sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Governo da troika, novo "governo finispátria"


O governo tenta montar para dar a ideia de que "estas medidas avassaladoras e destruidoras do Estado social" são imposições do FMI quando na verdade são "a aplicação do próprio programa do governo". Isto é, "o governo tenta disfarçar como uma imposição técnica do FMI as medidas políticas às quais está muito agarrado", denuncia a eurodeputada Marisa Matias.
Tal como em Janeiro de 1890, Portugal está hoje submetido a um ultimato imposto por potência estrangeira através de um memorando; e tal como nessa altura escreveu Guerra Junqueiro, os agentes externos e internos que o impõem têm um comportamento de "finispátria", que terá como consequência acabar com o país através da destruição da sua economia. O paralelismo, cuja atualidade foi reforçada com a divulgação do último relatório do FMI, foi evocado pela eurodeputada Marisa Matias na sua crónica semanal no programa Conselho Superior da Antena Um.
"Qualquer governo é eleito para cuidar da coisa pública, da res publica", lembrou a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda. O que acontece com este governo, acrescentou, "é que está a transformar a coisa pública na coisa privada para a qual irá trabalhar a seguir", violando o juramento feito quando tomou posse.
Marisa Matias desmontou o cenário que o governo tenta montar para dar a ideia de que "estas medidas avassaladoras e destruidoras do Estado social" são imposições do FMI quando na verdade são "a aplicação do próprio programa do governo". Isto é, "o governo tenta disfarçar como uma imposição técnica do FMI as medidas políticas às quais está muito agarrado".
A eurodeputada do Bloco de Esquerda recorda que este relatório do FMI "não surge do nada", uma vez que já há algum tempo o ministro Gaspar falou do corte de quatro mil milhões de euros na despesas pública, objeto aliás das "cartas de amor" por ele trocadas com a chefe do FMI Christine Lagarde. E acrescentou, retomando o paralelismo com a situação do ultimato de 1890, que nessa altura o governo caiu devido a uma fortíssima reação popular, restando agora saber "se o governo também cai e se inicia um novo ciclo político", antes que se consume o "finispátria".

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