sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Incêndio noutra plataforma petrolífera do Golfo do México

A guarda costeira norte-americana primeiro anunciou que junto à plataforma se tinha formado uma mancha de petróleo, posteriormente voltou atrás e não confirmou o derrame.
Fumo do incêndio na plataforma Vermillion 380 - Foto obtida da estação de televisão KLFY de Nova Orleães, EPA/Lusa
Fumo do incêndio na plataforma Vermillion 380 - Foto obtida da estação de televisão KLFY de Nova Orleães, EPA/Lusa
A explosão deu-se na plataforma de petróleo e gás Vermillion 380, no Golfo do México, da empresa norte-americana Mariner Energy, nesta quinta feira. A plataforma está situada ao largo do Estado da Luisiana, a cerca de 300 quilómetros, da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu no passado 20 de Abril e derramou petróleo até 3 de Junho.
Os treze trabalhadores da Vermillion 380 lançaram-se ao mar, sendo salvos e transportados de helicóptero para um hospital.
Numa primeira informação, a guarda costeira dos Estados Unidos disse que se tinha formado uma mancha de petróleo com cerca de dois quilómetros de extensão e 30 metros de largura. A empresa Mariner Energy negou que tivesse havido derrame e a guarda costeira veio também desdizer a sua informação inicial, negando igualmente o derrame.
Após ter sido conhecido o incêndio na plataforma, as acções da Mariner Energy caíram 16% em poucos minutos na bolsa de Nova Iorque, aumentando espectacularmente o volume de títulos negociados.

Quimonda ilustra a importância de um relatório

Miguel Portas faz na segunda-feira, no plenário do Parlamento Europeu, uma apresentação do seu relatório sobre o apoio às vítimas de despedimentos colectivos. O caso da Quimonda ilustra a importância deste documento.
Comissão do Parlamento Europeu aprovou relatório de Miguel Portas, em Julho passado
Comissão do Parlamento Europeu aprovou relatório de Miguel Portas, em Julho passado
O eurodeputado do Bloco de Esquerda abordou este assunto na reunião de grupo realizada quarta-feira em Bruxelas pelos eurodeputados da Esquerda Unitária (GUE/NGL) e fará perante o plenário, em Estrasburgo, um ponto da situação depois de o relatório ter sido adoptado, em 14 de Julho, pela Comissão de Orçamentos do Parlamento Europeu. O relatório tem a oposição da direita e extrema direita e também dos liberais. No entanto, segundo Miguel Portas, as negociações em comissão não desfiguraram o documento em relação às suas intenções iniciais.
Um dos objectivos do documento, um relatório de iniciativa do deputado do Bloco de Esquerda, é reduzir em cerca de seis meses a disponibilização pelas instituições europeias das verbas de apoio às vítimas de despedimentos colectivos nos países da União.  A compensação devida pela UE aos trabalhadores atingidos por despedimentos colectivos está a chegar cerca de 12 a 18 meses depois da perda efectiva dos postos de trabalho.
O caso da Quimonda é um exemplo flagrante desta situação, como tem lembrado Miguel Portas. O processo de despedimento colectivo iniciou-se em Julho de de 2009 mas apenas em Dezembro o governo de Lisboa submeteu a candidatura aos fundos europeus; a Comissão Barroso só agora deferiu a activação do fundo, o Parlamento Europeu terá que se pronunciar, o que deverá acontecer em Outubro, e o dinheiro demorará ainda mais dois meses a chegar. São 18 meses de espera em cima da violência da perda do emprego.
Oprocesso desenvolve-se através do Fundo de Apoio à Globalização, de facto o tema central do relatório. Depois dos trabalhos em comissão Miguel Portas considera importante que seja o Parlamento em plenário a decidir sobre as questões ainda fraccionantes do fundo: o seu financiamento e o seu futuro - extra-orçamental ou permanente.
Consulte a versão actualizada do relatório

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu

Moçambique: 2º dia de revolta popular

Governo reuniu de emergência e decidiu manter os aumentos de preços e impor a ordem nas ruas. As barricadas voltaram a cortar as principais avenidas e a polícia disparou de novo sobre os manifestantes.
Polícia junto a uma barricada em Maputo. Foto de ANTONIO SILVA / LUSA
Polícia junto a uma barricada em Maputo. Foto de ANTONIO SILVA / LUSA
Reunido de emergência na manhã desta quinta, o Conselho de Ministros de Moçambique manteve a decisão de aumento dos preços dos bens essenciais, como o pão, a água e a electricidade, e apelou à calma da população, que deve “trabalhar arduamente” para reduzir o custo de vida no país. O porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutumula, disse que a solução para os problemas dos moçambicanos passa pelo trabalho. “Estamos num barco em que não há passageiros e comandantes”.
Os dados oficiais apontam que sete pessoas morreram e 288 ficaram feridas nos confrontos entre populares e polícia em Maputo. Mas dados levantados pelo correspondente em Maputo da RTP apontam para a existência já de 14 mortos.
Segundo o governo, os prejuízos decorrentes das manifestações estão estimados em 122 milhões de meticais (2,5 milhões de euros).
O governo mandou os militares para as ruas, para “ajudar o trabalho da polícia”, neste segundo dia de greves, protestos e barricadas nas ruas que paralisaram a capital de Moçambique. Com quase todos os estabelecimentos encerrados, há dificuldades em encontrar combustível e poucas são as padarias abertas, o que provocou longas filas nas que abriram.
A agência Lusa voltou a constatar a existência de confrontos entre a polícia e os populares na zona do Zimpeto, na zona de saída de Maputo, em direcção ao norte do país, e também na Avenida do Trabalho, no bairro da Chamanculo. Na zona de Xiquelene, grupos de jovens atiraram pedras à polícia e destruíram cartazes de Armando Guebuza, Presidente da República.
Ouvido pela Lusa, o jornalista Fernando Lima explicou que os populares que protestam “não é ao metical que reagem. É ao governo. Pensam que nos estão a ir ao bolso naquilo que é o nosso último recurso”, disse. Na sua opinião, a decisão do governo de manter os aumentos não corresponde à expectativa das pessoas, e por isso os protestos vão manter-se.

