segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ONU descura água e saneamento

A ONU não está a dar atenção à água e ao saneamento nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Por Thalif Deen, da IPS.
A água não recebeu a atenção que requer no projecto de documento final a ser adoptado na reunião da ONU
A água não recebeu a atenção que requer no projecto de documento final a ser adoptado na reunião da ONU
Nações Unidas, 3/9/2010 – Entre os dias 20 e 22 deste mês, a Organização das Nações Unidas deverá responder na Cimeira Mundial sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio às acusações de estar a marginalizar as exigências nas metas sobre o acesso a água e ao saneamento. A água não recebeu a atenção que requer no projecto de documento final a ser adoptado na reunião da ONU, disse à IPS o director-executivo do Instituto Internacional da Água de Estocolmo, Anders Berntell.
Anders também destacou que a boa gestão dos recursos hídricos e o fornecimento de água potável e saneamento são requisitos fundamentais para cumprir os diferentes Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), entre eles reduzir para metade a proporção de pessoas que sofrem indigência e fome até 2015.
“Sem água, nunca poderemos combater a fome. Sem casas de banho nas escolas, as meninas continuarão a abandonar os estudos antes de completar a sua educação. E sem um saneamento adequado, as doenças continuarão a espalhar-se, o que aumentará a mortalidade infantil e a má saúde materna”, explicou. Nos hospitais há muitas camas ocupadas por pessoas que sofrem de doenças originadas na má qualidade da água, acrescentou Anders.
“Portanto, a água deveria ser reconhecida como um dos temas mais importantes a serem abordados na Cimeira, reconhecendo que é necessário urgentemente aumentar o financiamento em todos os planos da nossa sociedade”, disse Anders, cujo instituto será sede da Semana Mundial da Água, de 5 a 11 deste mês, em Estocolmo. Espera-se que deste encontro – que este ano completa o seu vigésimo aniversário – participem mais de 2.500 especialistas, profissionais, políticos e empresários, que debaterão sobre a crise hídrica mundial.
Esta crise é maior do que a causada pelo HIV/SIDA, pela malária, por tsunamis e terremotos, “e por todas as guerras juntas num ano”, alertou Aaron Wolf, director do programa sobre Gestão e Transformação de Conflitos Hídricos na Oregon State University. O alívio da pobreza é uma estratégia explícita para enfrentar as inseguranças do mundo, afirmou Aaron em entrevista colectiva na ONU. Nesse sentido, a água foi “uma preocupação explícita em matéria de segurança”.
Segundo a ONU, cerca de 800 milhões de pessoas em todo o mundo carecem de acesso a água potável, enquanto 2,5 mil milhões não contam com saneamento adequado. Serena O’Sullivan, da organização End Water Poverty, com sede em Londres, disse à IPS que a comunidade internacional precisa fazer mais e melhor para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Isso inclui investir em saneamento, como parte de um enfoque exaustivo para combater pobreza, fome e doenças.
O saneamento, em particular, é absolutamente desatendido pela comunidade internacional e pelo processo dos ODM. “A cimeira da ONU proporciona uma oportunidade única de agir, e a End Water Poverty estará lá para garantir que as nossas mensagens sejam ouvidas”, afirmou Serena. “Trabalhamos com outras redes mundiais para elaborar um informe político – Breaking Barriers (Rompendo Barreiras) – que chama para um novo enfoque na abordagem dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”, acrescentou Serena. “Se queremos erradicar a pobreza, simplesmente não podemos ignorar a pobreza da água e do saneamento”, destacou.
As evidências falam por si mesmas. Os países mais pobres perdem 5% do seu produto interno bruto por culpa da crise, enquanto a população perde tempo colectando água ou sofrendo de doenças como diarreia, o que a impede de trabalhar e estudar. Isto também sobrecarrega os frágeis sistemas de saúde.
Na África subsaariana, metade de todos os leitos hospitalares está ocupada por pessoas que adoecem pela má qualidade da água e do saneamento. “O acesso a água limpa e a um saneamento adequado é um requisito para tirar as pessoas da pobreza”, disse em Março a vice-secretária geral da ONU, Asha-Rose Migiro, no Diálogo Interactivo de Alto Nível sobre a Água. Também destacou que sete em cada dez pessoas sem saneamento apropriado vivem em áreas rurais.
Contudo, a quantidade de habitantes de áreas urbanas que carecem dessas instalações aumenta junto com as populações das cidades. “Apesar de 1,3 mil milhões de pessoas ter conseguido acesso a um melhor saneamento desde 1990”, é provável que no mundo falte atender mil milhões de pessoas para cumprir o Objectivo sobre saneamento, disse Asha-Rose.
Esses Objectivos, definidos pela Assembleia Geral da ONU, incluem reduzir para metade o número de pessoas que sofrem pobreza e fome, com relação a 1990, garantir educação primária universal, promover a igualdade de género e reduzir a mortalidade infantil e a materna, combater a sida, a malária e outras enfermidades, assegurar a sustentabilidade ambiental, e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento. Tudo isto até 2015.
O seu cumprimento encontrou obstáculos devido a vários factores, como as crises financeira e alimentar, o impacto da mudança climática e a redução da assistência ao desenvolvimento por parte dos doadores do Ocidente. Espera-se que a próxima Cimeira avalie os êxitos e fracassos no caminho para essas metas e também procure meios para acelerar o seu progresso nos próximos cinco anos.
A Assembleia Geral da ONU adoptou, no mês passado, uma resolução reconhecendo o direito humano básico à água. Este “é um sinal positivo que vai na direção correcta”, afirmou Anders. Porém, destacou que “não é legalmente vinculante” para os 192 Estados que compõem a ONU e que, “no final das contas, o que importa é se os que tomam as decisões em todos os níveis da sociedade” estão dispostos a considerar isto uma prioridade.
Envolverde/IPS

