segunda-feira, 9 de julho de 2012

Eurogrupo discute hoje futuro da Espanha, Grécia e Chipre

Os ministros das Finanças da zona euro vão discutir esta segunda-feira, em Bruxelas, as situações de Espanha, Grécia e Chipre, mas só são esperadas algumas decisões relativamente à ajuda à banca espanhola. Entretanto, Espanha relembra à Holanda e à Finlândia que “os acordos têm de ser cumpridos”.
Eurogrupo discute hoje futuro da Espanha, Grécia e Chipre
Quanto à Grécia e ao Chipre, o Eurogrupo deverá limitar-se a avaliar os resultados das missões iniciais da troika que recentemente estiveram em ambos os países.
Os ministros das Finanças da zona euro começam esta segunda-feira, em Bruxelas, a definir as condições do empréstimo que visa salvar uma parte substancial do sistema financeiro espanhol. O futuro da Grécia e do Chipre também fazem parte da agenda, mas só são esperadas algumas decisões relativamente à ajuda à banca espanhola.
Espera-se então que o Eurogrupo chegue a um “acordo político” sobre os termos da assistência financeira até 100 mil milhões de euros para a recapitalização da banca espanhola, embora a versão final do memorando de entendimento, que estabelecerá todas as condições para o “resgate”, só deva ser concluída e assinada no final do mês. Está definido que o empréstimo será realizado numa primeira fase através do atual fundo de resgate, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), até que entre em vigor o novo Mecanismo Europeu de Estabilidade, adianta a Lusa.
Quanto à Grécia e ao Chipre, o Eurogrupo deverá limitar-se a avaliar os resultados das missões iniciais da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) que recentemente estiveram em ambos os países, mas a anunciada renegociação do memorando com a Grécia e a decisão sobre o resgate pedido por Nicósia a 25 de junho último só deverão conhecer desenvolvimentos em finais de agosto.
Os 17 vão ainda voltar a discutir a nomeação do novo presidente do Eurogrupo, dado que está a expirar o mandato do atual, o luxemburguês Jean-Claude Juncker. Depois deste encontro, na terça-feira haverá uma reunião alargada aos 27 ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), estando Portugal representado em ambas pelo ministro Vítor Gaspar.

Espanha relembra à Holanda e à Finlândia que acordos têm de ser cumpridos

Mariano Rajoy inicia uma semana que pode ser decisiva para definir o futuro imediato de Espanha. Mas é no mercado da dívida que a prova dos nove se fará e nos corredores diplomáticos que as eventuais soluções se encontrarão.
O caminho não é fácil para o primeiro-ministro espanhol. Rajoy suspirou de alívio no final da mais recente cimeira europeia e saiu dela como um dos vencedores. Mas os mercados não subscreveram a tese. E, no final da semana passada, as taxas de juro pedidas pelos investidores para comprarem obrigações espanholas aproximavam-se de máximos históricos, muito perto também dos níveis que obrigaram Portugal, Grécia e Irlanda a pedir o resgate externo.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol recordou esta segunda-feira à Finlândia e à Holanda que "os acordos devem ser cumpridos", numa referência à oposição desses dois países pelas decisões adotadas na última cimeira europeia.
"Não faz o menor sentido que num Conselho Europeu, que é a máxima instituição da União Europeia (UE), se adote um acordo e que, de regresso a casa, se comecem a abrir brechas e a procurar fórmulas para incumprir os compromissos ali obtidos", disse José Manuel García Margallo aos jornalistas.
O chefe da diplomacia espanhola referia-se ao acordo, alcançado no final de junho, sobre a possibilidade dos fundos europeus comprarem dívida no mercado secundário, decisão que tanto a Finlândia como a Holanda ameaçam vetar.
Depois de afirmar que os mercados são forças cegas que respondem aos seus próprios interesses, García-Margallo destacou que a responsabilidade do Executivo nos mercados e nas instituições europeias é adotar as decisões necessárias para que as ações contra o euro não tenham sucesso. Considerando que o problema do euro é "político" e não "económico", García-Margallo afirmou que os investidores apostam em áreas geográficas com piores dados que a zona euro porque duvidam da vontade da UE de defender a moeda comum.
Este domingo, também o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, criticou os países "nórdicos" (Finlândia e Holanda) que minam "a credibilidade" das decisões da zona euro e apelou também à aplicação rápida das decisões tomadas para resolver a crise.

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