A comunidade cigana: mais um alvo fácil de Sarkozy

A pessoa cigana é hoje o estrangeiro (mesmo sendo cidadão nacional), o pobre, o sem voz, sem poder.
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A pessoa cigana é hoje o estrangeiro (mesmo sendo cidadão nacional), o pobre, o sem voz, sem poder.
“C'est la guerre!”, “Nous serons intraitables”, “Il n'y aura plus d'excuses”, “Nous allons éradiquer”, “J'ai donné l'ordre de...”, “Une nouvelle loi sera votée bientôt”, …
(“É a guerra!”, “Seremos intratáveis”, “Não haverá mais desculpas”, “Iremos erradicar”, “Uma nova lei será votada rapidamente”)

Nicolas Sarkozy
O discurso de 30 de Julho, em Grenoble, de Nicolas Sarkozy começou pela criminalidade violenta, para passar à imigração e aos Roms, ordenar o desmantelamento dos campos da comunidade cigana (ou Rom) e as expulsões colectivas e anunciar novo projecto de retirada de nacionalidade a cidadãos estrangeiros que tenham praticado determinados crimes… juntou tudo numa amálgama do pior que há e, a partir daí, triunfantemente atirar com afirmações de força, ordem, e compostura num discurso securitário com alvos fáceis.
Mostrar a imagem do homem de pulso forte, com rédea curta, pretende manipular e conquistar facilmente um povo (48 a 69%, dependendo das sondagens1, apoia estas decisões) que se sente inseguro, mas inseguro por tudo e mais alguma coisa… sobretudo inseguro devido ao desemprego, precariedade que avança em vários sectores da vida, inseguro perante um projecto europeu que dá mostras de fraqueza, perante uma política e gestão medíocres, uma comunicação social incendiária, etc.
Nicolas Sarkozy está a fazer uma jogada populista, aprazível a sectores populares e à extrema-direita de Le Pen (Front National), que lhe valeram dois pontos percentuais, de 34% para 36%2, uma subida afinal ligeira na sua popularidade, pois continua nos valores mais baixos desde 2007, o que provoca preocupações à sua recandidatura.
Assim pretende, também, afastar as atenções do seu plano de austeridade e aumento da idade da reforma.
A postura de força e ordem associadas à xenofobia sempre foram utilizadas, de forma vergonhosa, nesta Europa, em épocas de crise e decadência, normalmente visando um bode expiatório; agora um dos seus elos mais fracos: a comunidade cigana.
Mas no fundo, esta atitude toda, solene e dramática, não revela mais do que a incapacidade de Sarkozy de fazer alguma coisa com seriedade. A comunidade Rom continuará a vir para França e para outros países, a ser expulsa, a fugir de uma realidade onde não tem trabalho ou onde trabalha 30 dias por mês, 12 horas por dia, a ganhar 150 euros por mês3, num país onde não tem acesso a políticas sociais. É um ciclo que se eterniza ...e que só pode aumentar perigosamente o racismo e a estigmatização originando acções violentas em vários sectores da sociedade, sobre um povo já muito maltratado.
Para fazer algo com seriedade era necessário agir de forma mais profunda. Era necessário ser verdadeiro, era necessário que os responsáveis políticos em exercício em França, mas também em todos os Estados da União Europeia, na Itália, Alemanha, Dinamarca e Suécia (países onde também tem havido expulsões do género) fizessem aquilo para que são eleitos: se preocupassem e procurassem cuidar de todas e todos os que habitam o seu território, ir às causas dos problemas, ao contexto, falar com os actores diversos, produzir políticas sociais e de educação, habitação, integração social e política, neste caso, de um grupo culturalmente distinto.
Mas não é nada disso que o Sr. Sarkozy quer. É que assim lhe faltaria a desculpa, o oportunismo, para utilizar este grupo para fazer mais um dos seus números.
As pessoas da comunidade cigana integram a maior minoria étnica europeia (cerca de 10 milhões) que já sofreu muitos atropelos graves; opressão esta que é ignorada pela história. Quem sabe a história deste povo? quem fala no genocídio por Hitler, quem fala na escravatura a que foram (e são) sujeitos em várias partes da Europa, quem fala nas consecutivas perseguições, prisões em massa, expulsões, assimilações forçadas e violentas, deportações e assassinatos que, durante séculos, foram sofrendo por esta Europa fora4?… até hoje…
Ruy Duarte de Carvalho5 referia-se aos problemas que as comunidades nómadas do mundo sempre tiveram junto das comunidades sedentárias: “por todo o mundo e desde a bíblia estigmatizam todas aquelas sociedades que fundamentam na mobilidade as suas estratégias de vida (…) há aspectos económicos, ideológicos e técnicos que traduzem os termos do conflito entre os nómadas e os sedentários de hoje. Há ainda na actualidade muitos milhões de seres humanos que extraem da sua mobilidade e dos seus recursos vivos e móveis as razões e dinâmicas da sua vida económica e cultural (…) são unanimemente acusados de independentes, pouco controláveis, pouco dóceis, pouco respeitadores das autoridades, turbulentos, bandidos, preguiçosos, avessos aos trabalhos agrícolas ou assalariados, avessos à escolarização, vítimas de arcaísmo cultural, de estagnação e de imobilismo” (Vou Lá Visitar Pastores, 1999, Cotovia, p. 25 e 26). No fundo, numa sociedade sedentária que assenta na propriedade privada, as comunidades nómadas geram uma grande contradição, serão a maior aberração e enquanto não forem completamente sedentarizadas, e domesticadas, serão tudo do pior que há.
A pessoa cigana é hoje o estrangeiro (mesmo sendo cidadão nacional), o pobre, o sem voz, sem poder, sem qualquer participação nas estruturas de poder, sem educação, completamente alienado de política social de integração adequadas. É este elo (juntamente com os imigrantes) que fornece a oportunidade ao Sr. Sarkozy para fazer o seu número de defensor da pátria, ameaçando, avisando, exigindo e ordenando… mas no fundo não fazendo mais do que, de forma vergonhosa, expulsar cidadãos europeus, que não praticaram sequer qualquer crime (apenas o de serem extremamente pobres), de forma colectiva e ilegal, com base numa mesma família étnica, fretando aviões e ignorando tratados e directivas. Mesmo que o seu executivo recorra a justificações legais – que nos dizem que a livre circulação nunca será para os pobres – como a obrigação de apresentação de meios de subsistência para permanecer em território francês e a obrigação de os cidadãos da Bulgária e da Roménia só poderem entrar em “território europeu” com contracto de trabalho até 2013, o que é certo é que as pessoas da comunidade Rom não estão a ser tratadas como indivíduos mas como massa homogénea, associadas ao crime, e expulsas ilegalmente, porque de forma colectiva.
A Comissão Europeia, mostra mais uma vez o seu cinismo estrutural, assiste e não se pronuncia, quanto muito algumas declarações tímidas, que dão todo o espaço à continuação da limpeza étnica.
A atitude da esquerda tem de ser uma atitude responsável, aquela que não promove a violência e a estigmatização; de oposição a esta associação entre crime e minorias étnicas ou grupos sociais; a defesa da dignidade inalienável de cada ser humano; sempre a preferência pelas políticas sociais e de integração da diversidade, por mais complexas que sejam, do que o discurso repressivo e securitário fácil; a resposta da esquerda tem de passar pela compreensão, defesa, respeito e integração da diferença e dos grupos culturais minoritários; a resposta da esquerda tem de ser de solidariedade e não de expulsão.

