quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Educação: Portugal gasta menos que média da OCDE

Do total da despesa pública portuguesa, 11,6% vai para a educação, abaixo da média da OCDE (13%). Na Zona Euro, famílias portuguesas são as que mais gastam para financiar o Ensino Superior, devido ao "aumento significativo das propinas cobradas".
Em Portugal, tal como no México, na Turquia e no Brasil, dois terços da população entre os 25 e os 64 anos não completaram o ensino secundário. Foto de Choconancy1, FlickR
Em Portugal, tal como no México, na Turquia e no Brasil, dois terços da população entre os 25 e os 64 anos não completaram o ensino secundário. Foto de Choconancy1, FlickR
O governo cantou vitória com o relatório da OCDE divulgado nesta terça-feira, que afirma que Portugal tem mais crianças a frequentar a educação pré-escolar do que a média dos países da OCDE. Mas, ao fazê-lo, chamou a atenção para um relatório que não é nada favorável ao país.
Concretamente, o estudo mostra que em Portugal a percentagem de investimento do governo português em educação diminuiu em relação ao que se registava há 15 anos. Do total da despesa pública portuguesa, 11,6% vai para a educação, um valor abaixo da média da OCDE (13%) e mais baixo do que em 2000 (12,6%) e que em 1995 (11,7%). Os dados são de 2007.
Portugal gastou cerca de 5200 euros com cada aluno no sector público em 2007, ficando no 16.º lugar entre os 31 países da OCDE. O investimento por aluno aumentou mil euros em comparação com 2005, mas continua abaixo da média da OCDE, que é de 6400 euros anuais por aluno.
No que respeita a habilitações literárias, o Japão e a Coreia lideram o crescimento das qualificações, com 60% da população entre os 25 e os 34 anos a aceder ao ensino superior. Portugal está no oitavo lugar a contar do fim da tabela, não chegando aos 30%.
Gastos das famílias com o Ensino Superior
Portugal é o país da Zona Euro em que as famílias mais gastam para financiar o Ensino Superior. O peso do financiamento privado neste grau de ensino atingiu, em 2007, os 30%. No conjunto dos dezasseis países do euro, apenas a Itália superou Portugal, com 30,1%. Em toda a Europa, só o Reino Unido tem valores superiores: as famílias arcam com 64,2% dos custos.
Esta é uma alteração significativa face ao que acontecia em 2000, quando as famílias eram responsáveis por 7,5% do financiamento. Segundo o relatório da OCDE, Portugal registou mesmo a maior subida neste indicador em toda a Zona Euro, uma evolução que é explicada pelo "aumento significativo das propinas cobradas".
Em Portugal, tal como no México, na Turquia e no Brasil, dois terços da população entre os 25 e os 64 anos não completaram o ensino secundário.
Em Portugal, 0,4% do total da população tem educação superior. Os Estados Unidos (33,5%), o Japão (14,7%) e a Alemanha (5,8%) são os países com maior número de licenciados.

Irão suspende sentença de lapidação de Sakineh Ashtiani

Ministério das Relações Exteriores anuncia que execução foi suspensa e que o caso está a ser revisto novamente. Horas antes, Parlamento Europeu reiterou as críticas à sentença de morte por lapidação.
Sakineh Ashtiani
Sakineh Ashtiani
O Ministério das Relações Exteriores do Irão anunciou nesta quarta-feira que a sentença de lapidação (morte por apedrejamento) da iraniana Sakineh Ashtiani foi suspensa. "A execução da senhora Ashtiani por adultério foi paralisada e (o seu caso) está a ser revisto novamente; a sentença por cumplicidade em assassinato está em processo", disse o porta-voz do ministério, Ramin Mehmanparast, segundo a TV estatal local Press TV.
Sakineh, de 43 anos e mãe de dois filhos, foi condenada pela Justiça iraniana à morte, pela acusação de adultério, e a dez anos de prisão por participação no assassinato do seu marido. Uma grande campanha internacional vem pressionando as autoridades iranianas para que a pena não seja executada. O Brasil chegou mesmo a oferecer asilo a Sakineh, o que foi rejeitado pelo governo iraniano.
A suspensão da sentença foi confirmada pela agência estatal Fars. "Por decreto do chefe do Judiciário, a execução de Sakineh Mohammadi foi suspensa e não será executada por enquanto", disse à agência Vahid Kazemzadeh, secretário distrital de direitos humanos.
A sentença de morte contra Ashtiani fora originalmente suspensa em meados de Julho, na esteira da enorme onda de críticas e de condenação internacional – desde as Nações Unidas ao Vaticano. As autoridades iranianas disseram então que só voltariam a avaliar o caso no fim do Ramadão.
A decisão agora anunciada surge algumas horas depois de o Parlamento Europeu ter adoptado uma resolução reiterando as críticas à sentença de morte por lapidação e instando as autoridades de Teerão a reverem-na, garantindo um julgamento justo de Sakineh Ashtiani. “Sejam quais forem os actos cometidos, uma condenação à morte por apedrejamento não é justificável nem aceitável”, diz o documento, que recebeu o voto positivo da quase totalidade dos deputados europeus (658, com apenas um voto contra e 22 abstenções).

