domingo, 14 de agosto de 2011

Professores: Proposta de novo modelo de avaliação “não faz rotura com o antigo”


Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, considera que a proposta governamental “não faz rotura com o antigo modelo”, apesar de ter algumas melhorias e de existirem aspectos que merecem ser esclarecidos.
Avaliação dos professores, aulas assistidas - Foto de esaag.pt
Avaliação dos professores, aulas assistidas - Foto de esaag.pt
“A tal rotura com o modelo monstruoso não se fez, como se esperaria de quem tantas críticas fez ao modelo de avaliação do antigo Governo”, declarou à agência Lusa Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
Mário Nogueira salienta que os sindicatos não estão de acordo, nomeadamente, com as quotas, que se mantêm, e as cinco menções de avaliação.
O coordenador da Fenprof critica o documento: “Algumas coisas são a manutenção daquilo que já existia e noutras coisas muda só o nome. Por exemplo aquilo que eram os objetivos individuais passa-se a chamar o projecto do docente e o que era a comissão do conselho pedagógico passa a chamar-se secção”.
Mário Nogueira disse ainda que há questões a esclarecer: “Neste modelo os ciclos avaliativos deixam de ser de dois anos e passam a estar relacionados com a progressão na carreira. Mas como é que isso vai ser feito se as carreiras estão congeladas?”
proposta de novo modelo de avaliação de professores, apresentada pelo Governo nesta sexta feira, prevê uma avaliação interna, feita em todos os escalões e na escola, e outra externa, com base na observação das aulas feita por avaliadores externos.
A proposta prevê a isenção de avaliação para os professores do oitavo escalão, desde que tenham tido pelo menos Bom em todas as avaliações, para os do nono e décimo escalões e para os que reúnam condições de aposentação.
Para a avaliação externa, a quem compete aferir a dimensão científica e pedagógica, será constituída uma bolsa de avaliadores com docentes de todos os grupos de recrutamento.
Na avaliação interna, o avaliador é o coordenador de departamento curricular, ou quem ele designar.
A proposta prevê também ciclos de avaliação mais longos, coincidindo com a duração dos escalões da carreira. Para os professores contratados, o ciclo de avaliação corresponde à duração do contrato, tendo como limite mínimo 180 dias de serviço lectivo prestado. Quanto aos docentes em período probatório, equivale a um ano escolar.
A proposta aponta que compete à Secção de Avaliação do Desempenho Docente do Conselho Pedagógico aprovar a classificação final, cabendo-lhe validar as notas de Muito Bom, Excelente e Insuficiente. A Secção é composta por quatro elementos eleitos pelo Conselho Pedagógico.
João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação(FNE), considera que a proposta é “um bom ponto de partida”, mas salienta: “Não é claro no texto como funciona o regime de quotas para a atribuição do ‘muito bom’ e do ‘excelente’. Tinham dito que isso era imponderável, que tinha de se ter em conta as quotas disponíveis mas é possível encontrar soluções para este constrangimento, minimizando o impacto na carreira dos professores”.
João Dias da Silva diz ainda que a proposta “deixa algumas questões por resolver”, nomeadamente o funcionamento do sistema de avaliadores externos, o regime dos professores bibliotecários e dos professores do ensino especial e o regime de quotas para as avaliações mais elevadas.
Para Paulo Guinote (autor do blogue A Educação do meu Umbigo), que se propõe analisar detalhadamente o documento governamental durante este fim de semana no seu blogue, a proposta é “em termos globais, uma mera cosmética, um novo simplex, que agradará verdadeiramente apenas aos que já gostavam da actual ADD”.
A primeira ronda negocial entre Governo e sindicatos, sobre a proposta do novo modelo de avaliação, está agendada para dias 22 e 23 de Agosto.

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