4 Ver Conselho da Europa – um dos organismos que tem feito bastante pelo resgate da história (apagada) do povo cigano.
5 Antropólogo, escritor, cineasta e artista plástico, 1941-2010

CML ignora pareceres e aprova condomínio

Último espaço livre na Av. Infante Santo, em Lisboa, vai ser ocupado por quatro blocos de cinco pisos. Autorização, subscrita por Manuel Salgado, passa por cima de pareceres de serviços da própria câmara.
Salgado ignorou pareceres de serviços da própria câmara
Salgado ignorou pareceres de serviços da própria câmara
Uma investigação do Público, de responsabilidade do jornalista José António Cerejo, mostra esta quinta-feira que a Câmara de Lisboa autorizou, no fim de Julho, um loteamento que foi considerado inviável pela Estrutura Consultiva do Plano Director Municipal e que suscitou fortes reservas de outros serviços camarários.
A proposta aprovada, subscrita pelo vice-presidente e vereador de Urbanismo Manuel Salgado, omite o essencial das objecções levantadas e foi aprovada apenas com os votos da maioria.
O projecto envolve um total de 4242 m2, que o grupo liderado pelo empresário João Pereira Coutinho possui entre a Av. Infante Santo e a Calçada das Necessidades e que é o único espaço ainda não-urbanizado daquela avenida.
O loteamento agora aprovado contempla a transformação de um edifício fronteiro ao muro da Tapada das Necessidades, a demolição de um outro e a construção de quatro blocos de apartamentos com cinco pisos. A área total a construir será de 6938 m2, dos quais 670 serão para comércio e o restante para habitação.
Ora o Núcleo Residente da Estrutura Consultiva do PDM - serviço composto por técnicos municipais - entendeu, porém, que a intervenção não deveria ter sido sujeita às regras dos loteamentos, que não teria sentido por não serem criados mais lotes, novos arruamentos, ou infra-estruturas.
O mesmo parecer defende que o projecto da SGC "não respeita" o artigo do PDM que ali interdita a construção nos logradouros.
Finalmente, o projecto não contempla a criação de 69 lugares de estacionamento exigidos pelo PDM.
Mas na proposta que fez aprovar, Manuel Salgado omite parte das objecções dos serviços, e justifica outras pela cedência, pelo promotor, de uma área que permitirá "constituir um único espaço verde de utilização pública com a área total de cerca de 2900 m2".

