terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Responsável departamento estatístico grego acusado de inficionar défice para precipitar resgate


O dirigente máximo da Autoridade Estatística Helénica, Georgiou Andreas, e dois outros responsáveis pela agência que compila os números oficiais do país, estão a enfrentar acusações criminais sobre a suposta manipulação dos números do défice grego em 2009, para precipitar um pedido de resgate financeiro pela Grécia.
Responsável departamento estatístico grego acusado de inficionar défice para precipitar resgate
Dois delegados do ministério público grego, solicitaram ao tribunal especializado em questões de corrupção financeira que investigue as alegações de que Georgiuou Andreas, o chefe do departamento de contabilidade nacional, Constantinos Morfetas, e o chefe de pesquisa estatística, Aspasia Xenaki, inflacionaram deliberadamente os números do défice em 2009, precipitando as condições para um pedido de resgate financeiro pela Grécia. Os três são acusados de prestarem declarações falsas e de abandono do dever.
Na origem do processo criminal estão as declarações de ex-funcionarios da Autoridade Estatística Helénica(ELSTAT) que, em 2011, abalaram a Grécia com a afirmação de que o défice tinha sido “puxado” para um valor superior a 15 por cento do produto, um valor três vez superior ao previsto pelo Governo para 2009.
Estes funcionários declaram na altura que o défice real de 2009 deve ter sido de 12,5 por cento do PIB e que, com poucas medidas imediatas, teria sempre ficado abaixo dos 10 por cento. Zoe Georganta, a  ex-funcionária que originou o processo, acusa o responsável pelo ELSTAT de ter sempre escolhido a metodologia disponível mais difícil e a que apresentava piores números para o país. A inclusão de dívidas acumuladas pelas empresas públicas da Grécia nos números de 2009, quando tal não era estritamente necessário, é um dos pontos levantados.
Escutada por uma comissão parlamentar, em março de 2012, Zoe Georganta disse que não tinha conhecimento de nenhum plano organizado na base da manipulação das estatísticas oficiais do país, culpando antes os políticos que solicitaram o resgate de “inexperiência, incapacidade” e que “talvez alguns deles tenham lucrado”.
Os responsáveis pelo departamento estatístico, o equivalente ao Instituto Nacional de Estatística português, sempre negaram que o valor do défice tenha sido artificialmente inflacionado. Georgiou Andreas insiste que a metodologia seguida foi a que é recomendada pelos padrões internacionais e em consonância com as exigências da Eurostat, a agência de estatísticas da Comissão Europeia.

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