domingo, 5 de setembro de 2010

Mensagem recebida: "acabou de ser despedido"...

Esta semana, vale a pena destacar um relatório que será votado no Parlamento Europeu cuja implicação vem ao arrepio daquela que é a tendência geral.
A "Europa" parece ser uma realidade distante, mas há sempre excepções. Quando se trata de implementar planos de "recuperação" económica, como os que conhecemos em Portugal, a "Europa" passa a ser a razão de todas as razões. Os governos, que conjuntamente definem a política europeia, usam o argumento de que essa mesma política lhes é imposta: "é obrigatório cortar nos apoios sociais, aumentar os impostos e flexibilizar as regras laborais; nós não queríamos, mas a Europa obriga-nos!". Parece paradoxal, mas não é.
O principal desafio que a Europa enfrenta é parte da explicação deste paradoxo. Numa altura de crise económica e social, não houve ainda nenhum esforço digno desse nome para a criação de uma política económica que coloque como prioridade a criação de emprego durável. Em apenas 3 anos, 8 milhões de pessoas perderam o seu trabalho e 25 milhões de europeus estão hoje no desemprego. Escusado será dizer que há muitas mais pessoas sem trabalho que não cabem nesta fórmula de cálculo.
Se a estratégia deve ser a da criação de emprego, o caminho passa também pela protecção dos que o perderam. É por isto que, nesta semana, vale a pena destacar um relatório que será votado no Parlamento Europeu cuja implicação vem ao arrepio daquela que é a tendência geral. O relatório é sobre o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FAG) e foi elaborado por Miguel Portas. O FAG é o único fundo europeu destinado a apoiar as vítimas de despedimentos colectivos na UE. Quando por toda a Europa os apoios sociais estão a ser diminuídos ou cortados ao abrigo dos Planos de Estabilidade e Crescimento, este Fundo, que tem o seu fim previsto para Dezembro de 2011, poderá ser estendido até 2013, propondo-se ainda a sua transformação numa linha orçamental permanente. Entre as medidas propostas, inclui-se a redução do tempo de espera para o recebimento do apoio financeiro pelas vítimas do despedimento colectivo. Como até agora tem funcionado, o elevado tempo de espera faz com que a disponibilização dos fundos ocorra quando muitos dos trabalhadores já não os irão usar. No caso Qimonda, por exemplo, é provável que apenas uma parte dos 839 candidatos ao apoio dele venham a beneficiar.
Nos tempos que correm, em que tanto se fala de inovação, talvez valesse a pena contar também com medidas de inovação social. De outra forma, parece que em matéria de desemprego corremos o risco de ficar dependentes de tristes exemplos de "inovação", como foi o caso do despedimento colectivo por sms a que assistimos em Portugal na semana passada...