Acções do governo Sarkozy podem ser um rastilho para a xenofobia

Deputada Cecília Honório reúne com representantes da Embaixada francesa e exprime a grande preocupação do Bloco de Esquerda com a expulsão de milhares de pessoas de etnia cigana.
Cecília Honório: preocupação do Bloco. Foto de Paulete Matos
Cecília Honório: preocupação do Bloco. Foto de Paulete Matos
A deputada Cecília Honório reuniu esta quarta-feira com a Primeira Conselheira da Embaixada de França em Portugal, com o intuito de exprimir a grande preocupação que o Bloco de Esquerda tem relativamente à expulsão de milhares de pessoas de etnia cigana provenientes da Roménia e da Bulgária que está a ser realizada pelo governo Francês.
A deputada responsável pelas questões da imigração no grupo parlamentar do Bloco de Esquerda não deixou de apontar que estas acções do governo Sarkozy podem ser um rastilho preocupante para o aparecimento de comportamentos xenófobos e racistas.
As políticas de índole securitária que estão em marcha em França podem também reflectir-se nas políticas de imigração daquele país e da União Europeia, pelo que Cecília Honório também quis tomar conhecimento acerca da visão dos responsáveis pelo governo Francês sobre esta matéria.
Desde o início de 2010 que mais de 8.030 pessoas de etnia cigana foram já repatriados para a Roménia e para a Bulgária, 6739 dos quais teriam sido repatriados de forma "voluntária", segundo o Governo Francês. Esta política já foi criticada pelo Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) que recomendou à França que evite repatriações colectivas e que vele para que o tratamento dos roma seja feito de acordo com Convenção Internacional da ONU sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial. Também o Vaticano já se referiu a estas acções do governo francês como um "novo Holocausto".
Para o próximo sábado, dia 4 de Setembro, às 15h30 frente à embaixada francesa está marcada uma manifestação de solidariedade com a comunidade cigana, à semelhança do que acontecerá em muitas outras cidades da Europa.

Iniciativa Vamos à Luta!

Foi apresentada a iniciativa cidadã “Vamos à Luta!”, que pretende, “durante quatro semanas”, “em espaços públicos no centro de Lisboa”, “apresentar e debater ideias e favorecer uma atitude de compromisso social”.
Logo da iniciativa cidadã "Vamos à Luta!"
Logo da iniciativa cidadã "Vamos à Luta!"
A iniciativa foi lançada por um manifesto e tem um espaço na internet (vamos2010.blogspot.com).
Em declarações à agência Lusa, Ulisses Garrido, da comissão executiva da CGTP e um dos primeiros subscritores do manifesto, disse que esta é uma “iniciativa da cidadania”, promovida por “um conjunto de gente muito diversa do ponto de vista das ideias, das idades, da política, das organizações”, mas com um ponto comum: “um certo activismo social".
No manifesto da iniciativa denuncia-se a difícil situação social, critica-se os banqueiros e os especuladores, a “gigantesca transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos” e apela-se: “Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise. Vamos à luta”.
Ulisses Garridos disse ainda à Lusa: “Não queremos criar nada de novo, não queremos fazer nenhuma associação, organização ou partido político. Queremos que as pessoas militem onde entenderem, mas que se juntem em torno de valores e de ideias alternativas”.
Além de Ulisses Garrido, entre os primeiros subscritores do manifesto estão também António Avelãs, presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, José Rodrigues, vice-coordenador da Liga Operária Católica, Timóteo Macedo, da associação Solidariedade Imigrante, Mamadou Ba, do SOS Racismo, Cristina Andrade, do Fartos/as d'Estes Recibos Verdes (FERVE), e António Serzedelo, da Associação Opus Gay, entre outros.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Concurso de precários/as

Concurso de precários/as
Antes de mais, e para os cidadãos menos informados, há que dizer que este concurso de professores não é um concurso para colocar docentes nos quadros das escolas. É sim um concurso para oferecer postos precários aos docentes que se candidatam.
Dos cerca de 50 mil candidatos, mais de 30 mil não obteve colocação. 17 mil professores foram colocados (precariamente, claro), 10 mil dos quais através da renovação de contrato na mesma escola (sendo que dos restantes sete mil só uma parte obteve horário completo).
Estes números mostram que o governo aposta cada vez mais na precariedade dos docentes, prejudicando a qualidade do ensino.(...)
Publicada por Movimento Escola Pública

Moçambique: Maputo parada por violentos protestos populares

A capital de Moçambique esteve paralisada por protestos contra o aumento do custo de vida, que entraram em vigor neste dia 1 de Setembro. A polícia reprimiu com violência. Os últimos dados apontam 10 mortos e mais de 50 feridos.
Maputo (1 de Setembro de 2010) - Foto de António SIlva/Lusa
Maputo (1 de Setembro de 2010) - Foto de António SIlva/Lusa
Neste dia 1 de Setembro, aumentaram os preços da água e da luz, tendo também sido anunciado o aumento do preço do pão para 6 de Setembro.
Em Moçambique, tem havido um grande aumento de custo de vida. Só em Julho passado, a inflação chegou aos 16,1%, devido a uma galopante subida dos preços dos produtos básicos. A população mais pobre de Moçambique, que já vive em condições muito difíceis, é a mais duramente atingida por estes aumentos.
Nesta terça feira, circularam SMS por telemóvel, apelando a uma greve na cidade para o dia 1 de Setembro.
Os protestos começaram manhã cedo nos bairros periféricos da cidade, com bloqueios das estradas, pneus a arder e manifestações sobretudo de jovens. Esses protestos foram-se estendendo pela cidade e aumentando de violência, com pilhagens e assaltos.
Em resposta aos protestos, a polícia diz que não “foi autorizada qualquer manifestação” e reprimiu com violência.
O sociólogo Carlos Serra, no seu blogue oficinadesociologia.blogspot.com, conta um debate na STV (uma televisão moçambicana): “intervieram via telefónica Alice Mavota (crítica da carestia de vida e das tentativas para esconder isso) e Mia Couto (crítico dos apologistas oficiais do tudo está bem, lamentando a ausência enquadradora dos sindicatos e sugerindo diálogo sério; o escritor afirmou estar cercado em casa)”.