PSP: pré-aviso de greve para Novembro

Sindicato Nacional da Polícia denuncia aumento das horas de serviço e quer regulamentção do estatuto profissional da PSP. Governo diz que greve é ilegal, mas a questão é polémica.
Sinapol considera inadmissível que o estatuto profissional da PSP ainda não esteja legalmente regulamentado "quase um ano após a sua entrada em vigor".
Sinapol considera inadmissível que o estatuto profissional da PSP ainda não esteja legalmente regulamentado "quase um ano após a sua entrada em vigor".
O Sindicato Nacional da Polícia divulgou nesta terça-feira um pré-aviso de greve para 19, 20 e 21 de Novembro, data em que ocorre em Portugal a cimeira da Nato. Em comunicado, o SINAPOL denunciou "as atrocidades do ponto de vista estatutário, aumento das horas de serviço, regimes de avaliação e progressão na carreira" e considerou inadmissível que o estatuto profissional da PSP ainda não esteja legalmente regulamentado "quase um ano após a sua entrada em vigor".
A direcção nacional da PSP reagiu dizendo que “não são admitidas greves dos seus elementos” devido à “natureza e especificidades da Polícia de Segurança Pública”, e que “a convocação e a promoção de uma greve consubstancia um ilícito disciplinar de extrema gravidade”.
Também o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, José Conde Rodrigues, afirmou esta quarta-feira que “a lei em Portugal proíbe o exercício de direito à greve na PSP”.
Conde Rodrigues disse que todo o exercício de direitos sindicais é legítimo e considerou normal os sindicatos manifestarem opinião sobre as instituições, mas “nunca passando o limite da legalidade”.
O governo, garantiu, ainda não recebeu formalmente o pré-aviso de greve do SINAPOL.
Mas o SINAPOL afirma ter pareceres dos constitucionalistas Gomes Canotilho e Jorge Miranda que afirmam que a greve é legal. Em declarações à agência Lusa, o especialista em Direito do Trabalho António Garcia Pereira defende a mesma posição: “A lei do associativismo sindical contem a interdição à greve, mas acima das leis ordinárias há a lei fundamental do país que é a Constituição”.
O jurista recorda ainda que com a publicação dos novos regimes da função pública, integrando os polícias, a ideia foi “reforçada”.
“A lei manda aplicar, no geral, o regime do exercício de funções públicas no qual está reconhecido o direito à greve e não está excepcionado o impedimento à greve para esta ou aquela categoria de trabalhadores. Os sindicados entendem que têm aqui uma razão acrescida para considerar que deixou de haver o impedimento ilegal que existia para o exercício do direito à greve”, explicou Garcia Pereira à Lusa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O triângulo

Existe hoje um inefável triângulo na vida portuguesa constituído por Cavaco Silva, PS e PSD. Daí o Presidente ter dito o óbvio: não há tensão, está tudo em paz.
Como poderia ser de outro modo? Para além da primeira linha da excitação retórica, as segundas linhas (Ângelo Correia pelo PSD, Vitalino Canas pelo PS) exalam a serenidade de quem sabe que não existe qualquer risco do orçamento não ser aprovado. Aliás, o Orçamento de Estado de 2011 (e o de 2012 e de 2013) já está traçado e tem um nome: PEC2. Nesta matriz, constam medidas, calendários e dotações. Tudo limpinho e rubricado por Sócrates, Passos Coelho e Cavaco Silva. O resto, convenhamos, são efervescentes inventonas de Verão. Onde não se vislumbra diferença ideológica substantiva ou prática política efectivamente divergente, o coro grego levanta as vozes da tragédia.
Mas o Presidente ainda foi mais longe, garantindo ter informações que lhe permitem afirmar que tudo está no bom caminho. Entenda-se: PS e PSD perseguem, nos bastidores, longe dos palcos e da sua dramaticidade, meticulosas negociações abençoadas por Cavaco. No fim, sabemos que os impostos vão aumentar sem justiça fiscal e que os salários vão baixar.
É por isso que o Bloco está contra esta Santíssima Trindade nas eleições presidenciais. Com Alegre, que se manifestou sempre ao arrepio das várias ondas regressivas de revisão constitucional e rejeitou o Código do Trabalho. Contra Cavaco, que está com PS e PSD. É a vida. É a luta.