Moçambique vive calma tensa

Confrontos entre manifestantes e polícia em Chimoio fizeram oito feridos e 60 pesssoas foram presas. Guerra de SMS é nova frente de batalha.
Maputo. Foto de moron noodle, FlickR
Maputo. Foto de moron noodle, FlickR
“Uma calma aparente, marcada por enormes bichas nos pontos de venda de bens diversos ao nível das cidades de Maputo e Matola, caracterizou toda a manhã desta sexta-feira, que continua
a ser marcada por uma ameaça, latente, de mais uma onda de violência e protestos populares” – assim descreve a situação na capital moçambicana o jornalmediFAX.
De facto, a tensão viria a ter uma curta explosão, mas noutra cidade, Chimoio, centro de Moçambique, com confrontos entre manifestantes e polícia, de que resultaram oito feridos e cerca de 60 detenções. Manifestantes tomaram as ruas do centro e dos arredores, bloqueando estradas e impedindo a abertura de estabelecimentos comerciais, escolas, bombas de combustível.
De um lado, os manifestantes lançaram pedras e paus contra viaturas, estabelecimentos comerciais e a polícia, e do outro a polícia respondeu com tiros para dispersar os manifestantes. A polícia usou balas verdadeiras, disse à agência Lusa fonte do hospital.
Entretanto, Carlos Serra, do blogue “Diário de um Sociólogo”, dá conta do surgimento de “uma onda contrária [de SMS], apelando à paz e ao trabalho, com um teor muito sloganístico.” Para o sociólogo, “isso pode revelar que teve início no país um novo tipo de luta política, a luta de barricadasSMS”.
Entretanto, o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, fez duras críticas ao governo, afirmando que “a crise evidencia os limites e as fraquezas que o Governo
de Moçambique tem em construir um Moçambique para Todos”, informa o jornal Canalmoz.
O líder do MDM pediu aos manifestantes para não vandalizarem os bens públicos,
privados e dos cidadãos e, ao mesmo tempo, que a Polícia prescinda de utilizar
balas reais para a manutenção da ordem pública.
“O combate à pobreza implica necessariamente um amplo e sustentável processo de distribuição da riqueza”, disse Daviz Simango.

“Prendam Carmen e Esmeralda!”

Os ciganos representam uma das comunidades mais inofensivas e pacíficas do mundo. Pela sua fragilidade material e política, têm sido o bode expiatório perfeito do racismo e do neofascismo. Por José Steinsleger, La Jornada
Ilustração para a ópera Carmen
Ilustração para a ópera Carmen
Para o governo de França (país berço dos direitos do cidadão e do racismo científico), o errar pelo mundo sem emprego fixo dos ciganos (ou povo rom) equivale, uma vez mais, a se levar a liberdade demasiado a sério. Mas os ciganos começaram a vaguear (e não pela própria vontade) quando a França não existia como nação.
Sem uma cultura escrita que tenha esclarecido as suas origens com precisão, os povos rom têm mil anos carregando de um lado para outro os seus pertences, e com o que mais lhes pesa: o clima de medos e preconceitos que todas as sociedades, religiões, culturas e regimes políticos têm deles guardado.
Os historiadores consagrados apenas os nomearam. No estudo inquietante do mundo mediterrâneo na época de Felipe II (1800 páginas), Fernando Braudel dedica-lhes, em pé de página, uma só linha em que diz: “…do tratamento dado aos ciganos espanhóis enviados às galeras, não por causa de um delito, mas por causa da necessidade de que houvesse pessoas para remar”.
De acordo com os preconceitos da época, Cervantes narrou a história de um amor entre Preciosa e um jovem da nobreza que decide comprar a criança, raptada e criada por uma velha cigana cheia de malícia. E Shakespeare, mais indulgente, introduziu os ciganos em cinco das suas obras: Caliban, Como Gostais, Romeu e Julieta, António e Cleopatra e Otelo.
No início do século XIX, quando no bairro Sacromonte, em Granada, os ciganos andaluzes começaram a difundir a arte flamenca ou cigano-andaluza que vinham aperfeiçoando desde o século XV, produziu-se um sobressalto. Fusão da voz com a guitarra e o corpo que, anos depois, consagrariam o par de mulheres mais famosas da cultura cigana: Esmeralda e Carmem, mulheres lendárias.
Esmeralda (Victor Hugo, Nossa Senhora de Paris, 1831) e Carmen (Prosper Merimée, 1845), foram algo mais que simples personagens lendárias na literatura romântica. Foram uma explosão: a revelação do que as mulheres almejavam para si, faiscando engenho, sempre rendendo os homens e a vida que, acima de tudo, amam a liberdade.
Sensualidade recôndita
Santa Joana intuiu, no seu favorito e estranho poema Primeiro sonho, e que a gramática masculina da Real Academia castigou com a definição de ciganada ou ciganear: enganos com os quais só se pode conseguir o que se deseja.
No fundo, o desejo de liberdade que José Martí entendeu assim: “Deixam na memória os ciganos as cores de um sonho brilhante… Como que persegue o cigano sem consciência um ideal que não há de encontrar jamais” (Entre flamencos, 1883).
Em El amor brujo (ballet, 1925), e Bodas de sangre (teatro, 1933), os andaluzes Manuel de Falla e Federico García Lorca sublimaram a tragédia dos ciganos. Tia Añica la Piñaraca, famosa cantora andaluza, dizia, de sua arte: quando canto com gosto, sai sangue de minha boca.
Temidos, expulsos, explorados, escravizados, marginalizados, dispersos pelo mundo, os povos rom souberam conservar a sua cultura e uma férrea tradição de hábitos e costumes que, para sobreviver, não podiam senão ser muito conservadores.
Apesar das duríssimas condições de vida, os ciganos deram ao mundo personagens famosos: actores (Charles Chaplin, Yul Brynner, Michael Caine); guitarristas de jazz, rock e flamenco (Django Reinhardt, Ron Wood, Camarón de la Isla, Tomatito), bailarinas (Carmen Anaya); baladistas (Sandro, Diego el Cigala), Augusto Krogh (prémio Nobel de Medicina, 1920). Até Bill Clinton se jacta de ser sobrinho tataraneto de Charles Blythe, rei dos ciganos da Escócia (1847)!
Alguns estudiosos associam o povo cigano ao povo judeu. No entanto, os ciganos não se regem por livros sagrados, não reclamam territórios, não defendem o nacionalismo e tampouco formaram grandes grupos financeiros.
Os ciganos representam uma das comunidades mais inofensivas e pacíficas do mundo, e os seus ideais figuram na bandeira que adoptaram em 1971: azul em cima (o céu do país que os recebe), verde abaixo (o território em que pisam), e uma roda no meio, que simboliza o nome de seu hino:Guedem, guedem (andai, andai).
Pela sua fragilidade material e política, os povos rom têm sido o bode expiatório perfeito do racismo e do neofascismo que os governantes da União Europeia encarnam, hoje, como Silvio Berlusconi e Nicolas Sarkozy. Ou personagens como a inglesa Viviane Reding, que preside a Comissão para Justiça e os Direitos Fundamentais dos Cidadãos Europeus (sic).
Em Abril passado, a senhora Redign qualificou de inaceitáveis as discriminações sofridas por essa minoria étnica (que não se dignou a nomear). Depois (muito british, ela), rectificou, dizendo que não estava a favor nem contra as propostas francesas. Ou seja, a expulsão dos ciganos do país da tolerância.
Nada de novo. Os reis Luis XII (1504), Francisco I (1538) e Carlos IX (1560) expulsaram os ciganos de França, e no início da Segunda Guerra Mundial o regime de Vichy seguiu com a tradição. Prendeu 30 mil ciganos e entregou 15 mil aos nazis que acabaram nos fornos dos crematórios.
John Steinsleger é jornalista e escritor argentino e tem uma coluna no La Jornada
Tradução: Katarina Peixoto para a Carta Maior

