segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Porto: concentração contra relatório do FMI no dia 31 de Janeiro


Contra o relatório do FMI, “uma inaceitável ingerência estrangeira”, um grupo de cidadãos convocou uma concentração para o dia 31 de Janeiro, evocando também a revolta republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891. O ponto de encontro é junto à Igreja de Santo Ildefonso, na Praça da Batalha, pelas 18h30.
“O último relatório do FMI, encomendado pelo Governo de Passos Coelho, é uma brutal declaração de guerra à nossa economia e aos direitos dos cidadãos”, lê-se no documento que está a circular na cidade do Porto. Foto de Paulete Matos.
“O último relatório do FMI, encomendado pelo Governo de Passos Coelho, é uma brutal declaração de guerra à nossa economia e aos direitos dos cidadãos”, lê-se no documento que está a circular na cidade do Porto. Foto de Paulete Matos.
“O último relatório do FMI, encomendado pelo Governo de Passos Coelho, é uma brutal declaração de guerra à nossa economia e aos direitos dos cidadãos”, lê-se no documento que está a circular na cidade convocando um novo 31 de janeiro “em defesa da república e da democracia”, evocando a revolta republicana do Porto que marcou esse dia em 1891. Está, portanto, marcada uma concentração contra o relatório do FMI, pelas 18h30, junto à Igreja de Santo Ildefonso, na Praça da Batalha (ler texto integral da convocatória).
“Sob a capa de um estudo técnico, trata-se de uma inaceitável ingerência estrangeira que pretende determinar o futuro de Portugal, enfraquecer a República e a democracia, rasgar a Constituição, agravar a precariedade, o desemprego, a miséria e as desigualdades sociais”, acrescenta o texto, assinado por cerca de uma centena de pessoas (ver lista de subscritoresaqui).
Para os promotores da iniciativa, “o relatório é mais um episódio da tragédia a que a troika e o Governo querem sujeitar o país, numa via de dependência e ruína, atirando um número crescente de portugueses para situações de pobreza mendicante, de perda de esperança e de medo do futuro”.
“Um novo compromisso cívico”
O texto da convocatória refere que “Portugal já enfrentou outras crises e ultimatos de potências estrangeiras, que tiveram sempre cumplicidades internas, mas que conheceram também resistência popular e patriótica. Nesta data vale a pena recordar a revolta republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891 e todos aqueles que se bateram contra o ultimato inglês e contra o regime que aceitou um outro ‘memorando’, numa conjuntura de bancarrota nacional, gerada pela incompetência dos governos da época”.
Subscrito por professores, investigadores, professores jubilados, músicos, economistas, técnicos do serviço social e sociólogos, o texto reclama pelos ideais republicanos do Porto, que, ”insubmisso à ditadura, transformou o 31 de Janeiro em símbolo vivo de resistência e de combate pela democracia”.
Numa altura em que “o Estado social e os valores da democracia e da solidariedade estão a ser alvo de uma guerra económica, social e cultural, alimentada pela ditadura dos mercados financeiros e pela cartilha neoliberal, centralista e retrógrada do Governo de Passos Coelho, a evocação da memória do 31 de Janeiro exige um novo compromisso cívico”, refere o documento.
“Pretende-se que a cidade relembre as suas tradições de revolta e insubmissão cívicas dirigidas agora contra a troika"
Foi José Paiva, presidente da Gesto, que teve a ideia original e as reuniões que levaram à realização desta iniciativa tiveram lugar no espaço da cooperativa.
Ao Esquerda.net, um dos subscritores da convocatória, José Soeiro, explicou que a revolta republicana que teve lugar no dia 31 de janeiro de 1891 constituiu o primeiro grande exemplo de “um movimento de rebeldia que ousou enfrentar a monarquia”.
A rua que veio a receber o nome de “31 de janeiro”, conta Soeiro, viu o seu nome alterado durante o fascismo para “Rua de Sto. António” e “isso não foi por acaso”.
Tanto que, durante a ditadura, os estudantes inconformados muitas vezes alteravam o nome da rua, colocando na placa o nome original. O 25 de Abril devolveu o nome à rua que, segundo Soeiro, comporta hoje esse significado de “revolta, desobediência e disputa simbólica pelo poder”.

A concentração marcada para esta quinta-feira quer “resgatar essa cultura de insubmissão que a cidade do Porto conhece”, afirma José Soeiro. “Pretende-se que a cidade relembre as suas tradições de revolta e insubmissão cívicas dirigidas agora contra a troika, contra um Governo apodrecido e incapaz e contra a ditadura financeira”, sublinha.

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