Aliás, João Galamba, como todos os deputados do PS na Assembleia da República, votaram eles próprios contra sucessivas recomendações ou propostas do Bloco de Esquerda no sentido da criação dessa taxa sobre o capital. Da última vez, votaram contra em Dezembro de 2010, no debate do Orçamento, e foi tão recente que não se devem ter esquecido.
Acontece ainda que, no Parlamento Europeu, os deputados do Bloco não só votaram a favor dessa proposta como foram mesmo os seus autores. Vamos aos factos do debate do Relatório “Investir no futuro: um novo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para uma Europa competitiva, sustentável e inclusiva”:
1) Emenda 1083 de Miguel Portas e Jurgen Klute
Proposta de resolução
118. Toma nota dos eventuais novos recursos próprios propostos pela Comissão na sua Comunicação sobre a revisão do orçamento e que se devem traduzir numa proposta legislativa até 1 de Julho de 2011; a UE deve tomar a iniciativa de aplicar no seu próprio espaço uma taxa sobre as transacções financeiras, enquanto deve continuar a bater-se pela sua aplicação em escala global; a UE deve ainda actuar exemplarmente sobre os movimentos de capitais em direcção aos paraísos fiscais; os recursos assim obtidos devem reforçar o orçamento da UE, reduzindo as contribuições dos orçamentos nacionais e concentrarem-se no apoio a programas de convergência social e de combate a pobreza a nível mundial e em escala europeia;
Dessa proposta resultou uma redacção de compromisso, que veio a ser aprovada.
2) Intervenção de Miguel Portas no debate deste relatório (minutos antes da sua votação em plenário):
"E uma última observação: nós votaremos favoravelmente a taxa sobre as transacções financeiras, mas entendemos que ela só verá a luz do dia quando a Europa tiver a coragem de a aplicar independentemente dos outros."
3) Registo da votação global em plenário, 8 de Junho de 2011:http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//NONSGML+PV+20110608+RES-RCV+DOC+PDF+V0//PT&language=PT
4) Intervenção de Miguel Portas, um mês depois da votação, em debate com Durão Barroso dedicado ao "Quadro Financeiro Plurianual":
"(...) A minha segunda observação é sobre as transacções financeiras. Eu quero saudar aqui o facto de a Comissão Europeia ter mudado de posição. Durante anos, movimentos sociais e as esquerdas políticas defenderam, contra o silêncio e até o cinismo, que era necessária uma taxa europeia sobre as transacções financeiras. Durante anos, a União Europeia, e em particular o Doutor Durão Barroso, foram sempre dizendo ou que não, ou então que tinha que ser na escala planetária.
Saúdo claramente a mudança de opinião, mas é preciso que nos entendamos. Eu gostava verdadeiramente de saber poque é que mudou de opinião, porque é importante esta pergunta por uma razão simples, é que eu preciso de saber se é uma nova convicção, se ela é forte e se ela vai convencer os governos que não a querem, porque a unanimidade é necessária em matéria fiscal na União Europeia."
Aqui fica, assim, o registo da posição do Bloco de Esquerda e da mentira do PS.
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