Os cortes do governo da troika estão a levar os hospitais a comprarem materiais de qualidade duvidosa, denunciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. São cortes que "estão a provocar uma degradação da qualidade e quantidade de materiais de uso clínico” e que constituem mais uma razão para aderir à greve geral.
No Hospital de Évora os doentes são internados em refeitórios e por todo o país já escasseia o material e os enfermeiros. Foto Paulete Matos
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) promete apresentar os casos às “autoridades competentes”, dando o exemplo das áreas de diálise ou de transplantes, onde diz existir tentativas de reutilização de materiais. Outros casos de degradação do material hospitalar registados pelo SEP nas últimas semanas dizem respeito à compra de compressas que se deterioram, balões de soro que vertem este material, obrigando à sua substituição, pensos e adesivos de qualidade duvidosa.
O efeito das medidas do Governo também é sentido pelos utentes do sistema de saúde, com José Carlos Pereira a confirmar que “estes cortes – aplicados de forma séria nas instituições – está a provocar a saída de enfermeiros sem que estes sejam substituídos”. “Temos um número de enfermeiros muito inferior às necessidades dos internados e das dotações seguras que o Ministério da Saúde fixou para as instituições”, disse o sindicalista, citado pela agência Lusa.
Outro efeito da política da troika nos hospitais portugueses é que “os enfermeiros já não têm condições de fazer o conjunto de atividades que sabem e que os doentes têm direito”, dado serem menos a tratar mais gente. Segundo o SEP, no hospital de Évora os doentes já estão a ser internados nos refeitórios e noutros hospitais voltou-se ao tempo das macas nos corredores e das enfermarias sobrelotadas, com menos enfermeiros por turno.
A falta de enfermeiros também afecta cuidados como o tratamento de escaras, com o SEP a alertar para o aumento do internamento de doentes institucionalizados que chegam aos hospitais com escaras não tratadas.
O estado do sistema de saúde português fez notícia na imprensa internacional desta semana, com o jornal britânico Guardian a publicar uma notícia intitulada "Aumento da mortalidade portuguesa está ligado à dor do programa de austeridade". A notícia fala do aumento das taxas moderadoras e do caso de uma utente diabética de Portalegre que agora tem de pagar 44 euros de cada vez que vai à consulta no hospital de Santa Maria, em Lisboa, graças ao fim da comparticipação do transporte.
O jornal inglês diz ainda que o Governo de Passos Coelho culpa a gripe e o frio pelo aumento da mortalidade em fevereiro, mas assinala que a imprensa já publica notícias sobre pessoas que são hoje vítimas do preço proibitivo dos cuidados de saúde.
Sem comentários:
Enviar um comentário