Patrícia Castro participou no trabalho premiado com o Nobel da Física de 2011 e foi aí que descobriu que queria fazer "investigação na área da cosmologia". Mas foi obrigada a desistir da carreira em 2007, porque "não se pode viver eternamente de bolsas".
Patrícia Castro participou no trabalho que deu o Nobel da Física deste ano a Saul Perlmutter. Foto kqedquest/Flickr
Entrevistada pela agência Lusa, Patrícia Castro explica as razões que a levaram a decidir abandonar a investigação. “Foi uma decisão muito difícil de tomar porque eu adorava fazer investigação, mas tinha de ser. Não havia perspectivas na minha área em Portugal e ser bolseiro é muito difícil, basta dizer que acabando uma bolsa as pessoas não têm sequer direito ao subsídio de desemprego”, lembra a agora consultora na Cap Gemini que em 1998 foi seleccionada para fazer um estágio em Berkeley com a equipa de Saul Perlmutter, recém-galardoado Nobel da Física.
Neste estágio, a investigadora portuguesa participou no artigo de referência do trabalho hoje premiado pela descoberta da expansão do universo a partir da observação de supernovas. "Participei no artigo, assisti à sua elaboração e ajudei na análise dos dados das supernovas. Ainda lá estava quando o trabalho foi considerado pela Revista Science como a experiência do ano", recordou Patrícia à Lusa.
Entre Berkeley e o abandono da investigação, e Berkeley, Patrícia Castro esteve na Universidade de Oxford, onde se doutorou em Astrofísica e depois foi bolseira de pós-doutoramento na Universidade de Edimburgo. Regressou depois a Portugal para prosseguir o trabalho de investigação no Centro de Astrofísica do Instituto Superior Técnico.
A ex-investigadora queixa-se de uma grande “falta de reconhecimento profissional” em Portugal, porque “não se pode viver eternamente de bolsas. Há muita gente que sofre diariamente na pele com essa situação”. Esta situação de precariedade em que vivem os jovens investigadores portugueses fê-la optar em 2007 por um emprego "estável". As duas actividades têm "alguns pontos em comum, porque também temos de fazer investigação, mas não é a mesma coisa”, lamenta Patrícia, hoje com 36 anos de idade.
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