quarta-feira, 11 de julho de 2012

Desemprego de professores vai disparar em setembro

A Fenprof prevê que no início do próximo ano letivo seja atribuído "horário zero" a mais de sete mil professores. E que a dispensa de professores contratados irá arrastar mais 20 mil para o desemprego. Esta quinta-feira há manifestação de professores em Lisboa, a partir das 15h no Rossio.
Dia 12 julho, às 15h no Rossio (Lisboa), há manifestação de professores convocada pela Fenprof
Dia 12 julho, às 15h no Rossio (Lisboa), há manifestação de professores convocada pela Fenprof
O prazo para a definição dos horários disponíveis termina esta sexta-feira e a Fenprof estima que serão eliminados cerca de 25 mil horários. O ambiente entre os profissionais do ensino é de grande inquietação, até porque em apenas um ano a taxa de desemprego entre professores aumentou 120%, segundo dados oficiais do Instituto do Emprego e Formação Profissional.
Se no ano passado o "horário zero" foi atribuído a mais de quatro mil professores - cerca de metade conseguiu depois colocação através de concurso - este ano deverá ser o dobro. E Mário Nogueira - líder da Fenprof - diz que entre eles estarão professores "com mais de trinta anos de serviço, que ficarão com horário zero a algumas disciplinas". Em declarações ao Diário Económico, o professor Paulo Guinote afirmou que "a orientação que os diretores receberam do Ministério é para que, em caso de dúvida, seja atribuído o horário zero".
O presidente do Conselho de Escolas disse ao mesmo órgão de imprensa que os mais afetados serão os docentes de Educação Visual e Tecnológica, vítimas da reforma curricular de Nuno Crato que acabou com o chamado "par pedagógico", ou seja, a necessidade de estarem dois professores na sala de aula. Para Manuel Esperança, esta sangria de professores nas escolas é o resultado não apenas da reforma curricular, mas também da política que aumentou o número de alunos por turma e criou os mega-agrupamentos.
A indignação dos professores volta às ruas de Lisboa esta quinta-feira pelas 15h, com a concentração marcada para o Rossio. O desemprego no setor e os horários zero são o principal motivo do protesto convocado pela Fenprof, que pede também mais "respeito pelos horários de trabalho e condições de trabalho dignas".

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