Mobilização em França foi a maior dos últimos anos

Sindicatos estimam que 2,7 milhões participaram das 190 manifestações. Greve teve grande impacto nos transportes. Sindicatos podem decidir nova mobilização ainda em Setembro.
Manifestação em Paris mobilizou 270 mil, segundo os sindicatos. Foto da Phototèque des mouvements sociaux
Manifestação em Paris mobilizou 270 mil, segundo os sindicatos. Foto da Phototèque des mouvements sociaux
Os sindicatos franceses estimam ter realizado nesta terça-feira “a mais importante manifestação dos últimos anos”, superior à greve anterior de 24 de Junho, mas também maior que as mobilizações de 1995, contra o plano Juppé para reformar a Segurança Social, e de 2003 contra a alteração da idade da reforma.
Mobilizaram-se agora 2,7 milhões de pessoas contra o aumento da idade da reforma de 60 para 62 anos, segundo os sindicatos, em 190 manifestações em todo o país. Segundo a polícia, foram 1,1milhão os que saíram à rua. Em Paris, a manif teve 270 mil pessoas.
"O governo não pode minimizar uma mobilização nacional deste porte e deverá reflectir sobre a questão", afirmou Bernard Thibault, secretário-geral da CGT. Mas o ministro do Trabalho, Eric Woert, disse "não estar surpreendido com a dimensão dos protestos", e que "reformar-se aos 62 anos é algo normal porque hoje as pessoas vivem mais tempo".
Além do impacto das manifestações, a greve teve grande repercussão nos transportes, com importantes perturbações nos tráfego ferroviário, urbano e aéreo em inúmeras cidades: circulavam apenas dois em cada cinco comboios TGV e pela manhã os comboios Eurostar que ligam Paris a Londres eram os únicos a operar normalmente. Os principais aeroportos praticamente paralisaram, devido à greve dos controladores aéreos.
Nas escolas, o Ministério da Educação reconheceu uma adesão de professores de 25,8%, contra 10,3% em Junho. Os sindicatos afirmam que fizeram greve 55% a 60%.
Nesta quarta-feira, uma reunião intersindical decide os próximos passos que serão dados, que podem passar por uma nova mobilização ainda em Setembro.

Moçambique: Governo congela aumentos de preços

O Governo moçambicano decidiu congelar os aumentos de preços dos bens essenciais. A reviravolta é significativa, pois sabe-se que os aumentos se devem a compromissos com o FMI.
Pão aumentou de preço nesta segunda feira - Foto de António Silva/Lusa
Pão aumentou de preço nesta segunda feira - Foto de António Silva/Lusa
Segundo o governo moçambicano, os violentos protestos contra os aumentos provocaram13 mortos, mais de 500 feridos e quase 300 pessoas presas. O Governo que decidira os aumentos de preços e os tinha reafirmado, mesmo durante os protestos, mudou de posição e, numa reunião extraordinária realizada nesta terça feira, decidiu o congelamento “com carácter imediato” dos novos preços dos bens essenciais, nomeadamente de pão, arroz e energia eléctrica, mas não só.
Segundo a Lusa, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuerencia, numa declaração à imprensa, anunciou a manutenção do preço do pão, a redução do preço do arroz, através da redução dos direitos aduaneiros, e a suspensão da sobretaxa de importação de açúcar. Manteve os estímulos fiscais para batata, tomate, cebola e ovos e, para os consumidores mais pobres, retirou o aumento da tarifa de energia eléctrica, eliminou a taxa de lixo nas facturas de energia e suspendeu a subida do preço da água.
O governo anunciou ainda outras medidas de compensação do congelamento dos bens essenciais, como o congelamento do aumento de salários de quadros do Estado e a redução de viagens aéreas, para conter a despesa pública.
Segundo o ministro, “o objectivo central do Governo é o combate à pobreza, para melhorar as condições de vida do povo moçambicano em ambiente de paz, harmonia e tranquilidade”.
Estas decisões do governo moçambicano, constituem uma reviravolta em relação às decisões anteriores e às afirmações feitas, não só por vários ministros, mas também pelo presidente da República, Armando Guebuza. E são surpreendentes, pois é conhecido que os aumentos de preços derivam de um compromisso assumido pelo governo moçambicano junto do Fundo Monetário Internacional, há três anos, como salientou o economista chefe do departamento de África da Economist Intelligence Unit, Edward George, à agência Lusa. Segundo o economista, o aumento de preços resulta de uma promessa do governo moçambicano ao FMI de “introduzir um sistema de mudança dos preços de combustíveis automaticamente”, para reflectir os preços nos mercados internacionais.
Na entrevista à Lusa, Edward George sublinhava: “Para os mais pobres é muito difícil, porque a família mais pobre em Moçambique gasta entre 30, 40 e 50% do seu dinheiro no transporte, então um aumento de 10 ou 15% no preço do petróleo é muito complicado, daí os protestos serem tão fortes em Maputo”
Medidas concretas tomadas pelo Governo de Moçambique
(notícia do site do jornal “O País” de Moçambique, 7 de Setembro de 2010)