Saltar da plateia para o palco e mudar a história

Não somos observadores nem irresponsáveis. E não podemos assistir passivamente ao encerramento do país e à destruição dos direitos.
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Não somos observadores nem irresponsáveis. E não podemos assistir passivamente ao encerramento do país e à destruição dos direitos.
Num relatório feito à medida da justificação do injustificável, a REN afirma que o Alto Douro Vinhateiro, património da humanidade, pode ficar completamente coberto por postes e fios de muito alta tensão porque os observadores são poucos. Sim, a paisagem fica destruída. Sim, os trabalhadores da vinha apanham choques todos os dias. Sim, há relatos de problemas graves de saúde. Mas os “observadores” são poucos, portanto o problema é negligenciável. Julgávamos nós que os habitantes eram cidadãos. Pelos vistos não passam de “observadores”. Que se espera que fiquem a assistir calmamente à destruição da vinha, do turismo, da saúde, da qualidade de vida, dos direitos.
E dos relatórios mais ou menos obscuros aos intermináveis painéis de comentadores televisivos o discurso repete-se: espera-se que as pessoas, ora tratadas como “observadores” ora como “beneficiárias” mas nunca como cidadãos e cidadãs com direitos e com voz, assistam ao esvaziamento do país e do Estado Social, e ao mais feroz ataque aos mais elementares direitos, sempre passivamente. Há até quem diga que a passividade é exigência de responsabilidade; que irresponsabilidade seria que alguém apontasse o dedo e dissesse não. Assim não. Não queremos pagar uma crise criada por um sistema financeiro que continua sem regras, a acumular lucros e a recusar pagar impostos. Não, não podemos tirar tudo a quem não tem quase nada e não pedir nada a quem tem quase tudo. Não, os nossos impostos não são para pagar a economia de casino em vez do serviço nacional de saúde. Não, o trabalho com direitos não é uma benesse. É um direito.
Não somos observadores nem irresponsáveis. E não podemos assistir passivamente ao encerramento do país - com o fecho das escolas, as privatizações, o desinvestimento público – e à destruição dos direitos – com os cortes cegos nas prestações sociais, a crescente precarização do trabalho, a aumento do desemprego. Sabemos bem onde nos leva este caminho: mais desigualdade, mais injustiça, mais pobreza, menos democracia. Com responsabilidade e determinação mobilizamo-nos e recusamos o caminho traçado. Nas lutas pelo emprego, pelo Estado Social, pelos direitos. Agosto chega ao fim e entramos em Setembro com forças redobradas.

Serralves: Governo reconhece que recepcionistas deveriam ter contrato

Questionado pelo Bloco de Esquerda, o ministério do Trabalho confirma que os recepcionistas estavam na situação de falsos recibos verdes e deviam ter contrato.
Recepcionistas despedidos a 12 de Abril deviam ter contrato
Recepcionistas despedidos a 12 de Abril deviam ter contrato
Na resposta do ministério do Trabalho e da Segurança Social (que pode ler aqui em pdf), é afirmado:
“Verifica-se a presunção da existência de contratos de trabalho entre a Fundação de Serralves e os recepcionistas ao seu serviço, dado tratar-se da realização de uma actividade por forma aparentemente autónoma mas em condições características às do contrato de trabalho, e que causa prejuízo ao trabalhador e ao Estado (...)”.
O ministério diz ainda que “no que respeita ao despedimento (...) devem os interessados accionar os respectivo processos junto do tribunal competente.”
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Concentrações de solidariedade com ciganos perseguidos em França

Foram convocadas para o próximo sábado concentrações em Lisboa e no Porto, de solidariedade para com a comunidade cigana e de repúdio das políticas securitárias do Governo de Sarkozy.
As concentrações visam protestar contra a política de expulsão de ciganos imigrantes, que está a ser seguida pelo governo Sarkozy
As concentrações visam protestar contra a política de expulsão de ciganos imigrantes, que está a ser seguida pelo governo Sarkozy
Foram convocadas para o próximo sábado concentrações em Lisboa e no Porto, de solidariedade para com a comunidade cigana e de repúdio das políticas securitárias do Governo de Sarkozy.
Na convocatória, as concentrações são justificadas “tendo em conta a actual situação da Comunidade Cigana em toda a Europa, nomeadamente o que está a ocorrer em França, com o Governo de Sarkozy a expulsar centenas de romenos de origem cigana do território francês, fazendo tábua rasa dos mais elementares direitos humanos de que a UE não se cansa de proclamar”.
As concentrações estão convocadas para as 15.30h, em Lisboa junto à embaixada francesa (Calçada Marquês de Abrantes nº 5 em Santos) e no Porto em frente ao consulado de França (Av. da Boavista, nº  1681, Porto).
A convocatória é subscrita pelas associações ciganas de: Braga, Canto e Dança Cigana (Porto), Coimbra, Espinho, Gondomar, Matosinhos, Os Vikings (Porto), Pedro Bacelar Vasconcelos (Braga), do Porto, AMUCIP (Seixal), APODEC (Lisboa), Centro de Estudos Ciganos (F. da Foz), Ciganos d' Ouro, Gipsy Produções Ass. Cultural (Águeda) e União Romani. Também as associações Olho Vivo, Solim (Solidariedade Imigrante) e SOS Racismo subscrevem a convocatória.
Em França, estão convocadas manifestação para Paris e outras cidades, por centrais sindicais, diversas associações e por todos os partidos da esquerda francesa, igualmente para o próximo sábado, 4 de Setembro.

