quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Semestre Europeu: "Se a austeridade não falha quem falha é o povo?”


A propósito do debate no plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo sobre o Semestre Europeu 2013 a deputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, afirmou que "de modo sintético o Semestre Europeu é uma enorme oportunidade, mas apenas para o projeto europeu da direita" e acrescentou que "infelizmente é um projeto com mercados mas sem cidadãos".
Marisa Matias afirmou que "de modo sintético o Semestre Europeu é uma enorme oportunidade, mas apenas para o projeto europeu da direita" e acrescentou que "infelizmente é um projeto com mercados mas sem cidadãos"
A versão final do relatório, que foi substancialmente alterado pelas emendas apresentadas e aprovadas pelo PPE, Liberais e Conservadores, propõe como caminho para a União Europeia a manutenção e aprofundamento das políticas de austeridade, a liberalização do mercado de trabalho ou mesmo a concretização do mercado interno através da eliminação das barreiras aos serviços, ao mesmo tempo que não preconiza qualquer necessidade de avaliação das políticas de ajustamento orçamental.
Aliás, quanto a esta matéria "a única alteração que fariam era tê-las posto em prática há 10 anos em vez de agora!" afirmou Marisa Matias. "Esta proposta não é só sobre o que ficou, mas também sobre o que a direita impôs que fosse retirado. Para a direita castiga-se quem trabalha e quem trabalhou mas não se pode tocar na evasão ou fuga fiscal" afirmou ainda a deputada do Bloco de Esquerda, referindo-se ao facto de terem sido rejeitadas também pela direita as recomendações que constavam no relatório sobre a necessidade se articularem esforços ao nível europeu para combater a fraude e a evasão fiscal, bem como as recomendações sobre política regional ou de coesão.
Durante a sua intervenção em plenário, Marisa Matias, chamou a atenção dos demais deputados europeus para a actual situação económica portuguesa, sobre a qual "a Troika só faz avaliações positivas, o Governo português orgulha-se de ser o melhor aluno, mas o desemprego aumenta e o défice e a dívida também." para demonstrar que o que falha nesta estratégia é que "nunca se questiona a receita, porque a austeridade é virtuosa, esta receita, apesar de ser óbvio que está a falhar, não é problema, só o povo é problema.
"Se não se questiona a receita, se não se deploram os governos dos países criticados por não cumprirem as medidas então certamente estão a deplorar o povo" a quem cabe fazer os sacrifícios para que a austeridade seja aplicada.
"Se não é a receita que falha é o povo que falha?", desafiou a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda.
Artigo de Cláudia Oliveira, publicado pelo portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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