MEDIDAS DE IMPACTO IMEDIATO NOS PREÇOS
1.    As medidas de impacto imediato incluem:
a)    Retirar o aumento anunciado na tarifa de energia para os consumidores de escalão social dos consumos mensais até 100 kwh.
b)    Reduzir o aumento anunciado da tarifa de energia dos consumidores do escalão doméstico cujo consumo mensal se situa entre 100 e 300 Kwh, de  13.4% para 7%.
c)     Eliminar a dupla cobrança da taxa de lixo nas facturas de energia para os consumidores do sistema pré-pago (Credelec).
d)    Continuar com a facilitação das novas ligações de energia para as famílias nas zonas periféricas das cidades, pagando a taxa promocional de 875 Mt e em prestações, sempre que for necessário.
e)    Reduzir o valor da taxa de ligação domiciliária de água dos actuais 4 mil MT para 2 mil MT, com possibilidade de pagamento em prestações.
f)     Manter inalterada a tarifa de água de 150 MT/ Mês para os consumidores até 5 metros cúbicos, equivalentes a 5 mil litros.
g)    Manter o preço anterior do pão através da introdução de subsídio.
h)    Manter as medidas fiscais em curso para a batata, tomate, cebola e ovos, nomeadamente, o estabelecimento de preços de referência abaixo dos reais para cobrança de direitos aduaneiros e IVA.
i)     Baixar o preço do arroz  (3ª. Qualidade) em 7.5%, diferindo os direitos aduaneiros sobre este produto.
j)     Suspender temporáriamente a sobretaxa de importação do açúcar.
k)    Congelar o aumento dos salários e subsídios dos dirigentes superiores do Estado até que o Governo conclua a avaliação em curso.
l)     Congelar o aumento dos salários e subsídios dos membros dos Conselhos de Administração das Empresas Públicas e das empresas maioritariamente participadas pelo Estado, devendo os salários serem pagos em moeda nacional, até que o Governo conclua a avaliação em curso.
m)   Negociar margens de comercialização para os produtos abrangidos por estas medidas
n)    Promover o consumo do  pão que adicione a farinha de mandioca com vista a baixar os custos de produção e o preço ao consumidor final .