Índia: Centrais térmicas nos tribunais

Ambientalistas indianos recorrem à justiça para impedir a realização de projectos que consideram prejudiciais para o meio ambiente, como as centrais de energia térmica. Por Pankaj Sekhsaria, da IPS
Dois manifestantes morreram nos protestos contra a construção da central térmica em Sompeta,  no Estado de Andhra Pradesh
Dois manifestantes morreram nos protestos contra a construção da central térmica em Sompeta, no Estado de Andhra Pradesh
Hyderabad, Índia, 31/8/2010 – A morte de dois manifestantes pela polícia, no dia 14 de Julho, levou ao cancelamento da autorização ambiental para um projecto de central térmica no Estado de Andhra Pradesh. A sentença foi uma vitória, segundo os activistas.
O facto ocorreu em Sompeta, área da Nagarjuna Construction Company Power Projects Ltda. Um dia antes, o Alto Tribunal de Andhra Pradesh desconsiderou um pedido similar para deter a construção de outra central no mesmo distrito, Srikakulam, projecto da East Coast Energy Pvt Ltda., em Bhavanapadu, nos pântanos da aldeia de Naupada.
O lugar será examinado pela Sociedade Internacional de História Natural e de Aves Selvagens. É o principal habitat do pelicano malaio, que só se reproduz na península da Índia, no Sri Lanka e no Camboja, disse o advogado Ritwick Dutta, representante legal de Paryavaran Parirakshana Sangham e outros apelantes.
Ritwick apresentou o caso contra o projecto de Nagarjuna, de 2,5 mil milhões, à Autoridade Nacional de Apelação Ambiental, que cancelou a autorização para construção da central de 2.640 megawatts. Os tiros da polícia em Sompeta aconteceram quase no mesmo momento em que o projecto era apresentado no tribunal de apelação de Nova Delhi.
O resultado dos casos Nagarjuna e East Coast é diferente, mas ambos mostram como se recorre cada vez mais à justiça para decidir a sorte deste tipo de projectos, muitos dos quais já tinham autorizações, pois causam deslocamento das comunidades locais e prejudicam ambientes sensíveis. A tendência de recorrer aos tribunais por questões ambientais não pode ser uma solução de longo prazo para estabelecer uma política, afirmou Sanjay Upadhyau, advogado da Suprema Corte de Nova Delhi.
É preciso reforçar os mecanismos internos e os sistemas administrativos dentro do governo para resolver os assuntos conflitantes antes de conceder as autorizações. “Os acordos internos são muito débeis e os sistemas não podem ser manejados pelos tribunais”, disse Sanjay. O Ministério do Meio Ambiente e Florestas autoriza entre 80 e cem projectos por mês, segundo informe de 2009 preparado pela organização Kalpavriksh, com o título “Chamando atenção para o engano: revelação do estado de controle e cumprimento das condições sociais e ambientais”.
A energia térmica representa mais de 70% do fornecimento eléctrico da Índia. O consumo de electricidade por habitante/ano subiu de 566,7 quilowatts/hora, entre 2002 e 2003, para 704, entre 2007 e 2008. Entre os Estados do sul, Andhra Pradesh tem a maior capacidade instalada de infraestrutura a carvão, que gera quase 6.700 megawatts.
As centrais térmicas representam um investimento total superior a 18 mil milhões de dólares, só em Srikakulam, segundo números oficiais. No total fornecem dez mil megawatts. A região onde será instalado o projecto de Nagarjuna tem grande biodiversidade, incluídas plantas medicinais e pelo menos 120 espécies de aves, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Quase 250 mil pessoas de 24 povoados pesqueiros e 40 agrícolas serão afectadas pelo projecto, disse T. Rama Rao, vice-presidente do Comité de Protecção Ambiental, com sede em Sompeta, que lidera a oposição com a Plataforma de Unidade de Comunidades Pesqueiras.
Pelo menos seis centrais térmicas estão previstas para Andhra Pradesh. Algumas, como o projecto de Bhavanapadu, de 2.630 megawatts, e a que está em Komarada, no vizinho distrito de Vizianagaram, já têm autorizações ambientais, embora tenham sido suspensas de forma temporária. Os fatais acontecimentos de Julho, em que morreram dois activistas, parecem ter motivado outras comunidades a defenderem seus direitos.
“Para as pessoas fica claro que o próprio governo viola a lei. Dão-se conta de sua força, a oposição a esses projectos fortaleceu-se nos últimos dias”, afirmou Rama. “A verdadeira questão é que criámos sistemas que gastam energia. Não podemos continuar agregando megawatts como estamos a fazer até agora. A procura de electricidade foi criada de forma artificial. Temos de trabalhar para reduzir as perdas na transmissão, fazer um uso mais eficiente dos dispositivos finais e conseguir que os nossos sistemas sejam mais eficientes”, acrescentou.
A companhia “fará todo o possível para atender as preocupações da população local quanto à instalação da central”, disse P. L. Murari, responsável pelas Comunicações da Nagarjuna. “O Ministério deve fazer, o quanto antes, um estudo dos pântanos do distrito de Srikakulam para conhecer a sua situação ecológica. Até lá, não deverá autorizar nenhum projecto na área”, diz a ordem que cancelou o projecto de Sompeta.
Envolverde/IPS

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mais desemprego: Três fábricas já não abrem depois das férias

