O presidente do Eurogrupo respondeu a Miguel Portas no Parlamento Europeu dizendo que Merkel terá de "explicar aos alemães que a Europa é um tango". É já nesta quinta-feira que a coligação da chanceler pode partir-se, quando for votado o aumento do fundo de resgate europeu.
Jean Claude Juncker na resposta a Miguel Portas.
Na sessão plenária em Estrasburgo, Miguel Portas referiu-se à “cacofonia da liderança europeia” evidenciada nas afirmações de Merkel e dos seus ministros durante esta crise. Na resposta, Jean Claude Juncker respondeu que "a senhora Merkel e os outros vão ter de explicar aos alemães que a Europa é um tango". O presidente do Eurogrupo disse ainda que "os alemães não são egoístas mas, tal como os outros, querem que lhes expliquem bem o que se está a passar".
Segundo a edição online do jornal Der Spiegel, há muitos deputados da CDU que vêem no reforço do poder do Fundo Europeu de Estabilização Financeira uma cedência dos poderes orçamentais do parlamento alemão. O mesmo se passa com deputados liberais do FDP, que consideram que dar mais dinheiro aos países em crise é um incentivo à falta de regras que os trouxeram à situação actual. O líder do FDP, vice-chanceler e ministro da economia, Philipp Rösler, já veio apelar publicamente ao fim do "tabu" de Merkel em falar do 'default' grego. Por seu lado, o líder da CSU preferiu comentar a opinião de Merkel, ao defender que a Europa falharia se o euro falhasse, com um lacónico "Não vejo qual a ligação".
Esta terça-feira, o primeiro-ministro grego leu uma declaração para uma plateia de membros da Confederação da Indústria alemã em Berlim. Voltou a prometer cumprir todos os compromissos com a troika e até citou o slogan "Yes, we can" de Obama para sublinhar o "enorme desejo de mudar" do povo grego, mesmo com as manifestações que no mesmo dia cercaram o parlamento. Lá dentro era votada uma taxa sobre os imóveis, mas os manifestantes protestavam também contra a privatização da companhia eléctrica DEI. Segundo o sindicato Genóp, citado pelo El País, o preço da luz irá aumentar 60% nos próximos três anos. E o ministro das finanças anunciou novos cortes nas deduções fiscais que terão maior impacto no bolso dos trabalhadores.
As promessas de Papandreou em Berlim podem ajudar Angela Merkel a conseguir mais apoios na votação decisiva de quinta-feira, que se segue à derrota eleitoral da CDU e do FDP em Berlim. "Queremos ter uma Grécia forte na eurozona", dizia a chanceler na véspera da visita do primeiro-ministro grego, acrescentando que "faremos tudo o que for preciso na Alemanha" para que tal aconteça.
Para cumprir a vontade de Merkel, os deputados alemães terão de dar luz verde na quinta-feira ao aumento do contributo do país para o fundo europeu de estabilização - que passa de 122 mil milhões para 211 mil milhões de euros. Pelas posições já declaradas, os conservadores calculam haver 19 dissidentes na bancada. Mesmo que consiga uma maioria, é certo que Merkel sairá deste debate mais debilitada politicamente dentro do seu próprio partido.
Sem comentários:
Enviar um comentário