sábado, 4 de setembro de 2010

Ciganos e canalhas

Há 70 anos, o nazismo enviou os ciganos para o holocausto. Agora, a direita europeia, num gesto magnânimo, apenas os deporta. Melhorámos?
Se tivesse que seleccionar o acontecimento político deste Verão, seria certamente o da deportação de ciganos para o Kosovo, a Roménia e a Bulgária.
Tudo começou, pianinho, em Abril, quando o Governo alemão impôs ao seu protectorado kosovar um acordo para o acolhimento de 14 mil ciganos. Berlim fez tábua rasa de todas as recomendações da ONU contra deportações para um território que, além de não ter condições para receber, é o paraíso da máfia na Europa.
O segundo momento desta história canalha passou despercebido: em fins de Julho, o Governo flamengo despachou umas centenas de ciganos para a Valónia. Este gesto antecedeu a campanha que iria nascer no país ao lado. Atolado num escândalo de financiamento partidário contra ‘esquecimento fiscal’, o Presidente francês decidiu dar visibilidade a uma política que a sua administração já praticava há dois anos: a deportação regular de ciganos para a Bulgária e a Roménia.
Durante Agosto, o Governo de Paris aliou a demolição de dezenas de campos de caravanas à deportação de centenas de ciganos. Em redor destas duas operações foi montado um circo mediático com dois alvos: por um lado, a comunidade das vítimas, acusada de preferir a ladroagem à integração; e, por outro lado, Bruxelas, suspeita de não financiar os programas para a fixação dos ciganos nos seus países de origem.
Em face das primeiras reacções de Budapeste, de organizações humanitárias e da própria Comissão Europeia – afinal, a livre circulação de europeus na União consta dos Tratados e as verbas podem ser usadas desde que os governos apresentem candidaturas para o efeito –, de imediato Berlusconi saltou em defesa do seu aliado francês. Por seu turno, a Liga Norte, que detém a pasta do Interior, aproveitou a boleia gaulesa para exigir novas expulsões. Em Itália, a situação não se compara à que enfrentam as crianças ciganas na República Checa – onde um terço se encontra escolarizada em escolas para deficientes mentais – mas a via para o delírio xenófobo tem vindo a ser traçada, nos últimos anos, com expulsões violentas e o agravamento dos quadros legais.
Parafraseando Karl Marx, a História repete-se, primeiro como tragédia e depois como paródia. Há 70 anos, o nazismo enviou os ciganos para o holocausto. Agora, a direita europeia, num gesto magnânimo, apenas os deporta. Melhorámos? No dia em que deixarmos de pensar «que a culpa é dos ciganos» ou que «eu não sou racista, mas...», acredito que sim. Até lá, continuaremos a merecer líderes ignorantes, oportunistas e rascas.
Artigo publicado no jornal "Sol", em 27 de Agosto