Depois da fábrica de calçado de Arouca que despediu as trabalhadoras por SMS, duas outras fábricas de confecções em Lousada e Penafiel não vão abrir depois das férias. Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco eleito por Aveiro, esteve com as operárias da fábrica de Arouca.
Trabalhadoras despedidas por SMS - Foto de Alexandra Couto/Lusa
Trabalhadoras despedidas por SMS - Foto de Alexandra Couto/Lusa
São mais de 130 pessoas, na sua maioria mulheres, lançadas no desemprego.
Em Lousada, a empresa de confecções Andradress, encerrou para férias em 18 de Agosto e já não volta a abrir. Os 45 trabalhadores, na maioria mulheres, foram informados do encerramento por advogados contratados pela empresa. As trabalhadoras foram surpreendidos pelo encerramento, até porque antes de férias fizeram horas extraordinárias para acabar uma encomenda de 18.000 camisas. (mais informações em porto.bloco.org)
Em Paços de Sousa, Penafiel, a fábrica de confecções Nelbruvest já não vai abrir, lançando 70 pessoas, na maioria mulheres, no desemprego. As trabalhadoras foram despedidas por carta que receberam do patrão da fábrica. Uma trabalhadora da fábrica, Fátima Vieira, disse à agência Lusa que a fábrica encerrou para férias no dia 13 de Agosto, mas no dia seguinte as operárias foram avisadas por vizinhos para a retirada de máquinas da empresa. Dirigindo-se à fábrica as operárias perguntaram ao patrão se estava, o que ele negou, garantido que a empresa abriria a 6 de Setembro. Dias depois, no entanto, as operárias começaram a receber cartas de despedimento, onde “o patrão justificava o despedimento com dificuldades financeiras e a desconsideração manifestada pelos funcionários”, revelou Fátima Vieira. Segundo os seus cálculos a empresa deve a cada trabalhador cerca de 2.200 euros.
O deputado Pedro Filipe Soares, eleito pelo círculo de Aveiro, esteve com as 18 trabalhadoras da fábrica de calçado Pinhosil, despedidas por SMS. A empresa deve às trabalhadoras metade do subsídio de Natal de 2009, subsídio de férias deste ano, salário de Julho e, a algumas trabalhadoras, horas extraordinárias feitas em Julho.
O deputado Pedro Filipe Soares questionou o governo (o Ministério da Economia e o Ministério da Solidariedade e Segurança Social) sobre esta situação, nomeadamente sobre as responsabilidades do patrão da Pinhosil e sobre os apoios necessários a estas trabalhadoras. (mais informações em aveiro.bloco.org)

e Print Quase 40 mil professores sem colocação

Listas deixam de fora milhares de professores, que podem ampliar números de desemprego. Sindicatos dizem que escolas têm os seus quadros sub-ocupados e querem concurso para ingresso nos quadros em 2011.
Fenprof quer garantir a estabilidade dos corpos docentes das escolas, com a realização de um concurso, em 2011, para ingresso nos quadros. Foto de André Beja
Fenprof quer garantir a estabilidade dos corpos docentes das escolas, com a realização de um concurso, em 2011, para ingresso nos quadros. Foto de André Beja
Entre 30 mil e 40 mil professores não foram colocados nos concursos nacionais de contratação de professores, cuja lista foi divulgada esta segunda-feira, depois de um angustiante atraso de horas. Pelo levantamento feito pelo Diário de Notícias, são 39.245 os docentes que não foram colocados, entre os mais de 50 mil candidatos.
Lucinda Manuela, da Federação Nacional da Educação (FNE), observa que "parte destes professores estiveram empregados no último ano e vão engrossar as listas de desempregados."
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof), estimou em "mais de 30 mil" os não colocados. O Ministério não comentou os resultados dos concursos.
Aos professores não colocados, resta agora esperar pelas vagas intercalares das escolas, substituindo professores doentes ou que não aceitaram a colocação.
Segundo a Fenprof, foram colocados cerca de 17.300 docentes, dos quais 10.000 através do mecanismo de renovação de contrato. Esta dimensão das renovações, segundo a Fenprof, “confirma que as escolas e os agrupamentos de escolas têm os seus quadros sub-ocupados ou sub-dimensionados. Tal, resulta sobretudo do facto de, nos últimos quatro anos, terem entrado menos de 400 docentes nos quadros, apesar de se terem verificado mais de 16.000 aposentações”.
A Fenprof afirma assim que, para garantir a estabilidade dos corpos docentes das escolas, o Ministério “não tem alternativa que não seja a realização de um concurso, em 2011, para ingresso nos quadros”.

