quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Troika não se contenta e quer taxas moderadoras ainda mais caras

Com os aumentos, governo prevê arrecadar 199 milhões de euros, mas 'troika' exige que mais 51 milhões. Louçã diz que taxas vão ter valores semelhantes aos do sector privado e lembra que o SNS não é um negócio.
A ‘troika' quer ainda que a receita aumente outros 50 milhões de euros em 2013, o que faz prever novos aumentos. Foto de Paulete Matos
O jornal apurou que na segunda revisão do memorando de entendimento, que ocorreu no mês passado, os chefes da missão do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu exigiram que o governo obtenha uma receita adicional em taxas moderadoras de 150 milhões de euros em 2012.
Acontece que com os aumentos já anunciados, a receita adicional prevista é de 99 milhões de euros. Assim, para cumprir à risca as exigências da ‘troika', o governo terá de avançar com taxas mais caras para arrecadar mais 51 milhões.
A ‘troika' quer ainda que a receita aumente outros 50 milhões de euros em 2013, o que faz prever novos aumentos.
Louçã: SNS «não é um negócio»
Para o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, as taxas moderadoras que entrarão em vigor dentro de duas semanas vão ter valores semelhantes aos praticados pelo sector privado. O deputado e professor de Economia lembra que o Serviço Nacional de Saúde não é um negócio. “Os privados são um negócio, mas o SNS é pago por todos nós, com o dinheiro dos impostos, para garantir acesso à saúde a todas as pessoas que precisem, e isso chama-se democracia”.
Louçã denunciou que qualquer pessoa que ganhe 628 euros por mês poderá ser obrigada a pagar 60 euros num episódio de urgência em que tenha de fazer uma análise complementar”, ou seja, um décimo do seu salário.
O Bloco leva à Assembleia da República na próxima semana uma iniciativa que visa “interromper estas taxas tão punitivas”.

Sem comentários:

Enviar um comentário