Num almoço com militantes em Ovar, Francisco Louçã questionou quais serão as propostas do ministro da economia para combater o desemprego se para este governante o desemprego é o “coiso”. É preciso “tirar aos juros excessivos, à sangria da economia tudo aquilo que pode ser posto na criação de emprego, euro por euro”, defendeu Louçã.
Foto de Paulete Matos.
“Como é que ele [Álvaro Santos Pereira] pode preocupar-se com o desemprego se não sabe dizer a palavra desemprego? Que soluções é que ele pode trazer para o desemprego se para ele o desemprego é o ‘coiso’?”, avançou o coordenador da Comissão Política do Bloco.
“Imaginem se, nesta lógica do Governo falar uma nova língua, que é o ‘coisês’, este começar a apresentar soluções que é coisar e ‘descoisar’ o ‘coiso’. É evidente que eles não se preocupam, não querem saber. Não sabem dizer a palavra”, adiantou ainda Louçã.
“É pelos desempregados, um milhão e duzentas mil pessoas que, já agora, não são coisas”, que é preciso, segundo Francisco Louçã, "uma esquerda forte, uma esquerda exigente contra a irresponsabilidade, uma esquerda de diálogo, de aproximação, que estabelece pontes, que quer trazer alternativas”.
O dirigente bloquista defendeu que é urgente "recuperar para o investimento, para que possa haver criação de emprego, novo emprego e para isso é preciso uma economia que sobreviva”. Para tal, temos que “tirar aos juros excessivos, à sangria da economia tudo aquilo que pode ser posto na criação de emprego, euro por euro”, advogou o dirigente bloquista.
“Aumentar os salários mínimos nacionais é uma forma de criar emprego. Obrigar as empresas a contratar trabalhadores em vez das horas extraordinárias que não são pagas aos trabalhadores é criar emprego. Melhorar a condição do trabalhador que hoje é precário, mas ocupa um trabalho efetivo é criar emprego. Euro por euro. Temos que tirar dos juros que Portugal não deve pagar para pormos nos empregos que tem que criar”, propôs Francisco Louçã.
“Não podem existir despedimentos em empresas que têm lucros. O Sr. Belmiro, o Sr. Soares dos Santos, o Sr. Américo Amorim e todos os outros têm que saber que não permitimos. Queremos proibir o despedimento selvagem, as rescisões voluntárias, empurradas borda fora. Queremos recuperar emprego e isso começa por não deixar criar desemprego”, frisou Louçã.
“Quando a nossa esperança para que seja eleito um governo de esquerda para governar a Grécia contra a troika nos dá tanta força é porque dizemos, mesmo quando é mais difícil, que é preciso, também em Portugal, uma esquerda que se junte contra a troika pelos desempregados, contra a austeridade que vai destruir a economia. Contra a bancarrota dos juros excessivos. Para renegociar as condições, recuperar o que é nosso, trazer para todos aquilo que é de todos”, destacou o dirigente bloquista.
“Se há uma possibilidade de dizer: a troika acabou, a austeridade tem que dar lugar à política de emprego para as pessoas, é em Atenas que essa decisão é tomada”, rematou.
Francisco Louçã referiu-se ainda ao anúncio de Álvaro Santos Pereira sobre as rendas excessivas na energia. “O Governo, à socapa, foi garantir à EDP e a outras que este benefício da garantia de potência da renda excessiva é prolongado por mais 20 anos a troco de uma ligeira diminuição, que ainda assim lhes garante dois biliões nos anos que correm. Mais 20 anos”, frisou o deputado do Bloco de Esquerda.
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