Bloco quer mais protecção aos desempregados de longa duração

Números do Eurostat confirmam a profundidade e a gravidade da crise económica e social que Portugal atravessa, diz o deputado Heitor de Sousa.
Heitor de Sousa: governo pode ir buscar receita fiscal nas despesas inúteis com submarinos. Foto de Paulete Matos
Heitor de Sousa: governo pode ir buscar receita fiscal nas despesas inúteis com submarinos. Foto de Paulete Matos
Uma das primeiras medidas que o Bloco de Esquerda vai apresentar no reinício da actividade parlamentar “é o alargamento do direito do subsídio de desemprego aos desempregados de longa duração”, anunciou o deputado Heitor de Sousa ao comentar a revisão em alta dos números do desemprego em Portugal em Maio e Junho, feita pelo Eurostat, que apontou para a taxa recorde de 11%.
Considerando que o Programa de Estabilidade e Crescimento não é uma opção de resposta à crise, Heitor de Sousa defendeu que o apoio ao emprego e o incremento das prestações sociais “é uma questão de escolha” por parte do governo e que este pode “ir buscar receita fiscal onde não o faz e cortar nas despesas inúteis com submarinos”.
“Se o governo tem como escolha atacar o subsídio social de desemprego, reduzir as medidas de apoio e protecção social, fá-lo não com o argumento de que se gasta muito dinheiro, mas porque quer cortar nessas despesas para satisfazer outro tipo de compromissos que não aqueles que resultam no apoio aos desempregados e aos serviços públicos essenciais”, disse.
Para o deputado bloquista, o PEC é um plano de “redução do investimento público que prenuncia um agravamento da austeridade das famílias” e “impossibilita” uma redução consistente do desemprego.
Para Heitor de Sousa, os números do Eurostat são históricos, “confirmam a profundidade e a gravidade da crise económica e social que Portugal atravessa, ao contrário do que o próprio primeiro ministro tem propalado nos últimos dias, neste regresso de férias, em que de cada vez que há um númerozinho menos desfavorável na economia ou na sociedade, logo vem dizer que a crise está em vias de ser ultrapassada”.

Fogos: Ministro engana agricultores

Pedro Soares, do Bloco de Esquerda, questiona a credibilidade de um ministro que garante apoios e que, dois dias depois, publica um despacho onde revela que não há garantias de que essas ajudas cheguem aos agricultores afectados.
Pedro Soares: “com a publicação deste Despacho, as prometidas ajudas, não só são insuficientes, como podem nem sequer chegar aos agricultores”. Foto de Paulete Matos
Pedro Soares: “com a publicação deste Despacho, as prometidas ajudas, não só são insuficientes, como podem nem sequer chegar aos agricultores”. Foto de Paulete Matos
O ministro da Agricultura deslocou-se ao Soajo, na passada quarta-feira, onde prometeu aos agricultores afectados pelos graves incêndios florestais, ajudas para alimentação do gado que ficou sem pastagens. Concretamente, declarou que seriam atribuídos 40 euros por cada pequeno ruminante e 100 euros por bovino.
De facto a destruição das pastagens exige ajuda de emergência que garanta a subsistência de milhares de cabeças de bovinos, ovinos e caprinos.
Surpreendentemente, da leitura do Despacho do Ministério (DR de 27 de Agosto) fica claro, no ponto quatro, que não está garantido que haja verba no Orçamento de Estado para todos os agricultores que reclamarem as ajudas.
Diz o Despacho que “em caso de insuficiência orçamental procede-se ao rateio, de acordo com as normas a aprovar pelo IFAP”.
Para o deputado Pedro Soares, “que credibilidade pode ter um ministro que se desloca a uma das áreas mais afectadas pelos fogos florestais e que, na presença dos próprios agricultores, garante que haverá apoios para a subsistência do gado e que, dois dias depois, faz publicar um despacho onde revela que não há qualquer garantia de que essas ajudas cheguem aos agricultores afectados, em tempo útil, por eventual insuficiência orçamental?”
Recorde-se que o deputado do Bloco, que preside à Comissão parlamentar de Agricultura, requereu, em iniciativa parlamentar, a urgência da atribuição de ajudas aos criadores de gado e obteve como resposta, no Soajo, as promessas de apoio incondicional aos agricultores, apesar das medidas anunciadas serem manifestamente insuficientes.
Agora, afirma Pedro Soares, “com a publicação deste Despacho, as prometidas ajudas, não só são insuficientes, como podem nem sequer chegar aos agricultores”.
Pedro Soares exige um esclarecimento imediato e cabal sobre o conteúdo do Despacho. Caso não aconteça, o Bloco de Esquerda irá requerer a presença de António Serrano no Parlamento, em sede de Comissão de Agricultura, logo que se inicie a sessão legislativa.

Taxa de desemprego foi mais alta em Maio e Junho

Eurostat revê em alta os dados do desemprego em Portugal de Maio e Junho. Taxa foi de 11% no dois meses, em vez de 10,9% e 10,8%. Em Julho ficou nos 10,8%.
Portugal é o quarto país da União Europeia com o desemprego mais elevado. Foto de Paulete Matos
Portugal é o quarto país da União Europeia com o desemprego mais elevado. Foto de Paulete Matos
O Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia, reviu em alta os números do desemprego em Portugal referentes a Maio e Junho, que ficaram nos 11%, quando os valores anteriores apontavam para 10,9% e 10,8%, respectivamente.
Portugal manteve-se na quarta posição dos países da União Europeia com a taxa de desemprego mais elevada. A Espanha continua a encabeçar a lista (20,3%), seguida da Eslováquia (15%) e da Irlanda (13,6%).
As mais baixas taxas de desemprego, são as da Áustria (3,8%) e do Luxemburgo (5,3%).
Na zona euro, a taxa de desemprego ajustada sazonalmente manteve-se pelo quinto mês consecutivo inalterada nos 10%. No conjunto da UE a taxa foi de 9,6%.
No conjunto dos 27 países, o Eurostat estima que há 23,05 milhões de desempregados, dos quais 15,83 milhões concentrados na zona euro.
A taxa de desemprego nos jovens (com menos de 25 anos) manteve-se nos 19,6% na zona euro (19,8% em Julho de 2009) e desceu para os 20,2% na UE (20,1% em Julho de 2009).
Em Portugal, a taxa de desemprego nos jovens é superior a esta média: 20,6% (20% em Julho de 2009 e 21,1% em Junho de 2010).

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.