Patagónia à venda

Quando eclodir a Grande Guerra das Águas – esperada para 2020 – a Patagónia será posta a prémio; ter água implicará riqueza infinitamente maior do que, hoje, ter petróleo ou gás. Por Pepe Escobar, do Asian Times
Catarata de Salto Grande, Patagónia. Foto de Geoff Livingston, FlickR
Catarata de Salto Grande, Patagónia. Foto de Geoff Livingston, FlickR
A “deserta e estéril” Patagónia (na avaliação inicial de Charles Darwin) são nada menos que 230 mil quilómetros quadrados de bacias de rios que desaguam no Atlântico. São 4 mil quilómetros quadrados de gelo continental e glaciares – além de uma das maiores reservas de água doce do planeta.
Vivemos hoje os estágios avançados de uma guerra global sem fim à caça de petróleo e gás (há dos dois, aliás, na Patagónia). Relatório crucial da Unesco já avisava, em 2000, que nos cinquenta anos seguintes praticamente todos os seres que habitam o planeta enfrentariam problemas relacionados à falta de água ou à contaminação de grandes massas de água. Quando eclodir a Grande Guerra das Águas – esperada para 2020 – essa Patagónia de lagos azuis translúcidos e glaciares milenares será posta a prémio; ter água implicará riqueza infinitamente maior do que, hoje, ter petróleo ou gás.
Mentes analítico-bélicas no Pentágono e na Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA não conseguirão deter os sonhos molhados de uma Patagónia secessionista, que será uma espécie de última Arábia Saudita líquida da Terra. População rarefeita (menos de 2 milhões de habitantes), com toda aquela água, abundantíssima energia hidroeléctrica e 80% das reservas de petróleo e gás natural da Argentina. O grau de descaso e negligência de que se ressentem os habitantes da Patagónia, em relação a Buenos Aires, pode ser comparado ao que se sente no Baluquistão, no Paquistão, em relação a Islamabad. Pesquisas recentes mostraram que o desejo de viver numa Patagónia independente sempre está acima de 50% (e chega a 78% entre os mais jovens e os desempregados).
A descrição de uma rota de colisão e desastre, de quatro séculos de “desenvolvimento” patagónio, teria aproximadamente o seguinte feitio. No começo foram os povos nativos. Depois vieram os navegadores ibéricos, os piratas ingleses, todos os tipos de cientistas europeus aplicados, os missionários religiosos, os exilados que sonhavam fazer da Patagónia uma versão austral da América. Então chegaram os latifundiários – do Chile ou da Holanda, do País de Gales ou da Polónia, da Escócia ou Dinamarca.
Livrar-se das populações nativas foi colonialismo nu e cru. Os patagónios do norte foram exterminados pela infame e eufemística Campanha do Deserto, de 1879; os do sul foram convertidos, à força, em força de trabalho para o agro-business. E então, nos anos 1990, chegaram os bilionários do “primeiro mundo”.
Como sabem todos os bilionários encantados com a vida selvagem e os seus executivos enfarpelados, a venda da Patagónia começou em 1996, no governo do ultra-neoliberal Carlos Menem. Nas suas próprias palavras, Menem desejava vender “o excesso de terra” do país que presidia. Não há legislação federal, na Argentina, que regule a venda de terras a estrangeiros. Só no final da década de 1990, venderam-se mais de 8 milhões de hectares de terra. Segundo o exército argentino, mais de 10% do território nacional pertence hoje a estrangeiros – e as vendas prosseguem. O problema não é a venda; o problema é o controle, virtualmente nenhum, sobre os projectos propostos para investimento.
Se for abonado, ainda comprará o que quiser, onde quiser – inclusive as áreas dos espectaculares parques nacionais. Cada província fixa regras próprias. Se encontrar o funcionário certo e levar consigo a mala certa carregada com os dólares certos, o mundo – à moda de Tony Montana 1 – é seu. Não surpreende que praticamente todos os moradores das províncias de Rio Negro ou Santa Cruz digam que o gabinete do presidente da câmara é a principal agência de venda de terras da cidade. Os mesmos moradores inevitavelmente lamentam que a Patagónia esteja a ser comprada por estrangeiros – de Ted Turner à família Benetton. E duas das maiores empresas de petróleo da Patagónia pertencem a estrangeiros; uma delas, estatal, foi vendida à Espanha; a outra, privada, à Petrobrás brasileira.
Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse – versão local, no fim do mundo – são Tompkins, Turner, Lewis e Benetton. São a colheita do século 21 dos conquistadores, aventureiros e piratas da Patagónia – de Francis Drake e George Newbery a Butch Cassidy e Sundance Kid (o rancho deles continua lá, em Cholilla, resto de pueblo que combinaria perfeitamente no cenário das áreas mais miseráveis do Novo México). Os estrangeiros sempre sonharam com esse fim do mundo. A beleza violenta desse lugar – como adiante se verá – leva às lágrimas muito homem feito.
