários" e que os salários são inferiores em 13 por cento" relativamente à média nacional.
Cristina Andrade sublinhou que actualmente a "multiplicidade de actividades profissionais" a que as populações estão sujeitas ao longo da sua vida dificultam a unidade sindical.
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