2.    As medidas de congelamento dos aumentos salariais indicadas  tem em vista obter poupanças para posterior reorientação para o subsídios necessários. Outrossim, as medidas de carácter fiscal deverão ser assumidas como transitórias (até Dezembro de 2010), tendo em conta a sua insustentabilidade no médio e longo prazo, condicionada pela evolução da conjuntura internacional. 
MEDIDAS DE ÂMBITO MACROECONÓMICO 
Para garantir a sustentabilidade das medidas tomadas, o Governo decidiu, igualmente,  acelerar a implementação das acções na esfera macroeconómica, nomeadamente:
a)    Conter as despesas públicas tendo em vista a realização de poupança para posterior reorientação para o subsídio do custo dos produtos essenciais, através da racionalização da despesa corrente, em particular nas rubricas de:
·         Passagens aérea (redução de viagens dentro e fora do pais e redefinição do direito do uso da classe executiva), ajudas de custo, combustíveis, lubrificantes e comunicações;
·         A não libertação do cativo obrigatório da rubrica dos bens e serviços.
b)     Não aprovação de reforços orçamentais, sem contrapartida.
c)     Não criação de novas instituições que acarretem custos adicionais para o Orçamento do Estado.
d)    Reforço de medidas tendentes a estabilização do Metical.
e)    Disciplinar a actividade bancária intensificando as inspecções junto às instituições financeiras.
f)     Reforçar o mecanismo de monitoria de entrada e saídas de divisas no País.
g)    Reforçar a obrigatoriedade de fixação, facturação e pagamento das despesas em moeda nacional, o que também, concorre para a preservação e valorização do Metical.
h)    Reforçar as acções inspectivas de colocação de preços dos produtos nos estabelecimentos comerciais.represente cerca de metade da tarifa doméstica normal.
j)     Prosseguir com a intensificação do uso do quadrolec, facilitando a ligação de energia para beneficiar as famílias de baixa de renda, vivendo em casas não convencionais.
k)    Privilegiar os consumidores de baixa de renda nas revisões da tarifa de água.
l)     Manter e assegurar os subsídios aos transportes urbanos de passageiros.
m)   Analisar a estrutura dos produtos importados para atender os rendimentos de diferentes camadas sociais.

Visto prévio aos orçamentos é “atentado à democracia”

Bloco diz que a decisão dos ministros das finanças da UE, de analisar previamente os orçamentos dos estados membros, é “um atentado à democracia” e vai requerer ida de Teixeira dos Santos à AR.
Nas jornadas parlamentares do Bloco, José Manuel Pureza anunciou o projecto de resolução para que a AR recuse submeter os próximos Orçamentos de Estado à autorização da UE.
Nas jornadas parlamentares do Bloco, José Manuel Pureza anunciou o projecto de resolução para que a AR recuse submeter os próximos Orçamentos de Estado à autorização da UE.
Os ministros das finanças da União Europeia, reunidos esta terça feira em Bruxelas, decidiram que os projectos de orçamento dos estados membros serão discutidos na UE, antes de serem apresentados aos parlamentos nacionais. No comunicado, os ministros das finanças da UE dizem que a iniciativa permitirá que as políticas económicas e orçamentais dos Estados membros sejam “vigiadas durante um período de seis meses em cada ano, a partir de 2011, a fim de detectar qualquer incompatibilidade ou início de desequilíbrio”.
Em conferência de imprensa, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, considerou que a decisão tomada em Bruxelas é “extraordinariamente grave”, “um atentado à democracia”, salientando que o que “está em causa é nada menos que o esvaziamento dos parlamentos nacionais daquelas que são actualmente as suas competências democráticas fundamentais”.
Nas suas jornadas parlamentares, realizadas em Junho passado em Viana do Castelo, o Bloco de Esquerda anunciou a apresentação de um projecto de resolução à Assembleia da República, para recusar submeter os próximos Orçamentos de Estado à autorização da Comissão Europeia. Este projecto de resolução ainda não foi debatido, nem votado pela AR.
José Manuel Pureza anunciou que o Bloco vai requerer a presença do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, na comissão permanente da Assembleia da República, que reúne já na quinta feira.
Segundo a agência Lusa, o líder parlamentar do Bloco frisou que cabe “aos cidadãos portugueses premiar” ou não em eleições os “actores políticos locais” pelas suas opções e que não o podem fazer relativamente às instituições europeias, acrescentando que “aquilo que um cidadão português não pode fazer é penalizar Sarkozy ou Angela Merkel por opções que vão passar a ser as que se impõem aos orçamentos nacionais”.

