quarta-feira, 7 de março de 2012

Bloco diz que novo serviço de audiências pode servir privatização da RTP


Desde que o novo método de audiometria começou a funcionar, a 1 de Março, as audiências televisivas deram uma reviravolta inesperada e a polémica está definitivamente instalada. Se é normal a pequena valorização dos canais por cabo – que subiram, em média, 1 ponto percentual -, a empresa que venceu o concurso (GfK) não consegue explicar como é que a RTP perdeu um em cada três espectadores. Como a RTP captou, em 2011, 50 milhões de euros em receitas publicitárias, este trambolhão virtual nas audiências pode representar uma perda de 13 milhões de euros ao canal público.

A forma como a empresa que ganhou o concurso, no qual foi a pior classificada nos critérios técnicos, constitui o painel para medir as audiências está envolva em controvérsia desde o início. “Desde o dia 1 de Março que nós temos em Portugal um novo sistema para medir as audiências que tem sido considerado desastroso porque diz-nos coisas absurdas. Diz-nos que houve um jogo do Benfica que ninguém esteve a ver durante vinte minutos; diz que há casas que não têm televisão por cabo em que as pessoas estão a ver programas de cabo; diz que há pessoas que estão a ver programas que nem sequer estão a ser transmitidos", afirmou Catarina Martins.
Pior, lembra a deputada do Bloco, enquanto as pessoas com mais de 64 anos representam apenas 9% do total de “escutados” no painel para medir as audiências, na população residente no país representam quase o dobro (cerca de 17%). Atendendo a que, de acordo com todos os estudos, o canal público é o mais visto entre a população mais idosa, e que é acima dos 64 anos que se encontra a população que mais vê televisão, este erro grosseiro está a afetar sobretudo as audiências registadas da RTP.
O Bloco de Esquerda, através da deputada Catarina Martins, questionou hoje o ministro Miguel Relvas, que tem a tutela da comunicação social, sobre o novo contrato assinado com a GfK para medição de audiências na RTP e enviou um requerimento à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. O Bloco pretende que esta entidade reguladora proceda, com carácter de urgência, a uma auditoria aos painéis audiométricos usados pela empresa.
“Para nós é particularmente preocupante ouvir o ministro Miguel Relvas, que deveria ser o primeiro a defender os interesses de uma empresa que tutela, dizer que não está preocupado com o processo, que não está preocupado com as audiências na RTP e que esse não é um problema que o aflija. Pois devia, porque este método está a prejudicar principalmente a RTP e o serviço público", advogou.
"Esta manobra das audiências na altura em que se tenta tirar um canal à RTP é estranha e merece acção. O senhor ministro não pode dizer que não quer saber se a RTP está ou não a ser roubada", concluiu.

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