segunda-feira, 28 de maio de 2012

“Descaramento da troika é tão grande, que ainda querem baixar mais os salários”

Francisco Louçã denunciou em Riba D'Ave que “os homens da troika”, com imenso descaramento dizem que há muito desemprego em Portugal, porque os salários são altos de mais. Salientando que a troika tem uma política que é “atacar sempre os de baixo”, apelou à solidariedade com o povo grego e com o partido Syrisa.
Manifestação da CGTP Fevereiro de 2012 – Foto de Paulete Matos
O Bloco de Esquerda realizou neste sábado um comício em Riba D'Ave. Nesse comício, Francisco Louçã falou sobre o desemprego, a troika e a Grécia.
O dirigente do Bloco de Esquerda começou por lembrar que o Governo diz agora que não sabe porque é que o desemprego está a aumentar e questionou: “Então acabaram de votar, com o apoio aliás do Partido Socialista, uma lei para facilitar os despedimentos. Para correr com as pessoas basta clicar. Então não esperavam que o desemprego aumentasse?”
“Mas os homens da troika, vejam bem de que massa eles são feitos, têm uma teoria completa: Se há desemprego em Portugal a culpa é vossa, é porque os salários são altos de mais. Que descaramento.”, destacou o deputado do Bloco e frisou: “Esse descaramento mostra-nos alguma coisa, que temos que aprender: Eles não param nunca. Eles têm uma política, uma atitude: atacar sempre os de baixo. os de cima ficarão melhor, os de baixo ficarão sempre pior.”
Sublinhando que é importante “olhar para a Grécia”, Francisco Louçã lembrou que a política da troika tem lá mais um ano que em Portugal, considerando que devemos ver na terrível situação grega atual, a situação que enfrentaremos daqui a um ano.
“Durante um ano os gregos não fizeram muito, ficaram espantados com o que se estava a passar. Aceitaram perder o 13º e o 14º mês, aceitaram baixar as reformas, aceitaram perder hospitais, aceitaram aumentar os custos das escolas, foram aceitando e depois começaram a revoltar-se”, referiu o coordenador da comissão política do Bloco, acrescentando que o povo grego concluiu “que era preciso lutar e nós precisamos dessa atitude em Portugal”.
Francisco Louçã sublinhou que na Grécia dois partidos tinham normalmente a maioria dos votos, tal como acontece em Portugal com PSD e PS, e que nas últimas eleições “tiveram uma catástrofe eleitoral porque o povo votou para acabar com o memorando e correr com a troika”.
Referindo-se às próximas eleições legislativas na Grécia, que terão lugar a 17 de junho, Francisco Louçã destacou:
“Agora vai haver novas eleições e como sabem pode haver, não sei se haverá, pode haver a vitória, pela primeira vez na história europeia das últimas décadas, de um partido de esquerda para fazer um governo de esquerda, para vencer a troika e para juntar toda a esquerda que queira governar. Sensatamente, mobilizando os recursos do país, recusando a austeridade, recusando a troika, negociando com a Europa em condições de igualdade, para que todos possamos lutar contra o desemprego e contra a bancarrota que se está a viver. Esse partido, é um partido de esquerda como o Bloco de Esquerda, com o qual temos de há muito tempo as melhores relações. Estaremos profundamente empenhados na campanha desse partido!”

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