terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bloco não vai permitir "muro de silêncio" sobre BPN


Um dia depois de se mostrar “chocado” com nomeação de Franquelim Alves, o CDS acaba por ser o partido a dar a cara pela escolha do Governo e a anunciar pretensão da maioria em impedir audição do ministro da economia. Bloco diz que irá levar "até às últimas consequências" a necessidade de ouvir o ministro.
Franquelim Alves, escutado pela comissão de inquérito ao BPN, reconheceu ter tido conhecimento que contas do grupo BPN estavam falseadas mas nada ter feito para comunicar fraude ao Banco de Portugal. // Bloco não vai permitir "muro de silêncio" sobre BPN
Foto Paulete Matos
 "Levaremos até às últimas consequências a necessidade de ter o ministro na Assembleia da República a explicar aos deputados e ao país o que o motivou nesta escolha, nesta indicação de Franquelim Alves", declarou hoje o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares.
CDS e PSD anunciaram na noite de segunda-feira que vão tentar impedir a audição parlamentar com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, a propósito da nomeação para secretário de Estado do antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), Franquelim Alves.
A audição, solicitada pelo Bloco de Esquerda, pretende confrontar o ministro com a nomeação de alguém que fez parte da SLN durante a gestão de Oliveira e Costa. Como foi ontem recordado por João Semedo - que foi o deputado do Bloco na comissão de inquérito ao BPN -, Franquelim Alves reconheceu nessa comissão ter tido conhecimento da irregularidade das contas mas nunca reportou a fraude ao Banco de Portugal.
Para Pedro Filipe Soares, o Governo "cometeu um erro enorme" com nomeação de alguém que tem no currículo a "passagem pela SLN e pelo BPN, e com conhecimento de algumas das ilegalidades que lá foram feitas, sem que tivesse tido uma ação, que era a que se exigia, de denúncia".
"Esta situação é absolutamente inacreditável, a maioria tenta criar uma muralha de silêncio para proteger o Governo das trapalhadas que vai fazendo, e com isso cria também uma muralha no acesso das pessoas à transparência necessária na condução do que são os destinos políticos do país", considerou o líder parlamentar do Bloco.
Entendendo que ainda há muito para esclarecer, e que a transparência numa escândalo financeiro que custou aos cidadãos mais de 4000 mil milhões de euros assim o exige, Pedro Filipe Soares garante o empenho do Bloco em ouvir o ministro da economia. "Tudo faremos, se for necessário recorreremos ao que é mais forte no ponto de vista do processo parlamentar, para ouvir o ministro da Economia”.

CDS: Polémica não passa de "ruído político"
Pelas bancadas que apoiam o Governo, a recusa da audição de Franquelim Alves surgiu pela voz do vice-presidente da bancada do CDS, Hélder Amaral. Poucos dias depois de dirigentes do partido de Paulo Portas terem feito constar à imprensa o seu incómodo pela nomeação do ex-administrador da SLN, afinal para o CDS esta polémica não passa "um ruído político normal do combate político em actos normais dos grupos parlamentares". 
O CDS entende agora que na decisão de nomear Franquelim Alves para o Governo pesou "seguramente o critério da competência da pessoa escolhida".  Por isso, "obviamente nós não iremos aprovar" a audição pedida pelo Bloco, afirmou Helder Amaral aos jornalistas.

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