Doug Tompkins é guru “verde” californiano, fundador de duas organizações, The North Face e Esprit. Na Patagónia é conhecido como “o dono da água”. É o maior proprietário privado de recursos naturais da Patagónia chilena, e da região de Corrientes, na Argentina; e é dono de várias estâncias, todas estrategicamente distribuídas pelo mapa. Quando Tompkins bateu os olhos pela primeira vez no sul da Patagónia, do lado chileno, e depois no noroeste da Patagónia, do lado argentino, em 1961, chorou como um bebé. Depois voltou – e pôs-se a comprar.
Ted Turner, fundador da CNN e fanático por pesca de trutas e dono de uma villa espectacular, em área de 5 mil hectares, no sul da província de Neuquen, de onde controla completamente o acesso a um dos rios mais virgens da Patagónia. Tem outra propriedade de 35 mil hectares na mesma província, mais outra, de 5 mil hectares, na Terra do Fogo. Ted só comprou terra nos EUA e na Patagónia.
Villa Traful é um vale verde, privado, que cerca o espectacular lago de mesmo nome – e faz pensar que dessa matéria são feitos todos os Xangrilás, antes do advento do Facebook. Comprar terras em Traful, nos anos 1990s, era sopa. Quem sabia jogar o jogo rapidamente virou proprietário da terra pública em torno do lago. Agora, a festa acabou. Só Jorge Sobisch, de família de emigrados croatas, ex-governador da província de Neuquen que quer ser presidente, já praticamente vende tudo, todos os dias, para gigantescas massas de turistas.
Mas, acima de tudo e todos, toda essa terra pertence a Ted Turner. Turner é proprietário de La Primavera, estância cinematográfica de 5 mil hectares na boca do rio Traful. Ali pesca, como abençoado, a melhor truta e o melhor salmão que a natureza consegue gerar. Jane Fonda era doida por La Primavera. Tompkins era hóspede frequente, além de George Bush pai e Henry Kissinger. A área é policiada por satélite. Estive lá no inverno, tudo vazio e gelado. Assim, não tive o prazer de navegar em águas que pertencem a Ted Turner. Claro. Ted jamais se deixa ver na Vila Traful – mas sabe-se que visita a estância La Primavera algumas vezes por ano.
La Primavera foi fundada, de facto, por um dentista norte-americano e ex-vice cônsul dos EUA em Buenos Aires, George Newbery, em 1894. George e Ralph Newbery (pai do famoso aviador Jorge, cujo nome hoje decora o portal de entrada de um dos aeroportos de Buenos Aires) convenceram-se de que, para povoar a Patagónia, o melhor seria importar cowboys do Texas.
Assim, já desde o início do século 20, temia-se, em todo o norte da Patagónia, uma onda de colonização yankee. Mas a fonte de cowboys exilados do Texas logo secou. La Primavera foi vendida para um inglês, depois para um francês, depois para um argentino, até que, finalmente, pousou no colo de Ted Turner, que andava profundamente envolvido num projecto conservacionista – ou expansão territorial – de 2 milhões de hectares em Montana, Novo México e Nebraska. Mas, sobre a Patagónia, ele jamais negociou nem cedeu um palmo. Coisas de pescador de trutas.
Brit Joseph Lewis, dono da 6ª maior fortuna do Reino Unido, conhecido na Patagónia como “Tio Joe”, por causa de incontrolável mania de fazer filantropia, controla todos os 14 mil hectares de terra em volta do sublime, indescritível Lago Escondido, a 92 km de Bariloche, junto à fronteira com o Chile. Controla também toda a bacia do premiado rio Azur. O ultradiscreto Lewis, que vive entre Londres, Orlando, as Bahamas e a Patagónia é alto tubarão da especulação financeira, além de accionista da pesquisa genética. As garras de seu Tavistock Group estão pousadas sobre tudo, do petróleo e gás da Sibéria, aos sapatos e roupas marcas Puma e Gottex.
A Xangrilá andino-patagónica de Lewis não fica longe de El Bolson, a meca dos hippies argentinos nos anos 1970s, convertida, por transmigração dos espíritos, na primeira câmara ecológica do início dos anos 1990s. Nas florestas, ao estilo Tolkien, há árvores multimilenares, os alerces, de madeira lahuan – os organismos vivos mais antigos que há na Argentina, os terceiros entre os mais antigos do planeta. Assim como se vêem alerces por todos os lados e até onde a vista alcança, também se vêem até onde a vista alcança sinais de que, hoje, Lewis só pensa, mesmo, em fazer o trabalho que caberia às autoridades provinciais e nacionais – quer dizer: em construir um Estado de facto, dentro do Estado.
Em apenas alguns poucos anos, Lewis comprou terras em metragem equivalente a três quartos da cidade de Buenos Aires – mas sob a forma de florestas milenares, glaciares, lagos e rios intocados. Por pouco, não comprou o próprio lago, o que a lei não permitiu. Mas, sim, comprou toda a terra à volta do lago, o que significa que, se você quiser chegar até o lago, tem de viajar por 18 km, em estrada dentro de sua propriedade. Conhecer essa Xangrilá só é possível com ajuda do alto, ou seja, dos guardas de Lewis. Há suspeitas de que Lewis tenha tentado comprar as nascentes de vários rios da região. E, considerando que o Grupo Tavistock está pesadamente envolvido em pesquisa genética e biotecnologia, há suspeitas, também, de que já esteja a extrair e exportar as espécies mais raras que vivem (viviam) na Cordillera.
Tradução: Caia Fittipaldi, Vila Vudu
Retirado de Outras Palavras
Este artigo é a segunda parte de trabalho maior. A primeira parte, “In Tierra del Fuego, Darwin still rocks”, pode ser lida aqui.