PE aprova relatório de Miguel Portas sobre despedimentos colectivos

O relatório de Miguel Portas sobre o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG) foi, nesta terça feira, aprovado no Parlamento Europeu por larga maioria.
Miguel Portas apresentou o relatório ao PE, nesta segunda feira
Miguel Portas apresentou o relatório ao PE, nesta segunda feira
A oposição partiu de liberais e conservadores, contrários à "transformação do FEG num instrumento permanente de apoio a medidas activas de procura de emprego", a partir de 2013.
O relatório defende ainda um conjunto de medidas práticas destinadas a reduzir para metade o tempo que decorre entre o momento do despedimento colectivo e a chegada dos meios financeiros ao seu destino - actualmente entre 12 e 17 meses.
Um mau arranque
Este fundo, criado em fins de 2006, teve um arranque pouco auspicioso. Nos primeiros 36 meses respondeu apenas a 18 candidaturas de 9 países. A análise às 8 candidaturas já encerradas denuncia um elevado nível de devoluções – cerca de 40 por cento dos montantes recebidos. Este balanço é tanto mais paradoxal quanto o Fundo foi anunciado com pompa e circunstância e 500 milhões de euros por ano. Como hoje denuncia o Financial Times, a taxa de execução do fundo neste período não ultrapassou os 5 por cento.
O regulamento do Fundo foi, depois, alterado. As modificações e a crise fizeram com que passasse a responder a um número bem mais elevado de candidaturas – 41 entre Maio de 2009 e Maio de 2010.
Este Fundo encontra-se ante uma bifurcação: ou acaba na data prevista – 31 de Dezembro de 2011 – ou se transforma e prolonga a sua existência até 2020. É esta a opção do relatório. Num contexto em que a UE "se auto-condena a taxas de crescimento medíocres, e portanto a mais desemprego, a solidariedade com as vítimas dos despedimentos colectivos deve ser uma prioridade ética e política", sustenta Miguel Portas.
A contra-corrente
Não deixa de ser sintomático que o relatório tenha sido aprovado num momento em que "os governos europeus estão a erradicar ou a diminuir os apoios sociais dos mais pobres e desprotegidos ao abrigo dos programas de austeridade orçamental, os PEC". A explicação para esta singularidade radica, segundo o autor do relatório, "nas contradições que atravessam a direita europeia, que tem interesses relativamente contraditórios consoante o país de origem e a respectiva tradição no tocante a apoios sociais". Seja como for, para o eurodeputado do BE, a decisão hoje tomada pelo Parlamento Europeu "rompe com o ciclo político dominante e dá um sinal claro às primeiras vítimas da crise".
As três candidaturas de Portugal
Portugal apresentou pela primeira uma candidatura ao FEG em Outubro de 2007 para responder aos despedimentos no sector automóvel na Opel da Azambuja, na Alcoa Fujikura no Seixal e na Johnson Controls em Portalegre. Foram mobilizados 2,4 milhões de euros para apoiar 1549 trabalhadores.
A Janeiro de 2009, foi apresentada uma nova candidatura para os despedimentos no sector dos têxteis no Norte e Centro do país, tendo sido atribuídos 832 800 euros.
A candidatura mais recente, relativa aos despedimentos na Qimonda, foi apresentada em Dezembro de 2009 e o processo ainda decorre. A semana passada recebeu luz verde da Comissão Europeia e aguarda agora aprovação pelo Parlamento e pelo Conselho.

Juros da dívida pública portuguesa batem recorde

O 'spread' das obrigações do tesouro português a 10 anos, em comparação com o das alemãs, atingiu nesta terça feira um novo máximo: Os mercados financeiros estão a exigir 2,5 vezes mais a Portugal do que à Alemanha.
Actualmente, Portugal está a pagar 5,742% de juros e a Alemanha 2,275%
Actualmente, Portugal está a pagar 5,742% de juros e a Alemanha 2,275%
O risco da dívida pública portuguesa continua a bater recordes nos mercados financeiros. A diferença de 'spread' das obrigações do tesouro português a 10 anos, face aos da Alemanha, subiu 15 pontos percentuais, para 351 pontos de diferença. O recorde anterior tinha acontecido em 7 de Maio, no momento mais alto da crise das dívidas soberanas.
Com esta subida, Portugal está a pagar 5,742% de juros pelos títulos da dívida pública a 10 anos, enquanto os juros que a Alemanha está a pagar estão a baixar, estando actualmente em 2,275%.
Os CDS (credit default swaps) sobre as obrigações do tesouro português estão também a subir drasticamente. Os CDS são produtos financeiras, semelhantes a seguros sobre a dívida, e que apostam na especulação e no incumprimento da dívida, provocando a subida dos juros.
Segundo o “Jornal de Negócios”, a autoridade responsável pela gestão da tesouraria do Estado português (o IGCP - Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público), realizará um leilão de obrigações de tesouro nesta quarta feira (“a OT 5,45% Setembro 2013 e da OT 3,85% Abril 2021, num montante indicativo global entre 750 e 1.250 milhões de euros”).

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.