Numa entrevista à RTP a partir de Maputo, o primeiro-ministro diz que só "com pleno sucesso" do programa da troika o Governo começará a pagar parte dos subsídios de Natal e férias em 2015. E não conseguiu explicar a razão de tirar direitos adquiridos a quem trabalha enquanto deixa em paz os grupos que sugam o Estado nas PPP.
O Governo foi rápido a tirar salários, mas para atacar os privilégios escandalosos das PPP, Passos diz que encomendou um relatório no estrangeiro.
Logo após a introdução sobre os negócios com Moçambique, ficou claro que o objetivo de Passos Coelho na entrevista a José Rodrigues dos Santos era "pôr um ponto final numa falsa polémica": a da promessa de reposição das subsídios de férias e de Natal. Mais uma vez, o primeiro ministro escudou-se nos textos que previam a reposição dos subsídios no final do programa de assistência financeira, ignorando as palavras de vários membros do Governo que apontaram o início de 2014 para o regresso dos dois meses de salário subtraídos a quem vive do trabalho ou da reforma.
O primeiro-ministro argumentou que o Orçamento de Estado para 2014 começará a ser preparado "em março, abril" de 2013. "Começar em março desse ano a dizer que íamos repor os subsídios, sem termos a certeza de que o poderíamos fazer com sucesso, isso poderia ser uma imagem precipitada que Portugal correria o risco de oferecer aos seus parceiros internacionais e ao Fundo Monetário Internacional", defendeu Passos Coelho, que ainda há poucos dias precipitou a subida do risco da dívida portuguesa com a entrevista ao jornal alemão Die Welt em que admitiu pela primeira vez a possibilidade do programa da troika falhar e o país não se conseguir financiar nos mercados na data prevista, em setembro do próximo ano.
Quando questionado sobre a razão por não ter atacado os "direitos adquiridos" dos grupos financeiros nas Parcerias Público-Privadas ruinosas para o Estado, ao mesmo tempo que ataca os de quem vive do trabalho ou da reforma, Passos Coelho falou sobre o número de ministros do seu governo, a diminuição na administração do Estado e ainda criticou o governo anterior e os contratos das PPP que assinou.
Só após quatro minutos e duas insistências do entrevistador, o primeiro-ministro acabou por reconhecer que a única coisa que o Governo fez foi "selecionar uma entidade estrangeira para fazer um relatório final" até junho. Passos Coelho prometeu também que a renegociação se iniciará "ainda este ano", quando se prevê que o desemprego atinja números nunca vistos em Portugal, que os apoios sociais e os serviços públicos estarão mais debilitados e a economia continue mergulhada na recessão.
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