1 Antonio Montana, conhecido como “Tony Montana”, é o personagem interpretado por Al Pacino no filme Scarface (1983). Sobre o filme, ver http://www.imdb.com/character/ch0003932/.

Concentrações de solidariedade com ciganos expulsos de França

Neste sábado, vão realizar-se concentrações em Lisboa e no Porto em frente às representações diplomáticas francesas. Em simultâneo, realizam-se igualmente concentrações em diversas cidades europeias.
Expulsão de ciganos em Paris, dia 20 de Agosto de 2010 - Foto da Lusa
Expulsão de ciganos em Paris, dia 20 de Agosto de 2010 - Foto da Lusa
Para este sábado estão convocadas concentrações nas cidades de Lisboa e do Porto “de solidariedade para com a situação dos ciganos imigrantes em França e de repúdio face às políticas securitárias do governo francês”.
As concentrações terão lugar, ambas às 15.30h, em Lisboa - em frente à embaixada de França, na calçada Marquês de Abrantes- e no Porto – junto ao consulado francês, na Avenida da Boavista.
Ana Cruz do SOS Racismo, uma das organizações convocadoras das concentrações, disse à agência Lusa: “O objectivo principal é protestar pela situação em França, denunciar as expulsões da comunidade cigana em França. É claramente um atentado contra os direitos humanos porque se trata da expulsão maciça de pessoas e cujo único critério é a sua etnia. É claramente algo que só é comparável ao que foi o regime nazi”.
A convocação é subscrita por: Associação Cigana de Braga, Associação Cigana Canto e Dança Cigana (Porto), pelas Associações Ciganas de Coimbra, Espinho, Gondomar, Matosinhos, Os Vikings (Porto), Pedro Bacelar Vasconcelos (Braga), Associação Desportiva dos Ciganos do Porto, AMUCIP (Seixal), APODEC (Lisboa), Centro de Estudos Ciganos (Figueira da Foz), Ciganos d' Ouro, Gipsy Produções Associação Cultural (Águeda) e União Romani.
Neste sábado, decorrerão ainda acções de protesto em Paris e outras cidades da França, num apelo subscrito por associações, centrais sindicais e por todos os partidos da esquerda francesa.
Para Madrid está convocada uma concentração para as 12h, em frente à sede local da Comissão Europeia. Outros protestos estão convocados para Barcelona e para outras cidades europeias.

