segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Que se lixe a Troika: “Tantas horas de Conselho de Estado para nada”


As subscritoras e os subscritores das manifestações de 15 e 21 de Setembro consideram que o Conselho de Estado “fechou os olhos aos país”, pois nada se resolve “pelo facto de o Governo passar a tirar-nos de outra maneira aquilo que nos roubava na TSU”, e apelam à participação na concentração em Lisboa organizada pela CGTP, já no próximo sábado.
Vigília ao Conselho de Estado, 21 de Setembro de 2012. Foto de Paulete Matos.
Vigília ao Conselho de Estado, 21 de Setembro de 2012. Foto de Paulete Matos.
Segundo as subscritoras e os subscritores dasmanifestações de 15 e 21 de Setembro, as centenas de milhares de pessoas que saíram à rua consideram que “os problemas deste país não se resolvem pelo facto de o Governo passar a tirar-nos de outra maneira aquilo que nos roubava na TSU”.
“Quando o país esperava que o Conselho de Estado o percebesse, este fechou os olhos”, afirmam em comunicado de imprensa, sublinhando que os protestos, que tiveram uma dimensão histórica, representaram “uma posição firme de denúncia de um programa, o da troika, de um governo, o dos troikistas, e de um método anti-democrático, o de sujeitar a população portuguesa a políticas que as pessoas não discutiram, nem votaram”.
Acusam o Conselho de Estado e, em particular, o Presidente da República, de sofrerem dos mesmos “defeitos de cegueira e surdez à voz do povo, característicos do Governo, desrespeitando e reinterpretando a seu gosto estes últimos e inequívocos protestos”.
O possível recuo na TSU não é suficiente, defendem, enumerando outros problemas e medidas como os sucessivos cortes nos salários e nas pensões, nos serviços públicos de Saúde e Educação e no apoio à Cultura, as privatizações, o aumento do IVA e do preço dos transportes públicos.
Congratulando-se pelo fato de milhares de pessoas se terem manifestado politicamente, muitas pelas primeiras vez, o grupo que fez soar pelo país o mote de protesto “Que se lixe a Troika: queremos as nossas vidas!” afirma que é preciso “dar voz ao povo” e “decidir em conjunto” para garantir um país mais justo e não subserviente ao acordo com a troika.
“Uma frente de resistência comum”
E por isso apelam à continuação do protesto e à multiplicação da mobilização em prol de “um novo rumo”, um rumo “que tenha finalmente as pessoas como centro das atenções, e não bancos e mercados ou interesses financeiros e especulativos”, que aponte para “uma verdadeira solidariedade internacional, para uma mudança de regime que beneficie todos os povos”.
Temos de nos unir “numa frente de resistência comum”, defendem. Dando o exemplo, apelam à participação na concentração em Lisboa no próximo sábado, dia 29 de Setembro, organizada pela CGTP. O ponto de encontro é no Terreiro do Paço, às 15h.
“Queremos as nossas vidas. E por elas estamos dispostos a fazer, em cada dia de luta, em cada novo protesto, algo de extraordinário”, lê-se no final do comunicado.

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