Viaturas para abate abandonadas no Parque Natural de Montesinho

A deputada Rita Calvário do Bloco questionou o Governo sobre a situação e interroga o ministério do Ambiente sobre as medidas que vai tomar medidas para que as viaturas sejam removidas.
As viaturas abandonadas são do Instituto Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e estão destinadas a abate
As viaturas abandonadas são do Instituto Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e estão destinadas a abate
O Parque Natural de Montesinho é a maior área protegida do território continental de Portugal. Neste momento, estão abandonadas no parque várias viaturas do Instituto Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), destinadas para abate.
A deputada do Bloco considera: “inadmissível transformar o Parque Natural de Montesinho em sucata, sendo urgente proceder à remoção das viaturas abandonadas e limpeza da área em causa. É também preciso assegurar que o ICNB tem os meios necessários ao desempenho das suas funções, o que passa necessariamente por garantir a substituição das viaturas que foram destinadas a abate”.
Rita Calvário pergunta ao Governo, através do ministério do Ambiente:
“1 – Como justifica o Ministério o abandono de viaturas destinadas a abate em pleno Parque Natural de Montesinho? Há quanto tempo se verifica esta situação?
2 – Vai o Ministério tomar medidas urgentes para que as viaturas em causa sejam removidas e destinadas a local adequado?
3 – Está prevista a substituição das viaturas destinadas a abate, reforçando os meios do ICNB?”
Mais informação em braganca.bloco.org

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sobre o genocídio das escolas

A suposta correlação que indica que a pequena dimensão das escolas provoca insucesso escolar é tão válida como pensarmos que a pequena dimensão das aldeias provoca o envelhecimento dos seus habitantes…
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A suposta correlação que indica que a pequena dimensão das escolas provoca insucesso escolar é tão válida como pensarmos que a pequena dimensão das aldeias provoca o envelhecimento dos seus habitantes…
O ano lectivo está prestes a começar e, para grande espanto, a medida de encerramento compulsivo das 701 escolas com menos de 20 alunos vai mesmo avançar. Com uma lista divulgada a menos de um mês do início das aulas, e com uma estranha conivência da maioria dos autarcas, o bizarro argumento de que a pequena dimensão da escola contribui para o insucesso escolar vai mesmo vingar. Alguns protestos fizeram-se sentir, algumas reacções indignadas de encarregados de educação e de autarcas que sentem não ter sido ouvidos fizeram-se ouvir. No entanto, regra geral o genocídio das escolas está a passar quase incólume. Esperemos que os próximos dias tragam novidades neste sentido.
Para além do impacto negativo que a transferência de crianças para locais mais afastados da sua residência tem, torna-se quase escusado sublinhar o papel incontornável dos estabelecimentos de ensino nos meios mais pequenos. Funcionam normalmente como importantes dinamizadores da vida local, ajudando a contrabalançar o envelhecimento e a desertificação de que tanto se fala. Estas pequenas escolas constituem-se nas pequenas aldeias como um dos últimos vestígios de serviços públicos disponíveis. O seu encerramento representa um arrepiante baixar de braços relativamente a qualquer estratégia de planeamento e organização do território. Trata-se de um despudorado abraçar das lógicas centralistas.
Mas um dos aspectos mais interessantes desta questão do encerramento diz respeito à linha argumentativa de que, nos novos e maiores estabelecimentos, os alunos beneficiarão de melhores instalações e melhores meios de apoio ao ensino. Tal acontece por oposição às pequenas escolas que agora encerram, em grande parte degradadas e onde a falta de meios é de todos conhecida. Ou seja, em vez de se apurarem responsabilidades sobre a ausência de investimentos que dignifiquem estas pequenas escolas, assume-se como fatalidade a falta de meios ou as poucas condições. Moral da história: a técnica do deixar apodrecer continua a ser muito conveniente em diversas áreas das políticas públicas.
Com o argumento de que tudo está a ser feito para o bem dos alunos, aqui e ali temperado com a bandeira da sustentabilidade (leia-se economicismo), o processo de encerramento das escolas está a avançar sem grandes sobressaltos. A suposta correlação que indica que a pequena dimensão das escolas provoca insucesso escolar é tão válida como pensarmos que a pequena dimensão das aldeias provoca o envelhecimento dos seus habitantes… Por este andar, e seguindo estas lógicas, já deve faltar pouco para uma medida administrativa de encerramento compulsivo das aldeias do país e transferência dos seus habitantes para "centros habitacionais com melhores condições”.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.